Citações

A vaidade e o orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. (Jane Austen)

Come Pick Me Up And Take Me Out - Capítulo VII

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Capítulo 7

 

Will ficou pálido assim que viu a figura de Caroline Bentley entrar na sala de visitas de sua casa, acompanhada de seus pais. Ele logo respirou fundo, colocou uma expressão amigável no rosto e tentou ser o mais agradável possível, embora soubesse que o seu domingo ia ser uma tortura interminável. Ele duvidava que conseguisse almoçar direito, pois sabia que a probabilidade de ter uma indigestão aumentava a cada passo que Caroline dava em sua direção.

            Nos primeiros trinta minutos daquele almoço Will aprendeu como o seu pai e o pai de Caroline Bentley haviam se conhecido na Universidade de Cambridge e de como haviam se reencontrando quando o pai de Will resolveu fazer investimentos em algumas propriedades no começo daquele semestre. Graças ao fato do sr. Bentley ser um corretor de imóveis muito bem sucedido da região.

            Enquanto os dois homens em questão relatavam memórias de suas aventuras na faculdade—pois, embora cursarem cursos diferentes, dividiram o dormitório juntos durante o primeiro ano na faculdade—Will se martirizava com a perspectiva daquela tarde. O almoço tinha acabado e todos estavam reunidos na sala, os adultos tomando um drink e conversando, e Will pensando que naquele momento Charles estava com Jane, divertindo-se, enquanto ele estava preso com Caroline ao invés de Elizabeth.

            Caroline tentava, em vão, engajar Will numa de suas conversas enfadonhas. Para não parecer rude demais com as visitas, Will sempre buscava o auxilio de sua irmã para escapar das atenções de Caroline, trazendo a conversa de Caroline aos ouvidos de Georgiana.

Percebendo a atenção que Will dava a sua irmã, Caroline resolveu fazer o mesmo, numa tentativa de ganhar a sua admiração, e começou a conversar com a menina sobre coisas de menina—cabelo, maquiagem, tratamento de pele; mesmo que Georgiana só tivesse dez anos e não desse muita atenção a este tipo de coisa ainda.

--Eu sei que você é ainda muito nova para se preocupar com espinhas, mas nunca é cedo demais para começar a cuidar de sua pele.—Ela dizia a Georgiana, ao mesmo tempo em que alisava o seu cabelo.—Sabe, meninos não gostam de meninas com muita espinha!—Recebendo um olhar incrédulo de Georgiana e um aborrecido de Will; este não era o tipo de conversa que ela devia estar tendo com a sua irmã.

--Georgiana só tem dez anos, Caroline!—Ele replicou.—Ela não pensa em meninos!

--Isso é o que você pensa!—Ela replicou, voltando a dar sua atenção a Georgiana e sorrir, além de piscar para a menina, com um ar de conspiração.—Eu sei que ele é seu irmão mais velho,—Ela disse isso baixinho, para Will não ouvir.—...mas não deixe ele te dominar!—Mas sem sucesso, porque Will ouviu. Entretanto, antes que ele pudesse dar-lhe uma resposta, a governanta de sua casa dirigiu-se a ele.

--Telefone para o senhor, Fiztwilliam.—A governanta o chamou, fazendo com que Will se levanta-se de seu lugar ao sofá da sala e fosse procurar um outro lugar para atender o telefone.

--Pois não?—Ele atendeu.

--Pois não?—Richard zoou com a formalidade do primo.—Sei não, viu! Você às vezes me assusta!—E começou a rir. Will conseguia ouvir outras vozes ao fundo e um barulho de música, o que o deixou mais irritado ainda. O primo estava se divertindo e ele preso naquele estúpido almoço.

--O que você quer, Richard?—Will replicou, deixando transparecer a sua irritação.

--Eu não sei mais! Eu liguei para lhe fazer um convite de amigo, mas já estou começando a me arrepender!—Richard continuou com o seu bom humor, mesmo percebendo a falta de humor por parte de Will.

--É sério, Richard! Para que você ligou?—Will continuou com o mesmo tom, sem paciência para as gracinhas do primo.

--Os meninos estão aqui, a gente vai começar um jogo de boliche...—Richard começou a explicar.—Mas está faltando uma pessoa para formar as duplas. Você não quer aparecer por aqui, não?—Will sabia que não podia ir, mas ao invés de responder que não e explicar porque, a sua curiosidade ou vontade de ser torturado mais um pouco o fez inquirir.

--Quem é que está aí?—Só para saber quem mais estava tendo uma tarde agradável enquanto ele sofria em casa.

--George, Charles, Jan...—Mas antes que Richard pudesse terminar de listar os presentes em sua casa para aquele jogo de boliche, Will perguntou, sem esconder a sua ansiedade no seu tom de voz.

--Lizzie está aí?

--Lizzie?!—Richard repetiu, já começando a rir.—Lizzie, é? Hum, interessante!—Will não fez um comentário sequer; na verdade, dúvida que conseguiria fazê-lo se tentasse, porque o seu coração estava preste a saltar pela sua boca.—Sim, ...Lizzie está aqui!—Richard ouviu Will respirar fundo depois de ouvir a sua resposta, o que o fez rir mais ainda.—Devo encarar isso como um ‘sim’; como você vem para cá?!

--Sim. Eu vou para aí!—Will respondeu, desligando o telefone. 

______________________

Richard desligou o telefone e voltou para o salão de jogos da sua casa, onde tinha uma pista de boliche. Recebendo logo olhares de todos com grande expectativa com relação à chegada ou não de Will para completar as duplas para o jogo. George estava com uma bola de boliche na mão e tentava ensinar Elizabeth como jogar e Charles fazia o mesmo com Jane; as duas irmãs nunca tinham jogado antes. E todos pararam o que estavam fazendo quando viram Richard retornar ao salão para ouvir as novidades.

--E então?—George perguntou, tentando acabar com o suspense que Richard estava fazendo. Richard entrou no salão sério e não conseguia tirar os olhos de Elizabeth, quem começava a se sentir estranha.—Ele está vindo?

--Sim.—Richard respondeu e sorriu para Elizabeth, maliciosamente.—Ele vem para cá!—Elizabeth logo tentou esconder o sorriso que brotava em seus lábios e olhou em outra direção, evitando o olhar de Richard. Mas vindo a ver que Jane e Charles olhavam para ela da mesma forma. Então ela olhou para George, o único que parecia estar normal. Elizabeth logo começou a se perguntar se Will teria feito algum comentário com Richard a seu respeito.

_______________

Will caminhou até a sua mãe, depois de desligar o telefone, aproveitando que ela tinha se afastado dos outros adultos na sala de estar, rapidamente, para fazer um outro drink para o seu pai, e lhe pediu permissão para ir à casa de Richard.

--Não, Fitwilliam.—A sra. Darcy respondeu.—Nós estamos com visitas.

--Ninguém vai sentir a minha falta!—Will replicou.—Olha para lá! Papai está entretido com o amigo de faculdade, a senhora com a esposa do amigo de papai e Georgiana está fazendo sala a Caroline.

--É, mas Caroline é da sua idade e não da de Georgiana. Logo vai se entediar.—Will logo pensou que era mais fácil sua irmã se entediar que Caroline, mas preferiu não fazer nenhum comentário a respeito.

--Mãe, por favor! Meus amigos estão todos lá!—Will tentou ser mais malandro e usou um de seus olhares piedosos com a mãe, sabendo que sempre funcionava.

--Tudo bem.—A sra. Darcy respondeu.—Mas...—Ela completou, antes que Will pudesse ficar muito alegre.—você vai perguntar a Caroline se ela não quer ir com você.

--O que?—Will perdeu toda a animação que há pouco tinha surgido dentro dele.—Não! Caroline não vai ganhar nada me acompanhando até a casa de Richard!

--Ou você convida Caroline a ir com você ou você desiste de ir!—A sra. Darcy recriminou-o.—Eu não lhe criei para ser assim mal educado!—O que fez Will calar-se.—Você irá convidá-la; se ela não quiser ir, você poderá ir sozinho!—E com isso ela voltou a dar sua atenção ao drink que estava preparando.

--Tudo bem.—Will se afastou dela e se aproximou de Caroline.—Caroline.—Ele disse, com desgosto, recebendo olhares de Caroline e Georgiana.—Eu estou indo a casa de Richard, você quer me acompanhar?—Ele proferiu estas palavras ao mesmo tempo em que implorava mentalmente para que ela lhe dissesse que não.

--Eu adoraria!—Caroline lhe disse, abrindo um sorriso de orelha a orelha e se pôs de pé num pulo.—Oh, me desculpe, querida Georgiana, por te abandonar desse jeito.—Ela disse logo em seguida, com uma falsa expressão de decepção no olhar.

--Não se preocupe comigo.—Georgiana replicou empolgada, sorrindo de orelha a orelha.—Divirtam-se!—E quando Caroline lhe voltou as costas novamente, Georgiana murmurou.—Já vai tarde!

            Como a casa de Richard era no final da rua em que Will morava, os dois foram andando até a casa de seu primo. Eles foram recebidos pela governanta da casa, quem os dirigiu ao salão de jogos em silêncio, enquanto Caroline fazia todo tipo de elogio à casa de Richard.

            Assim que eles puseram os pés no salão de jogos, todos pararam o que estavam fazendo para observá-los. George e Richard estavam entorno de Elizabeth, brincando de ensiná-la a jogar boliche e ela estava sorrindo; enquanto Charles e Jane faziam o mesmo, em outra pista de boliche. Cada uma das meninas com uma bola de boliche em mãos. O olhar de Will imediatamente pousou em Elizabeth, quem também o estava fitando. O sorriso que ela tinha nos lábios desapareceu assim que ela olhou para ele.

--Finalmente!—George exclamou.—Por que você demorou tanto? Sua casa é aqui do lado!

--Minha mãe.—Will replicou, ainda fitando Elizabeth. Quem escolheu aquele momento para tentar jogar a bola, somente para não ficar olhando para ele.

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            Elizabeth queria conseguir se controlar, não demonstrar a decepção que sentiu quando viu Caroline com Will, tão pouco a raiva que começou a crescer dentro dela por causa da presença dos dois. Ela começou a desejar que ele não tivesse vindo imediatamente após tê-lo visto entrando com Caroline; pelo menos, se ele não tivesse vindo ela poderia tentar se divertir um pouco entre os meninos.

            Ela sentiu Jane se aproximar dela e tentou sorrir para irmã. Mas sabia que Jane sabia o que ela estava pensando e o que ela estava sentindo, estava escrito no olhar condescendente que Jane lhe dirigia. O que só piorou a situação. Se Jane também estava pensando no que ela estava pensando, era sinal de que ela não estava imaginando coisas. Que o fato de Will ter aparecido com Caroline ali significava que ele estava saindo com ela também. Na verdade, era capaz de Will estar namorando Caroline; não era a primeira vez que ela os via juntos! E ele me beijou! Aquele idiota!

--Eu estou bem, Jane.—Elizabeth murmurou para a irmã, voltando a sair da pista de boliche e indo buscar a sua bola na máquina quando ela retornou. Notando que Charles tinha se aproximado de Will e o puxara para um canto. Jane a seguiu, preferindo não sair de seu lado.

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--Você não disse que tinha um almoço de família?—Charles inquiriu.—O que você está fazendo com Caroline?—Ele completou, zangado.—Eu pensei que você e Lizzie...—E deixou morrer a frase.

--Eu tive um almoço em família. E advinha quem foi almoçar na minha casa!—Will replicou, soando tão insatisfeito quanto Charles, senão mais. O que fez Charles olhar na direção de Caroline, aparentemente confuso.—O pai de Caroline é o amigo de meu pai de que lhe falei...—Will explicou, recuperando a atenção de Charles.—e a minha mãe só deixou eu vir para cá se eu concordasse em convidar Caroline!—Will explicou.—O que ela aceitou num piscar de olhos, para a alegria de Georgiana!

--Ah.—O que desanuviou a expressão de Charles.—Espera aí! A sua irmã gostou que Caroline te acompanhasse até aqui?! Ela quer que você e Caroline...—E deixou a pergunta morrer de novo.

--Deus, não!—Will exclamou, recebendo olhares de todos.—Ela só ficou contente de se livrar de Caroline!—Ele continuou, diminuindo a voz.

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            Caroline se aproximou de Elizabeth e Jane, sorrindo. As duas irmãs lhe dirigiram um olhar de pouca amizade, mas não fizeram nenhum comentário imediatamente.

--Oi, meninas.—Caroline as cumprimentou, com um sorriso falso nos lábios.

--Oi, Caroline.—Jane a saudou, sorrindo sinceramente. Mas Elizabeth não disse ou fez nada; apenas a fitou de volta, séria.

--Will não tinha me dito que vocês estariam aqui quando me convidou a acompanhá-lo até a casa de seu primo!—Ela disse com satisfação.—Eu estava me divertindo tanto na casa dele, conversando com a irmã dele!—E continuou, com um sorriso e olhar de admiração.—Ela é adorável! Na verdade, toda a família dele é adorável!—Enquanto Elizabeth dirigia um olhar desesperado a irmã, sentindo um nó crescendo na sua garganta.—Os pais dele são um amor! Me trataram tão bem!

--Tenho certeza que são.—Jane replicou, enquanto Elizabeth voltava a se afastar, indo para a pista de boliche com a bola de boliche em mãos, controlando-se para não começar a chorar. Eles estão namorando! Até os pais dele já sabem!

--A gente vai começar a jogar, ou não?—George reclamou.—Eu estou ficando entediado, aqui!—George também não tinha ficado satisfeito de ver Caroline com Will; ainda não tinha desistido de conquistá-la, mesmo que só por conquistar.

--Certo!—Richard exclamou.—Vamos formar as duplas!—Fazendo com que todos se aproximassem dele.—Espera aí! Não vai dar para formar dupla de novo! Com Will e Caroline somos sete; alguém vai sobrar, novamente!—O que fez com que todos olhassem para Will com irritação, como se a culpa fosse dele. Menos Caroline, é claro, e Elizabeth, quem tinha decidido não olhar mais para ele.

--Ah, não se preocupem comigo!—Caroline disse.—Eu não vou jogar!—Esperando receber salvas por sua atitude, já que estava solucionando o problema.

--E por que não?—George inquiriu, só por curiosidade.

--Eu... jogar boliche! Ficou doido?!—Ela exclamou, recebendo mais olhares intrigados.—Colocar os meus dedos nos buracos daquelas bolas ali...—Ela apontou para a máquina em que as bolas estavam organizadas.—e tentar jogar aquela bola pesada para derrubar umas garrafinhas?!—E fez uma careta, o que fez Elizabeth sorrir com a besteira que tinha acabado de ouvir.—Eu não sei como vocês, meninas, vão jogar!—Caroline dirigiu-se a Elizabeth e a Jane ao dizer isso, o que fez os meninos dirigirem os seus olhares a elas também.

--Por que não? È divertido.—Jane respondeu, com simplicidade.

--Vocês não têm medo de quebrar uma unha?—Caroline argumentou.

--Sabe, Caroline, eu tenho uma solução para este problema.—Elizabeth respondeu, falando a primeira vez com ela desde que eles tinham chegado.

--Você tem? E qual é?—Caroline parecia interessada na resposta. Será possível que Elizabeth sabia de algum produto de beleza que ela, Caroline, desconhecia?

--Elas crescem de volta!—Elizabeth replicou, com um olhar sério. O que fez Charles e George prenderem uma risada, ao perceberem a reação de desgosto de Caroline com o jeito de Elizabeth.

--Bom, Caroline não vai jogar, não é?—Richard resolveu intervir, ao que Caroline respondeu positivamente com a cabeça.—Então vamos formar as duplas!

            Imediatamente, Elizabeth entrecruzou o seu braço com o de Richard, dirigindo-lhe um sorriso e aguardou que as outras duplas se formassem. Richard logo percebeu um olhar frio que Will estava lhe dirigindo, mas preferiu não fazer nenhum comentário imediato. Charles e Jane iam formar uma dupla, o que era obvio; então, sobrou George e Will para formar a outra dupla. Com isso, Richard disse a Elizabeth.

--Você sabe... Você devia ter escolhido Will.—Ao que Elizabeth dirigiu-lhe um olhar irritado.—Ele é melhor jogador que eu!—Richard apressou-se em argumentar.—Nós vamos ficar em desvantagem assim!—Finalmente recebendo um sorriso de Elizabeth, quem lhe disse com seu jeito brincalhão.

--Se você preferir formar dupla com outra pessoa a não ser eu, eu não vou impedi-lo!—Soltando o seu braço.

--Como qualquer homem de verdade, eu nunca preferiria formar dupla com outro homem ao invés de formá-la com uma mulher!—Richard replicou e, com um ar galante, completou.—Principalmente, com uma mulher como você!—Voltando a receber um olhar frio de seu primo, quem estivera escutando a conversa dos dois. Quem ficava cada vez mais irritado com a interação dos dois, e bem na frente dele!

            Eles começaram a jogar pouco depois disso. Todos pareciam estar se divertindo, exceto Will. Quem só ficava mais irritado e frustrado com o resultado daquele dia. Além de não estar formando dupla com Elizabeth, tinha que ficar observando-a se divertir com o seu próprio primo. Ela estava tão amigável com ele, Will quase podia jurar que ela estava flertando com ele. O que foi que aconteceu da noite anterior a esta tarde? Ela e Richard não poderiam ter tido assim tanto tempo juntos na sua ausência, poderiam?!

            Quando eles deram um intervalo no jogo, enquanto Richard cuidava para que um lanche fosse preparado para eles, Elizabeth foi ao banheiro. Ao que Will a seguiu, esperando no corredor do lado de fora do banheiro para poder falar com ela sem a presença de mais ninguém.

--Elizabeth.—Ela escutou a voz dele a suas costas assim que pôs os pés fora do banheiro e sentiu o seu coração acelerar. E antes de virar-se para encará-lo, respirou fundo e tentou ficar tranqüila.

--Sr. Darcy!—Ela respondeu, usando do mesmo tom que o saudou da primeira vez que falou com ele, ao que ele não falhou em notar, causando-lhe uma súbita paralisia.

            Os dois ficaram quase cinco minutos fitando um ao outro, em silêncio. Elizabeth o olhava como se estivesse perante qualquer outra pessoa, indiferentemente. Enquanto ele a fitava com um olhar confuso, magoado.

--Aconteceu alguma coisa de errado?—Ele inquiriu, soando aflito.

--Não, por quê?—Elizabeth continuou interpretando o seu papel, permanecendo calma e indiferente.

--Você me chamou de...—Ele deixou a frase morrer, à medida que sentia a sua língua travava.—Ont... Ontem você me chamou de Will!—Ele tentou controlar o seu tom de voz, mas sem conseguir esconder sua frustração.

--Chamei?—Elizabeth continuou da mesma forma.—Engraçado,...—E fingiu estar pensando no que ele tinha dito, como se tentasse se lembrar da ocasião.—eu não me lembro!

--Voc...—Ele começou a dizer, dando um passo na direção de Elizabeth, mas a voz de Caroline o impediu de continuar.

--Ah, Will, aí está você!—Ela exclamou, se aproximando deles pelas costas de Elizabeth; quem fechou os olhos e respirou fundo, tentando não perder a calma.—Eu preciso ir embora.—Ela informou, ignorando Elizabeth; quem aproveitou o momento para fugir da cena o mais rápido que conseguiu, não ouvindo o resto da conversa dos dois.—Os meus pais já devem estar querendo ir embora de sua casa.

--Tudo bem.—Will respondeu, voltando ao salão de jogos; Caroline o seguiu.—Eu... nós já vamos!—Will informou a todos, percebendo que Elizabeth não olhava para ele.

--Tchau a todos!—Caroline disse, entrecruzando o seu braço com de Will no momento em que Elizabeth dirigiu o olhar em sua direção.—Eu me divertir muito.—Will puxou o seu próprio braço de volta, mas Elizabeth já tinha virado o rosto em outra direção.—Adorei a sua casa, Richard. Absolutamente esplendorosa!

--Obrigado, Caroline.—Richard respondeu.—Eu os acompanho até a porta.

--Não precisa.—Will replicou, friamente.—Eu sei o caminho.—E foi embora, apressadamente; ao que Caroline tentou acompanhar.

____________________________

Charles levou as meninas de volta para casa em seu Austin Martin azul metálico às oito horas da noite. A viagem de volta foi silenciosa, a não ser pelo barulho do rádio do carro que estava ligado numa estação qualquer. Cada um dos passageiros estava perdido em seus próprios pensamentos. Elizabeth estava ficando cada vez mais chateada e já não tentava esconder, Jane estava preocupada com Elizabeth e Charles começava a perceber a tensão daquele momento. Ele tentava descobrir uma forma de abordar a história de Will e Caroline, mas não conseguia pensar em um jeito discreto de dar à Elizabeth à informação que ela precisava.

             Quando, finalmente, entraram na rua da casa dela, ele disse.

--Olha, Lizzie, o Will só levou Caroline para a casa de Richard porque ele não teve escolha!—Elizabeth e Jane olharam para Charles incrédulas.—Ele não queria levar ela para lá, a mãe dele que o fez levá-la com ele!—Elizabeth não conseguia acreditar no absurdo que estava ouvindo.

--Olha, Charles...—Jane começou a dizer, mas Elizabeth a interrompeu.

--Por que você está me dizendo isso?!—Charles parou o carro na frente da casa de Elizabeth e virou-se de lado, olhando para o banco de trás dos passageiros.—Eu não sei de onde você tirou a idéia de que eu me interessaria em saber o que Will faz ou deixa de fazer com relação a namorada dele!—E abriu a porta do carro, saindo e batendo a porta, sem esperar por uma réplica de Charles ao seu comentário.

--Namorada?—Charles olhou para Jane, confuso.—Que namorada?!

--Por favor!—Jane respondeu, também saindo do carro e indo atrás de Elizabeth.

--Que namorada?—Charles exclamou, ao sair do carro. Mas Jane não olhou para trás, seguiu o seu caminho e entrou em casa, fechando a porta.

            Elizabeth foi direto para o próprio quarto e fechou a porta. Antes que alcançasse a própria cama, Jane entrou no quarto. Mas, antes que Jane pudesse dizer qualquer coisa, Elizabeth disse.

--Eu estou bem! Apenas com sono!—E acompanhou Jane para fora de seu quarto, fechando a porta e trancando-a.

            Ela começou a trocar de roupa e depois se deitou na cama. Mas não dormiu logo, ficou pensando em tudo o que tinha acontecido e se sentindo estúpida. É claro que ele ia preferir Caroline! Ela é bonita!! E eu não... Vindo a se lembrar do comentário que ele tinha feito com o próprio primo a respeito dela na noite de sexta passada, no pub. Garanto que, se Charles e Jane não estivessem saindo, ele tentaria sair com Jane! Limpando uma lágrima de rosto com bastante raiva. Eu não vou chorar por causa dele. Aquele idiota! De repente a música que ela estivera escutando em sua mente toda a manhã daquele dia voltou a tocar em sua mente, e ela começou a chorar.

 

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