Citações

Ela não se divertia ao observar o egoísmo que, disfarçado, parecia governar a todos e costumava se perguntar como tudo isso ia acabar. (Jane Austen)

Come Pick me Up and Take me Out - Capítulo LXX

  • PDF
  • Imprimir
  • E-mail

Capítulo 70

 

George aproveitou a primeira oportunidade que teve para crivar a namorada de perguntas sobre o encontro de Elizabeth e, principalmente, a respeito de Matthew. Perguntas quais Lydia ficou mais que satisfeita em responder com muitos detalhes. Ao contrário de Jane e Charlotte, as quais se desfizeram das perguntas impertinentes de seus respectivos namorados a tal respeito.

            Quando Lydia entrou em sala de aula, Elizabeth a estava esperando. Lydia sabia que ela ficaria furiosa com a sua atitude e por isso demorou-se o máximo possível na companhia de George, adiando o inevitável. E, por sorte, Elizabeth não teve oportunidade para extravasar toda a sua raiva, porque logo o professor entrou em sala e deu inicio a aula. Elizabeth havia apenas começado a recriminar a amiga, quando precisou parar.

--No que você estava pensando? Por que você fez aquilo?

--Minha nossa, Lizzie! Desculpe-me, eu não sabia que era segredo! – Lydia replicou, fingindo-se de inocente. – Eu só estava curiosa.

--Ahhh, faça-me o favor: não invente desculpas! – Elizabeth refutou. – Eu sei que você disse aquilo na frente de Will de propósito! Mas por quê?!

--Não fiz nada disso! – Lydia continuou a negar. – Além do mais, por que eu deveria guardar segredo? Não é como se vocês ainda estivessem namorando e ele fosse se sentir traído! – Lydia argumentou, aguardando ansiosa a resposta de Elizabeth. Era exatamente esta reação que ela queria. – E mesmo que ele se sinta traído... Por que você se importaria?! – E o silêncio de Elizabeth, acentuado pelo olhar de fúria que ela lhe dirigia, servia apenas para atiçar ainda mais a malicia de Lydia. – Você mesma disse que vocês não vão reatar! Então,... que diferença faz se ele sabe ou não que você está começando a namorar outro menino?!

--Porque eu não estou namorando ninguém! – Elizabeth respondeu, tentando não gritar a resposta para Lydia e chamar a atenção de seus colegas de classe ali presentes.

--Por enquanto... Quem sabe? Até o fim de semana tudo pode acontecer! – Lydia afirmou e acomodou-se em sua carteira, fingindo não notar a fúria que crescia dentro de Elizabeth. – É melhor você se sentar, ou o professor irá chamar a sua atenção! – Aconselhou-a, sorrindo satisfeita quando Elizabeth lhe deu as costas (bufando de raiva) e foi ocupar a sua carteira.

            No entanto, Elizabeth não foi a única a tirar satisfações com Lydia sobre o ocorrido no recreio. Tanto Jane quanto Charlotte aguardaram a primeira oportunidade no intervalo de aulas seguinte ao recreio para conversar com ela em particular, sem a presença dos meninos ou a de Elizabeth.

--Nós só queremos saber por que você fez isto, Lydia? – Charlotte questionou, quando começou a ficar cansada das respostas defensivas de Lydia. – Diga-nos o motivo. O que você ganhou ao revelar a Will o encontro de Lizzie com o carinha da loja de CDs?!

--O que eu ganhei?! – Lydia inquiriu, indignada. – Nada. Eu fiz isto por Lizzie! Eu só estava tentando ajudar!

--Dá para explicar como é que você estava ajudando Lizzie ao dizer aquilo na frente de Will?! – Jane exigiu saber.

--É simples: Lizzie vive dizendo que ela e Will não têm mais volta; ele, por sua vez, vive dizendo aos amigos que não vai mais tentar reconquistá-la. Ambos ficam fingindo que não se gostam mais e que querem ser só amigos! – Ela começa responder, deixando bem claro em seu tom de voz a sua incredulidade. - Bem, se isto for verdade, a minha informação não vai fazer muita diferença. Apenas os ajudará a esquecer um ao outro mais rápido! – Ela continuou e a sua descrença nesta possibilidade apenas ficou mais evidente em seu tom de voz. – No entanto, se eles ainda se gostam, O QUE É OBVIO, eles vão parar de se iludir... Ele vai tomar uma atitude para tentar conquistá-la logo de uma vez, antes que ela se interesse por outro de verdade!

--Já passou pela sua cabeça que esta revelação pode vir a afastá-lo ainda mais de Lizzie? – Jane perguntou-lhe, ainda muito contrariada, enquanto Charlotte avaliava a tática de Lydia.

--Isso não vai acontecer! – Lydia respondeu, segura de si. – Se ele gosta mesmo dela, o que ficou bem evidente pela reação dele a notícia, ele vai querer impedir que ela se apaixone por outro! Ele não vai suportar a idéia de perdê-la para outro menino!

--Eu só espero que você esteja certa! – Charlotte disse, depois de pensar muito nas possibilidades. – Nós sabemos que Will gosta mesmo de Lizzie, mas... os fatos estão aí para comprovar que ele não foi muito esperto antes... E se ele decidir que é melhor deixá-la se apaixonar por outro?! – A pergunta de Charlotte deixou Lydia muda e, até mesmo, receosa com o possível resultado inconveniente de seu plano. Repetindo a si mesma: “Will não é assim tão burro! Ou é?!”

___________________________

            Terça-feira nada de muito importante aconteceu. Lydia começou a temer que a sua tática de reaproximar Elizabeth e Will houvesse dado errado. Will passou a agir de forma mais retraída e arisca que anteriormente, não dirigindo a palavra a ninguém quando acontecia de se encontrar na presença das meninas. Sequer estava mais olhando para Elizabeth.  

            Elizabeth, por sua vez, fingia que não se incomodava com o novo comportamento dele. Evitava qualquer tipo de conversa a respeito deste assunto com as meninas no colégio e começou a se preocupar mais com o encontro que teria com Matthew no fim de semana. Contrariando a vontade de sua mãe e as idéias mirabolantes de Lydia, não tinha nenhuma pretensão em se envolver com Matthew.

Sinceramente, não tinha nada contra o rapaz, apenas não sentia nada por ele. E não acreditava que pudesse a vir sentir, pelo menos, em termo de romance. Se se tornariam amigos, ela ainda não sabia. A única coisa que ela não queria era lhe dar a impressão errada. Por isso, precisava de uma estratégia durante o seu encontro com ele.

            Enquanto não tinha uma brilhante idéia para se livrar daquele pretendente indesejável – pedindo a Deus para que ele não se transformasse em outro Bill Collins – ocupou o seu tempo em observar o novo vizinho de Catherine. Notara no dia anterior, ao recreio, que Gabriel houvera se sentado a mesma mesa que Caroline, quem é sua colega de turma. E percebeu que ela e sua amiga, Sabrina, continuaram a rondá-lo nos intervalos das aulas seguintes. Apenas o deixando em paz quando ele foi embora com Catherine.

No entanto, durante toda esta manhã, o viu sozinho. Caroline apenas conversou com ele no inicio da manhã e manteve-se bem longe dele o resto do dia. Gabriel acabou se aproximando mais de Catherine e passando a conversar bastante com ela sempre que tinha oportunidade – o que não pareceu agradar muito Daniel.

Ao encontrá-lo conversando com Catherine ao fim do recreio, resolveu matar a sua curiosidade e perguntar-lhe sobre Caroline. Especialmente, depois de vê-la olhando na direção de Catherine e Daniel e rindo-se com desdém.

--Eu notei que você lanchou na companhia de Caroline Bentley ontem, mas não fez o mesmo hoje. – Comentou isto com tranqüilidade, ganhando a sua atenção. – Ela não atendeu às suas expectativas de amizade? – Questionou-lhe com o seu olhar impertinente e jeito divertido de sempre.

--Eu acho que foi justamente o contrário. – Ele replicou, achando graça na pergunta dela. – Ontem ela foi bastante atenciosa comigo a manhã inteira, dentro e fora de sala... Bastante interessada na profissão do meu pai e etc. Mas, esta manhã, quando me viu chegando com Kitty... – Ele fez uma careta e depois continuou. – Ela quis saber de onde eu a conhecia, se éramos amigos ou o que... Eu disse que somos vizinhos e ela não me perguntou mais nada. Manteve distancia desde então. – Ele concluiu, sem transparecer se incomodar muito com isto e prosseguir a sua conversa com Catherine.   

            Elizabeth demorou algum tempo para entender o que aquilo poderia significar, mas enfim deduziu que Caroline perdeu o interesse em Gabriel ao perceber que ele não é rico, como imaginava. Pois sim, quando se escuta que o pai dele trabalha na Embaixada e que ele só conseguiu se matricular em Austen House porque o pai conhece pessoas influentes, imagina-se que ele é de uma família importante. No entanto, ao descobrir que ele mora em um bairro de Londres de classe média, tal concepção muda totalmente. Quer dizer, ele é vizinho de Catherine, quem Caroline nunca pensou em ter qualquer tipo de amizade justamente porque sua família não é rica, como a família de Sabrina e de suas outras amigas de escola são.

            Percebeu, então, que Gabriel estava observando-a, enquanto Catherine falava pelos cotovelos ao lado dele. Fitou-o de volta, com uma das sobrancelhas erguidas, questionando a sua atitude em silêncio. A resposta dele foi sorri-lhe com o canto de boca e voltar a dar a sua atenção a Catherine. Elizabeth tentou dar sua atenção ao que Catherine conversava, mas continuava a se perder em outros pensamentos. Não era a primeira vez que via a amiga animadíssima por estar na presença de Gabriel. Ficou ligeiramente preocupada com este fato, principalmente porque Daniel não parecia muito à vontade com a novidade. Mas preferiu não se deter nesta questão ainda, talvez estivesse vendo chifre em cabeça de cavalo.

_______________________

Will caminhou até a casa de Richard aquela tarde de sábado com pensamentos muito distantes. Soube, por George (quem recebeu informações precisas de Lydia), que o encontro de Elizabeth fora perfeitamente agendado no decorrer da semana, quando o tal de Matthew ligou para Elizabeth. Como de se esperar, George contou tudo o que conseguiu descobrir a respeito do rapaz com quem Elizabeth sairia. E assim que Will ouviu que Matthew trabalhava em uma loja de CDs do shopping, uma sensação de familiaridade se apoderou dele. Mas foi somente no momento em que George comentou que o rapaz era colega universitário de uma das primas de Elizabeth, a quem acompanhara em um casamento, que Will realmente descobriu de quem se tratava. E não gostou nada disso!

            Pois sim, lembrava-se perfeitamente de Matthew. Não gostou dele no instante em que pôs os olhos nele na loja de CDs, principalmente da forma solicita com que ele tratara Elizabeth. E seu desagrado só aumentou na ocasião do casamento, quando o infeliz teve o disparate de convidar Elizabeth para dançar com ele.

            O que tornava tudo ainda pior, Will sabia que Matthew não era feio – não que ele ficasse ponderando quando outro homem é bonito ou feio, afinal ele é HOMEM; e homens não fazem isso! Apenas tinha a noção de que Matthew não é como Bill Collins. Se Elizabeth estivesse saindo em um encontro forçado com Bill Collins, Will acreditava que não ficaria apreensivo. Saberia que não havia a mínima possibilidade de Elizabeth se apaixonar por Bill. E, no fim das contas, podia passar por cima de Bill como um rolo-compressor e resolver a situação num piscar de olhos. Mas e quanto a Matthew? Poderia ele ficar seguro de que ela não se apaixonaria por ele, mesmo que, inicialmente, ela não tivesse desejado este encontro? Haveria algo que ele pudesse fazer para impedir que isso acontecesse?!

            Precisava de Richard! Tudo bem que tinha si prometido não arrastar mais nenhum de seus amigos para as suas confusões depois de quase arruinar o namoro de Charles e Jane. Mas já estava ficando mais que desesperado. Precisava de ajuda!

            Parou diante da porta da casa de seu primo e tocou a campainha. Thomas abriu a porta – estava bem vestido e aparentava estar de saída. Olhou Will da cabeça aos pés e fez uma careta séria, logo lhe informando a ausência de Richard. Disse-lhe que seu irmão estava passando o dia na casa da namoradinha; que iria almoçar lá e, provavelmente, só retornaria a noite. Will estava preste a lhe dar as costas e retroceder seus passos, quando Matthew apareceu às costas do irmão e disse.

--Ora, Richard é seu único primo? – Num tom de voz que transparecia ofensa. – Você só vem aqui para falar com ele? E se ele não está...

--Não lhe resta mais nada, a não ser... – Thomas acompanhou o pensamento do irmão e o ajudou.

--Ir embora? – Matthew concluiu, ainda com o mesmo tom de voz.

--Não... Mas... Bem... – Will começou a responder, mas, olhando bem para os primos, imaginou que eles estavam fazendo uma brincadeira. Então, respondeu, displicentemente. – Vocês não estão de saída?

--Se eu me atrasar um pouquinho não vai fazer mal a ninguém! – Thomas respondeu. – Matthew, no entanto, se se atrasar vai ouvir muita lorota de Judith (a namorada dele)! – Thomas comentou, mas o seu irmão revirou os olhos e não disse nada neste sentido.

--Anda, Will, entra logo! – Matthew ordenou, empurrando Thomas para o lado, para que seu primo pudesse entrar.

            Em questão de segundos, Will se encontrava sentado em um sofá-cama amplo, branco, fitando um home theater de tela plana, rodeada por caixas de som de alta definição e grandes estantes com incontáveis DVD’s de filmes e músicas. Os seus primos mais velhos estavam sentados no mesmo sofá e o observando, expectativamente. Como Will permaneceu em silêncio, Thomas decidiu começar a conversa.

--Então, Will, conte-me... o que aconteceu com aquela garota? – O que ganhou a total atenção de Will. – É por causa dela que você veio procurar Richard, não é mesmo? – Will continuou em silêncio, então Thomas aceitou o seu silêncio como afirmação. – Como terminou a história de vocês dois depois da festa de Halloween? – Will esqueceu que Thomas estivera presente àquela ocasião e ficou um pouco surpreso com esta pergunta.

--… Terminou. – Mas respondeu a pergunta com a verdade.

            Por um motivo desconhecido para ele, Will se viu a contar tudo sobre o seu relacionamento com Elizabeth para os seus primos. Tinha receio de virar mais um motivo de piada para os gêmeos, mas, no auge do seu desespero, decidiu que correria este risco. Mais surpreendente ainda foi a reação dos gêmeos. Quando Will terminou de relatar toda a história, os outros dois permaneceram em silêncio por algum tempo.

--Cara, ...você deu mole! – Matthew foi o primeiro a quebrar o silêncio. – Cada fora que você deu! – Will logo ficou arrependido de ter contado tudo aos primos, percebendo, naquele momento, que nenhum dos dois poderia te ajudar.

--...Bem, eu fiquei muito impressionado com você aquela noite... – Thomas comentou, dando a entender que ainda prosseguiria com o seu comentário. Matthew permaneceu em silêncio, por mera curiosidade quanto ao que o seu irmão poderia estar falando. – Quando você me pediu aquela música e me mostrou quem era a menina, eu achei que ela era muito bonita... Até mesmo, mais bonita que a sua primeira namorada.

--Ela é. – Will murmurou em resposta.

--O que eu não sabia era que você tinha coragem para fazer o que fez! – Thomas comentou, deixando transparecer em sua voz o grau de admiração. – Você mostrou para mim, naquela noite, que tem atitude! – Deixando Will com as orelhas vermelhas. – Mas, devo admitir, eu fiquei ainda mais impressionado com ela! – Nesta parte Thomas riu. – Cara, aquela menina sabe como fazer uma pessoa ficar calada, não sabe?!

--Se sabe! – Will concordou, ainda mais envergonhado, completamente consciente do que o seu primo se referia.

--Você tinha que ter visto, Matt! – Thomas disse para o irmão. – Ela teria feito até você se calar!

--Mesmo?! – Matthew inquiriu, admirado.

--E nós bem sabemos o quão difícil isto é! – Thomas disse e os gêmeos riram. Apenas Will permaneceu em silêncio.

--Vamos, Will, ria um pouco! – Matthew aconselhou. – Não é o fim do mundo! ...Você vai ter outras namoradas! – Este comentário fez com que Will se erguesse do sofá e caminhasse em direção a porta. Certamente, não tinha vindo até a ali para ouvir dos primos que o seu relacionamento com Elizabeth não tinha mais solução e que ele devia arranjar outra namorada.– Já vai embora?

--Não quer sair com a gente? – Thomas convidou, conseguindo com que Will parasse a porta da sala e voltasse-se para olhá-los. – A gente está indo a uma festa de um cara de lá da universidade.

--Vai estar cheio de gatinhas universitárias! – Matthew comentou, arqueando uma das sobrancelhas sugestivamente.

--Dispenso… - Will respondeu; perfeitamente consciente que as garotas universitárias, provavelmente, não lhe dariam a mínima atenção. – Valeu pelo convite, ...mas eu prefiro ir para casa.

            Voltou andando para casa pensando na forma com que seus primos agiram. Embora não houvessem sido de muita serventia, não fizeram muitas piadinhas com a sua situação. O que, por si só, era impressionante. Will passou a se perguntar por que os gêmeos não davam um descanso a Richard. Lembrava-se da forma com que os dois agiram quando descobriram que Richard ficou abatido na ocasião em que Charlotte começou a namorar David. Eles não perdiam uma oportunidade de perturbá-lo por causa disso e, com ele (Will), ambos os primos se comportaram da forma mais condescendente que Will já os vira agir antes. Ponderou que deveria ser porque ele contou-lhes sua situação de bom grado, enquanto Richard nunca lhes fazia nenhum tipo de confidência. Ou talvez, simplesmente, porque são irmãos. Quem sabe?!

            Passou o resto da sua tarde de sábado em casa, sem fazer nada de construtivo. À medida que as horas avançavam e a noite se aproximava, passou a se perguntar se Elizabeth já teria se encontrado com Matthew e se estaria se divertindo na companhia dele. Quando retornou para o seu quarto, após jantar com os pais e a sua irmã – quase sem conseguir comer nada – o seu martírio apenas aumentou.

            Percebeu que seus primos estavam certos. De nada lhe adiantava ficar em casa, pensando nela, quando ela estava tendo um encontro com outro rapaz naquele mesmo instante. Precisava se distrair um pouco. Por isso, se arrumou e saiu.

_________________________

Matthew diminuiu a velocidade do carro e parou enfrente a casa de Elizabeth. Enquanto retirava o cinto de segurança, ouviu a porta da casa dela ser aberta e fechada pouco tempo depois. Antes que conseguisse sair do carro, a porta de passageiro foi aberta e uma menina de cabelos negros e olhos bem verdes entrou no carro e ocupou um dos bancos traseiros. Elizabeth entrou logo em seguida, ocupando o banco de passageiro da frente, e fechou a porta.

--Oi, Matthew! – Ela o cumprimentou, sorrindo, ao começar a colocar o cinto de segurança. – Esta é minha amiga, Mary... Você não se incomoda se ela nos acompanhar, incomoda-se? – Ela inquiriu, expectativamente.

--Não. – Matthew respondeu, sorrindo em resposta. – Nem um pouco! – Reafirmou de forma mais segura. – Quanto mais gente, melhor! – Argumentou, voltando-se para Mary e a cumprimentando. – Como vai, Mary? É um prazer lhe conhecer!

--Igualmente. – Mary o cumprimentou com naturalidade.

            Matthew voltou-se para frente e, recolocando o cinto de segurança, colocou o carro em movimento. Durante todo o percurso até a festa, ficou tentando entreter Mary e Elizabeth em uma conversa animada. O jeito espontâneo e amistoso dele estava acabando com as defesas de Elizabeth aos poucos.

            Ela, quando se viu presa naquele encontro indesejado, passou a semana pensando em uma forma de escapar dele. No entanto, a sra. Abbott estava decidida a vê-la sair com este menino, nem que fosse só uma vez, não permitindo que ela conseguisse inventar uma desculpa para não ir a esta festa. Então, precisou encontrar outra forma de frustrar os planos de sua mãe de lhe arranjar um namorado – não queria namorar ninguém no presente momento!

            Por isso, ficou muito feliz quando Mary aceitou lhe acompanhar neste “encontro” com Matthew. Desta forma, deixava bem claro ao rapaz que, embora houvesse cumprido com a palavra de sua mãe, não estava interessada em nada mais que amizade. A sra. Abbott, é claro, protestou e tentou dissuadi-la de pôr tal plano em prática. Mas Elizabeth não cedeu desta vez e afirmou que só iria a festa se Mary a acompanhasse; não dando outra escolha a sua mãe, a não ser esquecer o assunto.

Agora, observando Matthew se esforçar para distrair Mary – mesmo após a garota demonstrar pouco interesse em sua conversa – começou a pensar se devia se comportar de forma tão desconfiada assim com ele. Talvez fosse melhor tentar se divertir um pouco, como a sua mãe sugeriu. Afinal, só porque estava indo a uma festa com ele, não significa que irá namorá-lo.

--Então,... qual é o nome do seu amigo que esta fazendo aniversário? – Questionou Matthew, em uma tentativa de ser mais amistosa para com ele.

--Bem, ... ele não é exatamente meu amigo. – Matthew respondeu, olhando rapidamente para Elizabeth, ainda sorrindo. – Ele é um amigo de um amigo...

--Ahh... – Elizabeth replicou, meio incerta se gostava muito da idéia de ser penetra. – E você não terá problemas por estar nos levando até a festa deste amigo de seu amigo? – Voltou a inquiri-lo, deixando transparecer em sua voz a sua preocupação.

--Nem um pouco. – Matthew garantiu, confiante. – Não se preocupe! – Ele afirmou, olhando para ela mais uma vez. – As festas do pessoal de lá da universidade são sempre assim.... Se você ouviu falar da festa, pode se sentir como um convidado particular do dono da festa. – Argumentou, divertido, ao voltar a dar sua atenção à direção. Não notando que Elizabeth ainda o fitava de forma desconfiada. – Além do mais, não é festa de aniversário, nem nada.

--E que tipo de festa é? – Elizabeth perguntou, ainda desconfortável com toda aquela situação.

--É só uma festa. – Matthew respondeu, encolhendo os ombros. – Os pais dele viajaram e ele tem a casa só para ele, então... resolveu dar uma festinha e reunir alguns amigos. – Matthew prosseguiu, despreocupadamente; inconsciente da troca de olhares entre as meninas.

            Após esta informação, Elizabeth voltou a cair em silêncio. Seus instintos estavam lhe dizendo que ela não ia se divertir nesta festa. No entanto, continuou a observar Matthew atentamente. Ainda não havia encontrado um defeito imensurável no rapaz – embora a festa a que ele a estava levando fosse, no mínimo, suspeita, ele estava se comportando da forma mais agradável possível.

            O carro dele entrou em um condomínio fechado de classe média, em que as casas eram muito bonitas. Inegavelmente, o amigo do amigo dele devia ser de uma família de certa renda. E, quando o carro parou diante de uma mansão, Elizabeth soube que as suas suspeitas estavam certas. Está certo que a casa não se aproximava da magnitude da mansão dos Brown ou dos Maverick ou dos Darcys, mas tinha o seu charme e esplendor.

            Os três ocupantes do carro desembarcaram e as duas meninas seguiram Matthew até a entrada da casa. As suas portas estavam completamente abertas e era possível ouvir a música alta até mesmo nos jardins. Assim que atravessaram as portas viram uma quantidade incontável de jovens, entre os dezoito e vinte cinco anos, perambulando por todos os cômodos.

            Notando o desconforto das duas meninas, Matthew se aproximou das duas e, colocando as mãos nas costas de cada uma das meninas, as guiou até uma das salas em que um palco improvisado houvera sido armado e uma banda barulhenta de rock tocava. Mary logo se esquivou da mão de Matthew e encostou-se a uma parede, como se se protegesse de novas tentativas de contato físico. Elizabeth a seguiu e encostou-se ao seu lado.

            Matthew sorriu para ambas e aproximou-se das duas, inquirindo-lhes se estavam com sede e desejavam beber alguma coisa. Após as duas meninas aceitarem que ele fosse buscar algo para que elas bebessem – bebida não alcoólica – Matthew sumiu por uma das portas da sala, afirmando que não demoraria a voltar.

            Elizabeth passou a observar o ambiente ao seu redor: era uma sala muito ampla, praticamente sem móveis. Imaginou que o dono da casa houvesse retirado os móveis deste ambiente para proporcionar mais espaço para que seus convidados dançassem. Mas, olhando para o teto, pôde ver um lustre fabuloso, com detalhes em cristal, e em algumas paredes conseguiu identificar alguns quadros de pintores famosos – não sabia dizer se eram originais, mas que demonstravam o gosto refinado da decoração.

            Enquanto se distraia com tudo ao seu redor, Mary se distanciou dela rapidamente. Quando Elizabeth voltou-se para a amiga, ela já não estava lá. Procurou por ela, sem sair de seu lugar, mas não a viu em parte alguma. Com receio de se perder dela, caso ela retornasse e não a encontrasse ali, permaneceu encostada a parede por mais alguns minutos. Mas Mary não retornou.

A banda que estava tocando encerrou a sua apresentação, houve uma pequena algazarra enquanto ela se despedia e anunciava a próxima banda. Elizabeth se viu imprensada contra a parede por um grupo de jovens fortes e suados, os quais não lhe deram a mínima atenção. Inconformada com a sua situação, Elizabeth decidiu sair à procura de Mary ou de Matthew, quem não havia retornado ainda.

Atravessou uma porta, entrando em outra sala. Esta, por sua vez, parecia-lhe ser menor que a sala em que o palco estava armado. Havia vários sofás e cadeiras espalhadas, já ocupadas por grupo de amigos conversando ou casais namorando. Encontrou por seu caminho pequenas esculturas em pedestais de mármore ou esculturas maiores, apoiadas ao chão. Vasos de planta e flores ornamentais coloriam o ambiente, juntamente com iluminarias no estilo oriental.

Ao adentrar mais nesta sala, avistou Mary conversando com o jovem de cabelos lisos e negros. Quando o jovem virou-se de frente para Elizabeth, notou que se tratava de Oguri Shung. Ele estava sorrindo e Mary estava falando, além de gesticulando muito. Elizabeth percebeu que não podia se aproximar da amiga naquele momento; Mary já tinha lhe feito o favor de lhe acompanhar a esta festa, não podia atrapalhá-la em um momento como este.

Então, Elizabeth deu-lhe as costas antes que fosse notada por Mary ou Shung, e decidiu-se por retornar a sala em que a banda estava tocando. Talvez Matthew já estivesse de volta e a procurasse naquele exato momento. Atravessou a mesma porta e viu outra banda subir ao placo, seus membros começaram a se organizar e afinar instrumentos.

Recostou-se novamente à mesma parede e observou as pessoas ao seu redor, procurando por Matthew. Viu um rapaz alto, de cabelos castanhos e olhos cor de mel encostado à parede oposta a que ela se encontrava, olhando diretamente para ela. Elizabeth sustentou o seu olhar, tentando descobrir onde já vira aquele rosto antes.

O rapaz desviou o olhar de Elizabeth e chamou a atenção de outro rapaz ao seu lado, abraçado a uma menina de cabelos longos e negros. O outro rapaz estava com o rosto parcialmente escondido atrás da cabeleira da menina, que Elizabeth deduziu tratar-se de sua namorada.

O que quer que os dois estivessem conversando chamou a atenção da namorada de um deles, quem olhou na direção de Elizabeth e a fitou com a testa franzida, avaliando-a. Para, logo em seguida, desviar o olhar e não fitá-la mais – certamente, acreditando que Elizabeth não merecesse a sua atenção.

Elizabeth sentiu a presença de Matthew antes mesmo de virar o rosto em sua direção, no momento exato em que ele lhe oferecia um copo cheio de algum tipo de ponche alaranjado. Matthew inquiriu-lhe sobre Mary, porque também tinha trazido um copo cheio com um ponche no tom rosado. Elizabeth informou-lhe que ela tinha encontrado um amigo e estava conversando com ele naquele exato momento, então Matthew permaneceu com o copo dela em mãos.

Um amigo de Matthew apareceu em seguida e o levou para longe de Elizabeth, prometendo devolvê-lo em questão de minutos. E Elizabeth se viu sozinha pela segunda vez, já começando a reclamar mentalmente. Em seu estado de completo tédio, se ateve a observar o rapaz encostado à parede oposta a sua e tentar desvendar de onde o conhecia.

Foi quando o viu atravessar a sala e vir em sua direção. Elizabeth olhou para os lados, pensando que encontraria alguém olhando para o mesmo rapaz, no intuito de perceber que ele estivera olhando para outra pessoa e não para ela, e que estava caminhando em direção desta outra pessoa. Mas não havia ninguém além dela e ele continuou a desviar de outras pessoas, caminhando em sua direção.

 

Link us







Esqueceu seu login?
Sem conta ainda? Registrar

Conectados

Nenhum

Acessos


Hoje84
Neste mês2421
Desde Março de 200985443
Brazil flag 63%Brazil (49600)
United States flag 6%United States (4824)
Portugal flag 5%Portugal (3763)
Russian Federation flag 2%Russian Federation (1438)
Ukraine flag <1%Ukraine (473)
Germany flag <1%Germany (353)
France flag <1%France (318)
Netherlands flag <1%Netherlands (302)
United Kingdom flag <1%United Kingdom (302)
Latvia flag <1%Latvia (152)