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Acho muito, recordar à tarde todas as tolices que se ouviram de manhã.(Jane Austen)

Come Pick me Up and Take me Out - Capítulo LXIV

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Capítulo 64

 

Will acordou mais tarde do que de costume naquela manhã de domingo. Demorara a dormir na madrugada anterior, somente o fazendo quando o sol já nascia. E não sentia ânimo algum de sair de sua cama, desejando poder se esconder nela durante todo o dia. A sua mente insistia em reprisar os eventos desastrosos da noite passada. Lembrava-se do beijo – sentia uma sensação forte no estômago – e lembrava-se dos acontecimentos que o procederam – com bastante angústia. Havia conseguido fazer aquilo que tentara evitar a todo custo, piorar a sua situação com Elizabeth.

            Agora tinha certeza que era o fim. Sabia que ela não o perdoaria, não importa o que fizesse, quantas vezes e formas diferentes se desculpasse. Era o fim do seu relacionamento com Elizabeth. Por isto, não tinha vontade de sair da cama; queria esquecer o mundo lá fora e permanecer deitado, imóvel. Lembrando-se do domingo passado, em que acreditara que não poderia se sentir pior do que aquela ocasião, sabia agora o quanto estivera errado. Sentia na pele que era possível sentir-se ainda pior. O conhecimento de que ele, sozinho, tinha conseguido estragar tudo era pior das sensações possíveis.

            Mas os seus amigos tinham outros planos. Assim que invadiram o quarto de Will, ao fim daquela manhã de domingo, começaram a ordenar que ele acordasse e levantasse-se da cama. Will protestou, tentou expulsá-los do quarto e retornar para sua cama – após o primo tê-lo arrancado da cama à força com a ajuda de Charles e George – mas seus amigos não vacilaram em seus propósitos. Tinham um plano para ajudá-lo e não deixariam que Will se acovardasse neste momento crucial.

            Richard convenceu Will a tomar um banho e a tomar café – seus pais e sua irmã já o haviam feito, preferindo deixá-los a sóis. Imaginavam que a festa também não houvera sido satisfatória e, como das outras vezes, Richard, Charles e George vieram reanimar Will. Após o café praticamente forçado garganta a baixo, os meninos levaram Will para a sala de jogos e contaram a ele o plano que bolaram para ajudá-lo.

            Todos eles estavam convencidos que Will devia procurar Elizabeth e tentar conversar com ela – neste ponto Richard frisou: “conversar e não discutir!”. Como imaginavam que o sr. e a sra. Abbott estariam em casa, já que era domingo, ir a casa dela, para tentar conversar com ela, não era a melhor das hipóteses; afirmando que eles não teriam a privacidade necessária para ter este tipo de conversa – já imaginando a possibilidade da conversa se transformar em uma discussão – no alcance dos ouvidos dos pais de Elizabeth.

            Por tanto, eles precisavam descobrir um jeito de convencer Elizabeth a se encontrar com Will em outro lugar. Oportunidade em que Will exclamou, irritado: “ela não vai querer me ver!”; recebendo a resposta conjunta dos amigos: “sim, nós sabemos disso!”. Explicando-lhe que o plano que arquitetaram consistia, justamente, em conseguir levar Elizabeth ao seu encontro sem que ela soubesse que irá se encontrar com ele.

            Para isso, explicaram-lhe que já haviam conversado com Charlotte pelo telefone àquela manhã e que ela concordara em lhes ajudar nesta parte. Deixando de mencionar, no entanto, que tentaram convencer Jane em primeiro lugar, mas ela se recusou em participar – alegando que não enganaria a própria irmã, afirmando que Will devia ligar para a sua casa e tentar convencer Elizabeth a encontrá-lo. Algo que os meninos sabiam que, mesmo que se ele tentasse, Elizabeth seria capaz de desligar o telefone na cara dele.

            Explicaram-lhe, também, que haviam decidido marcar o encontro dos dois ao shopping. Como queriam que Elizabeth não desconfiasse que estivesse indo se encontrar com ele, excluirão a possibilidade de marcar o encontro na casa de Charles ou de Richard – quais foram as primeiras possibilidades que cruzaram as mentes deles. Mas fora Charlotte que lhes aconselhou a marcar o encontro no shopping, pois já imaginava qual desculpa usaria para convencer Elizabeth a ir se encontrar com ela.

            Agora, só restava a eles acompanhar Will ao shopping e esperar Elizabeth.

_________________________

            Elizabeth acordou aquela manhã com o nascer do sol e se recusou a permanecer na cama. Estava decidida a não ficar deprimida novamente por causa de Will Darcy. Iria esquecê-lo e, todas as vezes que sentia a sua mente vagar entorno de lembranças dos dois, recriminava-se efusivamente, obrigando a si mesma a não pensar nele. Falhando miseravelmente, porque toda vez que se dizia para não pensar nele, pensava nele.

            Ela viu Jane conversando com Charles ao telefone logo após terem tomado o café da manhã com seu pai e sua mãe – os dois fizeram perguntas sobre a festa, as quais as filhas responderam com falsos sorrisos e discutindo tópicos distantes daqueles que realmente ocupavam suas mentes naquele momento.

Notou que Jane a olhava furtivamente ao conversar com Charles e imaginou que Charles devia estar querendo saber como ela estava. Como Jane não fez qualquer tipo de comentário sobre o que Charles queria, Elizabeth sentiu mais certeza de que estava certa quanto às suas suspeitas.

            Um pouco antes do almoço, no entanto, recebeu um telefonema de Charlotte. Houvera estranhando que Charlotte não houvesse ligado ou aparecido em sua casa ainda, quando Lydia e Catherine já o haviam feito – ligaram e se ofereceram a vir lhe fazer companhia; ao que Elizabeth dispensou terminantemente, alegando que elas não precisavam se preocupar com ela e, mentindo, assegurando que não pretendia passar o seu domingo dentro de casa.

            Charlotte garantiu que pretendia lhe fazer uma visita àquela manhã, mas que a sua mãe havia lhe obrigado a sair com ela para fazer compras – Elizabeth sentiu pena da amiga, sabendo o quanto ela odiava sair com a sra. Hudson para fazer compras. Logo Charlotte começou a lhe explicar que estava dentro da 10ª loja desde que chegaram ao shopping, aguardando a sua mãe decidir-se entre as roupas que havia experimentado – o desespero era evidente em sua voz. Charlotte começou a implorar para a amiga vir em seu resgate; alegando que pedira a Richard, mas que ele afirmara estar preso em compromissos familiares (Elizabeth logo se perguntou se estes compromissos não teriam olhos azuis – vindo a afastar este pensamento com um leve balançada de cabeça).

            Elizabeth tentou recusar-se, mas não conseguiu. Charlotte insistiu tanto que Elizabeth concordou em ajudá-la. Charlotte marcou o encontro das duas enfrente a uma loja de sapatos que, supostamente, sabia que a sua mãe não deixaria de realizar compras. Elizabeth só precisava aparecer e, quando a visse, Charlotte, com a sua mãe, precisaria convidá-la para ir ao cinema com ela, Elizabeth – sabia que a sua mãe não teria como lhe dizer não ao deparar-se com Elizabeth sozinha, no shopping. Com isso, seguiria fazendo suas compras sozinha e elas, Elizabeth e Charlotte, poderiam realmente ir ao cinema, ou fazer qualquer outra coisa para se distraírem um pouco.

            Elizabeth concordou, em primeiro lugar, porque não se recusaria a ajudar uma amiga como Charlotte e, em segundo lugar, porque precisava de uma boa distração – então, o cinema não seria uma má idéia. Quando informou a Jane a sua missão, viu a irmã lhe dirigir um olhar desconfiado, mas guardar para si qualquer comentário que poderia ter. Com isso, Elizabeth saiu de casa sozinha e foi ao socorro de Charlotte.

            Quando Elizabeth chegou ao shopping, já encontrou algumas lojas começando exibir as suas decorações de Natal. A linha de moda outono/inverno assumia os tons de cores mais próximos do branco e vermelho/vinho, e pinheiros decorados com bolas de Natal, assim como neve artificial caiam graciosamente sobre os galhos das árvores verdes dos canteiros das praças do shopping.

            Elizabeth conseguia ouvir músicas alegres e animadas soarem dos auto-falantes espalhados pelos corredores do shopping, entre anúncios de prêmios natalinos que uma loja ou outra estava oferecendo naquela ocasião, ou sorteios programados para alguma data mais próxima do Natal e Ano Novo. As músicas animadas, como uma em que a cantora exclamava a sua paixão por um homem que lhe correspondia os sentimentos, a estavam deixando irritada.

            Não é de se espantar, portanto, que ela já estava impaciente quando parou diante a loja que Charlotte lhe indicara e pusera-se a esperar pelo momento em que a amiga apareceria na companhia de sua mãe.

____________________________

            Charlotte escondia-se atrás de uma pilastra e observava, através dos galhos do pinheiro coberto por neve artificial posicionado no canteiro junto à pilastra, a amiga do outro lado da praça, enfrente a loja de sapato acertada para o encontro das duas, andando de um lado para o outro, impaciente. Sentiu o seu celular vibrar dentro da sua bolsa pela quinta vezes e o ignorou – sabia que era Elizabeth, ligando para saber onde ela (Charlotte) estava, porque estava a vendo com o celular em mãos.

            Charlotte também já estava impaciente – “onde estão os meninos? Elizabeth irá se cansar de esperar, se continuar a ser ignorada por mim, e irá embora!”, Charlotte não tinha dúvidas. Então sentiu uma mão masculina apertar levemente o seu ombro, fazendo-a ter um sobressalto.

--Nunca mais faça isso comigo! – Ela recriminou Richard, ao voltar-se de frente para ele. Somente encontrando Richard e George em sua frente; franzindo a testa, alarmada, inquiriu. – Onde está Will? Ele não veio?! – Richard indicou a direção de Elizabeth, com um leve aceno de cabeça, e quando Charlotte voltou a observar a amiga, furtivamente, o viu se aproximando de Elizabeth.

            Will havia se separado de Richard e George assim que avistou Elizabeth, andando de um lado para o outro na frente da loja de sapato. Richard apenas deu-lhe dois tapinhas no ombro de encorajamento e seguiu em direção ao outro lado da praça, onde já avistara Charlotte. George o seguiu – os havia acompanhado até ali para servir de apoio moral para Will, mas, não negaria, tinha certa curiosidade com o resultado deste encontro. Charles ficara, porque decidira ir até a casa das irmãs Abbott e conversar com Jane – sobre Will e Elizabeth, e o motivo de ela se recusar a ajudá-los.

            Agora que o seu destino estava posto em suas mãos, a certeza de que esta conversa com Elizabeth decidiria o futuro de seu relacionamento com ela – se é que tinham algum futuro – Will não podia deixar de se sentir apreensivo.

Wondering the streets and a world underneath it all

(Andando pela rua e pelo mundo afora)
But nothing seems to be

(Mas nada parece ser)
Nothing tastes as sweet as what I can't have

(Nada é mais doce que o que eu não posso ter)
Like you and the way that you’re twisting your hair round your finger

(Como você e o jeito que você torce um cacho de cabelo entre os dedos)

            Will demorou-se um momento, a certa distancia, a observá-la em suas andanças, escutando aquela música de Teddy Geiger – For You I Will – que soava pelos auto-falantes do shopping, invadindo a sua mente. Ele sabia o que precisava fazer, mas as suas pernas teimavam em não lhe obedecer. Seus pés tinham se fincado ao chão, como duas pedras de chumbo, e não queria se mover.

But tonight I'm not afraid to tell you

(Mas esta noite eu não tenho receio de lhe confessar)
What I feel about you

(O que sinto por você)

            Sorriu com ironia ao notar a letra daquela música. Ele tinha medo, com toda certeza. “E se ela não me perdoar, mesmo depois de eu ter lhe confessado toda a paixão que sinto? E se ela, simplesmente, não sentir o mesmo, com a mesma intensidade?!”  

Oh, I'm gonna muster every ounce of confidence I have

(Oh, irei reunir toda coragem que possuir)
And cannon ball into the water

(Como uma bola de canhão penetrando a água)
I'm gonna muster every ounce of confidence I have

(Eu irei reunir toda coragem que possuir)
For you I will

(Por você, eu irei)
For you I will
(Por você, eu irei)

            Mas, aceitando o conselho que a música lhe dava, decidiu-se por arriscar-se, aceitar aquela oportunidade que seus amigos lutaram para lhe conseguir.

_____________________________

Elizabeth estava tão inquieta que ficava andando de um lado para o outro, enfrente a loja. De minuto em minuto, voltava a aperta o botão de discagem rápida em que o número do celular de Charlotte estava gravado e encostava o celular ao ouvido; ela já havia ligado tantas vezes que o celular só deixava chamar três vezes, caindo na caixa de mensagens logo em seguida. Elizabeth desligava o aparelho, xingando baixinho, e voltava a andar.

            Após repetir tal ritual algumas vezes, ela decidiu ir embora. Charlotte que a perdoasse, mas a sua paciência tinha se esgotado. Afirmando a sua resolução em alto e bom som, no tom deveras irritado, recolocou o seu celular dentro da bolsa. Então, ouviu.

--Lizzie, não vá! – Imediatamente, sentiu um aperto no coração e um nó se formar em sua garganta. Mesmo estando de costas para a fonte daquela voz, sabia muito bem a quem pertencia.

            Não precisou ponderar sobre o que lhe estava acontecendo para saber que tinha sofrido uma emboscada. Hostilmente, vociferou.

--Eu vou matar Charlotte! – Ao virar-se de frente para Will e fuzilá-lo com o olhar.

--Por favor, fique. – Ele implorou; não só com a voz, mas com o olhar também. –Vamos conversar... Me dê uma chance de me desculpar! – Ele insistiu, soando o mais vulnerável que ela já o vira estar antes.

Forgive me if I still stutter

(Perdoe-me por gaguejar)
From all of the clutter in my head

(Por causa desta confusão em minha mente)
Cause I could fall asleep in those eyes

(Porque eu poderia dormir olhando para os seus olhos)
Like a waterbed

(Como uma cama d’água)

            Elizabeth estava pronta para negar-lhe aquele pedido, pronta para negar-lhe qualquer coisa que ele pudesse desejar, pelo tamanho da raiva que ainda nutria por ele. Mas, olhando-o nos olhos, sentiu toda a sua resolução se esvair num na agilidade de um instante. Não poderia olhar naqueles olhos azuis tristes e não se sentir culpada, ao saber que ela estava o magoando assim como ele a magoou repetidas vezes.

--Tudo bem. – Acabou por concordar em conversar com ele, permitindo que ele soltasse um longo suspiro que estivera prendendo desde o momento em que lhe fizera o seu pedido.

            Richard e George comemoraram ao ver os dois caminharem juntos em direção a praça de alimentação. Mas Charlotte afirmou que ainda era muito cedo para comemorar; pelo que conhecia de Elizabeth, tudo poderia dar errado no final. Os três, então, seguiram o outro casal até a praça de alimentação a distancia. Quando os dois ocuparam uma mesa, ocupando as cadeiras posicionadas de lados opostos da mesa – de forma a ficarem de frente, uma para o outro – Charlotte, Richard e George ocuparam outra mesa à praça, uma mesa mais reservada e estrategicamente posicionada, para ficar fora do ângulo de visão dos outros dois.

            Elizabeth estava sentada, com as duas mãos apoiadas em seu colo e as fitava o tempo todo, desconfortável com aquela situação. Mas, após uns minutos em que ambos permaneceram em silêncio, ergueu o olhar para Will – quem a olhava fixamente, como se a estudasse – e sustentou-lhe o olhar. Em seus olhos estava evidente a pergunta entalada em sua garganta: “Quando é que você pretende começar a se desculpar?!”.

            Will leu a pergunta em seu olhar e ficou recriminando a si mesmo por ainda estar em silêncio. Ele queria, mais que qualquer outra coisa, demonstrar a ela o quão arrependido estava, mas não sabia como começar a pedir desculpas. Nunca fora muito bom com desculpas; portanto, na maioria das vezes, não se desculpava. Apenas deixava o tempo passar e se as coisas dessem certo, ótimo, se não, dizia a si mesmo que não era para ser.

            Mas não conseguia se imaginar fazendo isso quando pensava em Elizabeth; não podia deixar o seu futuro com ela nas mãos do acaso, quando sabia que podia fazer alguma coisa para concertar tudo. Ela é muito importante para ele para correr o risco de perdê-la deste jeito.

            E, ainda assim, não sabia o que dizer!

--Eu… – Will começou a se desculpar, gaguejando; ele tomou um segundo para tentar se acalmar, respirando fundo, ainda sob o olhar atento de Elizabeth.

            Parecia-lhe lógico que, para se desculpar, ele precisaria lhe explicar porque se comportara daquela forma. De que precisava esclarecer a ela porque o que George aludiu no dia do parque o deixou tão transtornado.

--Durante o passeio ao Chessington World of Adventures, quando nós nos separamos e você acompanhou Lydia e Mark, enquanto eu escoltava George... Ele me contou que... Lyd...

--Lydia contou a ele que eu tinha aceitado sair com você por causa de Bill Collins. – Elizabeth completou por ele, porque ele estava demorando demais para dizer aquelas poucas palavras; recebendo um olhar surpreso de Will, quem não imaginava que ela sabia quem havia lhe dito tais coisas. – Lydia me contou o que havia dito a George, e o resto... Eu só pude imaginar... que tinha sido ele. – Elizabeth comentou, ao adivinhar os seus pensamentos. – E você ficou zangado comigo por eu precisar de uma razão melhor que... – Ela desviou o olhar dele, por um instante, procurando uma palavra melhor para se expressar. – o seu charme... – Disse, voltando-se para olhá-lo, soando mordaz. – para aceitar ser “uma de suas namoradas por um mês”!

--Não, Lizzie! – Will apressou-se a interrompê-la, antes que a noite anterior voltasse a se repetir; ele precisava se desculpar! – Eu teria que agradecer a Bill Collins por ser um carrapato a ponto de forçá-la a aceitar sair comigo nestas condições! – Ele afirmou, soando bastante sincero. – Eu já lhe disse que o desafio foi a maior idiotice que eu já fiz.

--Não brinca! – Elizabeth resmungou, num murmúrio raivoso.

--O que me apavorou foi a idéia de que Bill Collins fosse a única razão para você sair comigo desde o começo... – Will confessou, não tendo mais receio de estar se humilhando diante dela. – De que você não gostasse de mim nem um pouquinho... – A voz dele começou a falhar, fazendo com que ele fizesse uma pausa em seu discurso.

            Elizabeth precisou desviar o seu olhar do dele, voltando a fitar as próprias mãos em seu colo, porque não queria chorar. E sabia que se permanecesse a fitá-lo, começaria a chorar em questão de segundos.

            Tentando engolir o nó que crescia em sua garganta, Will prosseguiu.

--E quando George deu a entender que... Bill Collins ainda era a razão para... você me convidar para acompanhá-la até o casamento de sua prima... Eu... – Ele perdeu a voz de novo, voltando a fazer uma pausa numa tentativa, sem sucesso, de se acalmar. Oportunidade que Elizabeth aproveitou para falar.

--Isto não é verdade. – Voltando a erguer o olhar para ele. – Eu não consigo acreditar que você, realmente, pensou que eu tinha lhe convidado para me acompanhar ao casamento da minha prima por causa de Bill Collins! – Elizabeth soou indignada com o que ouvia. – E como você justificou o meu comportamento durante a festa, então?! – Ela questionou e o fitou por um bom tempo, esperando por uma resposta que ele não soube lhe dar. – Não é de se admirar que você me confundiu com a sua ex-namorada! ...Eu pensaria horrores de mim também, se acreditasse que me comportei daquela forma durante o casamento da minha prima só para mantê-lo por perto, para que pudesse usá-lo para afugentar Bill Collins!

--Eu não pensei direito, Lizzie! – Will se apressou em explicar. – E quando a vi com Hank... Eu fiquei com tanta raiva! – Elizabeth deixou escapar um suspiro frustrado, uma evidência de que não gostara do que ouvira; afinal, ele acabara de afirmar o que ela acreditava, de que ele a confundiu com Madison.

--Claro que ficou! – Ela replicou, debochadamente. – Afinal, nós somos parecidas! Madison e eu, certo?!

--Não. – Ele respondeu; notando que ela não estava acreditando em suas palavras, as repetiu, exasperadamente. – Vocês nãos são! Eu sei disso!

--Sabe?! – Elizabeth rebate, irritada. – Não foi o que me pareceu!

--Se você fosse um pouco parecida com ela, eu não gostaria tanto assim de você! – Will argumentou, silenciando-a. Ele soou tão sincero e desesperado, que Elizabeth precisou desviar o olhar do dele mais uma vez. Ela não queria chorar! – Me perdoe, Lizzie! – Ele implorou, com uma voz cortada. – Eu gosto tanto... de você!

            Elizabeth ergueu o olhar para ele mais uma vez, já com os olhos cheios de lágrima, ao dizer.

--Não é o suficiente! – Com uma voz chorosa. – Não é suficiente!

--Por que não?! – Will questionou, apressadamente.

--Porque é obvio que gostar de mim não é o suficiente para você... – Elizabeth disse; e, embora continuasse com a voz chorosa, lutava para não derramar nenhuma lágrima. – Por que deveria ser para mim?! – Will ficou momentaneamente atônito com aquela afirmação da parte dela, fitando-a com a boca entreaberta; então Elizabeth continuou. – Eu me sinto como se não fosse boa o bastante para você desde que nos conhecemos... O primeiro comentário que você fez a seu primo a meu respeito foi que eu não era bonita o bastante para você... E, ainda assim, você esperava que eu desejasse ir ao cinema com você no dia seguinte?! – Will sequer estava respirando neste momento. – Por alguma razão, eu me disse para esquecer o que você tinha dito e tentar te conhecer... E então, lá estava Caroline dependurada em seu braço aonde quer que você fosse! ...Então você disse que ela não significava nada para você e eu acreditei... – Will sentia o nó em sua garganta aumentar a cada palavra cheia de amargura que ela proferia. – E, então, você me ofereceu para o seu primo... – Nesta parte, Elizabeth lançou-lhe um sorriso irônico. – ...como se eu fosse um objeto descartável! ...E, como se isso não fosse o suficiente, você ainda teve a cara-de-pau de me pedir para ser “uma de suas namoradas por mês”! – A raiva estava evidente em sua voz trêmula mais uma vez, assim como em seus olhos. – Eu admito! Eu aceitei ser sua namorada numa tentativa estúpida de me vingar de você! ...Eu pensei: “eu vou transformar a vida dele num inferno! ...Ele vai se arrepender de ter me tratado deste jeito!” – Nesta altura, Will já estava enojado consigo mesmo. – Mas eu não conseguir fazer, consegui?! – Elizabeth o questionou, voltando a lhe lançar um sorriso irônico. – Não! Ao invés de me vingar, eu... fiquei escondida atrás da cortina do meu quarto, observando ir embora da minha casa, me perguntando: “onde foi que eu me enfiei?!”… Eu sabia que seria eu quem acabaria se machucando no final! – Ela o fitou com atenção, mas já tendo as suas vistas borradas por causa das lágrimas que se acumulavam em seus olhos. – Mas não consegui terminar com você! – E, discretamente, limpou uma lágrima que rolou em seu rosto, ao abaixar o rosto e passar a mão ao canto do olho rapidamente. Antes de reerguer o rosto e fitá-lo nos olhos de novo. – Surpreendentemente, o desafio terminou bem... e eu pensei... Na verdade, eu fiquei contente quando você terminou comigo... porque eu pensei... que você não estaria mais namorando nenhuma das outras meninas, tão pouco! – Ela precisou enxugar mais lágrimas antes de continuar. – Eu fui tão estúpida! – Ela exclamou, claramente irritada consigo mesma. – Eu fiquei diante de um espelho, admirando-me naquele estúpido vestido, pensando: “o que o Sr. Darcy vai dizer quando me vir neste vestido?!”

Elizabeth precisou fazer uma pausa aqui, porque estava a beira de chorar descontroladamente; e se odiava por isto. A última coisa de que precisava neste momento era chorar na frente dele! Enquanto Will a fitava, desconsolado; não podia imaginar que a tinha magoado tanto assim este tempo todo.

--E, ainda assim, eu passei a semana toda, depois de você ter terminado comigo, desejando que você falasse comigo... – Ela confessou, tentando recuperar o tom normal de sua voz. – Qualquer coisa! ... Correndo o risco de soar muito “Jerry Maguire”, um “olá” seria o suficiente!

--Mas não é mais! – Will disse, tristemente; ganhando um olhar culpado da parte dela. Ela nunca o ouvira soar tão desolado antes.

--Eu só não consigo mais... – Elizabeth tentou se explicar, mas novas lágrimas voltaram a escapar de seus olhos. Ela, logo, apressou-se a limpá-las, dizendo. – Eu não posso mais ficar chorando por sua causa!

--Eu não quero que você chore! – Will exclamou, exasperado.

--Não posso mais fazer isso! – Elizabeth repetiu, mais segura.

Naquele instante, nos olhos dela, ele viu que ela não voltaria atrás em sua decisão. E sentiu os seus olhos se encherem de lágrimas, além do nó em sua garganta se tornar insuportável.

--Então... Ham... E agora? – Questionou-a, desiludido. – Nós não vamos mais nos falar?!

            Elizabeth o fitou com incredulidade nos olhos por um segundo. Algo que ele percebeu e soube que fizera a pergunta errada mais uma vez. Mas não retiraria o que disse; queria saber como deviam se tratar dali em diante. Ele queria voltar para ela, mas ela não o queria de volta. O que ele poderia esperar dela, então? Amizade?! Nem mesmo amizade?!

            Elizabeth voltou a abaixar o olhar para as próprias mãos, tão úmidas por causa das lágrimas quanto o seu rosto, e pensou na pergunta dele. Acreditava que seria tudo mais fácil se, simplesmente, um deles se mudasse para o outro lado do mundo, como nos filmes e livros... Mas, a realidade sendo como é, eles teriam de se ver todos os dias; e, como se isso não fosse o suficiente, eles ainda teriam que dividir os amigos! Então, estariam sempre um na companhia do outro. Por isso, não encontrou outra escolha, a não ser...

--Acho que ainda podemos conversar... – Afirmou, hesitante, ao reerguer o olhar para ele; notando as lágrimas em seus olhos. – Nós só não podemos mais ficar juntos! – Ela notou que ele engoliu a sua resposta a contragosto, pela forma que o caroço de seu pescoço se movimentou. – Desculpe-me! – E se sentiu horrível consigo mesma. Honestamente, não queria magoá-lo.

            Para evitar começar a chorar de novo, ergueu-se de sua cadeira e afastou-se dele.

Goodbye to you – Michelle Branch

Of all the things I've believed in
(De todas as coisas que eu acreditava)

I just want to get it over with

(Eu só quero acabar com isso)
Tears from behind my eyes

(Lágrimas por detrás dos meus olhos)
But I do not cry

(Mas eu não choro)
Counting the days that pass me by

(Contando os dias que vão passando)
I've been searching deep down in my soul

(Eu estive procurando no fundo da minha alma)
Words that I'm hearing are starting to get old

(Palavras que eu estou ouvindo estão começando a ficar repetidas)
It feels like I'm starting all over again

(E parece que eu estou recomeçando)
The last three years were just pretend

(Os últimos três anos foram só de mentira)
And I said

(E eu digo)
Goodbye to you

(Adeus para você)
Goodbye to everything I thought I knew

(Adeus para tudo que eu achei que conhecia)
You were the one I loved

(Era você quem eu amava)
The one thing that I tried to hold on to

(A única coisa a qual eu tentei me segurar)

I still get lost in your eyes

(Eu ainda me perco em seus olhos)
And it seems that I can't live a day without you

(E parece que eu não consigo viver um dia sem você)
Closing my eyes and you chase my facts away

(Fecho meus olhos e você rouba meus pensamentos)
To a place where I am blinded by the light

(Para um lugar onde a luz me cega)
But it's not right

(Mas isso não está certo)
Goodbye to you

(Adeus para você)
Goodbye to everything I thought I knew

(Adeus para tudo que eu achei que conhecia)
You were the one I loved

(Era você quem eu amava)
The one thing that I tried to hold on to

(A única coisa a qual eu tentei me segurar)

And it hurts to want everything and nothing at the same time

(E me machuca querer tudo e nada ao mesmo tempo)
I want what's yours and I want what's mine

(Eu quero o que é seu e eu quero o que é meu)
I want you

(Eu quero você)
But I'm not giving in this time

(Mas eu não vou ceder desta vez)
Goodbye to you

(Adeus para você)
Goodbye to everything I thought I knew

(Adeus para tudo que eu achei que conhecia)
You were the one I loved

(Era você quem eu amava)
The one thing that I tried to hold on to

(A única coisa a qual eu tentei me segurar)
The one thing that I tried to hold on to....
(A única coisa a qual eu tentei me segurar)

Goodbye to you

(Adeus para você)
Goodbye to everything I thought I knew

(Adeus para tudo que eu achei que conhecia)
You were the one I loved

(Era você quem eu amava)
The one thing that I tried to hold on to

(A única coisa a qual eu tentei me segurar)
And when the stars fall

(E quando as estrelas caírem)
I will lie awake

(Eu ficarei deitada, acordada)
You're my shooting star

(Você é a minha estrela cadente)

 

 

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