Capítulo 73
Thomas não soube por quanto tempo ficou a observar Mary, enquanto ela ajudava o DJ substituto do Basement. Ele pensou que ela ficava muito bonita com os fones de ouvido e concentrada em selecionar músicas, ao assessorar o DJ. E ficou com um pouco de ciúmes quando a viu conversar animadamente com o rapaz e rir do que ele pudesse estar lhe falando.
Depois de um tempo, saiu do porão e caminhou pelo salão principal do pub. Muitas pessoas já estavam indo embora e ele notou que logo o pub estaria fechando por aquela noite. Saiu do Basement e caminhou em direção ao seu carro. Abriu a porta do motorista, entrou no carro, fechou a porta, ligou o carro e o aquecedor. Mas não pôs o carro em movimento. Decidiu-se ficar ali, vindo a ligar o rádio do carro para servir-lhe de distração enquanto esperava.
Cerca de uma hora depois, as pessoas começaram a sair do pub aos grupos e, logo, Mary também saiu. Thomas a assistiu caminhando pelo passeio através do retrovisor, notando o momento em que ela passou pelo seu carro – sem lhe dar atenção – e continuou o seu caminho. Ele abriu a porta do motorista, desceu do carro e fechou a porta; subindo no passeio, começou a seguir Mary.
--Vandinha? – Chamou por ela, antes que ela se afastasse demais.
Mary parou de andar e, desconfiada de que estavam falando com ela, virou-se em direção àquela voz. Suas feições endureceram assim que ela viu Thomas a certa distancia.
--Precisa de carona? – Ele inquiriu, sorrindo de forma sedutora.
Mary deu-lhe as costas e continuou andando, decidida a ignorar a sua presença irritante.
--Ora, vamos! Você não pode ir para casa andando! – Thomas argumentou. – Por falar nisso, onde você mora? – Mas Mary continuou a andar, de forma que ele precisou apressar os passos para alcançá-la. – Sério. Está tarde e não é seguro para uma garotinha linda ficar andando por aí sozinha! Deixe-me levá-la em casa!
Mary parou de andar e voltou-se para ele, quase se esbarrando nele. Precisou dar dois passos para trás para se sentir a vontade novamente. Irritada, disse.
--Para sua informação, eu não sou uma garotinha linda! – À medida que proferia estas palavras com fúria, caminhava na direção dele, ameaçadoramente, fazendo-o dar passos para trás. – Segundo, eu não preciso de carona. – Encerrou seu discurso, dando-lhe as costas e continuando a caminhar.
--É a parte da garotinha ou linda que lhe irrita tanto? – Thomas inquiriu, divertido, continuando a caminhar atrás dela. Enquanto Mary insistia em ignorá-lo. – Ou é o fato de ser eu quem está lhe elogiando e não Shung?! – A este comentário, Mary parou de andar. Thomas riu-se por dentro. – Ohh... Então, é isto?! – Thomas perguntou, debochadamente; Mary recuperou-se do susto e continuou a andar, desta vez mais rápido. – Bem, que culpa tenho eu se Shung é cego e não notou que você está caidinha por ele?! – Esta nova insinuação conseguiu fazer com que Mary parasse de andar novamente e voltasse de frente para ele.
--Eu não sei do que você está falando! – Resmungando, mas com um olhar ligeiramente amedrontado.
--Não? – Thomas inquiriu, mais confiante. – Deixa-me ver se eu posso lhe explicar! – Thomas comentou, sisudo. – Aparentemente, Shung só tem olhos para a sua própria namorada, de forma que não consegue enxergar que você está apaixonada por ele!
--Eu não estou apaixonada por ele! – Mary rebateu, voltando a ficar furiosa.
--Não? Tem certeza? – Thomas questionou-a, dando um passo na sua direção. – Porque eu estava certo de que você está apaixonada por ele!
--Você deve estar bêbado ou alucinando! – Mary refutou.
--Não. Eu estou bastante lúcido! – Thomas garantiu. – Mas se você dúvida da minha perceptibilidade, nós podemos tirar a prova pedindo a opinião de uma terceira pessoa. O que você acha? – Thomas sugeriu; Mary sentiu seu estômago afundar. – O que você acha de perguntarmos ao outro interessado nesta história? – Ao ouvir isto, Mary sentiu suas pernas tremerem. – Ou você acha que Shung não seria um juiz imparcial?! ...Talvez a namorada dele possa dar uma opinião mais justa! – Thomas continuou, fingindo realmente estar ponderando aquelas possibilidades.
--Você não ousaria! – Mary exclamou.
--Quer apostar? – Thomas perguntou, fitando-a nos olhos com um ar de desafio.
--Qual é o seu interesse nesta história, afinal? – Mary perguntou, receosa quanto ao caminho que aquela conversa a estava levando.
O sorriso de Thomas voltou a ser sedutoramente diabólico, ao dizer.
--Não é obvio?! – Fitando-a dos pés a cabeça.
Mary sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo e, imediatamente, deu-lhe as costas e continuou a andar. Thomas riu-se, baixinho, e a seguiu.
--Vandinha, ...meu carro está parado logo ali. – Thomas disse, amenamente.
--Meu nome não é Vandinha! – Mary refutou, raivosa.
--Tudo bem! Mary! – Thomas exclamou, notando que Mary deu um passo em falso ao ouvi-lo pronunciar o seu nome. – Vamos voltar! Eu lhe dou carona até em casa, Mary! – Ele repetiu o nome dela, com gosto.
--Eu não preciso de carona até em casa! – Ela disse, parando de andar na curva da esquina e, olhando os movimentos dos carros pela rua, atravessou-a.
Thomas apressou seus passos e a seguiu, subindo no passeio do outro lado da rua.
--Pare de me seguir! – Mary gritou, ao parar de andar e voltar-se de frente para ele.
--Eu estou lhe acompanhando até em casa para assegurar-me de sua segurança! – Thomas argumentou, galantemente.
--Você está tentando descobrir onde eu moro! – Mary o acusou, fazendo-o rir.
--Bingo! – Thomas admitiu. – Espertinha! Gostei! – Ele comentou, enfurecendo-a ainda mais.
--O que eu preciso fazer para você parar de me seguir? – Mary perguntou, já perdendo a paciência.
--Sair comigo! – Thomas replicou, prontamente.
Os olhos de Mary ficaram arregalados e ela exclamou.
--Nem em um milhão de anos! – Voltando a lhe dar as costas e a andar.
Thomas continuou a segui-la.
--Mary... Mary... Mary... Mary... – Ele cantarolava, à medida que caminhava há dois passos atrás dela. – Mary... Mary... Mary...
Mary não parou ou voltou a lhe dizer mais nada. Apressou os seus passos e ficou aliviada quando avistou o prédio em que seu pai mora. Silenciosamente, ela tirou a chave do bolso de sua jaqueta de inverno e se aproximou dos portões de ferro do prédio. Abriu o portão e entrou, fechando-o logo em seguida. Antes de se afastar do portão, viu Thomas parado, olhando para ela. O fitou por um segundo, antes de voltar-se em direção a entrada do prédio e caminhar.
--Boa noite, Mary! – Thomas exclamou, quando a viu entrar no portão e sumir, contente por descobrir onde ela morava.
Retrocedeu os seus passos com um sorriso nos lábios. Embora ela não houvesse concordado em sair com ele, Thomas estava confiante de que era uma questão de tempo para que isto aconteça. Agora sabia onde ela atuava como DJ e onde morava. Além de ter suas suspeitas confirmadas com relação aos seus sentimentos por Shung. Outro menino ficaria desencorajado diante desta novidade, mas ele não. Saberia usar tal informação a seu favor!
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Will passou o domingo inteiro pensando na conversa que tivera com Elizabeth na noite anterior. Ela se negara a conversar com ele sobre o seu encontro com Matthew, alegando que não podia ter este tipo de conversa com ele. “Porque se eu lhe contar sobre os meus encontros estarei lhe dando liberdade para fazer o mesmo... E eu não quero saber sobre os seus encontros com outras garotas!” Aquelas palavras se repetiam em sua mente e ele não conseguia esquecer o tom de sua voz ou o seu olhar enquanto ela dizia tais coisas.
E mesmo após ele garantir que não tem encontros com outras garotas, ela apenas disse que ele terá – “...Eventualmente, você terá!”, ela afirmou com tanta certeza. Will não conseguia compreender como ela podia pensar assim, quando ele vinha lhe dando demonstrações de que gosta dela, somente dela; de que quer ficar com ela, e apenas com ela! Por Deus, ele dispensou uma garota linda naquela mesma noite porque não conseguia parar de pensar nela, Elizabeth! Por que ela não conseguia acreditar nele?
A Razão lhe dizia que ela tem muitos motivos para duvidar dele; a história deles está aí para provar isto. Ele não conseguia apagar de sua mente as palavras cheias de amargura que ela lhe dissera ao shopping, após a festa do Halloween. “Porque é obvio que gostar de mim não é o suficiente para você...” Naquele dia Elizabeth desabafou tudo o que sentia desde o dia em que se conheceram. “Eu me sinto como se não fosse boa o bastante para você desde que nos conhecemos...” Como ele se arrependia daquele dia, se ele tivesse mantido a boca fechada talvez a sua história com Elizabeth fosse diferente.
Ele não suportava pensar naquele dia, não conseguia contar nos dedos quantos arrependimentos já acumulara desde que a conhecera. “...você me ofereceu para o seu primo... ...como se eu fosse um objeto descartável! ...E, como se isso não fosse o suficiente, você ainda teve a cara-de-pau de me pedir para ser ‘uma de suas namoradas por mês’!” Não é de se admirar que ela tenha dúvidas quanto aos sentimentos que ele afirma nutrir por ela. Ou de que ele não irá se envolver com outra menina assim que tiver uma oportunidade.
Mas ainda não conseguia entender como ela pôde acreditar que ele a confundiu com Madson. “Afinal, nós somos parecidas! Madson e eu, certo?!”, ela disse. Por que ela não conseguia enxergar que o problema era Hank e não ela. Enxergar que ele nunca a confundiu com Madson, de que ele sabe muito bem que não há nada em Elizabeth que o lembrasse de Madson. A história dos dois não se assemelha em nada com a dele e de Madson.
Se ele soubesse como provar a Elizabeth que o que sente por ela não é passageiro, que é verdadeiro e que o está consumindo. Se ele soubesse como apagar todas as coisas erradas que já fizera e lhe mostrar o quanto à ama. Sim, amor! É isto o que ele sente por ela, não há outra palavra para descrever este sentimento que domina todo o seu ser. Quando ela acredita que o que ele sente por ela não é o suficiente! Quando ela acredita que o que ele sente por ela é parecido com o que ele sentiu por Madson. Ahh, se ela soubesse!! Se ela soubesse que o que o ele sente por ela nunca sentiu por ninguém! Se ela soubesse o que ele sente...
Fernando Pessoa - Quando o Amor se revela
“O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar para ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!”
Ele precisava descobrir um jeito de dizer a ela toda a verdade. Contar-lhe tudo, explicar o que sente por ela. Fazê-la entender que o que sente por ela é único, completamente novo e verdadeiro.
Mas ela não vai querer lhe dar uma oportunidade de fazê-lo, ele sabia disso. Ela não irá querer conversar sobre eles dois, ele sentiu isto na noite anterior. Ela estava resistindo, sentindo-se inquieta, desconfortável. Se ele tentar conversar com ela, Elizabeth tentará fugir dele.
Segunda-feira Will não conseguia pensar em mais nada. Quando a via pelos corredores da escola, imaginava-se lhe dizendo tudo o que sente por ela. Queria ter coragem de caminhar até ela e lhe dizer que a ama. Perguntava-se o que ela lhe responderia. Será que acreditaria nele? Retribuiria seus sentimentos?!
Elizabeth notou o olhar de Will sobre ela todas as vezes que se encontraram pelos corredores. E tentou ignorá-lo o máximo que conseguiu. Imaginava que ele estava assim por causa do seu encontro com Matthew. Perguntava-se o que ele faria se soubesse o que aconteceu entre os dois à festa que fora com Matthew. Será que ele ficaria zangado? Deixaria de falar com ela completamente?! Passaria a odiá-la?!
Elizabeth sentiu-se tão aliviada quando terminou de lanchar e pode sair do refeitório – consequentemente, da presença de Will. Ele tinha passado o intervalo inteiro sentado a sua frente, com o olhar fixo nela. Ele não estava comendo, não estava conversando. Ela até se perguntava se ele estava respirando.
Ao sair do refeitório, Elizabeth seguiu em direção a biblioteca. Acreditava que se fosse a biblioteca, poderia esgotar o tempo restante antes de ter de ir para sala de aula e, assim, evitava ficar sobre o olhar atento de Will pelos corredores da escola. Ele já a estava deixando louca!
--Lizzie? – Will surgiu ao mesmo corredor de livros em que ela estava.
Elizabeth virou o rosto em sua direção e o fitou, alarmada. O que ele está fazendo aqui?
--Posso falar com você por um instante? – Will pediu.
O coração de Elizabeth estava batendo acelerado. Ela olhou para os lados, procurando uma forma de lhe escapar. Mas não havia saída. Estava justamente no último corredor de livros, justamente aquele em que ela vinha para escapar dos olhares curiosos de seus colegas de escola. O fim do corredor de estantes terminava em uma parede e a sua frente estava Will. Ela estava encurralada.
Em resposta ao pedido dele, Elizabeth devolveu o livro que tinha em mãos a estante e voltou-se de frente para ele. Não disse nada – o que podia dizer? E tentou acalmar o seu coração.
Will sabia que chegara o momento. E tentou procurar em sua mente as palavras certas. Mas mal sabia por onde começar.
– Ham... Quando nós nos encontramos ao Basement, este sábado... – Will começou a dizer, nervosamente, ao perceber que Elizabeth estava nervosa. – ...você disse algumas coisas que me fizeram pensar no dia em que conversamos no shopping... e eu... – Will gaguejou, não conseguia controlar o seu nervosismo. – ...eu sinto que lhe devo uma explicação... Eu sei que... se eu não me desculpar direito... nós nunca vamos conseguir ser ...amigos de verdade.
Amigos não era exatamente a palavra que pretendia dizer. Mas ponderou que era o máximo que podia pedir a ela no momento. Sabia que tinha muito que provar antes de poder sonhar com a possibilidade de conquistá-la de novo.
--Você não precisa... Eu não... Eu não penso mais nisso, Will. – Elizabeth apressou-se em dizer; não queria conversar mais sobre aquilo com ele. Estava tentando, duramente, por uma pedra sobre este assunto. Por que ele não podia esquecer este assunto de uma vez?!
--Mas eu penso. É a única coisa em que eu consigo pensar, Lizzie. Nas coisas que você me disse naquele dia!
Elizabeth suspirou, sentindo-se desconfortável; mas não tentou interrompê-lo. Não sabia como! Tentava encontrar uma forma de sair dali.
--Eu preciso que você entenda porque eu agi daquela forma. – Will argumentou, afobado. – Não foi porque eu não gostava o suficiente de você... ou porque gostar de você não era o suficiente para mim.
Elizabeth já não sabia para onde olhar. Fitá-lo era simplesmente impossível!
--Foi justamente o oposto!
Esta afirmação de Will conseguiu que Elizabeth o olhasse nos olhos por um segundo, mas, rapidamente, revertesse o olhar em outra direção. Will sabia que este era o momento, a hora de se explicar. Esclarecer tudo, desde o começo. Por isto, disse.
--O meu relacionamento com Madison foi... uma comodidade. – Assim o definiu, por falta de melhor palavra para se expressar; finalmente ganhando o olhar atento de Elizabeth. – Richard houvera sido transferido de escola e Charles começou a sair com Caitlin. Eu comecei a estar na companhia de Madison com mais freqüência e ... uma noite, em uma festa de colega de sala, nós ficamos. ...Ela é bonita e popular... Eu pensava que não tinha do que reclamar.
Will não tinha certeza como Elizabeth olharia para ele depois de ouvir toda a verdade; talvez ela fizesse uma imagem dele cada vez pior. Mas estava decidido a lhe explicar tudo.
--Eu não sabia, ao certo, como lidar com as garotas da minha escola, então, ter uma namorada fixa me pareceu... conveniente.
E estava certo; a imagem que Elizabeth começou fazer dele não era digna de louvor. Ele estava começando a se assemelhar com David Fitzgerald, na sua opinião.
--Eu não estava apaixonado por ela... e eu não sei se ela percebeu isto ou... Sei lá... O que eu sei é que... – Aqui ele fez uma pausa maior, tentando reorganizar os seus pensamentos. – Hank e eu, nós tínhamos está implicância um com o outro. Você sabe que Richard e eu temos esta mania de nos desafiarmos para termos algo com que ocupar o nosso tempo livre. – Will viu o olhar de Elizabeth se estreitar ao ouvir isto. Sabia o que ela estava pensando, mas não hesitou. Tinha de lhe dizer a verdade, toda a verdade. – Naquela época era pior! Com ele aqui... e Charles sem se interessar por este tipo de coisa, ...restou somente Hank e eu!
Elizabeth já começou a prever o resto da história, já que fazia uma idéia do que aconteceu.
--Quando ele começou a dar em cima de Madison eu não dei muita atenção. Eu não sentia ciúmes. ...Talvez porque eu não gostava dela ou talvez porque eu estava muito confiante de que ela nunca me trairia.
Will deduziu que Elizabeth estaria, naquele exato instante, o chamando de “convencido”; e estava certo!
--E quando começou a circular boatos na escola de que eles estavam ficando... eu me senti... humilhado. – Ele afirmou, mas, pensando melhor, disse. – Na verdade, primeiro, no auge da minha autoconfiança, eu não acreditei! Mas então... Bem,... eles deixaram pouca dúvida da veracidade dos boatos.
Por um breve segundo, Elizabeth pensou “Bem feito!”.
--Eu terminei com ela. E, no mesmo dia em que nós terminamos, eles começaram a namorar...
--Os boatos só aumentaram... Hank chegou a espalhar pela escola que ela tinha terminado comigo para ficar com ele.
Mas logo começou a sentir pena dele. Para sufocar este sentimento, perguntou.
--Foi por isto que vocês brigaram? – Adiantando-se em seu relato; queria escapar-lhe o mais rápido possível.
--Por incrível que pareça, não! – Will replicou, com um sorriso amarelo. – Nós brigamos por uma coisa mais idiota ainda. – Completou, ainda sorrindo. – Foi em um jogo de futebol... Ele estava sempre procurando uma desculpa para brigar, eu já estava com raiva dele, aceitei a provocação e nós brigamos... Eu quebrei o maxilar dele e ele me deu um olho roxo, nós dois pegamos duas semanas de suspensão... E, como eu já tinha um histórico, fui aconselhado a pedir transferência para cá.
Elizabeth achou que ele houvesse terminado com as suas explicações, já que toda a história com Madison e Hank havia sido esclarecida. Embora, ela ainda não conseguisse encontrar semelhanças entre a relação que ele teve com Madison com a que ele teve com ela.
--E então eu conheci você!
Ele disse isso com muita emoção, voltando a sobressaltar Elizabeth; quem o fitou nos olhos por alguns segundos, surpresa ao ouvi-lo dizer aquilo.
--Eu não estava preparado para conhecer você! – Ele afirmou, sem desviar o seu olhar do dela; conseguindo ganhar um olhar confuso de Elizabeth. – Eu nunca tinha conhecido alguém como você... e não estava preparado para... gostar de alguém deste jeito!
Elizabeth, imediatamente, desviou o olhar para o chão, constrangida. Por que eu fiquei? Por que não fui embora?!
--Você tinha esta habilidade de invadir os meus pensamentos quando eu menos esperava e eu estava tentando, desesperadamente, te impressionar... Mas tudo o que eu fazia dava errado.... – Will disse, apressadamente, dando passos na direção dela. – E eu fiquei louco de ciúmes do meu primo, porque ele conseguia facilmente conversar com você e fazê-la sorrir, quando eu lutava para conseguir que você olhasse para mim!
Como se em resposta a este pedido, Elizabeth voltou a erguer o olhar para ele.
--A verdade, Liz, é que ... eu gostava muito de você, mais do que eu podia imaginar... E eu não sabia o que fazer... – Will parou diante dela, fitando-a nos olhos. – Quando o assunto era você, eu nunca soube o que fazer! – Will afirmou, pesarosamente; sabia que podia estar se precipitando ao revelar tanto, em tão pouco tempo. Sabia que corria o risco de assustá-la. E viu os olhos de Elizabeth começaram a brilhar, ao se acumularem de lágrimas. – Eu sinto muito por tê-la magoado! – Will apressou-se em dizer, com bastante emoção. – Era a última coisa que eu queria fazer! Na verdade, era exatamente a única coisa que eu não queria fazer! – Ele reafirmou, veemente, sem desviar o olhar do dela. – Eu não quis te magoar!
Elizabeth tentava lutar com as lágrimas que se formavam em seus olhos, tentando impedi-las de rolarem pelo seu rosto.
--Mas eu sei que eu te magoei! – Will afirmou, com bastante pesar. – ...Eu só queria que você pudesse me perdoar... Porque... – Ele suspirou, ao dizer. – Porque eu quero muito que você faça parte da minha vida... do jeito que for possível!
Mas, neste momento, ela não pode mais segurar as lágrimas, que rolaram em seu rosto.
--Por favor, não chore! – Will se apressou a pedir, amedrontado. – Eu não quero te fazer chorar! – Ele ergueu uma das mãos até o rosto dela e, delicadamente, secou as suas lágrimas. – Não chore! – Inconsciente de que, com este gesto, veio a se aproximar mais dela. – Por favor, não chore!
Quando Elizabeth voltou a fitá-los nos olhos, ele notou o quão próximos estavam. Sentiu uma vontade desmedida de beijá-la. Inclinou-se em sua direção, até que percebeu o que estava fazendo. Então, notando que não podia afastar-se dela tão bruscamente sem que ela percebesse o que estava passando por sua cabeça, levou os lábios até a sua testa e lhe deu um beijo suave. Afastando-se definitivamente logo em seguida.
Deixando Elizabeth ali, parada, observando-o tomar o caminho da saída da biblioteca.
Forgiven – Deb Talan
You worry on
(Você se preocupa)
hurting anybody anymore
(em não magoar mais alguém mais uma vez)
You worry on
(Você se preocupa…)
Small comfort
(Pequeno consolo)
One of us seems not to tremble
(Um de nós não parece tremer)
You make a rift inside me
(Você faz um buraco dentro de mim)
every day
(todos os dias)
Then you choose to stay
(Então, decide ficar)
I walk the edge and
(Eu ando a beira do precipício e)
push it wider
(vou mais adiante)
You are forgiven
(Você está perdoado)
I open all my doors
(Eu abro as minhas portas)
You are forgiven
(Você está perdoado)
What a heart is for
(Para que serve o coração?)
I am no martyr
(Eu não sou uma mártir)
You give me reason
(Você me deu razões)
I try harder
(Eu tento com mais convicção)
and I wait
(e espero)
for a warmer season
(por uma estação mais quente)
Meanwhile,
(Por enquanto,)
You are
(você está)
forgiven
(perdoado)
I hear a soft noise like a sigh,
(Eu escutei um som suave, como um suspiro)
A singing
(Uma cantoria,)
like a lullaby
(como uma canção de ninar)
It is my heart
(É o meu coração)
It is this wind
(É este vento)
that blows through,
(soprando)
Where you held me closer,
(Onde você me abraçou apertado,)
Where we whisper
(Onde nós sussurramos)
This is
(Isto é,)
this is true
(isto é verdade)
You are forgiven
(Você está perdoado)
I open...
(Eu abro ...)
And it's time
(E chegou o momento)
to go
(de ir embora)
I cannot stay
(Eu não posso ficar)
You cannot know
(Você não pode conhecer)
My love
(O meu amor)
So dear
(tão querido)
Will it be faith
(Será fé)
or fear?
(ou medo?)
You are forgiven
(Você está perdoado)
I open all my doors
(Eu abro as minhas portas)
You are forgiven
(Você está perdoado)
What a heart is for
(Para que serve o coração?)
I am no martyr
(Eu não sou uma mártir)
You give me reason
(você me deu razões)
I try harder
(Eu tento com mais convicção)
And I wait
(E espero)
for a warmer season
(por uma estação mais quente)
Meanwhile,
(Por enquanto,)
You are
(você está)
forgiven
(perdoado.)














