Capítulo 76
Os dois desceram do carro e caminharam em direção as portas do restaurante. Foi então que Mary viu o nome do restaurante e sentiu-se mais calma. Sabia que não se tratava do restaurante da família de Shung, porque se trata de nomes diversos. Respirou aliviada, sentindo a tensão ir embora.
--Como você parece ter uma afinidade com o oriente, decidi descobrir se gosta de comida japonesa. – Thomas comentou, debochadamente, colocando uma de suas mãos as suas costas e a guiando pelo restaurante.
Mary sentiu o seu corpo ficar tenso assim que ele colocou a mão em suas costas, mas não teve o instinto de se afastar de seu toque; já se perguntando, “O que está acontecendo comigo?”.
O restaurante estava cheio, todas as mesas já estavam ocupadas. Então, os dois seguiram para o balcão – que era exatamente onde Thomas gostava de comer quando vinha a este restaurante, porque tinha o prazer de assistir o sushiman preparando a comida – onde cada um ocupou um dos bancos, lado a lado. Tiveram o deleite de assistir o sushiman preparar dois pratos maravilhosos, Sashimi e Okonomiyaki – enquanto preparava o último, o sushiman inquiriu aos dois quais ingretientes eles queriam que o seu prato tivesse – e beberam saquê.
Sashimi é uma iguaria da culinária japonesa primariamente consistindo de peixes e frutos do mar frescos, em fatias finas e servidos com apenas molho de soja e wasabi. Sashimi é quase sempre o primeiro prato em uma refeição formal japonesa. Muitas pessoas acreditam que o sashimi, tradicionalmente considerado o melhor prato da culinária japonesa, deveria ser saboreado antes de outros pratos, para que o paladar não seja afetado.
--Fugu é um sashimi preparado com o peixe baiacú (Fugu) que é venenoso por conter tetradotoxina, e pode levar a morte, por isso, no Japão, quem prepara o fugu precisa ter uma licença especial do governo. Como precisa de licença e ainda há o risco de morte, é o mais raro e caro sashimi. – Thomas explicou a Mary.
Okonomiyaki é um tipo de bolo frito japonês com vários ingredientes. Okonomi significa "o que você quer" ou "seu desejo," e yaki significa "grelhado" ou "frito"; sendo assim, o nome desse prato quer dizer "cozinhar aquilo que você gosta, da maneira que você deseja". A mistura é feita com farinha, vegetais, água ou dashi, ovos e repolho picado, e usualmente contém ingredientes como cebola, carne (geralmente de porco ou bacon), polvo, lula, camarão, vegetais, kimchi, mochi ou queijo. O Okonomiyaki é associado geralmente como sendo um omelete, pizza, ou panqueca, e comumente referido como sendo a “pizza japonesa" ou como a “panqueca japonesa".
A mistura e os outros ingredientes são fritos em ambos os lados em uma chapa quente (‘’Teppan’’) e depois usando uma espátula de metal são cortados depois de terminado o preparo. Depois de preparado o okonomiyaki é coberto com molho, nori, katsuobushi, maionese e gengibre. Quando o okonomiyaki é servido com repolho cortado e uma camada de macarrão frito (ramenou udon) na mistura é chamado de modanyaki ("yaki moderno"). Um tipo mais fino de okonomiyaki feito com cebola é chamado negiyaki, negiyaki.
Ao começarem a comer, Thomas percebeu que Mary sentia alguma dificuldade em segurar o hashis (palitinhos japoneses). Por muitas vezes, a comida escapava-lhe do hashis antes mesmo que ela conseguisse levá-la a boca. Com naturalidade, ele depositou o seu hashis ao lado e, segurando a mão dela, começou a lhe explicar.
--Encaixe um dos hashis, para atuar como sustentador, entre os dedos polegar e indicador. – A medida em que lhe dizia isto, guiava os palitinhos na mão de Mary. – Segure o outro hashi entre os dedos indicador e médio. – Enquanto Mary se sentia estranha ao tê-lo inclinado em sua direção, segurando a sua mão e lhe falando em tom reservado próximo ao ouvido. – Tente mantê-los alinhados, de maneira que as pontas fiquem em linha reta. – Embora parecesse-lhe que ele estivesse tentando realmente ensiná-la como usar os palitinhos, ao invés de se aproveitar da situação para tentar seduzi-la. – Para pegar o alimento, mexa apenas o hashi que fica entre os dedos indicador e médio, alçando sua ponta junto à do outro hashi.
Ao encerrar a sua explicação, Thomas soltou a mão de Mary e a encorajou a tentar sozinha. Mary hesitou por um minuto, tentando lembrar o que Thomas estivera lhe falando segundos antes e que ela dera pouca atenção, devido a sua proximidade. Sabia que precisava acertar, porque senão ele ficaria tentado a lhe explicar tudo de novo e ela não conseguia imaginar no que isso poderia dar.
Calmamente, repassou algumas de suas dicas em mente e segurou os hashis, levando a comida até a boca com mais sucesso.
--Vê? É fácil! – Thomas argumentou, voltando a concentrar-se em sua comida. – Você sabia que não se deve usar o hashi para espetar o alimento? – Comentou, displicentemente. – No Japão, só se espeta os hashis no arroz em tradições funerárias. – Olhando para Mary ocasionalmente e observando-a continuar a comer, seguindo as suas dicas de como segurar o hashis. – E não se deve cruzar os hashis. Ao descansá-los, disponha-os ao lado esquerdo de um prato ou na sua frente, sobre a mesa.
--Como você sabe disso? – Mary perguntou, fitando com interesse. – Andou pesquisando na Internet para poder me impressionar com o seu conhecimento da cultura oriental? – Em seu tom de voz tinha certo divertimento e ela continuava a fitá-lo, erguendo uma sobrancelha sugestivamente quando ele começou a sorrir, descontraído.
--Eu passei às últimas férias de verão no Japão. – Thomas respondeu, bem humorado.
--Sério? – Mary sentou-se mais ereta em seu banquinho, finalmente impressionada. – Onde, exatamente? Você gostou de lá? Pensa em voltar? – E imediatamente começou a crivá-lo de inúmeras perguntas.
Logo, o silêncio em que iniciaram a refeição não existia mais. Thomas contava tudo de mais interessante sobre as suas férias no Japão e Mary o escutava atentamente, o enchendo de perguntas sobre algumas coisas que lhe interessavam em particular. E foi nesta conversa que Thomas finalmente descobriu como Mary e Shung se conheceram através da Internet.
Mary desenvolvera uma paixão pela cultura oriental no ano passado e passou a pesquisar sobre os países asiáticos na Internet. Logo se apaixonou pelos dramas asiáticos – uma espécie de novela ou série de TV coreana, japonesa e taiwanesa. Ela assiste ainda estes dramas em um site da Internet, além de participar de uma comunidade. E foi em um Chat desta comunidade que os dois se conheceram, ambos compartilhavam da mesma fixação pelo drama japonês Hana Yori Dango.
Hana Yori Dango ou Boys over Flower conta a história de Makino Tsukushi, uma menina pobre que freqüenta a escola Eitoku Gakuen, onde todos os alunos são extremamente ricos e privilegiados, comandados pelo grupo A “Flor de quatro trevos” ou F4. Um grupo formado pelos quatro garotos mais ricos e de famílias mais poderosas: Domyoji Tsukasa, o líder e herdeiro de Domyoji World Finance Group; Hanazawa Rui, o filho introvertido do dono de uma grande companhia; Nishikado Sojiro, um playboy herdeiro da casa de cerimônia de chá; e Mimasaka Akira, um mulherengo, interessado em mulheres mais velhas, com ligação com o mundo do crime.
Se um estudante se envolve em confusão com o F4, ele recebe um cartão vermelho (literalmente) e uma guerra em que todos os alunos da escola ficam contra ele se inicia, até que se sinta forçado a sair da escola. Makino tem esperanças de passar os seus dias sem ser notada por ninguém. Mas, um dia, ela enfrenta Domyoji (o líder) em defesa de uma amiga. No dia seguinte, Makino ganha o cartão vermelho, toda a escola se levanta contra ela. E, mesmo sendo perseguida, decide continuar indo a escola, por saber dos esforços de seus pais em provê-la com uma boa educação. Ela declara guerra ao grupo F4, ganhando nova atenção do garoto por quem nutre um amor platônico, Hanazawa Rui, e um estranho sentimento romântico em seu pior inimigo, Domyoji Tsukasa.
Ao fim do jantar, Thomas levou Mary de volta para casa. Ao parar o carro enfrente ao seu prédio, assistiu em silêncio Mary retirar o cinto de segurança e voltar-se para ele.
--Surpreendentemente, eu me diverti... um pouco. – Mary afirmou, hesitante. Não queria lhe passar a impressão errada, embora não soubesse que impressão queria passar com aquele comentário.
--Um pouco?! – Thomas repetiu, fingindo estar ofendido com o comentário dela.
--Mas você não tem jeito mesmo! – Ela argumentou, sorrindo. – Boa noite, Thomas! – E virou-se para a porta do carro, abrindo-a e colocando o primeiro pé no passeio.
--Uau, você sabe o meu nome! – Thomas exclamou, fingindo estar impressionado.
--Como é? – Mary perguntou, desistindo de sair do carro e voltando a fitá-lo.
--Esta é a primeira vez que a escuto pronunciar o meu nome. – Thomas replicou. – Uma vez você me chamou de porco chauvinista... O que pegou... Meu irmão mais novo me chama assim com bastante freqüência agora! – Seu comentário fez Mary rir. – Mas é a primeira vez que a escuto me chamar pelo meu nome. Estamos fazendo progresso! – Este comentário fez Mary se sentir desconfortável, além de ficar corada.
Ela, então, saiu do carro e fechou a porta, caminhando em direção ao portão de seu prédio. Thomas a fitava, ainda sorrindo, mas viu uma coisa sobre o banco do passageiro que chamou a sua atenção - Mary esquecera o seu cachecol. Pegando o cachecol dela, ele saiu do carro e chamou por ela, no instante em que ela fechava o portão de ferro, já do lado de dentro.
--Não está esquecendo-se de nada? – Ele perguntou, mostrando-lhe o seu cachecol.
--Ohh... – Mary se aproximou do portão e esticou o braço, tentando pegar o cachecol da mão de Thomas.
Thomas, no entanto, parou alguns centímetros longe do seu alcance e se recusava a se aproximar mais, embora ela continuasse a esticar o braço e tentar alcançar o cachecol em sua mão.
--Vamos, Thomas. Dê-me o cachecol! – Mary exigiu. – Não seja o pentelho que você é! – Ela exclamou, já perdendo a paciência.
Mas Thomas continuou imóvel, assistindo os esforços dela, divertindo-se.
--Conto com você para arruinar um encontro que estava indo bem! – Ela resmungou, ao tirar o braço de entre as barras do portão e começar a destrancá-lo, abrindo-o em seguida.
Surpreendentemente, quando deu um passo a mais na direção de Thomas, ele vinha a seu encontro. Mary ficou paralisada, sentindo a pressão dos lábios quentes de Thomas nos seus. Thomas afastou-se dela devagar, segurou uma de suas mãos, fechando os dedos dela sobre o cachecol e continuou a se afastar. Com um sorriso convencido de canto de boca, ele piscou com um dos olhos para ela e deu-lhe as costas, caminhando em direção ao seu carro.
Thomas entrou no carro, fechou a porta e ligou o motor. Obserbou Mary uma última vez, a vendo parada ainda no meio da passagem de entrada de seu prédio, uma mão segurando o portão entreaberto, a outra parcialmente erguida, segurando o cachecol, olhos arregalados e boquiaberta. Riu-se, dizendo.
--Essa eu já ganhei! – Colocando o carro em movimento logo em seguida.
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Will chegou à casa de Charles no final daquela tarde de domingo ao mesmo tempo em que Richard chegava, acompanhado de Charlotte. Os três foram recebidos pelo mordomo dos Brown, Sr. Perkins, e forma guiados à pista de kart ao fundo da mansão, onde Charles os aguardava já na companhia de Jane, Elizabeth, Lydia e George.
Enquanto os recém-chegados se aproximava do grupo, Charles e George se afastaram das meninas. Charles se acercou de um dos carrinhos de kart, o seu predileto, e ficou conferindo o estado em que o seu motor estava, enquanto George observava um carrinho ou outro. Will e Richard se entreolharam, compreendendo a intenção dos seus amigos de querer escolher os melhores carrinhos antes dos dois.
--Agora que estamos a sóis, Lizzie, conte-me... – Lydia dizia em um tom de conspiração, mas alto o suficiente para que Will escutasse. – como foi o seu encontro com Gabriel ontem?
Will sentiu o seu sangue gelar e não conseguiu dar mais nenhum passo adiante.
--Como você soube disso?! – Ouviu a voz transtornada de Elizabeth, mas não conseguiu ver o seu rosto; assim como Lydia e Jane, ela estava de costas para os recém-chegados e não notara a presença deles ainda.
--Ahh.. Kitty me contou que Gabriel pediu o seu telefone a ela e que pretendia lhe convidar para sair. E pelo visto... – Lydia dizia, animada. – ele a convidou e você aceitou. – O silêncio de Elizabeth soou como uma sentença de morte a Will. – Como foi o encontro de vocês dois?
--Não foi um encontro, Lyd! – Elizabeth reclamou, evidentemente irritada. – Gabriel precisava de alguém para lhe mostrar a cidade e foi o que eu fiz.
--Ora, por favor, Lizzie! – Lydia resmungou, impaciente. – Você não quer que eu acredite que ele só precisava de guia turístico! ...Vai me dizer que vocês não se beijaram!! – Outro silêncio interminável de Elizabeth, permitindo a Will escutar o seu coração batendo acelerado em seu peito, enquanto ele rezava mentalmente para que ela negasse. Ele acreditaria nela se ela dissesse que não houve beijo algum! – Viu?! Você está toda vermelha! – Lydia exclamou, vitoriosa. – Vocês se beijaram!! – Exclamou, alardeando ainda mais a situação.
--Lydia! – Charlotte chamou por ela, fazendo as meninas se voltarem na direção deles, surpresas.
--Ohhouh!!! – Lydia murmurou, ao fitar o rosto pálido de Will. – Oops... – O vendo olhar fixamente para Elizabeth.
--Vocês chegaram!!! – Eles ouviram Charles exclamar, acercando-se deles. – Ótimo! Agora podemos começar!! – Excitado, completamente ignorando o que acabara de se passar entre eles.
O grupo se ocupou em escolher os carrinhos de kart que usariam e os meninos permitiram que as meninas dessem uma volta pela pista de kart para se acostumarem com os carrinhos e com a pista. Depois, sortearam a ordem de partida de cada um e a competição logo começou. Jane e Charlotte ocupavam os primeiros lugares na largada, seguidas por George, Elizabeth, Richard, Lydia, Charles e Will – ambos tiveram a má sorte de tirar a pior posição no sorteio.
Will sentia que a sua má sorte se estendia a mais que uma simples corrida. Não conseguia tirar da cabeça a conversa que entreouviu ao chegar à pista de kart e mal percebeu quando a corrida começou; dando partida no carrinho atrasado. Frustrado, proibiu a si mesmo de ficar pensando – no que quer que fosse – e obrigou-se a concentrar na corrida. Não se esquecera de que estavam apostando contra as meninas.
Após a primeira volta, Richard já estava na primeira posição, seguido por George, Elizabeth, Jane, Charlotte, Charles, Will e Lydia. Os dois meninos estavam sentindo dificuldade de ultrapassar as outras meninas porque, embora não possuíssem nenhuma habilidade espetacular em dirigir um carrinho de kart, o faziam de forma a causar confusão na pista e dificultar a tarefa dos dois.
A cada derrapagem em uma curva, os meninos ouviam os gritinhos das meninas, seguidas por risadas estridentes. À segunda volta, Charles e Will tinham ultrapassado até mesmo Jane, estando atrás do carrinho de Elizabeth. Aproximando-se de uma curva fechada, Charles tentou ultrapassar Elizabeth. Ela tentou fechá-lo, para impedir que ele a ultrapassasse, e os dois bateram os carrinhos. Will ultrapassou os dois, enquanto Elizabeth tentava ligar o carrinho dela – o motor parara de funcionar com a batida – mas não tinha sucesso. E, conseqüentemente, Charles também ficou parado, porque o carrinho de Elizabeth estava bloqueando o seu carrinho.
Frustrado por estar imóvel, Charles desceu de seu carrinho e passou a empurrar o carrinho de Elizabeth – com ela ainda dentro do carrinho – até que o carrinho dela desbloqueasse o seu, permitindo a ele voltar à corrida. A esta altura, voltara a ocupar o último lugar da corrida. Elizabeth, por sua vez, estava quase puxando os cabelos de irritação por ser a única a não estar mais na corrida. Simplesmente não conseguia fazer com que o seu carrinho voltasse a funcionar e ficava sentada nele, observando os outros carrinhos passar por ela, já completando a terceira volta.
Elizabeth saiu do seu carrinho, retirando o seu capacete e ficou na lateral da pista, observando Richard e George competindo entre si pela primeira posição. Will vinha se aproximando de onde ela estava com bastante velocidade, seguido de perto por Charlotte, enquanto Jane e Lydia tentavam acompanhá-la. Elizabeth não pensou duas vezes antes de ir para o meio da pista e bloquear a passagem de Will. Surpreso ao se deparar com ela parada no meio da pista, bloqueando o seu caminho, Will se viu forçado a jogar o seu carrinho para fora da pista, ou a atropelaria. O seu carrinho derrapou e girou três vezes antes de parar na barricada de pneus, o motor parando de funcionar.
Perplexo com o que tinha acabado de acontecer, Will ficou sentado em seu carrinho, observando Charlotte o ultrapassá-lo. Minutos depois, quando olhou a sua volta procurando por Elizabeth, a viu em outra curva, observando o progresso dos carrinhos de Richard e George. Will se ergueu de seu carrinho em um pulo, arrancando o capacete da cabeça, correu ao encontro de Elizabeth no instante em que Jane e Lydia estavam ultrapassando o carrinho dele na pista de kart.
Elizabeth voltou a parar no meio da pista quando viu Richard e George vindo em sua direção, ainda competindo entre si pela primeira posição. Os meninos estavam tão concentrados um no outro que não a viram na pista até que estavam próximos demais. Elizabeth os viu se aproximar cada vez mais dela, mas não saiu do meio da pista.
Richard conseguiu fechar George e estava começando se sentir mais seguro de que ia vencer, quando ergueu o olhar e se deparou com Elizabeth bem a sua frente. Pisou fundo no freio, seu carrinho começou a derrapar e ele tentou desviar dela, ainda no meio da pista – já paralisada pelo medo de ser atropelada por ele. Quando Will a carregou pela cintura e a tirou do meio da pista de corrida, colocando a no chão somente quando estavam protegidos pela barricada de pneus.
--Você enlouqueceu?! – Will exclamou, furioso com Elizabeth, quando o carrinho de Richard bateu na barricada protegendo eles, e George precisou desviar do carrinho dele para não bater também. – Você poderia ter se machucado!!
Elizabeth nunca o tinha visto tão transtornado antes, nem mesmo quando ele terminou com ela no Chessington World of Adventures, e a princípio não soube o que dizer. Ela olhou ao seu redor, a tempo de ver George derrapar na curva fechada adiante e Charlotte o ultrapassá-lo, quando mais uma reprovação de Will recuperou a sua atenção.
--O que se passa na sua cabeça?! Você não percebeu que a pista está derrapando e que nós podíamos não ter conseguido desviar de você?! ...Richard quase lhe atropelou!!
--Eu estou bem! – Elizabeth replicou, já não gostando da forma autoritária que ele falava com ela.
--Porque eu te tirei de lá! – Will refutou, espumando de raiva.
--Sim! – Ela exclamou, sarcástica. – Meu herói!
--Não tem graça, Elizabeth! – Ele reclamou, seriamente. – Você poderia ter se machucado!
--Mas não me machuquei! – Elizabeth disse, diminuindo o seu tom de voz. – Obrigada por me ajudar, mas já chega! – E se afastou dele.
Richard tentou voltar à pista, mas acabou batendo com o carro de Lydia e só restaram Charlotte, George, Charles e Jane na corrida. Para a surpresa de todos, Charlotte conseguiu manter a primeira posição até completar as cinco voltas estipuladas no começo da competição, seguida por George e Charles disputando a segunda posição e Jane por último.
--Esta corrida não valeu! – Richard reclamou, quando estavam todos sentados e lanchando no quintal de Charles. – Eu só perdi a primeira posição por causa de Lizzie! Se ela não tivesse me bloqueado, eu teria vencido a corrida!
--Não me conte os seus problemas! – Charlotte refutou, rindo por ter ganhado a corrida.
--Não seja um péssimo perdedor, Richard! – Lydia o avacalhou. – Você saiu da corrida porque bateu o seu carrinho no meu! George também perdeu a posição por causa de Lizzie e continuou na corrida!
--Você só está inventando desculpa porque perdeu! – Jane a ajudou.
Nenhum deles percebia que Will e Elizabeth estavam em silêncio desde que a corrida terminara e se olhavam atravessado durante todo o lanche.
--Não me importa! – Richard continuou a reclamar. – A corrida não valeu! Eu não vou pagar nenhuma prenda!
--Ahh, vai sim! – As quatro meninas exclamaram juntas; Elizabeth finalmente prestando atenção na discussão entre seus amigos.
--Se Richard não vai, eu também não vou! – George exclamou.
--Nem eu! – Charles o acompanhou.
--Todos vocês vão pagar a prenda sim! – Jane ordenou. – Foi o combinado no inicio da corrida que se nós perdêssemos, vocês iam inventar uma prenda para pagarmos e se vocês perdessem, nós inventariamos uma prenda para vocês.
--Vocês perderam! – Lydia exclamou, contente.
--Vão ter de pagar a prenda! – Charlotte completou. – Todos vocês!
--Sem exceção. – Elizabeth encerrou a discussão, olhando desafiadoramente para Will.
--E o que vai ser? – Ele perguntou a Elizabeth, devolvendo-lhe o olhar.
--Ohh, eu sei exatamente o que vocês vão fazer! – Ela disse, com um brilho diabólico no olhar.
Lydia vibrou de excitação, enquanto Richard, George e Charles se entreolhavam, temendo o que Elizabeth estivesse planejando para eles. Mas Charlotte e Jane observavam Elizabeth e Will, percebendo que havia algo de estranho no comportamento dos dois.
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Ao entrar em casa, Will escutou um barulho enigmático vindo da sala. Caminhou até lá, procurando identificar aquele barulho. À medida que se aproximava, o barulho ficava mais alto e distinto. A princípio, ele pensou que se tratava das badaladas de um relógio antigo, mas não demorou muito para reconhecer o barulho de uma bolinha de ping pong sendo acertada por uma raquete seguidas vezes.
De repente, ao se aproximar mais ainda da porta da sala, o barulho da bolinha de ping pong cessou e foi substituída pela melodia de uma música, o sobressaltando. Ao cruzar a porta, Will viu Georgiana sentada ao sofá, com os olhos fixo na tela plana da televisão, assistindo a um clipe musical de Enrique Iglesias.
Will não conseguia entender porque Georgiana estava tão concentrada em assistir àquele vídeo clipe. Ela sequer parecia ter notado a sua presença ali, parado à porta da sala, a observando, de tão deslumbrada que estava com o que via. Ele não conseguia entender o que as mulheres viam naquele cara. Para ele, Enrique Iglesias não tinha nada de extraordinário. Além do mais, a sua irmãzinha é muito nova para pensar neste tipo de coisa. De forma que deduziu que ela só podia estar assistindo ao vídeo porque gosta da música.
Mas então passou a avaliar a música e tão pouco se sentiu impressionado. Sobre o que este cara está cantando, afinal?! Aves?!”
If birds flying south is a sign of changes
(Se pássaros voando para o sul representa mudanças)
At least you can predict this every year
(Ao menos se é possível prever isto todos os anos)
Love… you never know the minute it ends suddenly
(Amor… Você nunca sabe o minuto em que termina de repente)
I can't get it to speak
(Eu nem consigo explicar)
O estômago de Will afundou quando ele finalmente compreendeu sobre o que Enrique Iglesias cantarolava.
Maybe if I knew all the things it took to save us
(Talvez se eu soubesse todas as coisas que fiz para salvar-nos)
I could fix the pain that bleeds inside of me
(Eu poderia consertar a dor que sangra dentro de mim)
Look in your eyes to see something about me
(Olhar em seus olhos para ver algo sobre mim)
I'm standing on the edge and I don't know what else to give.
(Eu estou na beira do precipício e já não sei mais o que dar)
Ele retrocedeu seus passos rapidamente, tentando ignorar aquelas palavras. Mas ainda conseguindo escutá-las.
Do you know what it feels like loving someone that's in a rush to throw you away?
(Você sabe o que é sentir-se apaixonado por alguém que está com pressa de jogar-te fora?)
Do you know what it feels like to be the last one to know the lock on the door has changed?
(Você sabe o que é sentir-se sendo o último a saber que a tranca da porta mudou?)
Ele escalou os degraus da escada às pressas e se trancou em seu quarto. Bufando de raiva, foi se sentar em sua cama e soltou o ar frustrado que estava prendendo desde que saíra da casa de Charles. Esta tarde de domingo acabou sendo completamente diferente daquilo que ele esperava. Ele estava cheio de esperanças quando acordou esta manhã, pensando que Elizabeth estava começando a perdoá-lo e que se ele esperasse só mais um pouquinho para pedi-la em namoro pela segunda vez receberia a resposta que tanto deseja.
Mas isto não aconteceria, não importa quanto tempo passasse – ele soube disso esta tarde. Ela estava saindo com outro garoto, eles até tinham se beijado – a sua imaginação lhe fizera o desfavor de criar a cena dos dois se beijando em sua mente e Will sentia uma angustia imensurável. E, para piorar tudo, eles tinha brigado novamente – por causa de uma corrida, para piorar! Lentamente, deixou-se desabar sobre a cama, passando a fitar o teto de seu quarto.
Ele não conseguia entender como ela conseguiu ficar com raiva dele por estar preocupado com ela. Ela podia ter se machucado, pelo amor de Deus!! Ele começou a pensar que era a hora de ele começar a encarar a realidade como ela é de verdade – acabou! Nós não vamos mais ficar juntos!
Life Will Go On – Chris Isaak
Broken skies, heartaches that flowers won't mend
(Céus despedaçados, dores de amor que flores não curam)
Say goodbye knowing that this is the end
(Diga “adeus” sabendo que este é o final)
Tender dreams, shadows fall
(Doce sonhos, obscurecidos pela sombra)
Love too sweet, to recall
(Amor doce de se recordar)
Dry your eyes, Face the dawn
(Seque seus olhos, enfrente o nascer do dia)
Life will go on, Life will go on
(A vida continua, a vida continua)
All day long thought that we still had a chance
(Durante todo o dia acreditei que ainda tínhamos uma chance)
Letting go, this is the end of romance
(Desistindo, este é o fim do romance)
Broken hearts find your way
(Corações partidos encontram seu caminho)
Make it through just this day
(Sobrevivendo mais um dia)
Face the world on your own
(Enfrentando o mundo sozinho)
Life will go on, life will go on
(A vida continua, a vida continua)
There'll be blue skies, every true love
(Existirá céus azuis, todo amor verdadeiro)
Someday I'll hold you again
(Algum dia eu lhe abraçarei de novo)
They'll be blue skies in a better world, darling
(Existirá céus azuis em um mundo melhor, querida)
Tender dreams, shadows fall
(Doce sonhos, obscurecidos pela sombra)
Love too sweet, to recall
(Amor doce de se recordar)
Dry your eyes, Face the dawn
(Seque seus olhos, enfrente o nascer do dia)
Life will go on, life will go on
(A vida continua, a vida continua)
Broken heart find your way
(Corações partidos encontram seu caminho)
Make it through just this day
(Sobrevivendo mais um dia)
Face the world on your own
(Enfrentando o mundo sozinho)
Life will go on, Life will go on














