Capítulo 5
Dentro da sala de cinema, eles procuraram por lugares mais ao fundo da sala, no alto. Assim tinham uma visão mais beneficiada do telão, embora a sala de cinema estivesse um pouco vazia—alguns lugares permaneceram vazios durante toda a sessão. Sentaram-se Charles, Jane, Elizabeth e Will, respectivamente. E, antes que a sessão começasse, Will perguntou a Elizabeth se ela não queria pipoca.
--É!—Charles exclamou.—Eu tinha esquecido!—Completou, batendo na própria testa com a mão.—Você quer pipoca, Jane?—Ele a fitou com um olhar culpado.
As duas irmãs se entreolharam e, sorrindo pelo jeito dele, responderam.
--Não.
--E por que não?—Charles inquiriu, suspeitando que fosse por causa de Elizabeth e aquela história de pagar as próprias coisas de novo.
--Vocês não estão de regime, estão?—Will comentou, olhando-as de forma estranha.
--Não!—Elizabeth dirigiu um olhar irritado para ele.—Por que vocês, garotos, sempre deduzem que nós estamos de regime porque não aceitamos comer alguma coisa?!
--Perdoe-me.—Ele replicou, sem entrar em maiores discussões sobre tal ponto; não queria dizer nada ofensivo.
--Ou você acha que eu preciso de regime, sr. Darcy?!—Elizabeth preferiu insistir no assunto, olhando-o fixamente e esperando a resposta que ele fosse dar. Charles prendeu a respiração e Jane ficou muda, ambos aguardando a resposta, sentindo-se desconfortável com aquela situação mais uma vez. Enquanto Will apenas retribuía o olhar penetrante que Elizabeth lhe dirigia.
--Não.—Will, enfim, respondeu, com o mesmo tom controlado que tanto irritava Elizabeth.—Definitivamente, não!—Permitindo que Charles voltasse a respirar e Jane o observasse com interesse, para depois sorrir satisfeita. Enquanto Elizabeth apenas sustentou o olhar que ele lhe dirigia.
--Então,... por que vocês não querem pipoca?—Charles disse, depois de um tempo, voltando a pensar na possibilidade de Elizabeth se negar a deixar que eles pagassem as coisas para elas.
--Nós não comemos pipoca quando estamos assistindo um filme no cinema.—Jane respondeu, com naturalidade. Mas ambos os rapazes pareciam não entender o motivo para isso.
--E por que não?—Will inquiriu.
--Porque não gostamos de ficar com as nossas mãos cheias de gordura durante toda a sessão e sair da sala para ir ao banheiro, lavar as mãos, nos faria perder parte do filme.—Elizabeth explicou. O que fez Charles ficar mais tranqüilo e dar o assunto por encerrado, recostando-se em sua poltrona. Will, no entanto, levantou-se da sua poltrona e passou pelas meninas, puxando Charles pela camisa, fazendo com que ele se levantasse e o seguisse.
Os dois rapazes saíram da sala de cinema sem muitas explicações, deixando as irmãs sem reação. Quando a sala de cinema escureceu e o telão iluminou-se, iniciando os trailers, Jane começou a ficar preocupada. Ela chegou a perguntar a Elizabeth se elas não deviam ir atrás deles, imaginando se eles não iriam voltar.
Elizabeth lhe disse que elas deviam ficar ali, que Charles não ia abandoná-la, embora estivesse preocupada se ela não teria estragado o encontro da própria irmã com as suas implicações com Will. Para o seu alivio, os meninos não demoraram muito a voltar para a sala depois que os trailers começaram.
Cada um deles trazia um balde de pipoca e dois copos grandes de refrigerantes, presos a uma bandeja de papelão com propagandas de filmes famosos. Cada um ocupou o seu devido lugar e entregaram um copo de refrigerante a cada uma das meninas.
--Você vai comer isso tudo sozinho?—Elizabeth inquiriu a Will, ao aceitar o copo de refrigerante que ele lhe entregava.
--Não.—Ele respondeu e, dirigindo lhe um olhar atento, disse.—Você vai me ajudar.
--Eu disse...—Mas antes que ela pudesse completar o que estava dizendo, ele lhe entregou alguns guardanapos, dizendo.
--Você pode limpar sua mão com isso.—E continuou a observar Elizabeth atentamente, enquanto ela dirigia um rápido olhar para Jane, percebendo que Jane também tinha recebido guardanapos. Elizabeth, então, voltou a se acomodar na sua poltrona e a olhar para a tela de cinema, o que fez Will sorrir.—Pipoca?—Ele estendeu o balde de pipoca para ela, quem pegou um pouco de pipoca e começou a comer.
A sessão de cinema decorreu tranquilamente depois disso. O filme foi bastante agradável: engraçado no momento certo e romântico na doze certa. Todos pareciam estar gostando do filme.
Charles e Jane, assim como Elizabeth, riam abertamente quando uma cena muito engraçada acontecia. Mas Elizabeth notou, em alguns momentos em que aventurou olhar rapidamente na direção de Will, que ele apenas sorria. O que continuava a incomodá-la, ela não conseguia entender como ele podia ser tão controlado.
Will gostou do filme e achou algumas das cenas muito engraçadas. O fato de ele não rir tanto quanto os outros quando uma cena engraçada acontecia era devido a um único fato, ele não estava prestando muita atenção no filme em alguns desses momentos. Ele preferia observar a reação de Elizabeth a estas cenas a ver a cena em si.
Os quatro saíram da sala de cinema, com o intuito de irem lanchar na praça de alimentação, discutindo o filme. Estavam satisfeitos com o filme e todos pareciam estar começando a se entender—o que significa que Elizabeth não estava implicando tanto com Will.
--Eu adorei o filme!—Jane comentou.—Muito engraçado.
--Concordo.—Charles disse, entrelaçando os dedos na mão de Jane, a qual ele já segurava. Ela sorriu para ele, corando levemente.
--Sim.—Elizabeth disse, observando os dois e sorrindo também, pensando que era obvio que ele concordava com Jane. Não que ela não tivesse gostado do filme ou que duvidasse que ele também tivesse gostado. Mas deduzia que a opinião dele sempre seria favorável com a de Jane num momento como este, mesmo que ele não tivesse gostado do filme.
--Sou bem capaz de alugar o DVD quando chegar às locadoras e assistir de novo.—Jane continuou, ao que Charles apenas balançou a cabeça positivamente.
--Oh não!—Elizabeth exclamou de repente, recebendo olhares surpresos de todos.
--O que foi?—Will foi o primeiro a falar, no entanto.—Você não gostou do filme? ...Eu jurava que você tinha gostado!—E acabou falando mais do que pretendia.
--E gostei.—Elizabeth replicou, sorrindo para ele, ciente do que ele tinha acabado de dizer.—Mas não há quem me convença a deixar minha mãe assistir este filme!—Elizabeth argumentou, com um tom sério. Ouvindo isso, Jane riu com vontade.—Ela já faz coisas demais! Imagina só o que ela vai fazer se receber este tipo de encorajamento!—E completou a sua resposta usando de seu tom de gozação.—É mais fácil imaginar o que ela não vai fazer!—Fazendo todos rirem a vontade. Até Will riu, quem já tinha ouvido uma conversa dela com as amigas a respeito da sua mãe e sabia ao que ela estava aludindo com aquele comentário.
--Mamãe não é assim tão ruim!—Jane a defendeu, embora ainda risse.
--Saia com Bill Collins uma única vez e então a gente volta a discutir esse assunto.—Foi a resposta malcriada de Elizabeth, embora ela continuasse a sorrir. Charles olhou para Jane um pouco apreensivo com a sugestão de Elizabeth de ela sair com outro rapaz, mas não fez comentário algum.—Não que você precise se preocupar.—Elizabeth disse a Charles, notando o jeito dele.—Não existe a mínima possibilidade de Jane sair com outro garoto!—Elizabeth continuou sorrindo para Charles ao lhe dizer isso, ignorando de propósito os beliscões que Jane lhe dava desde o momento que ela sugeriu que Jane saísse com Bill.
--Ótimo!—Charles voltou a sorrir, o que fez Jane parar de beliscar Elizabeth.
--Mas o filme não ia desencorajar a sua mãe, ao invés de encorajá-la?—Will perguntou, depois de pensar um pouco no assunto.—Afinal, o fato da mãe se intrometer tanto no relacionamento da filha foi o que quase causou a separação do casal.
--É!—Elizabeth concordou; logicamente, ele estaria certo, esta era a idéia do filme. Mas a sra. Abbott não devia ser avaliada segundo a lógica!—Mas a minha mãe provavelmente argumentaria que a filha sequer teria conhecido o rapaz por quem ela acabou se apaixonando se a mãe não tivesse posto o anuncio para ela; afinal, ela conheceu o rapaz primeiro, no dia que foi fazer a seleção de candidatos para a filha namorar, o que levou o rapaz a se interessar pela filha dela e ir procurá-la.—A resposta dela foi o suficiente para convencê-lo. E Jane olhou para Charles de forma significativa e sorriu, ao que ele compreendeu perfeitamente o significado: eles estavam se dando bem, finalmente! Estavam conversando amigavelmente e não discutindo; ou melhor, Elizabeth não estava mais alfinetando Will.
Eles acabaram por sentar-se a uma mesa antes de comprarem a comida, porque não conseguiam decidir onde queriam comer. Passaram mais de dez minutos discutindo as opções de lanchonete da praça de alimentação do shopping em que iam comprar os seus lanches, nunca conseguindo entrar em acordo sobre o tipo de comida que queriam comer.
Tinha momentos que pareciam estar entrando em um acordo, mas ai Jane sugeria outra coisa e Charles achava que a sugestão era boa. Teve um momento que decidiram por comer alguma coisa salgada, limitando as opções; mas Elizabeth lembrou-se que há um tempo que não comprava nada numa das doçarias de que mais gostava do shopping. Até que Will se levantou de seu banco e Charles o seguiu.
--Diga o que vocês querem que nós vamos comprar.—Charles disse.
--Vocês vão ficar comprando tudo para nós?—Elizabeth inquiriu.
--Sim.—Charles respondeu, enquanto Will confirmava com a cabeça.
--E eu posso pedir qualquer coisa e você...?—Elizabeth dirigiu a pergunta a Will.
--Eu compro.—Ele completou a pergunta dela, já a respondendo.
--Qualquer coisa?—Ela insistiu, já sorrindo.
--Qualquer coisa.—Ele respondeu, já imaginando que ela estava aprontando alguma coisa para ele.
--Deixa eu pensar, então.—Ela disse, ficando séria. E, depois de dois minutos, ela dirigiu um olhar malicioso a ele e disse.—Eu quero... um alemão.
--O que?!—Will, Charles e Jane exclamaram juntos, o que acendeu um sorriso no rosto de Elizabeth.
--Um alemão.—Elizabeth repetiu.—Você sabe...—Ela dirigiu-se a Will ao dizer isso.—O meu próprio “testosterona móvel”!
--Certo.—Will replicou, enquanto Charles começou a rir descontroladamente e Jane ficava olhando Elizabeth, sem reação.—Eu compro qualquer coisa que você desejar comer.—Will reafirmou a sua oferta, explicitando-a.—Se você desejar comer um alemão, ...eu acho que você devia conhecer Hannibal Lecter; vocês dois têm muito em comum!—Ele continuou, com o seu tom natural de voz e seu ar sério.
--Meu Deus, você acabou de fazer uma piada?!—Elizabeth exclamou, o que só piorou o ataque de riso que Charles estava tendo. Até Jane tinha começado a rir.
--Eu tenho os meus momentos.—Will permaneceu calmo, apenas sorrindo.—E, então? O que você quer?
--Você não vai comprar um alemão pra mim?—Ela disse, apoiando o cotovelo na mesa e a cabeça na palma da mão, o fitando com um olhar fingindo de decepção. O que o fez sorrir mais ainda.—Está certo, então. Eu quero...—Elizabeth parou para pensar, finalmente, no assunto em discussão.
Os meninos voltaram para a mesa em que as meninas estavam sentadas depois de vinte minutos, trazendo os pedidos. Jane fez um pedido simples, qual consistia num sanduíche frio e natural e suco. Enquanto Elizabeth pediu um hambúrguer duplo e um grande copo de milkshake. Will optou por um sanduíche frio, mas não natural, e suco, enquanto Charles fez um pedido similar ao de Elizabeth: hambúrguer e um copo de refrigerante.
Quando Elizabeth abriu o pacote de seu pedido, já sentido sua boca salivar, notou que Will a observava. Ela tirou o seu pedido do pacote e antes de tirar a primeira mordida do seu hambúrguer, dirigiu-lhe um olhar interessado e disse.
--O que?
--Eu não disse nada.—Ele respondeu.
--Mas estava pensando!—Ela replicou.
--É mesmo? E no que eu estava pensando?—Ele replicou, dirigindo um olhar para ela igualmente interessado.
--Se eu pudesse ler mentes, eu não me daria o trabalho de perguntar!—Elizabeth voltou a dar sua atenção ao seu hambúrguer, tirou um pedaço e começou a mastigar, enquanto ele permanecia a observando. Ela terminou de mastigar, engoliu e voltou a olhar para ele.—O que?—Ele apenas riu.—Nunca viu uma garota comendo?—Ele riu ainda mais.—É melhor você começar a comer a sua comida!
--Por que? Há algum risco de você comer no meu lugar?
--Depende.—Elizabeth respondeu, séria.—Que tipo de sanduíche é esse?—Ela completou, olhando com interesse para o pedido dele. Ele sabia que ela não estava falando sério, então, apenas, sorriu e começou a comer.
Eles lancharam e permaneceram sentados a mesa à praça de alimentação do shopping por um bom tempo, apenas conversando. Depois resolveram passear pelos corredores do shopping, olhando as vitrines das lojas.
Elizabeth conseguiu convencer os meninos a irem a uma loja de CDs, apesar de Jane se opor terminantemente a esta opção. Jane sabia que seria muito difícil conseguir tirar Elizabeth da loja de CDs quando decidirem ir embora uma vez estando lá. Mas nenhum dos meninos lhe levou a sério.
Assim que Elizabeth atravessou a porta de entrada da loja, um dos atendentes lhe direcionou um sorriso e a cumprimentou pelo nome, ao que ela correspondeu—saudando-o, também, pelo nome.
--E, então, Aidan, já chegou?—Elizabeth perguntou ao atendente, caminhando entre as estantes de exposição de CD, aparentemente com um destino certo.
--Não. Ainda não.—Aidan respondeu.—Oi, Jane.—O atendente virou-se para Jane e a cumprimentou, notando a presença dos outros dois rapazes ao lado dela.
--Oi, Aidan.—Jane o cumprimentou rapidamente e continuou caminhando com Charles. Will logo foi atrás de Elizabeth.
Elizabeth continuou seguindo o caminho entre as prateleiras, até parar enfrente a estante em que estava organizado os CDs dos cantores da letra A a E. Elizabeth começou a remexer em alguns CDs, procurando um em especifico. Will ficou observando-a a certa distancia. Fingia estar procurando um CD também, só que em outra prateleira. Começou a tocar uma música que ela conhecia, e Elizabeth começou a cantar baixinho enquanto procurava o CD.
--…Don't need high heels… For a good feel… You can keep the fancy clothes...—Will logo começou a entreouvi-la, enquanto ela cantava baixinho, acompanhando a música.
Ele notou que ela continuava a procurar por um CD, e não parecia se distrair de sua tarefa mesmo estando cantarolando a música. Ele queria chegar junto dela e lhe perguntar como ela conseguia fazer aquilo, mas preferiu ficar observando-a por mais um tempo.
Elizabeth passou rapidamente os dedos pelos vários CDs, encontrando apenas os dois CDs que já tinha de David Gray: ‘White Ladder’ e ‘Life In Slow Motion’; mas não encontrou o que queria comprar, ‘Shine: The Best Of The Early Years’, já que o atendente tinha lhe informado de antemão que ainda não tinha chegado.
Elizabeth reorganizou os CDs na prateleira e voltou a andar pelo corredor de estantes de CDs. Até que um atendente novato apareceu ao seu lado.
--Precisa de ajuda?—Ele ofereceu a ela, sorrindo amigavelmente. Elizabeth lhe dirigiu o olhar e sorriu de volta.
--Não, obrigada.—Ela respondeu, observando-o por uns minutos, apenas para constatar que nunca o tinha visto na loja antes.—Estou só olhando.—Ela completou, tentando voltar a dar sua atenção aos CDs.
--Talvez, se você me dissesse que tipo de CD está procurando, eu posso achar alguma coisa para você.
--Ham… obrigada, mas vocês não têm o que eu estou procurando.—Elizabeth respondeu.
--E qual CD seria, …—O atendente fez uma pausa e depois disse.—Desculpe-me, eu ainda não sei seu nome.
--Elizabeth.
--Matthew.—O atendente lhe informou.—E qual CD seria, Elizabeth?
--David Gray, ‘Shine: The Best Of The Early Years’.
--Oh, sim. Ainda não temos este CD.
--Sim, eu sei. Já fui informada disso.—Elizabeth replicou. E, de repente, sentiu uma presença imponente ao seu lado, o que a fez virar-se na direção contraria a que estava Matthew, para ver Will parado ao seu lado.
--Encontrou alguma coisa de que gostou?—Ele perguntou, olhando nos olhos de Elizabeth e depois olhando por cima do ombro dela, dirigindo um olhar fulminante a Matthew.
--Não.—Elizabeth respondeu com tranqüilidade.—Onde está Jane e Charles?—Ela disse isso já olhando ao seu redor, a procura dos outros dois.—Ali estão.—Ela os viu parados enfrente de uma das prateleiras logo a entrada da loja, olhando alguns CDs e conversando.—Nós já podemos ir.—Elizabeth informou a Will, e, virando-se para o atendente novato, disse.—Obrigada por sua ajuda, Matthew.
--Disponha.—O atendente replicou, enquanto Elizabeth e Will já se afastavam.—Elizabeth.
Quando Elizabeth e Will se juntaram aos outros dois, eles saíram da loja de CD e continuaram o seu passeio pelo shopping. Quando eles passaram enfrente a uma loja de sapatos, as duas irmãs abandonaram os meninos e postaram-se enfrente a vitrine, namorando os sapatos ali expostos.
Os dois rapazes se entreolharam e, sorrindo, se aproximaram das meninas, mas sem se intrometer a princípio. Depois de alguns minutos transcorridos, em que as duas continuavam a ignorá-los e fitar os diferentes tipos de sapatos exposto na vitrine—cada uma apontando aquele de que mais gostava, e mudando de opinião logo em seguida, sempre que pousava os olhos em outro sapato que lhe chamava mais atenção.
Até que Will resolveu se aproximar mais de Elizabeth, postando-se atrás dela, e, inclinando-se um pouco, lhe disse ao ouvido.
--Agora, ...—Ele disse, suavemente ao seu ouvido, fazendo-a virar um pouco o rosto em sua direção e fitar os seus lábios, enquanto ele falava.—...você se incomodaria de me explicar o que se passa entre garotas e sapatos?—Elizabeth sorriu, levemente, e respondeu.
--Eu poderia lhe explicar,...—E começou a se virar de frente para ele, sem se afastar dele.—...mas eu duvido que você pudesse entender.—Concluindo a sua resposta estando face a face com ele, a ponto de sentir a respiração dele em seu rosto. E não conteve um sorriso quando ele respirou fundo por causa da proximidade dos dois.
Como ela tinha conseguido deixar ele tão abalado quanto ele pretendia fazê-la ficar, ao lhe falar daquela forma ao ouvido, Elizabeth afastou-se dele graciosamente e continuou a olhar a vitrine. Depois Jane voltou a juntar-se a Charles e os quatro voltaram ao seu passeio pelos corredores do shopping. Até entrarem numa grande loja de departamento.
Nenhum dos meninos sabia exatamente o que eles estavam fazendo lá dentro, mas notaram que para as duas irmãs parecia natural—um hábito. Elas seguiam pelos corredores, experimentando uma coisa ou outra e depois seguiam para outro corredor, sem selecionar nada para comprar.
Elizabeth passou pelos corredores de sapato sem experimentar nada, apenas olhando os sapatos à medida que passava entre as estantes, enquanto Will a seguia, mantendo certa distancia.
Passaram pela seção de perfumes, onde se demoraram um bom tempo. Jane não demorou a se juntar a ela, trazendo Charles consigo pela mão. As duas irmãs logo experimentaram tipos diferentes de fragrâncias, ocasionalmente borrifando um pouco de perfume em um dos meninos contra as suas vontades.
Depois da seção de perfume, caminharam para a seção de acessórios. Esta era a seção predileta de Elizabeth. Ela adorava experimentar óculos de sol, diferentes tipos de chapéus, bolsas, cachecóis... E, em pouco tempo, estava completamente disfarçada, totalmente coberta de diferentes tipos de acessórios—nenhum deles combinava com a roupa que ela estava vestida ou, ao menos, um com o outro.
Ela até depositou o seu casaco de moleton em cima de uma das estantes para poder ter as duas mãos livres e ter mais facilidade ao experimentar os acessórios, indo se admirar em um espelho preso em uma das pilastras da loja daquela seção.
Jane e Charles estavam perto dos chapéus e Charles remexia em alguns dos chapéus, mas sem experimentar nenhum. Jane ainda colocava um chapéu ou gorro na própria cabeça, ia se olhar no espelho rapidamente e depois voltava a colocar o chapéu em seu devido lugar.
Elizabeth, então, se aproximou dos dois e escolheu uma boina rosa-choque e entregou a Charles.
--Experimente este aqui.—Ela disse-lhe com uma expressão séria.—Eu acho que ficará bonito em você!—Jane olhou para o que Elizabeth estava entregando a Charles e prendeu um sorriso. Charles sabia que era uma brincadeira e resolveu participar, caminhando para frente do espelho com a boina que Elizabeth lhe entregara em mãos.
Will, quem estava perto da banca onde estavam expostos os óculos escuros, apenas fitou rapidamente o que Elizabeth tinha dado a Charles e retornou a sua atenção aos óculos. Charles colocou a boina na cabeça e ficou se observando no espelho. Ele estava usando uma calça jeans verde musgo, uma blusa preta e sapatos pretos; aquela boina rosa-choque não combinava com nada do que ele estava usando; sem falar que era rosa!
--Ficou perfeito!—Elizabeth disse, deixando, finalmente, o ar sério e sorrindo para ele; embora ele desconfiasse que ela estava rindo dele. Ela, então, deu-lhe as costas e voltou a sua atenção para os outros chapéus, tentando encontrar outro chapéu que ficasse tão absurdamente ridículo nele quanto à boina rosa-choque que ela o fez experimentar.
Charles, então, virou-se para Jane e inquiriu.
--O que você acha? Estou bonito?—Jane ficou em silêncio por um momento e, abrindo um sorriso, caminhou até ele. Ela levou as duas mãos na boina que ainda estava na depositada na cabeça de Charles e a inclinou para um lado.
--Agora, sim.—Ela disse, ainda com as mãos na boina, mas fitando os olhos de Charles.
Elizabeth virou-se na direção de Charles, preste a lhe chamar a atenção para um outro chapéu ridículo que tinha encontrado para ele experimentar, quando viu Charles inclinando-se e beijando Jane, quem ainda tinha as duas mãos segurando a boina à cabeça dele.
Elizabeth congelou ao ver a cena e abriu um sorriso inconfundível. Depois resolveu dar as costas ao casal, dando-lhes mais privacidade. E, ao visualizar Will não muito distante, distraído no stand de óculos, caminhou até ele.
--Hora de irmos embora!—Disse ao passar por ele.
--O que?—Will ergueu o seu olhar, virando-se para olhá-la. Mas ela já tinha passado por trás dele e estava indo na direção contrária a que ele estava olhando. Então ele precisou dar uma volta de cento e oitenta graus para visualizá-la.—O que? E Charles e Jane?
--Ah…—Elizabeth, parou, virou-se para ele e riu maliciosamente.—Eles estão ocupados.—Ela decidiu que já tinha ficado muito tempo atrapalhando o casal, era hora de deixá-los sozinhos para que pudessem aproveitar o seu encontro.
--Ocupados?—Will voltou a olhar na direção em que vira Charles pela última vez, também vendo a cena que Elizabeth tinha visto, ou o final dela, pelo menos; e entendeu o que Elizabeth quis aludir.
--Vamos?—Elizabeth voltou a se aproximar dele.
--Sim.—Ele respondeu, mas como demorou para pôr em ação, Elizabeth segurou em sua mão e começou a arrastá-lo para fora da loja o mais depressa que conseguiu. Não queria que Jane ou Charles os visse indo embora e tentassem acompanhá-los.
Will ficou fascinado pelo toque de sua mão e deixou que ela o levasse de lá como desejava, sem resistir. E observava a figura dela uns dois passos à sua frente, segurando-o pela mão e o arrastando para fora da loja o mais depressa que ela conseguia.
Observava a linha do seu pescoço, o seu cabelo preso num rabo de cavalo, que balançava de um lado ao outro quando ela andava; o seu braço e a sua mão, qual envolvia a sua própria. Ela tinha um toque tão suave e gostoso.














