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Minha ideia de boa companhia é estar com pessoas inteligentes e bem informadas com quem possa ter uma boa conversa. (Jane Austen)

Come Pick Me Up And Take Me Out - Capitulo II

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Capítulo 2

 

         Charles desceu do carro e caminhou para o passeio, esperando por Will, quem ainda estava dentro do carro. Richard e George logo se juntaram a Charles, esperando por Will no passeio. Richard tinha estacionado o seu carro do outro lado da rua, mais próximo do pub que Will. E havia atravessado a rua, para juntar-se a Charles, para poder apressar Will. 

            Will desceu do carro e travou as portas do carro, já questionando o nome do pub a que estavam indo e o que possivelmente iam poder encontrar ali.

--Basement? Sério?—Ele inquiriu a Richard.—Que tipo de pub se chama “Porão”?

--Você vai ver.—Foi tudo o que Richard respondeu, começando a andar.

            Os quatro atravessaram a rua e seguiram andando no passeio até chegarem à entrada do pub. Will resolveu não fazer nenhum comentário, Richard não parecia estar muito interessado em ouvir as suas críticas naquele momento. Mas ainda não tinha visto nada demais no pub para ser considerado o point do momento.

Está certo que a maioria dos alunos da sua escola parecia estar reunida ali, alguns estavam chegando naquele exato momento — como eles — e a entrada do pub estava um pouco congestionada. Mas ele ainda não podia dizer o que havia de excepcional no lugar para tanto alvoroço. Parecia um simples pub londrino, só que com um nome esquisito.

            Acompanhou os amigos, sendo o último a entrar no pub. E o primeiro ambiente que viu foi um simples bar: havia algumas mesas espalhadas, um pequeno palco ao fundo, onde se ouvia música ao vivo, e um balcão de bar, com bartenders e garçons que atendiam nas próprias mesas. O tipo de música que se ouvia era blues, o que proporcionava um ambiente agradável para conversação.

            Richard e George logo se dispersaram do grupo, indo se juntar a duas garotas. Will ficou observando a interação dos dois com as duas garotas que ele já tinha visto algumas vezes pelos corredores da escola. Uma delas tinha cabelos longos, ruivos, ondulados; tinha, também, olhos verdes esmeralda, pequenas sardas envolta do nariz e um largo sorriso. Era bonita, charmosa e parecia ser sedutora. A outra menina tinha cabelos negros, na altura dos ombros, olhos acinzentados; era um pouco menor que a ruiva, mas parecia ser mais agradável — pela forma que ria para os dois meninos.

            Will ficou a observá-las, enquanto Charles olhava em todas as direções do salão, com o mesmo olhar admirado de quando se sentava ao refeitório da escola. Fazia comentários do mesmo gênero também, mas que Will não dava muita atenção.

A ruiva era realmente bonita, mas tinha algo nela que não parecia ser assim tão agradável. Talvez fossem as suas maneiras, ela parecia estar se esforçando para parecer algo que não era. A outra menina, embora menos bonita que a ruiva—apesar de ser muito bonita—era mais natural e parecia ser divertida.

--Oh, meu Deus!—Charles exclamou, acordando Will de seu pensamento.—Ela está aqui!—Will imediatamente olhou na mesma direção que Charles estava olhando e viu Jane.

--Oh.—Disse, sem emoção. Quando ouvira a exclamação do amigo e virar-se na direção que ele estava olhando, esperava ver outra pessoa.—É. Ela está.—Ele concordou e logo começou a procurar entre as companheiras de Jane naquele instante uma certa morena.

--O que eu faço?—Charles interrogou o amigo, olhando para Will de forma agitada, nervosa.

--Vá falar com ela!—Will disse, sem paciência.

Charles voltou-se novamente na direção de Jane, quem olhou para ele e sorriu, e permaneceu parado. Até que Will colocou a mão em seu ombro e o impulsionou, fazendo-o andar em sua direção.

            Charles se aproximou de Jane lentamente e a cumprimentou. Logo a roda de meninas que estava reunida entorno de Jane foi dissipando, uma a uma foram saindo de perto dos dois. Will observou a cena com um sorriso divertido nos lábios, depois retornou a sua atenção às duas garotas que Richard e George ainda estavam conversando. E, a partir daí, já não as achava tão interessante de se observar.

Começou a se perguntar o que aquilo significava. E, lembrando-se que quando vira Jane pela primeira vez a achara bonita, perguntou-se por que encorajara Charles ir falar com ela. Não estava interessado nela também?

            Will foi sentar-se em um dos bancos ao balcão do bar, porque ficar ali parado, no meio do caminho, sozinho, fazia com que ele parecesse um bobo. Pediu uma bebida ao bartender e ficou a observar a interação dos amigos com as diferentes garotas. Charles e Jane conversavam com facilidade e pareciam estar se entendendo direito; George e Richard conversavam com as outras duas meninas de forma diferente, mas não pareciam estar lembrados de Will. 

            As duas meninas, as quais estiveram sentadas à mesa de Jane e da morena àquela manhã no refeitório da escola, entraram no salão e se reportaram para a outra extremidade do balcão, ficando a observar Jane e Charles e fazer comentários, além de rirem muito. Era obvio para Will sobre o que elas estavam falando, então voltou a dar sua atenção ao seu primo.

Richard estava começando a parecer entediado com a conversa que estava tendo com as meninas e começava a olhar para os lados, como se procurasse algo mais interessante para fazer. Embora George ainda desse a sua total atenção à ruiva, quem parecia estar mais interessada em Richard. Era bem interessante de se observar, na opinião de Will.

            Quinze minutos depois, Will já estava entediado. E as duas meninas, as quais ele reconhecera serem amigas de Jane, agora estavam sentadas ao seu lado, tentando flertar com ele. Will fingiu não vê-las ali e tentava dar atenção ao seu próprio drinque. Ele não conseguia acreditar que era dez e meia de uma noite de sexta-feira e ele estava sentado ao bar de um pub sozinho, entediado, sendo paquerado por duas meninas completamente sem percepção, enquanto seus amigos o ignoravam.

            E quando ele decidiu por levantar-se de seu banco, caminhar até o seu primo e alertá-lo de que estava indo embora — porque preferia incomodá-lo a atrapalhar a conversa de Charles e Jane — ela cruzou o seu caminho, parando diante das duas meninas que estavam sentadas ao seu lado, quais eram amigas dela.

--Lizzie!—Catherine exclamou.—Eu não sabia que você vinha para cá hoje! Você não devia estar num encontro?!

--Sim. De certa forma.—Elizabeth respondeu, com um brilho intenso no olhar que denunciava que ela havia feito alguma coisa.

--O que você fez? Como você conseguiu se livrar dele?—Lydia pulou do banco em excitação, causando em Elizabeth um sorriso.—Afinal, o que a sua mãe estava pensando ao te pôr numa enrascada dessas?

--Eu não sei.—Elizabeth replicou.—Algo do tipo: “aquele jovem adorável dos Collins!”—Completou, com o mesmo tom de voz da sra. Abbott e com as mesmas feições de admiração que a sua mãe fazia quando falava em Bill Collins.

--Iu!—Catherine exclamou, fazendo uma careta, causando mais risadas em Elizabeth.

--E então, como você conseguiu se livrar dele?—Lydia insistiu, exasperada.

--Eu não consegui.—Elizabeth respondeu.—Ele está lá fora... estacionando o carro do pai dele.—Elizabeth completou, com desgosto.

--Você o trouxe aqui?!—Lydia estava boba e não parecia contente com a novidade.

--O que você esperava?! Eu não ia ficar a noite toda sozinha com ele!—Elizabeth replicou, deixando transparecer nas suas palavras certo desespero; o que por fim, acalmou Lydia. Elizabeth, depois de uns segundos em silêncio, em que foi alvo de olhares piedosos das suas amigas, inquiriu.—Cadê Jane?—Olhando a sua volta.

--Ela está...—Catherine começou a responder, olhando na direção em que Jane e Charles estavam minutos atrás, mas não os vendo.—Ela estava ali... com o Charles.

            Elizabeth logo abriu um sorriso quando ouviu o nome “Charles”. E Will olhou na direção que Charles estava, mas também não o viu. “Onde será que ele foi?”, ele se perguntou.

--Então ela o conheceu!—Foi o comentário de Elizabeth, parecendo animada com a novidade, o que voltou a chamar a atenção de Will para a conversa delas.

--Sim.—Lydia e Catherine riram.

--Lizzie!—Charlotte, uma grande amiga de Elizabeth, aproximou-se delas.

--Charlotte!—Elizabeth virou-se de frente para ela, vindo a abraçá-la quando as duas se aproximaram o suficiente.—Por onde você andou? Por que não foi à escola hoje?

--Minha mãe precisou de mim. Para fazer compras!—Charlotte respondeu, revirando os olhos.—Ela vai viajar e achou que não tinha roupas suficientes.

Elizabeth lhe deu um sorriso compreensivo. Charlotte não gostava muito de sair com a sua mãe para fazer compras, a sra. Hudson sempre a usava para segurar as suas sacolas.

--Oh, eu fiquei sabendo que o seu encontro com Bill Collins era hoje!—Charlotte murmurou, como se estivessem discutindo um segredo, embora a escola toda já soubesse.—Eu lamento muito.—Charlotte comentou, como se desse os pêsames a Elizabeth pela perda de um parente.—Como você conseguiu se livrar dele?—Will notou que esta parecia ser a pergunta por qual todos se interessavam.

--Ela não conseguiu!—Catherine respondeu.

--Ele está lá fora, estacionando o carro do pai dele.—Lydia completou; e a reação de Charlotte foi ficar boquiaberta.

--Você conseguiu trazê-lo aqui?!—Charlotte, enfim, perguntou.

--Sobre muitos protestos do tipo: “aquele porão imundo”, “aquilo não é lugar para uma jovem dama como você!”.—O que fez Lydia e Catherine rirem, e Charlotte apenas sorrir.

--E o que você pretende fazer, Lizzie?—Charlotte inquiriu.

--Evitá-lo a todo custo!—Elizabeth respondeu, usando um tom de voz que dizia que a resposta era obvia.

--Então, esconda-se, porque ele acabou de entrar!—Lydia disse, indicando a entrada do pub. E num segundo Elizabeth estava ali e no outro tinha escapado por uma porta no fundo do salão, a qual levava a um ambiente do pub que Will ainda não conhecia.

            Will então olhou na direção da porta de entrada e viu um rapaz de estatura mediana, cabelos negros e densos, olhos castanhos claros e sem emoção, além de um ar pedante. Ele estava parado bem no meio da entrada e olhava em todas as direções, procurando por alguém, e levava vários encontrões de outras pessoas que queriam entrar no pub.

            Quando Will voltou a olhar na direção em que as meninas estavam, não encontrou mais ninguém. Todas elas tinham sumido. Will então voltou a olhar para o rapaz da estrada do salão, quando ele começava a adentrar ainda mais no salão—não demonstrando estar se sentido bem com o ambiente e olhando para todo mundo com o nariz levantado. E Will começou a se perguntar, também, como era possível que a mãe de Elizabeth a tinha arrumado um encontro com este garoto.

            Richard logo se aproximou de Will e o apresentou às duas meninas que ele e George estiveram conversando. A ruiva, quem se chamava Caroline Bentley, logo transferiu a atenção que estava devotando ao seu primo para ele e George começou a ficar enfezado, se afastando deles e indo conversar com outro grupo de meninos.

Richard logo se desculpou e saiu também, deixando Will sozinho com as duas garotas. Will entendeu a situação; Richard queria se livrar delas, então resolveu apresentá-las a ele. “Muito obrigado, primo!”, ele disse, mentalmente, com desgosto.

As meninas tinham uma conversa enfadonha que nem a beleza podia compensar. Sabrina Tysen, a morena de olhos acinzentados, era realmente mais agradável que Caroline, a ruiva; o que fez Will questiona-se como era possível elas serem amigas. Não pareciam ter muitas coisas em comum, em sua opinião.

            Depois de vinte minutos aturando a ladainha das meninas, Will pediu licença e se aproximou do primo, que o olhou com um sorriso divertido no rosto.

--Obrigado!—Foi tudo o que Will precisou dizer para fazer o seu primo cair na risada.

--Desculpe-me!—Ele disse depois de um tempo.—Eu vou compensá-lo.

--É melhor que compense mesmo!—Will replicou, com um tom irritado.

--Então...—George se aproximou dos dois, batendo as duas mãos, uma na outra, e as esfregando, com excitação transparecendo em seu rosto.—Vamos descer!

--Vamos!—Richard concordou.

--Descer?—Will soou perdido.

--Confie em mim! Você vai gostar!—Foi à resposta do seu primo; e Will o olhou desconfiado, já não sabia se devia confiar em Richard.

            Ele então seguiu o primo e George pela mesma porta por onde Elizabeth tinha passado e sumido de sua vista. A porta os levou a uma longa escada estreita, cercada por paredes, que ligavam o andar em que eles estavam a uma espécie de porão—daí o nome do pub.

Eles atravessaram uma porta grossa de ferro no final da escada e entraram numa espécie de discoteca: salão amplo, escuro, com luzes coloridas e uma daquelas bolas brilhantes no centro do teto. Havia um sofá amplo rodeando todo o salão e não havia mesas em parte alguma; em uma extremidade do salão estava armado uma espécie de cubículo, onde estava o DJ, e ,na outra extremidade, um outro bar. Não havia garçons, apenas o bartender.

            Aparentemente, o salão era revestido do mesmo material que se encontra em gravadoras de CD, por que as paredes eram aprova de som. Assim, o ambiente do andar de cima não era contaminado pela música que tocava às alturas no porão.

            Richard, George e Will procuraram um canto e ficaram observando o movimento. Will logo visualizou Elizabeth. Ela estava dentro do cubículo do DJ, com a DJ. Tinha fones de ouvido e parecia estar se divertindo em assistir a DJ trabalhando.

A DJ também era uma menina de sua escola. Will já a tinha visto pelos corredores e tinha achado ela esquisita, mas agora podia entendê-la um pouco melhor; as suas roupas faziam muito mais sentido agora que a via trabalhando — ela usava sempre um jeans despojado, uma blusa escura, penteados esquisitos, cheios de trancinhas, e uma maquiagem pesada.

Mary Stuart não era feia, tinha cabelos um pouco abaixo dos ombros, negros e lisos, olhos verdes e era bem branquinha. A forma com que se vestia era que lhe desvalorizava, na opinião de Will.

            Will também viu Lydia e Catherine em um canto, conversando e rindo. Elas olhavam constantemente para um menino que estava conversando com Charlotte e sorriam insinuante para ele; enquanto Charlotte permanecia indiferente a tal comportamento das duas.

            Will, então, voltou a sua atenção mais uma vez a Elizabeth. Ele gostou do que ela tinha feito no cabelo, deixando-os ondulados daquele jeito. E gostou da blusa que ela estava usando também, não era uma roupa exagerada como a de outras meninas ali naquele salão. Ela estava muito bonita.

--Oh! Adoro esta parte!—George exclamou, com prazer, fazendo Richard rir e Will olhar em sua direção, interessado no que podia estar acontecendo. Percebendo que George estava observando Caroline e Sabrina, as duas meninas com as quais estivera conversando no andar de cima, entrarem no salão e irem para o meio da pista de dança, e então começarem a dançar.

            Em pouco tempo, todos os rapazes passaram a se aglomerar entorno da ruiva e da morena, para assisti-las dançando. E até o menino que estivera conversando com Charlotte a abandonou e juntou-se aos demais.

Will observou as meninas por um bom tempo, mas sem perder o seu olhar critico. Elas dançavam bem e era divertido olhar, ele não negava, mas faltava alguma coisa. Ele podia dizer que elas estavam dançando apenas para conseguir a atenção deles, por isso perdia um pouco da graça em olhar.

            Então viu, mais uma vez, Elizabeth cruzar o seu caminho e juntar-se as suas amigas. E desde então, seus olhos não saíram mais dela.

............................

            Elizabeth se aproximou de Charlotte, quem estava conversando com Lydia e Catherine naquele momento, e tentou convencê-las a dançar. Lydia estava de braços cruzados, olhando na direção do centro da pista de dança com um olhar mal humorado, e Catherine estava com um olhar perdido, também olhando na mesma direção que Lydia estava olhando. E Charlotte observava as duas, com um olhar compreensivo.

--Vocês não vão dançar?!—Elizabeth inquiriu.

--Olha para aquilo!—Lydia disse, apontando para as duas meninas dançando no meio da pista de dança.

--Até parece que nós podemos competir com aquilo!—Catherine disse.

--Ora, Kitty!—Elizabeth a observou surpresa.—Eu não danço para competir por atenção, mas porque gosto de dançar!

--Olhe para eles!—Lydia argumentou, olhando para um rapaz em especial.—Eu nunca vou conseguir que ele olhe para mim desse jeito.

--Se você ficar parada aqui, não vai mesmo!—Elizabeth replicou sem paciência.—Eu vou dançar!—E virou-se para a pista de dança, mas viu Bill Collins entrando no salão, então se apressou em se esconder.

Deu a volta pelas costas de Lydia e correu para o cubículo do DJ, abaixando-se e sentando-se no chão, ao lado dos pés de Mary, a DJ.

--O que você está fazendo?—Foi a pergunta de Mary, olhando para baixo.

--Me escondendo.

--Isto é obvio! De quem?!—Mary persistiu.

--Bill Collins.—Elizabeth respondeu, o que fez Mary erguer a cabeça e procurar pela razão de Elizabeth está sentada quase aos seus pés.

--Oh.—Foi o comentário de Mary ao pousar os olhos em Bill Collins.

            Elizabeth teve de permanecer sentada aos pés de Mary por duas músicas inteiras, porque Bill Collins era muito persistente e se recusava a ir embora. Ele permaneceu parado ao lado de Lydia, Catherine e Charlotte, olhando para todos os lados na esperança de ver Elizabeth, enquanto as meninas fingiam que não o estavam vendo ali. Até que, finalmente, Mary olhou para baixo e disse a Elizabeth.

--Você já pode sair, ele já foi embora!—O que colocou um sorriso no rosto de Elizabeth, quem se ergueu do chão imediatamente e saiu de trás do cubículo, voltando para perto das meninas.

            Elizabeth voltou a passar bem na frente de Will e dos outros meninos, e assaltou Lydia pelas costas. E logo as meninas começaram a rir alto.

--Você é rápida!—Lydia comentou, ao mesmo tempo em que Catherine dizia.

--Você minha heroína!—Fazendo Elizabeth sorrir com gosto.

--Me deu pena dele!—Charlotte disse.

--Oh, por favor!—Elizabeth, Lydia e Catherine disseram juntas, num coro.—Ah, eu amo essa música!—Elizabeth exclamou, com animação, quando ouviu a entrada da música: Pon de replay de Rihanna; e já começou a dançar onde se encontrava. – Eu vou dançar! Vocês não vêm?!—E se dirigiu para o centro da pista de dança,

..................

            Elizabeth começou a dançar sozinha, sempre olhando na direção das meninas e rindo para elas — só que Will estava encostado em uma pilastra logo atrás das meninas e, por ser mais alto que todas elas, podia ver Elizabeth dançando tranquilamente.

Ele começou a ficar deslumbrado com a forma que ela dançava, principalmente como mexia os quadris, descendo e subindo da forma mais sugestiva. Sim, ele já tinha visto vídeo clipes antes e sempre considerou aquele tipo de dança apelativa demais, mas ela dançando era diferente. Ele, simplesmente, não conseguia parar de olhar.    

            Ela sempre olhava de forma insinuante na direção em que as meninas estavam e sorria de forma provocativa. Ele sabia que ela não estava se insinuando para ele, mas provocando as suas amigas, que ainda permaneciam paradas; mas não impedia que ele se sentisse envolvido por aquela situação, sentindo-se seduzido por ela.

As meninas finalmente resolveram se reunir a ela e todas elas tomaram uma posição ao lado de Elizabeth e começaram a dançar. Estavam dançando iguaiszinhas, como se tivessem ensaiado—o que não deixava de ser verdade: duas vezes por semana, quartas e sextas, na escola, durante a aula de dança.   

Ela virou-se de costas para ele desta vez e, com o rosto virado de lado, olhando para ele, mexeu com os quadris. Will não tinha mais dúvidas, ela estava flertando com ele, o que o deixou boquiaberto. Ele adorava como ela virava e os seus cabelos balançavam, e principalmente como ela mexia com os quadris.

Richard olhou para Will e viu que ele estava boquiaberto, observando Elizabeth. Richard, então, cutucou George com o cotovelo e apontou para que ele olhasse para Will, com um sorriso divertido nos lábios. George olhou para Will e depois para o que ele estava olhando. Então, sorriu como Richard e voltou a olhar para Will.

 Will respirou fundo pela forma que ela mexia com os braços e com os quadris, em tão perfeita harmonia. ‘Que tipo de dança é esta? Dança do ventre?!’, ele se perguntava. ‘Ela está olhando para mim, não está?’

Richard e George esqueceram-se completamente de Caroline e de Sabrina dançando na pista de dança e passaram a si dividir: olhar para Elizabeth e as outras meninas dançando, ou olhar Will observando-as dançar. Até que Richard deu um passo na direção de Will, encostando-se nele e lhe disse ao ouvido, para que pudesse ouvir com aquele barulho todo.

--Você está babando!—E ergueu uma das mãos até o queixo de Will e fechou a sua boca. Causando um sobressalto em Will, quem permaneceu em silêncio. Então Richard voltou a olhar para Elizabeth, sorriu e olhou mais uma vez para Will.Eu disse que você ia gostar!—Ele completou, com um sorriso de satisfação nos lábios, e se afastou de Will, voltando a observar as garotas dançando. Permitindo que Will voltasse a fazer o mesmo.

            Will estava desconcertado por ter sido flagrado olhando fixamente daquela forma para Elizabeth, principalmente depois da gracinha que seu primo fez, mas não conseguia evitar. Depois daquela música, começou outra não muito diferente—If it’s lovin’ that you want, de Rihanna—e ela continuou a dançar da mesma forma: insinuante, provocante, instigadora. Will não conseguia evitar, permaneceu com o olhar vidrado nela enquanto ela permaneceu dançando.

Ela não estava só dançando, ela estava cantando a música, acompanhando a música. Ele podia ver os movimentos dos lábios dela claramente, enquanto os movimentos do seu corpo completavam as palavras que ela proferia. Ela fez um gesto, como se pedisse silêncio, levando o dedo indicador a boca, e olhou bem na direção dele.

Então ela olhou em uma direção diferente da dele e Will tentou olhar na direção que ela estava olhando, tentando descobrir para quem mais ela estava olhando. Mas desistiu e voltou a olhar para ela. E voltou a suspirar: ‘como é que ela faz isso?!’.

Richard ainda continuava impressionado pelo comportamento de seu primo. E passava a maior parte do tempo olhando para Will — quem suspirava a cada movimento mais sedutor de Elizabeth — que para as próprias meninas dançando.

Em determinada parte da música ela voltou a olhar para ele, ergueu os braços e segurou parte dos cabelos para cima, entre os dedos, e mexeu com os quadris mais uma vez. O seu suéter vermelha de lycra subiu um pouco e deixou aparecer dois dedos de pele entre a blusa e a calça jeans que ela estava usando.

Ainda olhando diretamente para ele, fez um sinal de negação com o dedo indicador da sua mão direita. E, mais uma vez, ele se pegou perguntando como é que ela fazia isso.

George parou de prestar atenção em Will depois de um tempo. Ele, pelo menos, preferia ficar olhando as meninas. E assim voltou a se concentrar na pista de dança. Sabendo quem era a menina por quem Will estava babando, resolveu concentrar suas atenções em outra.

Foi então que seus olhos pousaram em Lydia. Ela estava dançando para ele, pois não tirava os olhos dele por nem um segundo. E isso lhe agradou muito; era a primeira menina que flertava com ele assim tão abertamente. As outras sempre desviam o olhar quando ele as flagrava observando ele. Ele gostava disso, era diferente.

____________________________

            As meninas ainda dançaram por mais duas músicas agitadas. Lydia tinha percebido que George a estava observando e comentou com Elizabeth, totalmente exultante. Até Charlotte parecia satisfeita em receber atenção dos meninos, pois eles agora estavam divididos. Uns olhavam para a Caroline e sua amiga morena, Sabrina Tysen, e outros olhavam para elas. O menino com quem Charlotte estivera conversando antes das meninas começarem a dançar agora olhava para ela e comentava alguma coisa com seus amigos.

            Elizabeth estava consciente dos olhares de Will e de vez em quando lançava um olhar para ele, tentando provocá-lo mesmo. Mas, na maior parte do tempo, dançava para si mesma, esquecendo-se de que estava sendo observada por meninos. Sentia-se como se estivesse em uma de suas aulas de dança, rodeadas apenas por garotas.

            Mary decidiu por dar um tempo nas músicas agitadas e colocou uma música lenta—U got it bad, de Usher. Um menino de sua escola, chamado Brian Sanders, caminhou até Elizabeth e tentou chamá-la para dançar.

Elizabeth ia se recusar a dançar com ele, o conhecia um pouco e a sua fama na escola não era uma das melhores; mas sequer teve tempo para fazê-lo. Viu Bill Collins se aproximando dela e congelou. Ele a tinha visto e não havia como ela se esquivar dele desta vez. Então ficou parada, sentindo-se encurralada.

--Aí está você!—Ele disse, com entusiasmo.—Eu estive procurando por você!

--Eu estive aqui este tempo todo, Bill!—Elizabeth respondeu, o que fez Brian observá-la de forma engraçada e depois se afastar, em silêncio. 

--Bem... Você quer dançar?—Ele disse, já se adiantando em sua direção e erguendo os braços, para poder envolvê-la num abraço.

--Ah...—Elizabeth começou a ficar exasperada com aquela visão.—Não!—Respondeu.—Quero dizer,... eu não pensei que você dançasse, Bill!—Ela tentou se afastar dele, dando passos para trás.

--Eu não me oponho completamente a um simples divertimento, senhorita.—Ele continuou a se aproximar dela, com os braços estendidos, enquanto Elizabeth insistia em se afastar.

--Ah... Na verdade, eu estou um pouco cansada.—Ela disse a ele, fazendo com que ele parasse de caminhar em sua direção e abaixasse os braços.—E com sede!

--Mesmo?—Ele pareceu interessado.—Então, eu vou buscar alguma coisa para você beber.

--Ótimo!—Elizabeth adorou a idéia.—Eu quero um refrigerante... gelado, por favor.—O que o fez dar-lhe as costas e se dirigir ao bar.

Elizabeth aproveitou para virar-se para as meninas dizendo.

--Tchau!—E sumir da pista de dança o mais depressa possível.

______________________

Will viu o momento em que um menino se aproximou de Elizabeth e a convidou para dançar. Ele notou que ela parecia hesitar em aceitar dançar com ele e a forma como ela ficou ao perceber a presença de Bill Collins.

Viu toda a interação deles ali no centro da pista de dança: quando o menino que tentara convidar ela para dançar se afastou, rindo; quando Bill tentou dançar com ela e ela tentava se afastar dele; e de como ela pareceu tão animada com algo que ele lhe dissera, fazendo-o ir embora. O viu se aproximar do bar e ela desaparecer da pista de dança em um segundo.

            E, sem hesitar ou fazer qualquer tipo de comentário com Richard, a seguiu, saindo do porão logo após a ela. Quando começou a subir a escada já não podia mais ver Elizabeth. E, assim que chegou ao salão de entrada do pub, percebeu que a tinha perdido.

Voltou até a escada, mas ainda assim não a viu em lugar nenhum. Voltou a dar uma volta pelo salão, ouvindo a música ao vivo, procurando entre as pessoas que estavam sentadas as mesas, mas não a viu.

Encontrou Charles e Jane sentados a uma mesa, em um canto escondido, conversando reservadamente. Não quis incomodá-los, então voltou pelo caminho contrário que tomara. Assim, continuava procurando por Elizabeth. Mas não a encontrou. Decidiu, então, ir procurar fora do pub, mas lá ela também não estava.

            Voltando para o salão, esbarrou-se em Bill Collins. E percebeu que ele também a estava procurando. “Ela, certamente, sabe como se esconder!”, Will pensou consigo mesmo. Deu mais uma olhada no salão principal e depois se dirigiu ao bar, desistindo da sua busca. Ela voltaria a aparecer quando quisesse, ele imaginava.

Sentou-se numa das extremidades do balcão do bar e pediu uma bebida; estava com a garganta seca e ainda não tinha se permitido perceber isso, tão ocupado que estava se concentrando em Elizabeth.

            Quando o bartender lhe trouxe a bebida, Will notou um pequeno corredor a sua direita. Este corredor levava aos banheiros, masculino e feminino. Ele logo fez uma nota mental de onde ficavam os banheiros, ainda não tinha visto nenhum outro—‘por que eles ficavam escondidos?’, ele se perguntava.

E, então, sentiu uma mão em seu ombro, causando-lhe um sobressalto. Ele virou-se de costas para o corredor dos banheiros e encarou o seu primo.

--Encontrou?—Richard perguntou.

--O que?—Will respondeu.

--Seria ‘quem’, não?—Richard replicou, já começando a sorrir. Ao que Will não deu nenhuma resposta.—O nome dela é Elizabeth.—Richard disse, no momento exato em que Elizabeth vinha pelo corredor dos banheiros sorrateiramente, porque não queria ser vista por Bill, se ele ainda estivesse procurando por ela, e os ouviu falando sobre ela.—Ela é irmã de Jane.—Richard continuou a dizer, sem notar a presença de Elizabeth ali.—Se você quiser, eu posso lhe apresentar a ela.

--Não, obrigado.—Will respondeu, de forma contida.

--Vamos, Will! Eu vi a forma que você ficou olhando ela dançar!—Richard se entusiasmou e falou alto o bastante para quem quisesse ouvir, o que fez Will ficar constrangido e irritado.

--Não me importa o que você viu, ou deixou de ver!—Will replicou, zangado.

--Ora essa, você até a seguiu quando ela saiu do porão ainda há pouco! Eu vi você indo atrás dela!—Mas Richard não desistiu, continuando a usar o mesmo tom, irritando ainda mais Will, achando divertido a reação dele.

--Eu não a segui!—Will respondeu, demonstrando a sua irritação.—Eu estava entediado, então vim pra cá!—E completou, ainda demonstrando sua irritação no seu tom de voz.

--Olha, eu não o estou criticando.—Richard percebeu que aquela abordagem não era a melhor.—Eu concordo com a sua escolha. Ela é linda!—Elizabeth sorriu ao ouvir isso.

--Linda?!—Will replicou, com um tom de contrariedade.—Meramente tolerável, eu ouso dizer.—Comentou, num tom de voz mais frio.—Mas não bonita o suficiente para me tentar!

            No momento exato em que Richard ia dar uma resposta a Will com relação a este comentário que ele tinha feito, Elizabeth saiu do corredor dos banheiros. Richard ficou com os olhos arregalados e boquiaberto ao vê-la, em silêncio; então, Will olhou na direção em que o seu primo estava olhando, para descobrir a causa de seu assombro, e viu Elizabeth. ‘Meu Deus, será que ela me ouviu?!’, Will se perguntou, sentindo o coração acelerar.

            Elizabeth passou por eles, olhou bem nos olhos de Will, um olhar de desafio, sorriu para ele, um de seus sorrisos irreverentes, e voltou para o porão.

--Você se ferrou!—Richard disse, seguindo-a de volta para o porão e deixando Will ali, com a maior cara de bobo.

            Will demorou-se uns dois minutos ainda no bar, mentalmente se crucificando pelo que tinha dito. Bebeu o seu drinque e ficou tentado decidir se voltava para o porão ou ia embora do pub.

 

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