Capítulo 3
Elizabeth voltou a se aproximar das amigas, sorrateiramente, e deu um susto em Charlotte, quando a segurou pela cintura e a virou para si. Charlotte teve um sobressalto, achando que estava sendo atacada por algum dos meninos e por pouco não deu um tapa no rosto de Elizabeth; quem ficou rindo descontroladamente por causa da reação da amiga.
--Não faça mais isso!—Charlotte disse, aos risos, depois de ter se recuperado do susto.
--Lizzie, diga a ela!—Catherine tentou chamar a atenção de Elizabeth para a conversa que ela estava tentando com Lydia; conversa não, parecia mais uma discussão.
--Dizer o que, Kitty?—Elizabeth perguntou.
--Ela quer convidar George para dançar.—Charlotte respondeu a Elizabeth.
--Diga ela para não fazer isso!—Catherine implorou.—Ele vai pensar que ela é uma oferecida.
--Deixe que ele venha até você!—Charlotte argumentou, dirigindo suas palavras para Lydia.
--Você só diz isso porque David a convidou para dançar!—Lydia replicou, o que fez Elizabeth dirigir o olhar a Charlotte e sorrir, e Charlotte corar.
Assim que Elizabeth saiu da pista de dança, fugindo de Bill, David, o menino que Charlotte estivera conversando no inicio da noite e que ficara observando ela dançar depois, a chamou para dançar, e ela aceitou dançar com ele a música lenta.
--Mas George não me chamou para dançar e nem vai chamar!—Lydia reclamou, com um tom irritado e desapontado, ao mesmo tempo, na voz.—E eu quero dançar com ele!—Ela disse, olhando fixamente para Charlotte.—O que você acha, Lizzie?!—E virou-se para encarar Elizabeth.
Elizabeth ficou calada, pensando no que responder. Ela tinha um pensamento similar ao de Charlotte e Catherine—se Lydia fosse até George e o chamasse para dançar, ele podia achar que ela era oferecida. Então, o melhor que ela podia fazer era ficar onde estava e esperar que ele viesse até ela.
Mas quando ia responder isso, concordando com as meninas, viu Will voltando ao porão. Ele voltou a se encostar à mesma pilastra que estivera antes e ficou a observando. Elizabeth, então, disse.
--Faça o que quiser fazer, Lydia!—Fazendo Catherine e Charlotte ficarem boquiabertas e Lydia sorrir, triunfante, para as duas amigas.
Quando Charlotte ia protestar, tentar argumentar com Elizabeth sobre a sua resposta, Elizabeth voltou a falar, completando seu pensamento.
--Se ele não gostar de você do jeito que você é, então é ele quem está perdendo!
Lydia ficou em silêncio após esta resposta de Elizabeth. E se ele não gostasse dela? E se ele não quisesse dançar com ela? Charlotte e Catherine ficaram se perguntando o que poderia ter acontecido com Elizabeth para dar uma resposta dessas a Lydia. Ela estava certa, George devia gostar de Lydia como ela é. Mas, mesmo assim, encorajar Lydia a ser assim tão direta não era um bom conselho. Lydia não sabia ter limites, encorajá-la a fazer algo raramente era uma boa decisão.
Quando Lydia, enfim, decidiu que ia chamar George para dançar, viu Caroline e Sabrina se aproximando do grupo dos meninos. E neste instante perdeu toda a coragem. Elizabeth percebeu o que desencorajara Lydia no momento em que dirigiu o olhar de volta a Will.
Viu Caroline e Sabrina ao redor do grupo dos meninos, conversando com eles. Caroline falava alguma coisa para Will, quem parecia responder de má vontade; então ela virou-se para George e lhe disse alguma coisa. Ele então sorriu. Lydia logo virou as costas para ele e cruzou os braços; Elizabeth passou o braço envolto de seu ombro e tentou consolá-la.
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Caroline se aproximou de Will de forma provocativa. Dirigiu-se a ele diretamente, tentando iniciar uma conversa. Mas ele não parecia lhe dar muita atenção. O seu olhar estava dirigido a outra pessoa naquele salão e ele mal respondia às suas perguntas.
Ela não tinha certeza se ele não estava prestando atenção no que ela dizia ou se não conseguia ouvi-la por causa do barulho da música. Então, como solução para os dois casos, aproximou-se mais dele, postando-se entre ele e George, e apoiou uma de suas mãos no ombro dele, quem lhe dirigiu um olhar estranho e delicadamente tirou a mão dela de seu ombro. Mary colocou outra música mais lenta—Too lost in you, de Sugababes—e Caroline resolveu convidar Will a dançar com ela.
--Você dança, Will?—Ela disse, voltando a apoiar a sua mão no ombro dele.
--Não, se puder evitar.—Ele respondeu, dirigindo-lhe um olhar seco, e voltou a retirar a mão dela de seu ombro. O que fez Caroline se irritar com ele.
Ela, então, virou-se para George e convidou ele a dançar com ela. Crente que assim estaria provocando Will—se ele não queria dançar com ela, o amigo dele dançaria. George, é claro, sorriu satisfeito e aceitou dançar com ela.
George estivera aquele tempo todo observando Lydia, a forma que ela olhava para ele e flertava com ele abertamente enquanto dançava. Ficou imaginando se ela teria coragem de vir convidá-lo para dançar, queria que ela o fizesse. Então ficou observando-a atentamente, esperando que Lydia o chamasse para dançar.
Mas como ela não o fez e Caroline, por quem ele já tinha um interesse, o convidou, mesmo que porque tinha sido rejeitada por Will, ele resolveu aceitar, não quis perder a oportunidade de dançar com uma menina tão bonita quanto Caroline. Quem sabe ele não conseguia ficar com ela! Lydia podia tornar-se um projeto, algo para ele trabalhar durante a escola—seduzi-la aos poucos, fazer com que ela se declare para ele.
George então conduziu Caroline para o centro do salão, passando bem enfrente de Lydia e Elizabeth—quem estavam de costas para eles—e os dois começaram a dançar. George, de vez em quando, dirigia o olhar para Lydia, para saber se ela estava olhando ele dançar com Caroline—e ela estava e não parecia nada contente, o que agradou, e muito, a ele.
Will continuou com a sua tortura; sim, porque depois do que ele disse e da forma que ela o olhara, sorrindo do jeito que sorriu para ele, observá-la era uma pequena tortura, a qual ele não conseguia evitar. Ficou a observando. Ela abraçada a Lydia, lhe dizendo alguma coisa. Até que Lydia retirou o braço dela de seu ombro, lhe deu as costas e saiu do porão, sendo seguida por Catherine. Elizabeth, então, se aproximou de Charlotte e as duas se dirigiram ao bar, conversando entre si.
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Depois de mais duas músicas lentas, Mary voltou a agitar o porão com músicas mais energéticas. Elizabeth e Charlotte ficaram dançando sozinhas, porque Lydia e Catherine não voltaram mais. Elizabeth deduziu que Lydia deveria ter decidido ir embora e Catherine resolveu ir junto, porque elas eram inseparáveis.
Elizabeth tinha consciência que Will continuava a observá-la atentamente, mas já não olhava na direção dele tantas vezes e, principalmente, não se insinuava mais para ele. Olhá-lo ali, a observando, era irritante; fazia com que ela tivesse vontade de parar de dançar.
Caroline logo percebeu que não estava conseguindo chamar a atenção de Will, nem mesmo dançando com George ou sozinha na pista de dança. Outros meninos demonstraram mais indignação com o fato de ela ter escolhido George para dançar de que Will, e muitos deles, por esta razão, já não a admiravam mais enquanto ela dançava sozinha. Ela, então, retornou para perto de Will e tentou iniciar uma conversa com ele.
Elizabeth sorriu ao ver a expressão de descontentamento que estava estampada no rosto dele no instante em que Caroline se colocou ao seu lado e não saiu de lá pelo resto da noite.
“Eles se merecem!”, Elizabeth se dizia, sorrindo malignamente para ele pela primeira vez desde que retornara ao porão. Ele, então, desviou o olhar dela, disse algo a Caroline—que a fez ficar boquiaberta por um instante—e saiu de perto dela, indo à direção à porta de saída do porão.
Elizabeth permaneceu observando Caroline pelos dois minutos seguintes, enquanto Caroline permanecia no mesmo lugar em que Will a deixara. Ela cruzou os braços e virou-se para encarar a sua amiga, Sabrina. Disse-lhe algo e Sabrina replicou algo; Elizabeth então viu o rosto de Caroline se iluminar e ela virou-se de costas para amiga e saiu atrás de Will.
Elizabeth dançou mais algumas músicas, mas logo decidiu que era tempo de ela ir embora. Ela precisava encontrar Jane e conseguir uma carona—não havia possibilidade alguma de ela ir procurar Bill para que fossem embora juntos.
Disse a Charlotte que estava indo embora e Charlotte quase a acompanhava de volta ao salão de blues do pub. Mas David se aproximou dela com uma voz suave, inquirindo se ela já estaria indo embora, e ela resolveu ficar mais um pouco—Elizabeth riu animada e as duas amigas trocaram olhares significativos antes de Elizabeth ir embora.
Elizabeth subiu a escada do porão e seguiu para o salão principal da entrada, passando enfrente ao bar. Viu Will sentado no mesmo banco, próximo ao corredor dos banheiros. Ele estava de costas para ela, com o cotovelo apoiado no balcão do bar e com a cabeça apoiada na palma da mão direita. Ele passou a mão no cabelo e reergueu a cabeça; Elizabeth percebeu pelo movimento do seu corpo que ele estava respirando fundo.
Ela continuou andando e então viu que Caroline estava sentada no banco à frente dele e lhe dizia algo, entusiasmada. Olhou de soslaio para ele e percebeu que ele tinha um olhar enojado e um ar frustrado. Elizabeth voltou a sorrir com aquela cena.
Tarde demais Elizabeth viu quem estava sentado no banco logo atrás de Caroline: Bill Collins. Ele a viu e, num pulo, se ergueu do banco e veio em sua direção. Elizabeth sabia exatamente que tipo de coisas ele teria a lhe dizer, então parou de andar e ficou esperando ele se aproximar, respirando fundo—se preparando para a batalha.
Viu quando o rosto de Will virou em sua direção quando ele percebeu que Bill estava se movendo e a forma condescendente que ele a observou, ao perceber o desgosto transparecendo em seu rosto com aquela situação.
Elizabeth desviou o olhar dele imediatamente e cruzou os braços, sentindo se irritada com o resultado final daquela noite. “Mas, também, o que eu podia esperar de um encontro com Bill Collins?”, ela se dizia, “Podia ter sido bem pior!”.
--Você estava fugindo de mim?!—Bill Collins disse, assim que se viu próximo de Elizabeth o suficiente. Usou de um tom de voz normal, mas demonstrou sua ira na forma que a olhava.
--O que o fez pensar isso?!—Elizabeth replicou, soando tão inocente.
--Bem,...—Bill começou a dizer, mas já perdendo parte da sua raiva.—Você sempre desaparece! Num segundo está bem diante dos meus olhos e quando eu desvio o olhar, você desaparece!
--Eu estava lá embaixo esse tempo todo.—Elizabeth disse.—Você é quem não me trouxe meu refrigerante!—E resolveu contornar a situação, deixando-o sob a luz do halo-forte.
--Eu... eu...—Bill começou a pestanejar. O que ele podia dizer quanto a isso? Ele a procurou, mas não a achou!
--Bem, eu tenho que encontrar minha irmã.—Elizabeth aproveitou o silêncio dele para descartá-lo mais uma vez.
E já começou a andar pelo salão, procurando entre as mesas. Imaginava que a sua irmã tinha se decidido por ficar no salão do blues e aproveitar a oportunidade para conhecer Charles melhor, conversar com ele (entre outras coisas!) a ficar no meio daquela pequena confusão do porão: muito barulho, muitas pessoas.
--Eu te ajudo a procurá-la.—Bill se ofereceu e logo começou a acompanhá-la, concentrando-se em encontrar a irmã de Elizabeth para ela.
Elizabeth virou o rosto na direção de Will por um segundo e viu o momento em que ele se ergueu do seu banco ao balcão e se dirigiu à saída do pub. Caroline o seguiu, como era de se esperar. Elizabeth decidiu que ia parar de ficar olhando por sobre seu ombro para vê-lo e tentou se concentrar em encontrar Jane.
--Ali está ela!—Bill disse, apontando para Jane, quem estava erguendo-se de seu banco a uma mesa ao canto do salão. Charles estava com ela e também se levantou de seu banco quando Jane o fez, e ambos começaram a se dirigir à saída do pub. Elizabeth a apressou-se em interceptá-los.
--Jane!—Elizabeth exclamou, antes que Jane saísse do pub. Jane parou e virou-se para ela, e Charles a imitou segundos depois.—Estive procurando por você!—Ela disse ao se aproximar de sua irmã, quem logo se dirigiu a ela, encurtando a distância que existia entre as duas.
--Lizzie, eu não sabia que você estava aqui!—Jane replicou, abrindo um sorriso para Elizabeth.
--É. E eu sei muito bem por que!—Elizabeth replicou.—Você estava muito ocupada com outras coisas, ou devo dizer, outras pessoas...—Ela dirigiu um olhar significativo na direção de Charles e sorriu para Jane.—...para notar a minha presença!—Jane corou e olhou para Charles rapidamente.
--Lizzie, este é Charles.—Jane, então os apresentou.—Charles, esta é minha irmã, Elizabeth.
--Brown, Charles Brown.—Charles disse, estendendo uma mão para Elizabeth.—É um prazer conhecê-la.—Elizabeth estendeu a mão para ele e o cumprimentou.
--Como: Bond, James Bond?!—E riu abertamente para ele, quem sorriu igualmente para ela, corando.—Bem... Eu sou Elizabeth, mas você pode me chamar de Lizzie.—Eles soltaram as mãos e ela continuou.—E é um prazer conhecê-lo, também.—Voltando a olhar para a irmã e sorrir.—Você está indo para casa?—Ela perguntou a Jane, finalmente.
--Sim.—Jane respondeu.—Charles vai me dar uma carona.
--Será que você poderia me dar uma carona?—Elizabeth olhou para Charles, quem logo respondeu com a cabeça, afirmativamente.
--Mas, Elizabeth, eu vou levá-la para casa!—Bill replicou, sentindo-se rejeitado; ganhando a atenção dos outros três pela primeira vez desde que se reuniram enfrente a saída do pub.
--Oh, Bill, eu nunca faria você desviar do seu caminho desnecessariamente por minha causa!—Elizabeth disse isso o olhando nos olhos, demonstrando uma preocupação com ele que ela não tinha.—Charles, aqui,...
Elizabeth pôs a mão no ombro de Charles ao olhar para ele rapidamente, quem parecia surpreso com o jeito dela, e depois voltar a olhar para Bill, sorrindo amigavelmente.
--...já vai levar minha irmã em casa. Não vai ser trabalho nenhum para ele me deixar em casa também!
--Mas não será trabalho nenhum para mim deixá-la em casa, Elizabeth.—Bill replicou.
--Oh Bill, você é um garoto tão bonzinho!—Elizabeth disse, ainda olhando para ele, o que pareceu agradá-lo.—Mas, sério, eu não ousaria te dar este trabalho!—E, apressadamente, disse-lhe.—Boa noite!—Virando-se de costas para Bill e de frente para sua irmã e Charles, os quais observavam a cena, boquiabertos.
E, colocando a mão no ombro de Jane, guiou os dois para fora do pub o mais rápido que conseguiu, deixando Bill Collins para trás, perplexo.
--Lizzie!—Jane exclamou, mortificada, quando já estavam longe dos ouvidos de Bill Collins.—Eu não acredito que você fez isso!—Imaginando o que Charles poderia estar pensando dela.
--Oh, Jane, por favor!—Elizabeth exclamou, incrédula pelo jeito de sua irmã. Até parecia que Jane não a conhecia.—Como se eu fosse deixá-lo me levar em casa!—Ela continuou, com um tom de descrença na voz. E continuou andando para fora do pub, já retirando a mão do ombro de Charles e do de Jane.
--Mas vocês saíram juntos!—Jane insistiu.
--E isto foi tortura suficiente por uma noite!—Elizabeth replicou, soando enojada; o que fez Charles rir alto, ganhando a atenção das duas irmãs.
Elizabeth olhou na direção de Jane, quem ainda parecia envergonhada por ela, e depois na direção de Charles, quem sorria como se tivesse presenciado algo muito divertido. Percebendo que ela estava entre os dois. Então, deixou que eles dois adiantasse dois passos e saiu do meio deles, indo postar-se do outro lado de Jane.
--Então, onde está o seu carro?—Elizabeth questionou Charles.
--Naquela direção.—Charles apontou para a direção em que o carro de Will estava estacionado.—Mas não é meu carro, é de um amigo meu.—O que fez as duas irmãs se entreolharem e olharem de volta para ele, parecendo preocupadas.—Mas está tudo bem. Ele não vai se incomodar de levá-las em casa!—Charles, adivinhando o que se passava na cabeça das duas, assegurou-as disso.
Elizabeth seguiu caminhando com Jane e Charles, dirigindo-se na direção que ele tinha indicado. Os três atravessaram a rua e começaram a caminhar no passeio. Ela se perguntava de quem seria o carro, de qual amigo Charles estaria falando. E sentiu um frio na barriga quando viu Will encostado ao carro, do lado do motorista, com Caroline de pé em sua frente, praticamente no meio da rua, ainda falando pelos cotovelos.
Se a certeza de que Charles estava falando de Will quando disse que o amigo dele ia lhes dar carona em seu carro não fosse motivo suficiente para deixar Elizabeth nervosa, a visão do carro dele a deixaria com toda certeza.
O carro dele era um Jaguar C-XF, prata, quatro portas, com todos os acessórios que o carro merecia; lindo! Elizabeth não entendia de carros: de motor, rodas, pára-lamas e todo o resto. Mas sabia dar uma opinião quanto ao designer do carro e o dele era lindo, simplesmente lindo!
Elizabeth olhou rapidamente para Jane e Jane olhou para ela, ambas pareciam estar pensando a mesma coisa. Depois voltaram a olhar na direção de Will e de seu carro, em silêncio.
Will se desencostou do carro quando percebeu que Charles estava se aproximando e olhou em sua direção, vendo que Elizabeth e Jane estavam com ele.
--Você não se incomoda de dar uma carona as garotas, se incomoda, Will?—Charles disse, sorrindo alegremente para o seu amigo.
--Nem um pouco.—Will replicou, olhando rapidamente para Charles ao responder a sua pergunta e depois voltando a pousar o seu olhar em Elizabeth.
--Will, deixe-me lhe apresentar: Jane e Elizabeth.—Will logo se adiantou na direção delas, cumprimentando primeiro Jane.—Jane e Lizzie, este é meu amigo Will Darcy.
--É um prazer conhecê-lo, Will.—Jane o brindou com um belo sorriso e um aperto de mão.
--O prazer é meu, Jane.—Will correspondeu ao seu sorriso, sorrindo de volta. E virou-se para Elizabeth.—Elizabeth.—Ele disse, adiantando-se em sua direção e lhe estendendo a mão direita.
--Olá, sr. Darcy.—Elizabeth sorriu, mas de uma forma diferente de Jane.
Jane sorrira com sinceridade e delicadeza, enquanto que Elizabeth sorriu para ele com malicia no olhar, ao erguer a própria mão para cumprimentá-lo. Percebendo, satisfeita, que ele ficou sério de repente.
Jane voltou a olhar para Elizabeth com um olhar incrédulo; ambas ouviram de Lydia que Will não gostava de ser comparado ao “sr. Darcy” de ‘Orgulho e Preconceito’ e Jane sabia que está era a intenção de Elizabeth ao cumprimentá-lo daquela forma, imaginando que ela queria provocá-lo; mas por que?!
Will apenas segurou a sua mão por um segundo e permaneceu calado. Ela logo recolheu a própria mão e se afastou.
--Vamos, então?—Caroline inquiriu.—Eu estou ficando cansada de ficar aqui.—Will olhou na direção de Caroline, irritado.
--Vamos.—Charles concordou, adiantando-se na frente das garotas para poder abrir a porta do carro para elas, subindo no passeio.
Will abriu a porta do carro do lado do motorista e entrou no carro. Charles então abriu a porta de trás do lado dos passageiros e esperou para que as meninas entrassem.
Elizabeth entrou primeiro e foi se acomodando no banco traseiro do carro, que era de couro—como ela imaginou que seria ao pôr os olhos no carro—e ainda tinha o cheirinho de novo. Ela precisou ir aos poucos para o outro lado, sentando-se, enfim, atrás do banco do motorista, onde Will já estava sentado—a observando pelo retrovisor. Jane entrou em seguida e depois Charles, quem decidiu ir sentado no banco de trás com Jane.
Will tirou os olhos do retrovisor quando ouviu a porta da frente, do lado dos passageiros, bater com mais força que o necessário, o que o fez olhar na direção de quem estava sentado ao seu lado—presumindo ser Charles. Não conseguiu conter um olhar assustado quando viu Caroline sentado ao seu lado, ao invés de Charles.
Estivera tão ocupado olhando para Elizabeth que não percebeu que Charles resolvera ir atrás com Jane; Will só o viu quando voltou a olhar pelo retrovisor do carro, o vendo conversando com Jane alegremente. Seus olhos encontraram os de Elizabeth e ela voltou a lhe dar um sorriso enigmático, depois desviar o olhar para a janela.
Will se arrependeu profundamente de ter dito que daria carona a Caroline. Podia ser Elizabeth sentada ao seu lado ao invés de Caroline agora!
Will logo colocou a chave na ignição, colocou o cinto de segurança e ligou o carro. Voltou a dirigir o olhar para o retrovisor, para Elizabeth, mas ela continuava a olhar pela janela. Ele retirou o carro de onde tinha estacionado e começou a dirigir, indo embora.
Will dirigiu por dois minutos, seguindo em direção a sua própria casa. Até que se lembrou que estava dando carona a outras pessoas e voltando a olhar pelo retrovisor, perguntou a Elizabeth onde ela morava. Elizabeth explicou rapidamente como chegar até a sua casa, percebendo que Jane estava muito entretida com Charles para dar atenção a qualquer outra pessoa. Will escutou com atenção, enquanto olhava para Elizabeth pelo retrovisor.
Os dois voltaram a ficar calados depois de ela lhe dar as instruções de como chegar à sua casa e Caroline começou a falar novamente, mas ignorando Elizabeth—tentando iniciar uma conversa com Will apenas. Ele continuou a ignorar a maior parte de suas perguntas, respondendo algumas com simples monossílabos. Até que Elizabeth disse.
--Será que você poderia ligar o rádio, por favor?
Caroline olhou para trás com um olhar reprovativo, mas Will sorriu e ligou o rádio, procurando uma boa estação. Encontrou a estação que sempre escutava e deixou sintonizado nela—apesar de estar em comercial. E depois olhou pelo retrovisor para Elizabeth; os seus olhares voltaram a se encontrar. Uma música, enfim, começou.
Will permaneceu olhando para Elizabeth e ela para ele através do retrovisor. Até que ela desviou o olhar e voltou a olhar pela janela. Will, então, tentou dar atenção à atividade com que devia estar se preocupando: dirigir o seu carro.
Elizabeth permaneceu o resto da viagem olhando pela janela, passando pelas ruas tão conhecidas por ela. De vez em quando olhava pelo retrovisor para saber o que ele estava olhando. E Will também fazia o mesmo de vez em quando. E, em algumas delas, seus olhares voltaram a se encontrar.
Em pouco tempo eles estavam entrando na rua de sua casa e parando o carro enfrente a sua casa. Elizabeth de imediato percebeu que sua mãe estava acordada, certamente esperando por ela; porque conseguia ver a claridade da luz da sala através da janela, mesmo com a cortina.
--Obrigada pela carona.—Elizabeth disse, olhando para Will através do retrovisor, e já abriu a porta do carro.—Boa noite.—E saiu, deixando a porta aberta para que Jane saísse logo atrás dela.
Will ficou observando Elizabeth seguir pelo estreito caminho de pedras em seu jardim, sem esperar por Jane. Jane ainda demorou-se uns minutos para perceber que o carro tinha parado e que já estavam na frente da sua casa; só então se despediu de Will e de Caroline, saindo do carro.
Charles desceu do carro atrás dela e os dois ficaram parados no passeio por um tempo, de frente um para o outro, em silêncio.
--Boa noite, Charles.—Jane, enfim, disse, dando um passo em sua direção e dando-lhe um beijo no rosto. Depois se afastou lentamente e começou a caminhar, fazendo o mesmo caminho que Elizabeth tinha feito.
Will estivera observando a despedida do amigo e de Jane, já que os dois pararam bem diante de sua janela ao passeio enfrente a casa de Jane. E sorriu por causa da cara de bobo com que Charles ficou quando Jane lhe deu um beijo no rosto e se afastou.
Will voltou a olhar para a casa de Elizabeth, procurando descobrir se ela já tinha entrado em casa. A viu na varanda, abraçada a uma pilastra, observando a despedida da irmã e de seu amigo, esperando por Jane.
--Tchau, Lizzie.—Charles disse, recebendo um sorriso largo de Elizabeth e um aceno de mão.
Jane subiu os três degraus da varanda e Elizabeth virou-se na direção da porta de sua casa. As duas entraram e fecharam à porta. Charles, então, entrou no carro, ainda no banco traseiro, e fechou a porta.
Will voltou a ligar o carro e eles foram embora. Por pouco Will não esquecia que tinha de levar Caroline em casa também; é claro, se ela ficasse calada, ele esqueceria sem dúvida. Mas como insistia em falar o tempo todo, ficou difícil esquecer-se dela.














