Capítulo 71
Quando ele parou em sua frente e sorriu, Elizabeth não teve mais dúvidas de que ele queria falar com ela. Ficou apreensiva; embora não estivesse envolvida com Matthew, viera a esta festa como sua acompanhante. Não queria envolvê-lo em nenhuma confusão por sua causa.
--Você não se lembra de mim, não é? – O rapaz disse, com uma voz rouca.
Elizabeth ficou receosa em dar a sua resposta, porque não queria ofendê-lo ao dizer que não se lembrava.
--O seu rosto me parece familiar... – Escolheu uma abordagem mais neutra; o que pareceu agradar o rapaz, quem sorriu satisfeito com a resposta.
--O que você está fazendo aqui? – O rapaz perguntou, com um olhar penetrante.
Elizabeth sentiu a sua apreensão aumentar. Talvez ele fosse o dono da festa e soubesse que não se conheciam; soubesse que ela é uma penetra e estivesse a testando, antes de mandá-la embora.
--Eu estou acompanhando um amigo. – Elizabeth respondeu, cautelosa.
--Amigo?! – O rapaz repetiu, dando um passou a mais em sua direção. – Apenas amigo?
--Isto não é da sua conta! – Elizabeth rebateu, ao perceber que este rapaz podia estar apenas lhe cantando.
O rapaz riu-se da resposta.
--Calma, Lizzie. – Ele disse. – Que mal há em dar uma resposta direta a uma pergunta inocente?! – Ele retorquiu, satisfeito ao perceber que ela ficara com a testa franzida quando ouviu pronunciar o seu apelido.
--De onde eu lhe conheço? – Elizabeth perguntou.
--Eu acredito que lhe fiz uma pergunta primeiro. – Ele rebateu, notando a frustração estampada no rosto de Elizabeth. – Vocês são só amigos mesmo?
--Sim. – Elizabeth respondeu com sinceridade, mas se sentindo contrariada. – E se fossemos mais que amigos, não seria da sua conta! – Prosseguiu, irritada.
Quando ia refazer a sua pergunta, o rapaz questionou-a.
--E como fica o meu primo nesta história? – Deixando-a boquiaberta. Finalmente o havia reconhecido.
--Porco chauvinista?! – Elizabeth inquiriu, surpresa. Thomas riu-se.
--Finalmente! – Ele respondeu, ainda rindo-se.
--O que você está fazendo aqui? – Elizabeth inquiriu, ainda mais surpresa.
--Você ainda não respondeu a minha pergunta. – Thomas replicou. – E como fica o meu primo nesta história? – Ele a repetiu, assistindo, satisfeito, a frustração de Elizabeth aumentar.
--... – Ela abriu a boca para lhe responder a pergunta, mas não soube como. Respirando fundo, replicou. – Nós somos só amigos.
--Quem? – Thomas inquiriu. – Você e o meu primo, ou você e Matthew? – Elizabeth voltou a fitá-lo com a boca entreaberta, mas não disse nada. – Porque se você estiver se referindo a você e ao meu primo, não se iluda. Vocês dois nunca vão ser só amigos! – Thomas disse, seguro de estar certo. – E, se estiver se referindo a você e Matthew, tenho que lhe perguntar: você já disse isto a ele?!
A única resposta de Elizabeth às suas perguntas foi o completo silêncio. Ela ficava se fazendo as mesmas perguntas, questionando-se se ele estaria certo em suas suposições. Percebendo o jeito dela, Thomas decidiu mudar de assunto.
--O que é isto que você está bebendo? – Questionando-a, espiando o conteúdo do copo de Elizabeth. – Quantos anos você tem? – perguntou em seguida, antes que ela pudesse responder a sua pergunta.
--Quinze. – Elizabeth respondeu, estranhando a sua pergunta.
--Desde quando meninas de quinze anos podem tomar bebidas alcoólicas?! – Ele inquiriu, com a testa franzida.
--Não é uma bebida alcoólica... – Elizabeth replicou. – É apenas ponche.
--Lizzie, isto é uma festa de universidade! – Thomas argumentou, gesticulando com os braços, como se quisesse abraçar a sala inteira. – Todas as bebidas são alcoólicas! Walter (dono da festa) deve ter se dado o devido trabalho de batizar cada um dos ponches a esta altura! – Fitando Elizabeth da mesma forma penetrante, comentou. – Você está tomando uma bebida alcoólica! A menos que você esteja bebendo água, o que eu posso afirmar que você não está simplesmente pela cor do conteúdo do seu copo. – Elizabeth olhou para o conteúdo alaranjado de seu copo. – Dê-me isto! – Thomas tomou-lhe o copo das mãos e o levou até a boca, enquanto Elizabeth o fitava com olhos arregalados. – Hum... Delícia... – Ele disse, fechando os olhos por uns segundos e saboreando a bebida. – Não disse?! – Concluiu, sorrindo para ela por estar certo. – Quem lhe deu isto? – Voltou a questioná-la.
--Matthew. – Elizabeth respondeu, olhando para os lados, como se o procurasse entre as pessoas a sua volta. – Eu disse a ele que não bebia nada alcoólico... Talvez ele não soubesse que estava batizado.
--Talvez. – Thomas repetiu, mas o seu tom de voz sugeria justamente o contrário.
Elizabeth voltou a fitá-lo com a testa franzida, perguntando-se o que ele queria insinuar com este comentário. Foi, então, que Matthew se aproximou dos dois.
--Hei... – Ele disse, para chamar a atenção de Elizabeth para ele. – A banda de meu amigo irá tocar agora... Venha, vamos assistir mais de perto. – Dizendo isto, passou o braço envolto da cintura de Elizabeth e a levou para longe de Thomas.
Elizabeth ainda olhou para Thomas, ao ser levada por Matthew para mais perto do palco improvisado, e viu Thomas erguer uma das sobrancelhas sugestivamente para ela em resposta a atitude de Matthew. Elizabeth voltou o rosto para frente e continuou a acompanhar Matthew.
Quando os dois pararam bem perto do palco, ao lado de um grupo de amigos de Matthew, Elizabeth se esquivou do abraço de Matthew e postou-se a certa distancia dele. Matthew não tentou se reaproximar; ao invés disto, chamou a atenção de um de seus amigos para a sua presença, dizendo-lhe algo em segredo. O rapaz com quem ele conversava voltou-se para Elizabeth e a fitou dos pés a cabeça, avaliativamente. Sorrindo, disse algo a Matthew, e ambos continuaram a sorrir.
Elizabeth estava acostumada com este tipo de comportamento; ela mesma agia desta forma entre as suas amigas em determinadas ocasiões. Mas, certamente, não gostava de ser o alvo dos olhares divertidos e cochichos entre amigos. Cruzou os braços e passou a observar o movimento dos membros da banda no palco. Logo eles começaram a tocar a primeira música.
O comentário de Thomas a respeito de Will não lhe saia da cabeça. Poderia ele estar certo?Será que eles nunca conseguiriam ser amigos?! Apenas amigos?!
Is it wise enough to say
(É sábio o suficiente dizer)
That I’m better off without you
(que estou melhor sem você?)
Is it cool enough to fake
(É legal o bastante fingir?)
Because all that I’ve been breathing is about you
(Porque tudo o que tenho respirado é você)
Is it wise enough to flow (flowing down)
(É esperto o bastante deixar rolar – me dominar)
From the head until my toes
(desde a minha cabeça até os meus dedos dos pés)
But somehow I don’t really know
(Mas, de alguma forma, eu não sei)
All that I’ve been doing is without you
(Tudo o que tenho feito é sem você)
Is it you inside my head…
(É você dentro da minha cabeça?)
E quanto a Matthew? Elizabeth olhou para ele, quem estava distraído a conversar com o seu amigo. E continuou a se questionar. Será que ela não estava sendo clara o bastante? Será que ele não percebia que ela não queria ter nada com ele além de amizade? Será que ela devia dizer alguma coisa? Ser mais clara e objetiva?!
Voltou a olhar para o palco e tentou deixar tais pensamentos de lado. Tentou ouvir a música que a banda do amigo dele estava tocando. Mas não conseguiu, voltando a ficar apreensiva. Teria ela se metido em uma situação constragedora ao cumprir a palavra de sua mãe ao comparecer a esta festa?
--Onde está a sua bebida? – A voz de Matthew a retirou de seus desvaneios.
--Ham... Porco Chauv... – Elizabeth começou a responder, percebendo neste momento que não sabia o nome do irmão de Richard. E se perguntou como ele poderia saber seu apelido, nunca houveram sido apresentados. Deduziu que Richard, ou até mesmo Will, deveria ter lhe falado. Não quis se aprofundar muito nestes pensamentos para não se distrair. – O meu amigo tomou... – Respondeu a pergunta de Matthew.
--Oh... – Matthew virou o rosto na direção de Thomas, quem o observava seriamente de longe, e depois voltou a olhar Elizabeth. – Tudo bem. Você quer que eu pegue outro copo para você?! – Questionou isto, já insinuando-se na direção a outro cômodo da casa.
--Não. – Elizabeth respondeu rapidamente, antes que ele se afastasse. – Eu não quero mais nada. – Disse, quando ele deteve-se ao seu lado. – Eu não lhe disse que não bebia nada alcoólico?! – Questionou-o, inocentemente.
--Disse. – Matthew respondeu, naturalmente.
--O ponche estava batizado. – Elizabeth informou-o.
--Estava? – Matthew perguntou, aparentemente surpreso. – Eu não sabia. – Não demorou em explicar. – Se você quiser, eu vou procurar outra coisa para você beber... Algo que não contenha álcool.
--Não precisa. – Elizabeth disse, aceitando as explicações dele prontamente. – Eu não estou com sede no momento. – E voltou dar a sua atenção a banda.
--Está gostando da festa? – Matthew perguntou-lhe, recuperando a sua atenção.
--Sim. – Ela respondeu, sem muita convicção.
--E da banda? – Ele prosseguiu, sorrindo.
Elizabeth respondeu com um curto aceno de cabeça. Na verdade, dera pouca atenção a música que a banda do amigo dele estava tocando. Embora gostasse do estilo rock romântico, no momento a sua mente estava povoada por assuntos diversos para apreciar a qualidade do som. Não quis lhe dar uma resposta totalmente sincera, porque não queria correr o risco de ofendê-lo. Ele poderia pensar que ela não considerava a banda do amigo boa o bastante para merecer a sua devida atenção.
Matthew aceitou o seu curto aceno de cabeça e estava preste a lhe fazer um comentário sobre a banda de seu amigo. Quando o seu colega voltou a requisitar a sua atenção. Logo os dois começaram a conversar e Elizabeth voltou a ser esquecida por ora.
Ela decidiu se esforçar mais um pouco e ouvir pelo menos uma música por interio. Para ter sobre o que conversar com Matthew, caso ele voltasse a lhe perguntar sua opinião sobre a banda. Após três músicas mais lentas, a banda acelerou o ritmo e começou a tocar um rock mais pesado. O tipo de música que a pessoa escuta mais gritos que palavras por inteiro. E o pouco interesse que Elizabeth conseguiu manter até aquele momento morreu instantaneamente. Certamente, não gostava de músicas das quais não fazia a idéia sobre o que o cantor falava.
Para piorar a situação, as pessoas ao seu redor começaram a “dançar” àquele tipo de música – dançar não é exatamente a palavra adequada; eles pulavam e chutavam o ar, em uma dança que simulava uma luta com um adversário invisível. Elizabeth se viu ser empurrada de um lado para o outro e ser atirada contra parede, afastando-se de Matthew. Decidiu-se por ficar onde estava, não iria se aventurar retornar para perto dele naquela confusão.
Somente após algumas músicas Matthew voltou a se aproximar, explicando-lhe que estivera a sua procura. A sua testa brilhava de suor e as suas roupas estavam bagunçadas. Elizabeth não sabia dizer se o seu presente estado era fruto do seu esforço ao procurar por ela naquela multidão desordeira, ou se ele também estivera “dançando”. Mas não deu muita atenção a isto.
Matthew sugeriu que eles fossem para outro ambiente da casa; procurar um lugar em que pudessem sentar-se e conversar um pouco. Elizabeth aceitou prontamente e Matthew tomou-lhe a mão, guiando-a entre a multidão até a porta da sala, a atravessando. Parecia-lhes que a casa estava cada vez mais cheia de jovens, tornando a circulação dos convidados pelos cômodos da casa bastante tumultuado. A sala em que Elizabeth admirara a decoração em estilo oriental estava apinhada.
Elizabeth consegui ver Mary de relance, ainda conversando com Shung. Mas, para sua surpresa, o japinha não estava mais sozinho. Uma menina alta, magra, branca, cabelos negros em corte chanel, sorriso simpático e olhos puxadinhos estava parado ao lado dele. Shung tinha uma das mãos envolta de sua cintura e a outra se movimentava ocasionalmente, acompanhando a sua fala.
Elizabeth viu que Mary estava calada e observava o casal atentamente. Sentiu seu coração afundar diante daquela cena. Coitada de Mary! Quando tentou se dirigir a amiga, Matthew a arrastou por outra porta até outra sala. A qual estava tão abarrotada quanto a anterior, então Matthew continuou a sua busca por um local em que pudessem se sentar e conversar.
Ele passou pela cozinha, perguntando-lhe se Elizabeth não aceitava nada para beber. Ela recusou novamente, então ele pegou uma garrafa de cerveja para ele mesmo e continuou a guia-la pelos aposentos da casa. Chegaram a uma escada, qual levava ao andar superior e aos quartos. Elizabeth fitou a escada apreensiva – na qual já tinha alguns casais namorando, sentados em seus degraus – insegura quanto aonde Matthew pretendia levá-la.
No entanto, ele desviou da escada há poucos passos desta e seguiu para outro aposentado, continuanado a atravessar a casa. Elizabeth não imaginava que poderiam haver tantas salas assim em uma casa só. Passaram por uma porta entreaberta, na qual ela reconheceu um escritório – um casal já o estava “ocupando”, estavam tão entretidos consigo mesmo que sequer notaram a breve intromissão dos outros dois.
Matthew fechou a porta do escritório e sorriu para Elizabeth, ao notar o seu rosto corado de constrangimento com o que vira, e a guiou por um outra escada. Desta vez, eles desceram um lance de degraus e se viram em um amplo salão de jogos, com o mais variado tipo de distrações. Havia poucas pessoas no salão – alguns jogando sinuca, outros sentados de forma dispersa nos sofás, conversando.
Elizabeth e Matthew foram ocupar um dos sofás do canto e começaram a conversar. O que a princípio parecia-lhe a melhor idéia que já tiveram durante toda a noite, ao sentar-se naquele sofá ao lado de Matthew e se ver praticamente sozinha com ele, em um ambiente desconhecido e quase isolado, notou que fora a pior de suas idéias. Deveria ter ficado na sala em que a banda estava tocando, cheia de gente e bagunça para impedir que ele tentasse ter algo mais íntimo com ela.
A tensão entre eles era palpável. No começo, eles permaneceram calados, sentados um ao lado do outro. O sofá em que estavam sentados só acomodava duas pessoas, de forma que eles estavam muito próximos. Matthew olhava de relance para Elizabeth e sorria, fazendo-a rir-se também, sentindo-se estúpida. Ele, então, disse.
--O que você achou da banda do meu amigo? – E Elizabeth sorriu, ao ver suas suspeitas confirmadas.
--Eu... gostei das primeiras músicas... Mas... – Ela respondeu, evasivamente.
--Eu imaginei que não fosse seu estilo de música. – Matthew replicou, relaxado; tinha certa idéia de quais músicas Elizabeth gostava pelos CDs que a vira comprar na loja em que trabalhava. – Eu também prefiro as primeiras músicas... Algumas delas foram escritas por Eliot, o cantor... Juntamente com o baterista, Xavier. – Matthew disse-lhe, recostando-se ao sofá e passando um dos braços pelas costas de Elizabeth, o apoiando no encosto do sofá. – Uma delas ele escreveu para a namorada dele, quando eles terminaram há alguns meses... E conseguiu conquistá-la de volta com a música. – Concluiu o seu comentário, levando a cerveja até a boca e tomando um gole.
Em pouco tempo Elizabeth também tinha conseguido relaxar e conversava normalmente com ele. Recostada ao sofá, indiferente ao braço dele apoiado ao recosto do sofá, falava do seu gosto por música, filmes, livros e até estudos, discutindo as variadas profissões que lhe interessava. Enquanto ele comentava sobre as suas matérias preferidas no curso universitário ou sobre as peripécias de seus amigos.
De vez em quando, Elizabeth sentia um arrepio na nuca, quando Matthew aproveitava que seu braço estava apoiado ao sofá às costas de Elizabeth e mexia nos cabelos dela discretamente. E, mesmo com este sinal bastante obvio de suas intenções para com ela, Elizabeth ficou surpresa quando ele se inclinou sobre ela e lhe capturou os lábios, em um beijo demorado.
Ela se deixou beijar por alguns minutos; não correspondendo ativamente ao beijo, mas não permanecendo completamente indiferente a ele. Sentia o gosto distante da cerveja na boca de Matthew e ficava se perguntando, mentalmente, se aquilo poderia estar realmente acontecendo com ela.
“E como fica o meu primo nesta história?” A voz de Thomas soou em seus ouvidos e Elizabeth empurrou Matthew, encerrando o beijo.
--Desculpe-me! – Pediu a ele, sem olhá-lo nos olhos, ao limpar os lábios e erguer-se do sofá. – Desculpe-me! Eu não deveria ter vindo! – E caminhou em direção a escada, não parando quando ele começou a chamar por seu nome.
Elizabeth subiu o lance de degraus as pressas, atravessou cada uma das salas da mesma forma. Desviando de pessoas a todo tempo, desajeitada, e pedindo perdão cada minuto pelos esbarrões ocasionais. Achou Mary no mesmo lugar em que a vira pela última vez, ainda acompanhada pelo casal de japinhas. A namorada de Shung era quem estava falando e sorrindo para Mary, enquanto ela (Mary) parecia se esforçar a corresponder a sua animação.
Elizabeth se acercou de Mary e informou-lhe que queria ir embora. Mary aceitou a sua decisão prontamente; parecia-lhe que ela mesma estava tão ansiosa para sair dali quanto Elizabeth.
Quando as duas se dirigiam a saída da casa e Elizabeth decidia-se a telefonar para o pai, para pedir a ele vir buscá-las, Thomas interpôs-se em seu caminho. As duas meninas pararam de andar e o fitaram expectativamente – Mary desgostando profundamente de reencontrá-lo.
--Estão indo embora? – Ele perguntou a Elizabeth, fitando Mary com um olhar divertido rapidamente.
--Sim. – Elizabeth respondeu.
--Precisam de carona? – Ele questionou a Elizabeth, voltando a observar Mary novamente; quem o fitava com uma expressão de poucas amizades no rosto.
--Ham... Claro. – Elizabeth respondeu.
Se ele as levasse embora, não precisaria ligar para casa e pedir ao seu pai para vir buscá-las. Sequer precisava voltar para casa imediatamente; poderiam ir ao Basement e ficar entre seus amigos, deixar o tempo passar. Assim evitava ficar ouvindo reclamações da sra. Abbott por ter voltado para casa tão cedo.
--Dê-me um minuto. – Thomas pediu, afastando-se das meninas rapidamente e se acercando do mesmo rapaz com quem Elizabeth o vira conversar no começo da festa.
Só neste instante Elizabeth conseguiu ver o rosto do outro rapaz e viu a cópia de Thomas. Os dois olharam para Elizabeth e o gêmeo de Thomas acenou para Elizabeth, sorrindo. Elizabeth acenou de volta, com a testa franzida. E Thomas logo retornou, as levando embora.
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Quando chegou ao Basement, Will procurou pelos amigos. Não demorou a encontrar Charles e Jane no primeiro salão do pub. Eles estavam tão entrosados, conversando amorosamente, que Will decidiu não pertubá-los com a sua presença. Sentiria-se um intruso se o fizesse, além de que, ao fitar Jane, lembraria-se de Elizabeth, e queria esquecer-se de sua existência no momento. Principalmente, o fato de ela estar em um encontro com outro rapaz naquele exato instante.
Decidiu-se por ir ao porão, observar o movimento. Talvez conseguisse encontrar Richard e George. E, como esperado, encontrou os dois outros amigos, mas eles também estavam acompanhados. Will apenas demorou-se em sua companhia por um breve momento, sentindo-se inquieto perante o olhar atento de Charlotte e Lyda. Parecia-lhe que as duas meninas estavam testando nele um olhar de médico, daqueles em que a pessoa se sente nua, com a impressão de que a outra pessoa está tentando descobrir algo de errado em seu interior só de olhar para o seu exterior.
Acomodou-se em um cantinho do porão, ao sofá que circundava todo o ambiente, e observou algumas meninas dançando. Em pouco tempo Daniel se aproximou dele, sozinho, e sentou-se ao seu lado. Parecia aborrecido com algo e olhava, de tempos em tempos, na direção em que Catherine se encontrava – conversando com um rapaz de cabeçlos cacheados, loiros.
--Quem é aquele? – Will interrogou Daniel; perguntando-se, em silêncio, se ele e Catherine teriam terminado e aquele era o mais novo namorado da amiga de Elizabeth.
--O novo vizinho de Kitty, Gabriel. – Daniel respondeu de mau gosto.
--Ahh... – Will concordou com um aceno de cabeça e continuou a observar a dinâmica entre o outro casal; hesitante em perguntar a Daniel aquilo que estava martelando na sua cabeça.
--Por que você está aqui? – Will o questionou, voltando a ganhar a atenção de Daniel; quem já voltara a pousar o seu olhar azedo em Catherine e Gabriel. – Por que você não está lá... com ela? – Como Daniel continuou calado, Will perguntou de supetão. – Ela ainda é sua namorada, não é?
--Sim. – Daniel respondeu, com veemência.
--Então, o que você está fazendo aqui? – Will repetiu a pergunta.
--Eles estão conversando. – Daniel respondeu, voltando a olhar para Catherine e Gabriel.
--Danny,... – Will chamou por ele, com a voz grave, conseguindo que Daniel voltasse o seu olhar para Will mais uma vez. – Kitty é sua namorada! – Will disse, enfatizando bem o “sua”.
Daniel hesitou por um minuto, mas ergueu-se do seu lugar ao sofá ao lado de Will e caminhou na direção da namorada. Will notou que Gabriel o viu se reaproximar e percebeu também que o menino parecia sorrir com o canto da boca ao fitar Daniel.
Quando Daniel se acercou de Catherine, por suas costas, e a enlaçou pela cintura, Catherine virou o rosto na sua direção surpresa. Mas sorriu ao ver de quem se tratava, voltando a olhar para Gabriel. Daniel cochichou algo em seu ouvido e Catherine voltou a olhar para ele, concordando com ele com um curto aceno de cabeça.
Não demorou muito para que o casal se afastasse de Gabriel e fosse para o meio da pista de dança. Era a primeira vez que Will assistia Daniel tentar dançar uma música no estilo R&B – Rhythm and Blues, termo comercial introduzido no Estados Unidos no final de 1940 pela Revista Billboard. O termo substituiu race music, que era, em língua inglesa um tanto ofensivo. De certo modo, hoje o rótulo R&B aplica-se nos EUA a qualquer forma de música pop com artistas negros.
Daniel não tinha a habilidade para dançar aquele tipo de música e, assim como Charles, tornava aquilo em espetáculo hilário para os terceiros observadores. De forma que Will sentiu-se bastante entretido por alguns músicas, ao assistir a perfomance do casal. Tão distraído estava com o absurdo da cena que assistia que não notou quando uma menina de cabelos loiros, cacheados, olhos azuis, sentou-se do seu lado. Ele sentiu a sua presença e, principalmente, o seu perfume, antes de vê-la sentada ao seu lado, bem próxima.
Will virou o rosto em sua direção e a viu olhando para ele. Ela sorriu e curvou-se em sua direção, procurando falar-lhe mais próximo do ouvido para que ele pudesse ouvi-la direito naquele barulho em que se encontravam.
--Oi, meu nome é Allison Hangns! Qual é o seu?
--Will Darcy. – Ele respondeu, também se inclinando em direção a ela, sentindo ainda mais o cheiro de seu perfume.
--Você quer dançar, Will? – Allison não demorou em perguntar, continuando a se inclinar na direção dele.
--Eu não danço. – Will respondeu; afastando da mente a memória do casamento da prima de Elizabeth.
--Eu não sei dançar muito, mas ainda arrisco uns passinhos... – Allison comentou, amistosamente.
Will se afastou um pouco dela, a olhou atentamente pela primeira vez. Ela é muito bonita, sem sombra de dúvida. Mas ele não acreditava que já a tinha visto antes. E.voltando a se curvar na direção dela, perguntou.
--Você frequenta Austen House?
--Não. – Allison respondeu, ao mesmo tempo em que sacodia a cabeça, negativamente.
--Onde você estuda? – Will questionou, começando a ficar curioso.
--Phoenix High School. – Allison respondeu.
--Você vem sempre aqui? – Will inquiriu.
--Não. – Allison repetiu o gesto, sacudindo a cabeça negativamente. – Eu vim com um casal de amigos. – Ela disse, indicando um casal que estava dançando naquele exato momento.
--Ohh... – Will concordou, observando o casal dançar.
Eles ficaram calados por uns minutos, até Allison se inclinar na direção dele mais uma vez e perguntar.
--Você tem namorada, Will?
À esta pergunta, Will voltou o rosto na direção de Allison e viu um par de olhos castanhos amendoados surgir em sua mente e começou a responder aquela pergunta com acenos de cabeça em positivo. Mas hesitou por um momento, corrigindo-se em seguida, ao dizer.
--Não. – Em um tom de voz sombrio, ao apagar o rosto de Elizabeth da sua mente e voltar a focar o rosto de Allison.
Ele notou que a garota franziu a testa a sua resposta e hesitou um pouco antes de dizer.
--Quer ficar comigo? – Esquecendo-se de curvar-se em sua direção e falar-lhe quase ao ouvido.
Will olhou para ela surpreso – teve o autocontrole de manter a boca fechada, para não parecer um bobo. Mas não podia negar que estava mais que surpreso. Nenhuma garota tinha tido a coragem de ser tão direta com ele antes ou houvera lhe dito, face a face, que queria ficar com ele. Já houvera recebido elogios exagerados, cantadas indiretas; muitas meninas já flertaram com ele. Mas nenhuma, nem mesmo Madison ou Caroline, houvera lhe feito tal pergunta antes.
Allison pensou que ele não ouvira a sua pergunta. Por isso, inclinou-se na direção dele mais uma vez e a refez.
--Quer ficar comigo? – Afastando-se em seguida e o fitando nos olhos.
Não há como imaginar a quantidade de pensamentos que passaram pela cabeça de Will naquele instante. Poderia ele ficar com outra menina além de Elizabeth? Faria alguma diferença se ele o fizesse? Teria ela ciúmes se descobrisse? Ou seria indiferente?E se ele ficasse com Allison e Elizabeth descobrisse, mas fosse indiferente? O que ele faria? Seria melhor descobrir que os seus primos têm a mais profunda razão ao dizer que o seu relacionamento com ela não tem mais solução? Que o melhor que ele pode fazer é encontrar outra namorada?
E, por acaso, ele queria outra namorada?Allison é bonita, sem dúvida. Mas poderia ele se envolver com Allison ainda gostando de Elizabeth? Conseguiria transferir este sentimento para Allison? Ou só ficaria com ela por ficar, continuando a gostar de Elizabeth em segredo?!
--Eu gosto de outra pessoa. – Will se viu a responder.
--Oh... – Allison concordou, com um aceno de cabeça. Em seu rosto estava evidente a decepção com a resposta. – Ok. – Ela disse, por fim, encolhendo os ombros. – Foi um prazer te conhecer, Will.
--Igualmente, Allison. – Will afirmou, aceitando a mão que ela lhe oferecia em um cumprimento.
Logo, Allison se pôs de pé e caminhou até o casal de amigos a quem acompanhava. Will a fitou de longe, com a testa franzida. Queria não gostar de Elizabeth. Tudo seria tão mais fácil se não se sentisse daquele jeito.
Notou que o casal de amigos de Allison olharam na sua direção, antes de acompanhá-la a saída do porão. Começou a se perguntar se teria estragado a noite dos três. Ou se eles estariam apenas indo para o salão no andar de cima? Ouviu a voz de Elizabeth soar em seu ouvido: “O mundo não gira entorno do seu umbigo, sr. Darcy!” e riu amargamente. Ela, certamente, diria que ele estava sendo pretensioso ao supor que os três desconhecidos estavam indo embora por sua causa.
O DJ começou a tocar músicas mais românticas, de forma que na pista de dança só restaram casais. Will viu Daniel suspirar aliviado ao trazer a namorada para perto e a abraçá-la acolhedoramente, enquanto Catherine transpassava os braços envolta do pescoço de Daniel, sorrindo amorosamente para ele.
De vez em quando Will notava que Daniel cochichava alguma coisa ao ouvido de Catherine que fazia o sorriso no rosto da namorada aumentar, ou suas bochechas corarem. E ela não demorava a esconder o rosto no ombro dele.
Richard e Charlotte, assim como Lydia e George, também se encontravam na pista e dança. Os três casais dançavam enamorados, não se incomodando com o olhar dos espectadores. Ocorreu-lhe que esta era a primeira vez em que ele ficava a observar os amigos interagirem com suas namoradas com tanto afinco. Lembrava-se da forma com que Elizabeth parecia-lhe estar sempre atenta ao que acontecia com as suas amigas, e, mais uma vez, viu-se perdido em pensamentos repletos de Elizabeth.
Sentindo-se abatido e angustiado, ergueu-se do sofá e caminhou em direção a saída do porão. Quando abriu a porta do porão, Mary passou por ele sem lhe dirigir a palavra. Will olhou para a sua figura em retirada confuso, perguntando-se quem poderia estar atuado como DJ se Mary estava perambulando pelo pub livremente.
Logo em seguida, Elizabeth parava a sua frente. Will nunca sentiu o seu coração bater tão acelerado antes. Sentia-se aliviado e, ao mesmo tempo, apreensivo. Aliviado por ela estar diante dele, apreensivo por recear que Matthew estivesse vindo logo atrás.
--O que você está fazendo aqui?! – Ele exclamou, não escondendo a sua surpresa.
--Eu não sabia que estava proibida de frequentar o Basement! – Elizabeth rebateu, irritadiça.
--Você não está... É só que... Eu pensei... – Will balbuciou.
Elizabeth ignorou a sua gagueira e o ultrapassou, seguindo em direção ao mesmo canto em que Will estivera sentado, ocupando o mesmo lugar que ele ocupara instantes antes. Will voltousse na direção que ela seguiu e a viu sentar-se, cruzando os braços, em uma gesto zangado. Estaria ela zangada com ele? Mas... por que?
Seus desvaneios foram interrompidos quando um braço masculino traspasssou-se por seu ombro.














