Capítulo 80
Will capturou a imagem de Elizabeth nos braços de Gabriel de relance e virou o rosto em sua direção imediatamente. Não conseguia acreditar no que estava vendo – como ela podia fazer isto com ele? Perdeu completamente o controle quando a viu jogar a cabeça para trás e gargalhar, animadamente. Ele soltou Annabella sem lhe dizer nada e seguiu em direção a Elizabeth e Gabriel; vindo a andar mais rápido quando a viu dar uma risada ainda mais gostosa e esconder o rosto no ombro de Gabriel.
You forced me to become strong
(Você me forçou a ser forte)
And I just cried, being weak
(E eu apenas chorei, sendo fraca)
And you think you know
(E você pensa que sabe)
And I would like to think so,
(E eu queria acreditar que sim)
But do you know that when you go,
(Mas você sabe que quando você vai embora,)
I fall apart.
(eu desmorono)
--Se incomoda? – Will perguntou a Gabriel, mas olhando para Elizabeth, ao parar ao lado dos dois, como uma estatua grega.
--Me incomodo. – Gabriel respondeu, apertando mais o enlaço envolta da cintura de Elizabeth.
Will notou o seu gesto e perdeu a paciência. Segurou o pulso de Elizabeth e a arrancou dos braços de Gabriel, guiando-a para o outro lado da pista de dança.
I'm tired of hiding behind these lying eyes,
(Estou cansada de me esconder atrás destes olhos mentirosos)
I'm tired of this smile that even I don't recognize.
(Estou cansada deste sorriso que até eu mesmo não reconheço)
Do you know I cry?
(Você sabe que eu chorei?)
…
--Solte-me! – Elizabeth exigiu. – Você está me machucando! – Disse, irritada, puxando o braço que ele segurava e se soltando de seu aperto.
--Por que você está fazendo isto? – Will exigiu, voltando-se para olhá-la.
--Fazendo o que? – Ela questionou, olhando-o nos olhos com hostilidade.
--Dançando com ele! – Will rebateu, espumando de raiva.
--Porque me deu vontade! – Elizabeth replicou, com mesmo tom de voz.
--O que está acontecendo? – Ele lutou para controlar a sua raiva e diminuir o seu tom de voz ao lhe perguntar isto.
--Eu não estou entendendo você, sr. Darcy. – Elizabeth fez o mesmo, mas não conseguindo disfarçar a sua raiva.
--Por que você ficaria assim com ele depois de ontem?! – Argumentou, sentindo mais dificuldade de se controlar e não sacudi-la pelos ombros. – E quanto a nós dois?
--O que tem nós dois?! – Elizabeth prosseguiu com sua charada, encolhendo os ombros.
--Você me beijou! – Will a acusou, perdendo a paciência.
--E daí?! – Ela replicou, exaltada.
A raiva que via estampada no rosto de Will esvaiu-se, substituída por um olhar confuso e magoado.
Do you know I cry?
(Você sabe que eu chorei?)
...
No, you're not the good kind.
(Não, você não é um mocinho)
Good kind
(Mocinho)
No, you're not the good kind.
(Não, você não é um mocinho)
--Eu pensei que você quisesse dançar, sr. Darcy. – Elizabeth resmungou, tentando se apegar a sua raiva. – Foi para isto que me arrastou até aqui, não foi? – Dizia entre dentes cerrados e o fitando nos olhos. – Ou vai me dizer que se esqueceu como se dança? ...Não me pareceu ter este tipo de problema minutos atrás! – Comentou, com um tom ressentido.
Uma noche – The Corrs & Alejandro Sanz
Después de pensar
(Depois de pensar)
Después de ver
(Depois de ver)
A mi dolor andar sobre el agua del mar
(A minha dor passar sobre a água do mar)
Will, automaticamente, a envolveu pela cintura e Elizabeth passou os braços envolta de seu pescoço. Existia uma distancia significativa entre seus corpos e ambos evitavam se olhar, mantendo uma postura rígida.
Tibia claridad, que vi por mi calle pasar
(Morna claridade que vi por minha rua passar)
Sin saber que hacer
(Sem saber o que fazer)
Sin sentir o pensar
(Sem sentir ou pensar)
Dentro de sua cabeça, Will ainda estava gritando com ela e consigo mesmo. Parecia-lhe que nunca ia deixar de agir como um bobo quando perto de Elizabeth. Entretanto, a sua raiva dissolveu rapidamente, quando sua mente começou a se questionar a razão por detrás do comportamento de Elizabeth.
O dia anterior não foi uma fantasia ou um mero sonho. Aconteceu de verdade e ela mesma não negou. Tão pouco a troca de mensagens esta manhã – se acessasse a caixa de mensagens do seu celular encontraria a prova de sua veracidade. Então, o que aconteceu para mudar tudo?
Sólo que aún hoy , sigo
(Só que, ainda hoje, continuo)
Aún hoy sigo
(Ainda hoje, continuo)
Atándome a ti
(Atando-me a você)
Se o seu passado servisse de algum índice, podia quase jurar que se Elizabeth estava zangada com ele, é porque ele fez algo de errado. Mas o que?! Desta vez, ele realmente não sabia o que tinha feito de errado.
Aún hoy, mi amor, te doy
(Ainda hoje, meu amor, te dou)
Mi cuerpo con alma se esconde del sol
(Meu corpo com alma se esconde do sol)
De noche se escapa
(De noite se escapa)
Aún hoy te doy
(Ainda hoje, te dou)
Mi cuerpo con alma
(Meu corpo com alma)
Aún hoy, aún hay
(Ainda hoje, ainda há)
Will respirou fundo, frustrado, e fitou o rosto de Elizabeth, percebendo que ela evitava olhar para ele.
Que esconde la noche va a guardar de nosotros dos
(Que esconde a noite, vai guardar de nós dois)
O sentir o pensar
(Ou sentir ou pensar)
Se me llenó de luz la noche
(Se isso me encheu de luz, a noite)
Es porque yo vi nadar delfines en tu voz
(É porque eu vi nadar golfinhos em sua voz)
Y sentí sin pensar
(E senti sem pensar)
--O que foi que eu fiz errado desta vez, Lizzie? – Ele perguntou, com um tom ansioso em sua voz.
Imediatamente, ela olhou para ele. O que viu estampado no rosto dele fez com que seu peito contraísse e uma angústia enorme a dominasse. Para esconder a expressão culpada que sabia estar se apoderando do seu semblante, por estar o magoando daquela forma, encurtou o espaço entre os dois e escondeu o rosto, ao apoiar o queixo no ombro dele.
Sólo que aún hoy, sigo
(Só que, ainda hoje, continuo)
Aún hoy sigo
(Ainda hoje, continuo)
Amándote a ti
(Amando a você)
Aún hoy, mi amor, aún hay
(Ainda hoje, meu amor, ainda há)
Dos cuerpos con alma se esconden del sol
(Dois corpos com alma se escondem do sol)
…
Will não resistiu a ela, deixando as suas mãos vagarem pela cintura até as costas dela, a abraçando forte contra o seu corpo. Encostou a sua face à dela, respirando próxima a suas bochechas rosadas. Uma de suas mãos encontrou o caminho até o cabelo dela e, afastando-o, encostou o nariz em seu pescoço, aspirando o cheiro doce e suave de seu perfume. Notando como o corpo dela estremeceu quando a sua respiração atingiu o lugar sensível atrás de sua orelha.
Elizabeth deixou as mãos escorregarem de seu pescoço e passearem pelos braços dele, à medida que suspirava, fechando os olhos e deitando a cabeça em seu ombro. Naquele momento, sentia-se segura e acolhida, escutando as batidas descompassadas dos seus corações, suas respirações lentas e os movimentos calmos, quase que imperceptíveis, de seus corpos, embalados pela melodia daquela música.
Aún hoy, mi amor, aún hay
(Ainda hoje, meu amor, ainda há)
Dos cuerpos con alma se esconden del sol
(Dois corpos com alma se escondem do sol)
...
George e Lydia estavam voltando para o salão principal e viram Elizabeth e Will dançando juntos. Apressaram-se a se juntar aos outros. Assim que alcançou a mesa em que Richard, Charlotte, Charles e Jane estavam sentados, Lydia chamou-lhes a atenção para o que estava acontecendo na pista de dança. Todos ficaram contentes com o que viram e, para a surpresa das meninas, os meninos decidiram fazer uma aposta entre si com relação à Elizabeth e Will.
--Para mim, eles ficam ainda hoje! – George comentava.
--Não. – Richard discordou. – Pelo jeito que estes dois agem como gato e rato, acredito que ainda demora alguns dias para ficarem juntos. – Argumentou, convicto. – Aposto no dia da festa de Natal da escola. – E direcionou o seu olhar para Charles, esperando ouvir a opinião dele.
--Eu... – Charles olhou para Jane de soslaio, que assim como Charlotte, estava boquiaberta com a atitude dos meninos. – acho que...eles reatam na noite de Natal... Sei lá... debaixo de um visgo!
--Romântico! – Lydia riu-se.
--Eu não acredito que vocês estão apostando sobre a possibilidade de Lizzie e Will reatarem! – Jane os recriminou, mas os meninos não lhe deram muita atenção.
Logo Annabella estava retornando para a mesa e a conversa sobre aquele assunto foi encerrada. Richard tratou de apresentar a prima a George e a Lydia.
A noite não terminou como Will e Elizabeth tinham planejado. Assim que a música terminou, Elizabeth escapou dos braços de Will e retornou para a mesa. Will a seguiu, ainda se sentindo frustrado. Ambos se sentaram no mesmo lugar de antes e Annabella fingiu que não tinha sido abandonada por Will no meio da pista de dança. Estava sentada no mesmo lugar e tratou de manipular a sua atenção de forma discreta.
Ao fim, Will foi embora, levando Annabella para casa, enquanto Charles levava as irmãs Abbott para casa. Ele odiou o fato de não ter tido a oportunidade para beijá-la em despedida, porque ela preferiu despedir-se dele a distancia e entrar no carro de Charles rapidamente.
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Na segunda, Elizabeth ainda estava abalada com os acontecimentos da noite passada. Não comentou nada com Jane e sua irmã preferiu não crivá-la de perguntas, nem mencionar a aposta dos meninos. Queria deixar Elizabeth a vontade para procurá-la quando quisesse; sabia que sua irmã não lhe esconderia, caso reatasse com Will.
Quando chegaram à escola, o clima entre Elizabeth e Will continuava estranho. Annabella, para a surpresa de algumas pessoas – menos para Elizabeth – decidiu ir à escola naquela semana mesmo, quando só era aguardada no primeiro dia de aula após os feriados de fim de ano. Utilizou-se da desculpa de que queria se familiarizar com a escola, professores e colegas de classe para justificar a sua decisão. E, como era da mesma sala que os demais meninos, continuou a acompanhar Will aonde quer que ele fosse, não dando oportunidade para que Will e Elizabeth conversassem e esclarecem os mal-entendidos.
Durante o intervalo, reuniram-se todos em uma só mesa e lancharam. Elizabeth passou o lanche inteiro com o seu fone de ouvido e fingindo que lia um livro. Quando terminou de comer, fechou o livro e se ergueu da mesa, indo descartar a sua bandeja. Saiu do refeitório em seguida, informando à irmã que ia a biblioteca, devolver o livro.
--Não gostei deste. – Disse, explicando porque ia devolver um livro que não tinha lido sequer até a metade.
Will a observou sair do refeitório, pensativo. Ali estava a sua oportunidade para conversar com ela sem a presença dos amigos e colegas bisbilhoteiros. Notou que Charlotte estava conversando com Annabella e se ergueu de seu lugar. Antes que a prima notasse, já estava saindo do refeitório.
Entrou na biblioteca e passeou pelos corredores de estante de livros. Imaginava que sabia onde a encontraria. E não estava errado. Ela estava naquele mesmo corredor isolado, passando os dedos pelas colunas dos livros e lendo seus títulos baixinhos.
--“Crepúsculo”. – Falou, ponderando que se apaixonar por Edward Cullen é, sem sombra de duvida, mais seguro que se apaixonar por Will Darcy. Edward Cullen é um personagem de Twilight (Crepúsculo, em português), história sobre vampiros escrita por Stephenie Meyer.
Não retirou o livro da estante. Tinha a coleção em casa e já o tinha lido milhares de vezes. Só não tanto quanto Orgulho e Preconceito.
--Desculpe-me por agir como um idiota, bruto e lhe arrancar dos braços dele daquela forma! – Ele pediu, sobressaltando-a.
Elizabeth voltou-se na direção da voz dele, assustada.
--Eu sei que você tem o direito de dançar com quem quiser... – Ele argumentou, aproximando-se dela. – Mas eu... Eu perdi o controle, Lizzie! – Exclamou, exaltado, parando a sua frente. – O que você esperava?! Que assistisse?! Fingisse que não me incomoda vê-la nos braços de outro?! – Ele esperou por sua resposta, mas ela só conseguiu desviar o seu olhar do dele. – Eu não consigo fazer isto! Nunca seria capaz de fazer isto!
O sinal tocou naquele exato momento e Elizabeth decidiu-se por aproveitar a desculpa para encerrar aquela conversa. Disse:
--Nós devemos ir para sala. – E tentou passar por entre ele e a estante de livros.
Mas Will colocou a mão apoiada na estante, a sua frente, e bloqueou o seu caminho. Elizabeth prendeu a respiração e voltou-se de frente para ele, olhando o nos olhos. A proximidade era tanta, que se sentiu pressionada a encostar-se na estante.
--Will, ... – Tentou argumentar que precisava ir para a sala de aula, mas ele a interrompeu.
--Me perdoe, por favor!
--Pare! – Elizabeth exclamou. – Você não precisa se desculpar por isto. ...Eu não estava com raiva de você por causa disso. – Argumentou.
--E por que você estava com raiva de mim, então? – Ele logo perguntou, ainda com a mão apoiada na estante e se inclinando sobre ela.
Tarde demais Elizabeth percebeu a sua falha. Agora sabia que não teria como negar que estava com raiva dele. No entanto, ainda fez uma tentativa, embora soubesse que seria inútil.
--Eu não estava com raiva de você.
--Estava sim! – Ele refutou, inclinando-se ainda mais na direção dela. – Me diga o que eu fiz de errado. Eu lhe prometo que concerto. – Ele lhe garantiu, com um tom afoito em sua voz.
--Você irá concertar? – Elizabeth questionou-lhe com um tom irônico na voz, não conseguindo segurar a sua própria língua.
--Eu vou fazer tudo o que for preciso para nos manter juntos! – Ele respondeu, convicto.
Elizabeth abriu a boca para lhe dizer que não gosta de sua prima; da forma que ela se refere a ele em suas conversas, usando de termos como “meu lugar”; que sabia que Annabella gosta dele como um dia gostou de Richard e pretendia roubá-lo dela.
E o que ele poderia fazer para concertar isto? Eles são primos, Will não poderia deixar de falar com Annabella! Muito menos se livrar dela – com uma risada diabólica em mente, imaginou as manchetes do jornal: “Jovem rapaz de 18 anos assassinou prima a pedido de namorada ciumenta”.
Ela sabia que estava sendo irracional. Sabia que os dois foram criados juntos desde criança e que ele, provavelmente, enxergue Annabella da mesma forma que Georgiana. Mas não conseguia evitar sentir-se insegura. E se ela conseguisse fazê-lo notá-la como tanto deseja? Os dois se conhecem há tanto tempo, Annabella certamente o conhece melhor do que eu!
Sentindo-se ridícula, fechou a boca e abaixou a cabeça. Tentando evitar que ele lesse em seus olhos o que ela estava pensando. Respirou fundo, de forma frustrada. Will notou todas as mudanças de emoção em seu rosto, o que só o deixou mais confuso ainda. Impaciente, colocou a mão em baixo do queixo dela, erguendo a sua cabeça e fazendo-a fitá-lo nos olhos.
--Nós estamos juntos de novo, não estamos? – Perguntou-lhe.
Diante da hesitação dela em lhe dar uma resposta, começou a ficar ainda mais apreensivo. Será que estou a perdendo de novo?
--Você quer ficar comigo, não quer? – Voltou a lhe perguntar, já com certo desespero em seu tom de voz. – Não quer?
O seu polegar encostou acidentalmente nos contornos do lábio dela e Elizabeth fechou os olhos em resposta, entreabrindo a boca alguns centímetros. A tentação era muito forte para ele resistir; nem em um milhão de anos recusaria um convite como este. E, imediatamente, capturou o lábio inferior dela com os seus. Dando inicio a um beijo lento, profundo e apaixonante.
Elizabeth suspirou dentro de sua boca, quando a mão de Will, que estava apoiada na estante, a enlaçou pela cintura e a desencostou da estante de livros, comprimindo o seu corpo de encontro ao dele. Ao mesmo tempo em que a sua outra mão encontrava o caminho até a nuca dela e o auxiliava a encontrar um ângulo melhor para tornar o beijo ainda mais sedento.
As mãos de Elizabeth procuraram pelo peitoral dele, sentindo os músculos contraírem ao seu toque e o coração dele bater acelerado. Will deixou a sua mão acariciar os cabelos dela, escorregando por suas costas e se juntando a outra mão a cintura, abraçando cada vez mais forte. Permitindo que as mãos de Elizabeth aproveitassem a oportunidade para vagarem lentamente pelos seus ombros, pescoço e acariciassem o seu cabelo. Como se tentassem se familiarizar com aquilo que um dia lhe pertenceu.
O beijo parecia que ia durar para sempre. Nenhum deles tinha intenção de parar para respirar. O ar não era importante. Não quando se está beijando daquela forma a pessoa amada. Isto sim é importante!
--Me diga que você quer ficar comigo! – Will implorou, ao interromper o beijo. O desespero ainda evidente em sua voz.
Elizabeth abriu os olhos e o fitou, notando o seu semblante transtornado, ansioso e aflito. Sabia que precisava assegurá-lo de seus sentimentos, não podia mais se abster.
--Mais do que qualquer outra coisa. – Respondeu, com muita emoção.
--Você quer? – Will questionou-lhe, ainda inseguro. – De verdade?
--Quero. – Elizabeth não hesitou em responder desta vez.
Os lábios dele estavam pressionados contra os seus no segundo seguinte, em um beijo furioso e lascivo. Seus pés deixaram o chão quando os braços dele se fecharam envolta de seu corpo de forma esmagadora. Fazendo-a inclinar a cabeça para trás, interrompendo o beijo, e dizer.
--Não… consigo… respirar!
Instantaneamente, ele a soltou. Os pés dela atingiram o chão muito rápido e ela cambaleou. Ele apressou em ampará-la, envolvendo-a pela cintura novamente e puxando para si. Por muito pouco ela não atingia a cabeça na estante de livros.
--Desculpe-me! – Will pediu, afobado. – Eu não tive a intenção!
Os olhos dela brilhavam quando encontraram os dele e ela estava sorrindo. Logo começou a rir e, para evitar chamar a atenção de alguém para a presença dos dois naquele corredor isolado, escondeu o rosto em seu ombro, abafando sua risada.
Isto o agradou bastante. Ele não demorou a encostar o nariz em seu pescoço e respirar profundamente, fechando os olhos e deleitando-se com aquele pequeno prazer. Enquanto suas mãos acariciavam as costas dela.
A risada de Elizabeth cessou pouco depois e ela parecia contente em aproveitar os seus carinhos, relaxando em seus braços. Até o momento em que os lábios dele tocaram o seu pescoço. O seu corpo todo ficou tenso e ela disse.
--Will! – Com um tom de aviso. – Eu não creio que vou conseguir convencer meu pai que fui picada por um mosquito se você deixar outra marca em meu pescoço!
Will enrijeceu o corpo ao som da palavra “pai” e afastou-se um pouco para fitá-la nos olhos.
--Seu pai viu o...? – Ele questionou, alarmado; sequer conseguindo completar a pergunta.
--Desculpe-me, mas... – Elizabeth começou a dizer, não gostando do tom de voz dele e soando defensiva. – eu não estava conseguindo me concentrar direito no domingo após Chessington World of Adventures para me preocupar em usar blusa de gola alta e cachecol dentro da minha própria casa. – Chegando a soar de forma acusatória no final.
O rosto de Will se contorceu de dor e ele apressou-se me dizer.
--Me perdoe! – Atormentado. – Eu sinto muito!
--Eu sei. – Elizabeth respondeu, arrependida de ter lhe dito tais coisas. – Eu sei. – Repetiu, passando os braços por debaixo dos dele e o abraçando, escondendo o rosto em seu peito.
--Isto nunca mais vai acontecer de novo. – Will prometeu, a abraçando apertado.
Ele sentiu o corpo dela voltar a ficar tenso e, não demorou muito, ela disse.
--Nós precisamos ir... A Sra. Trudy logo virá conferir os corredores... – Elizabeth se desvencilhou de seu abraço. – ...e nos expulsará daqui.
--Não. – Will tentou protestar, mas ela já estava fora de seu alcance.
Ele apressou-se a acompanhá-la, vindo a segurar a sua mão. Ao dobrar em um dos corredores, deram de frente com a bibliotecária. Ao ver a sra. Trudy, Elizabeth soltou a mão de Will e apressou ainda mais os seus passos. A bibliotecária olhou-os desconfiada, mas só os avisou para que se dirigissem diretamente para a sala de aula.
Assim que saíram da biblioteca e percorriam os corredores, seguindo em direção às salas de aula, Will tentou segurar a mão de Elizabeth de novo. Mas ela o impediu, colocando as mãos dentro do bolso da calça e apressando os passos. Ele notou imediatamente que ainda havia algo de errado e a questionou, antes que ela entrasse na sala de aula.
Segurou-a pelo braço delicadamente e a voltou de frente para si.
--Por que você não quer que eu segure a sua mão? – Elizabeth pareceu estar alarmada com a pergunta dele. – Você ficou zangada pelo que eu disse na biblioteca?!
--Não. – Elizabeth respondeu. – Eu não estou zangada com você por nenhum motivo... Eu só...
--O que? – Will insistiu. – Me diga. – Pediu-lhe.
--Eu só… só… acho que não devíamos ficar... – Mas não conseguiu completar a frase. Ele aguardou, tentando ser paciente, mas como ela não prosseguiu, ele disse.
--Nós não devíamos o que?
--Eu não quero que ninguém sabia que estamos juntos de novo. – Disse tudo de uma vez, apressadamente, para não perder a coragem; depois desviou o olhar do dele, quando Will ficou boquiaberto.
--Por que não?! – Ele, agora, exigiu saber.
--Porque… – Elizabeth voltou a ficar sem palavras, ainda sem olhá-lo.
--Lizzie? – Ele persistiu, repetindo o gesto de quando estavam na biblioteca, ao colocar a mão embaixo do queixo dela e erguer o seu rosto, para que o fitasse nos olhos. – Por que não?
--Ahh… Porque eu não quero causar problemas para Jane e Charles, Richard e Charlotte, ou, até mesmo, Lydia e George, se nós terminarmos amanhã! – Ela replicou, com sinceridade.
--Nós não vamos terminar! – Will garantiu-lhe. – Por que você acredita que vamos terminar?
--Porque é possível! – Ela respondeu, racionalmente. – Olhe para nós dois, nós ainda mal conseguimos nos entender... Brigamos por tudo!
--Nós não vamos terminar! – Will repetiu, já ficando levemente irritado com o pessimismo dela.
--Você não pode me prometer isto! – Elizabeth, no entanto, estava tentando ser realista e não ficou chateada com a reação dele; já a esperava.
--Eu lhe disse que vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para nos manter juntos! – Will reafirmou, com convicção. – Eu nunca mais vou terminar com você e... não vou permitir que você termine comigo!
--Permitir? – Elizabeth questionou, incrédula. Em seus olhos via-se um brilho de divertimento.
Ele passou a mão pelo cabelo dela, colocando alguns fios por detrás de sua orelha, ao dizer.
--Eu não vou perder você de novo!
Eles ficaram calados, olhando-se nos olhos. Ele notou que ela estava decidida, então perguntou.
--Por quanto tempo? – Soando conformado.
--Eu não sei... – Elizabeth respondeu. – Até termos certeza de que não vamos terminar.
--Eu tenho certeza. – Ele refutou, recebendo um olhar atravessado dela. – Estava só lhe informando. – Explicou-se.
--Nós devíamos entrar na sala de aula. – Elizabeth disse, para fugir daquela conversa.
Will concordou com um aceno de cabeça e Elizabeth ia se afastar dele. Mas ele voltou a segurá-la pelo braço e voltá-la para si.
--Não ganho nem mesmo um beijinho de despedida? – Questionou-lhe, carente, inclinando-se para beijá-la.
Elizabeth adiantou-se a ele, ficando na ponta dos pés, beijando-lhe o rosto e seguindo para a sua sala de aula. Will seguiu para a sua, notando que o seu relacionamento com Elizabeth seria bastante complicado. Eles não estariam recomeçando do zero, como ele imaginou. Ela não esqueceria tão fácil o que aconteceu e ele teria muito trabalho para conseguir que ela voltasse a confiar nele. Mas não planejava desistir.
Whatever it takes - Lifehouse
A strangled smile fell from your face
(Um sorriso estranho surgiu em sua face)
It kills me that it hurts you this way
(O que me mata é ter te machucado desse jeito)
The worst part is that I didn't even know
(A pior parte é que eu nem sabia)
There's a million reasons for you to go
(Que há um milhão de motivos pra você ir)
But if you can find a reason to stay
(Mas se você puder achar um motivo para ficar)
I'll do whatever it takes
(Eu farei o que for preciso)
To turn this around
(Para mudar tudo isso)
I know what's at stake
(Eu sei o que está em jogo)
I know that I've let you down
(Eu sei que te decepcionei)
And if you give me a chance
(E se você me der uma chance)
Believe it I can change
(Acredite que posso mudar)
I'll keep us together whatever it takes
(Eu vou nos manter juntos custe o que custar)
She said if you're gonna make this work
(Ela disse: 'se você vai fazer isso funcionar)
You gotta let me inside even though it hurts
(Você tem que me deixar entrar mesmo que isso machuque)
Don't hide the broken parts that I need to see
(Não esconda as partes quebradas que eu preciso ver')
She said like it or not it's the way it's gotta be
(Ela disse: 'goste ou não, é desse jeito que vai ser)
You gotta love yourself if you can ever love me
(Você tem que se amar se você pode me amar')
I'll do whatever it takes
(Eu farei o que for preciso)
…
I know that you deserve much better
(Eu sei que você merece muito mais)
Remember the time I told you the way that I felt
(Lembra-se da vez que eu te falei do jeito que eu me sentia)
That I'd be lost without you
(Que eu estaria perdido sem você)
Never find myself
(Nunca me acharia)
Let's hold on to each other above everything else
(Vamos nos segurar antes de qualquer coisa)
start over, start over
(Recomeçar, recomeçar)
I'll do whatever it takes
(Eu farei o que for preciso)
...














