Capítulo 63
Will avistou Elizabeth conversando com Hank no instante em que Hank segurava em sua mão e curvava-se diante dela, beijando as costas da mão dela. As suas entranhas se contorceram de ódio, o sangue lhe subiu a cabeça e um monstro tomou conta dele naquele instante.
Hank voltou a ficar ereto, sem soltar a mão de Elizabeth, e tinha um sorriso triunfante nos lábios. Will os observou, agoniado com o fato de Elizabeth permitir que Hank permanecesse a segurar a sua mão. Notou o momento em que ela fitou Hank da cabeça aos pés e disse-lhe algo, deixando o sorriso no rosto de Hank maior ainda.
Will o viu dando um passo na direção dela e instantaneamente marchou na direção dos dois. E, com bastante violência, interpôs-se entre os dois, empurrando Hank para trás e posicionando-se na frente de Elizabeth.
--Eu lhe avisei para ficar longe dela!
I'm so sick of fights I hate them
(Eu estou cansado de brigar, eu odeio isto)
Let's start this again for real
(Vamos começar de novo, pra valer)
Hank estava exultante de contentamento neste momento, o que ficou bem claro para Elizabeth; era isso o que ele queria. O viu dar passos na direção de Will, com uma postura de alguém que está preste a iniciar um confronto físico. Imediatamente, ela se interpôs entre os dois.
--Parem! – Exclamou, autoritariamente, para os dois. E, voltando-se para Will, disse. – O que pensa que está fazendo?!
--Estou tentando te ajudar! – Will bradou, em resposta.
--Eu não preciso da sua ajuda! – Elizabeth rebateu. – Não pedi por ela!
--Lizzie, será que você não vê que ele só está dando em cima de você para me irritar?! – Will a questionou, olhando rapidamente para Hank (quem estava satisfeito, naquele momento, em apenas assisti-los brigarem por sua causa) e ficou com mais raiva ainda.
--Ohh, sim! Eu havia me esquecido que o mundo gira entorno do seu umbigo, Sr. Darcy! – Elizabeth rebateu, sarcasticamente; Hank riu-se, debochadamente, e Will estreitou o seu olhar raivoso para Hank mais uma vez. – Ou será que é tão difícil assim para você acreditar que um menino não precisa ser desafiado por um primo ou amigo para demonstrar algum interesse em mim?! – Will dirigiu um olhar culpado a Elizabeth ao ouvir este comentário.
--Lizzie, você sabe que isso não é verdade! – Replicou, com um tom de voz menos alterado. – Você não pode realmente acreditar que ele está sinceramente interessado em você! De que ele não tem segundas intenções ao lhe cantar! – Mas logo voltou a ficar agitado.
--Engraçado como você parece se importar com o que eu penso agora! – E, mais uma vez, na voz dela ele pode detectar um tom irônico. – Você não pareceu se importar muito com o que eu penso durante esta semana! ...Você não parecia se importar comigo de forma alguma!
--Lizzie... – Will estava, momentaneamente, sem palavras; ela estava claramente magoada com ele. E ele sabia, ela tinha todas as razões para estar.
--Anda, Will! Encare os fatos! Você perdeu! – Hank exclamou, aproximando-se de Elizabeth, por suas costas. – É melhor nos deixar a sóis, para que possamos voltar a nossa conversa particular!
Elizabeth viu Will fechar as mãos, formando punhos, e erguer o seu braço direito. Imediatamente, voltou a posicionar-se na frente de Will, ao gritar.
--Não se atreva!
Ganhando a atenção de muitas pessoas a sua volta, as quais voltaram-se para observar o que estava acontecendo entre os três e começavam a comentar com outras pessoas, chamando a atenção delas também para o que estava acontecendo.
Will fitou aqueles olhos amendoados brilhando de raiva, direcionados a ele. Sentiu um aperto no coração ao vê-la defender Hank daquela forma, colocando-se em seu caminho no instante em que ele ia socá-lo, sem ter medo de ser atingida em seu lugar. Inconsciente de que ela estava, na verdade, defendendo a ele, Will; tentando impedir que ele se envolvesse em mais uma briga com Hank, na propriedade da Johnson’s High, só que, desta vez, por sua causa.
I've been here before a few times
(Eu estive aqui antes, algumas vezes)
And I'm quite aware we're dying
(E estou ciente de que estamos morrendo)
A música fez uma pausa ensurdecedora, aumentando o suspense. Richard e Charles haviam abandonado Charlotte e Jane no instante em que viram Will erguer o punho para socar Hank, com a intenção de ir até eles e tirar Will dali antes que os dois começassem um combate. Vindo a ficar mais alarmados ao ver que Elizabeth se interpôs entre os dois, correndo o risco de ser atingida ao invés de Hank. Mas paralisaram no meio do caminho ao ver a ação seguinte de Will, passando a fitá-los boquiabertos, assim como a maioria das pessoas ao redor deles.
Come on let me hold you
(Venha, deixe-me abraçá-la)
Will, com um ágil movimento, proferiu o soco, mas, ao invés de atingir o seu alvo (Hank), pegou Elizabeth pela nuca e a puxou para si. Elizabeth ergueu as duas mãos ao peitoral dele, em um ato de reflexo, em busca de um lugar para se apoiar para não cair; ficou de olhos arregalados quando sentiu os lábios dele pressionados ao seu e o braço esquerdo dele a envolver pela cintura, possessivamente.
Touch you, feel you, always
(Tocá-la, senti-la, sempre)
Tentou lutar contra aquele beijo, soltar-se daquele abraço. Mas foi em vão. Will apenas a segurou mais forte pela cintura, comprimindo-a contra o seu corpo, e, ainda com a mão em sua nuca, a prendeu naquele beijo, não tirando os seus lábios do dela nem por um milésimo de segundo.
Kiss you; taste you all night
(Beijá-la; provar você a noite inteira)
Always
(Sempre)
Inclinado a cabeça para o lado, para ter um ângulo melhor de sua boca, a invadiu com uma voracidade que nunca sentira antes. Beijou-a com toda a fúria e ardor que sentia naquele momento. Elizabeth sentiu as suas pernas fraquejarem e o ar faltar-lhe nos pulmões; sentia como se estivesse prestes a desmaiar, então fechou as mãos na lapela do paletó de mafioso de Will e deixou-se fechar os olhos, rendendo-se àquele beijo – certamente, nunca houvera sido beijada daquela forma.
Come on let me hold you
(Venha, deixe-me abraçá-la)
Touch you, feel you, always
(Tocá-la, senti-la, sempre)
Kiss you; taste you all night
(Beijá-la; provar você a noite inteira)
Always
(Sempre)
Elizabeth não sabia dizer se foi por causa da falta de ar que estava sentindo, ao ser beijada por ele daquela forma ao mesmo tempo em que ele a apertava fortemente contra o seu peito, que estava impedindo o Oxigênio de chegar ao seu cérebro, tornando impossível que ela conseguisse raciocinar direito. Apenas sabia que não tinha nenhuma lembrança de quando ele terminara com ela, ou de como permanecera em silêncio durante toda aquela semana, tão pouco do motivo de tê-la procurado naquela festa; a sua mente estava completamente atordoada para ter tais pensamentos; sequer estava consciente de estar no meio da pista de dança, sendo beijada por ele daquela forma na frente de milhares de olhares curiosos.
A música Apologize de One Republic começou a soar em seus ouvidos – os acordes melodiosos do violino, somados as batidas e notas do piano pareciam estar tocando dentro de sua cabeça, no mesmo compasso apressado de seu coração – ou era o coração dele que estava batendo daquela forma violenta?! Ela só sabia que estava sendo transportada para outra dimensão, onde só existiam os dois, perdidos naquele beijo.
I'm holding on your rope
(Eu estou me segurando em sua corda)
Got me ten feet off the ground
(Estou a dez metros do chão)
Thomas avistara Will perseguindo Elizabeth e percebeu que o primo não iria mais esperar por sua música lenta. Apressou-se a mudar a programação de música que fizera, adiantando algumas músicas. Mary, quem, ao abandonar Elizabeth na pista de dança retornara para perto dele, o fitou com interesse ao ver a sua agitação. E dirigiu-lhe um olhar inquisidor, quando notou que ele trocou a ordem da seqüência de músicas que acabara de selecionar.
E ficou ainda mais intrigada quando o viu diminuir as luzes de todo o salão, apagando os holofotes de luzes piscantes e deixando apenas o globo iluminando a pista de dança – deixando-a ainda mais escura e romântica – quando a música Apologize soou pelos alto-falantes. Thomas a fitou, sorrindo, e dublou as palavras “Ele é meu primo!”, indicando Will com um aceno de cabeça. Mary voltou-se para fitar Will e Elizabeth e entendeu perfeitamente as intenções de Thomas, voltando-se para olhá-lo mais uma vez, com um ar reprovativo. Ao que ele apenas sorriu, satisfeito consigo mesmo e com o primo – o qual provara ter mais atitude que ele imaginara.
And I'm hearing what you say
(Eu estou escutando o que você diz)
But I just can't make a sound
(Mas eu simplesmente não consigo emitir nenhum som)
Madson, Caitlin e Caroline observavam aquela demonstração pública desmedida completamente contrariadas, enquanto Heidi e Sabrina estavam apenas espantadas. Madson ficava se perguntando por que Will nunca a beijara daquela forma; Caitlin dizia a si mesma que se soubesse que ele podia beijar assim, teria roubado-o de sua amiga há muito tempo; enquanto Caroline apenas se sentia indignada por ser Elizabeth nos braços dele naquele momento, ao invés dela.
Hank estava se sentindo, igualmente, contrariado. Como Will conseguira reverter o jogo daquele jeito estava além de sua compreensão.
You tell me that you need me
(Você diz que precisa de mim)
Then you go and cut me down, but wait…
(Então você vai e me derruba. Mas espere...)
You tell me that you're sorry
(Você diz que sente muito)
Didn't think I'd turn around, and say...
(Não imaginava que eu me viraria e diria...)
Jane e Charlotte tinham se reunido aos seus respectivos namorados àquele instante e assistiam aquela cena igualmente imóveis, em silêncio. Jane estava vermelha de vergonha por sua irmã, com a certeza de que Elizabeth ficaria muito constrangida quando aquele beijo encerrasse e percebesse que todos olhavam para eles dois. Charles estava igualmente constrangido, chegando a ficar ligeiramente corado – como ficara ao deparar-se com os dois se beijando no estacionamento privado da igreja na ocasião do casamento da prima das irmãs Abbott. Charlotte e Richard, por sua vez, estavam apenas contentes; imaginavam que, se os dois estavam se beijando daquela forma, era porque haviam feito as pazes.
Timothy e Kevin estavam, mais uma vez, impressionados com a façanha de Will; ele tinha conseguido acabar com a tentativa patética de Hank de importuná-lo e ainda conseguira conquistar a garota de volta.
It's too late to apologize, it's too late
(Que é tarde demais para se desculpar, é tarde demais)
I said it's too late to apologize, it's too late
(Eu disse que é tarde para se desculpar, é tarde demais)
Ao sentir que Elizabeth não estava mais resistindo aos seus beijos, ou tentava soltar-se dele; ao contrário, parecia tentar assegurar-se de que permaneceria em seus braços, pela forma que segurava a lapela de seu paletó, Will começou a relaxar e, apenas, deliciar-se com aquele beijo. Continuou a segurá-la forte pela cintura, apertando-a contra o seu peito, mas suavizou o seu beijo. Deixou que a raiva esvaísse-se e deixou que a paixão que sentia por ela o guiasse, beijando-a lentamente, profundamente.
I'd take another chance, take a fall
(Eu me arriscaria de novo, cairia)
Take a shot for you
(Levaria um tiro por você)
Os chaperones de Johnson’s High já haviam sido acionados e dirigiam-se a casal à pista de dança, com a intenção de separá-los – aquele não era o tipo de comportamento adequado para uma festa de ensino fundamental de uma escola renomada como Johnson’s High.
And I need you like a heart needs a beat
(Eu preciso de você como um coração precisa de uma batida)
But it's nothing new (yeah)
(Isso não é novidade – Yeah, Yeah)
Will encerrou aquele beijo letamente, mas não se afastou dela nem um centímetro. Abriu os olhos e fitou o rosto de Elizabeth – ela ainda estava de olhos fechados, a respiração descompassada e tinha uma expressão sonhadora no rosto. Sorriu, satisfeito com o que via; ela era dele de novo e ninguém a roubaria dele! Aproximou os seus lábios do ouvido dela e murmurou.
--Você é minha! – Conseguindo que Elizabeth se arrepiasse e deixasse escapar um longo suspiro.
I loved you with a fire red
(Eu amei você com o fogo da paixão)
Now it's turning blue, and you say
(E agora está tudo transformado em tristeza, e você diz)
Elizabeth abriu os olhos e procurou pelos dele. Encontrou-o com o olhar dirigido a alguém às suas costas, mordazmente. Ela sabia para quem ele estava olhando e igualmente o motivo. Rapidamente vários sentimentos se apoderaram dela, um em uma proporção descomunal – a raiva. Lembrou-se de tudo que passara desde o sábado passado e, principalmente, do motivo de ele tê-la tomado nos braços minutos atrás.
"Sorry" like an angel,
("Sinto muito", feito um anjo,)
Heaven let me think was you
(Deixou-me crer que o paraíso era você)
Elizabeth sentiu as suas pernas voltarem a ter forças e começou a sentir repulsa daquele abraço, uma enorme agonia por ainda estar presa a ele daquela forma. Com toda a sua força, empurrou-o para trás; o impulso fora tão forte, que ambos foram atirados para lados opostos.
But I'm afraid...
(Mas eu receio...)
It's too late to apologize, it's too late
(Que é tarde demais para se desculpar, é tarde demais)
Will a fitou atordoado com a sua atitude. E Elizabeth gritou, furiosa.
--Eu não sou... SUA!!!! – Ainda ofegante, deixando-o boquiaberto.
I said it's too late to apologize, it's too late
(Eu disse que é tarde demais para se desculpar, é tarde demais)
--Lizzie,... eu não entendo. – Will disse, surpreso. – O que foi que eu fiz de errado? – Já tentando se reaproximar dela.
--O que você fez de errado?! – Elizabeth repetiu, franzindo a testa para ele. – Você me humilhou na frente de todos, passou uma semana inteira sem me dirigir uma, UMA palavra... e, depois, me agarra e me beija, unicamente porque me viu conversando com um garoto estúpido, e ainda tem a cara de pau de me perguntar o que fez de errado?!
--Eu não... – Will tentou responder às acusações dela, mas Elizabeth o interrompeu.
--Eu não sou um dos seus brinquedinhos caros de menino mimado, Sr. Darcy! – Elizabeth continuou a bradar para ele, voltando a ter aquele mesmo brilho de fúria no olhar. – Para você largar e pegar de volta quando bem entende!
--Eu nunca... – Ele tentou mais uma vez, mas ela continuou a interrompê-lo.
--O que você pensou que iria acontecer?! – Elizabeth dizia, caminhando na direção dele, ameaçadoramente. – Que eu pularia de alegria com a mera possibilidade de ser sua namorada mais uma vez?!
--Eu só... – Will tentou mais uma vez, mas, desta vez, faltou-lhe as palavras.
--O que?! – Elizabeth insistiu, continuando a dar passos ameaçadores em sua direção. – Perdeu a sua língua?! – Questionou-o, debochadamente. – É engraçado como você fica sem palavras quando lhe é conveniente! Certamente, não teve este problema na semana passada!
--Lizzie, eu só... – Will tentou mais uma vez, mas não conseguia saber o que dizer para aplacar a raiva que via espelhada nos olhos dela. – Eu não... Nunca... Eu só...
--Relaxe, sr. Darcy! – Elizabeth disse, mais moderadamente, voltando a silenciá-lo. – Você não precisa mais se preocupar! Eu não tenho o mínimo de interesse nele, nunca tive! – Elizabeth garantiu, olhando rapidamente para Hank e notando, pela primeira vez, que tinha público. – Parece-me que você confundiu-me com outra pessoa, novamente! A sua ex-namorada que tem uma queda pelo tipo cafajeste de quinta categoria é a vestida com a fantasia promíscua de odalisca, não eu! – Houve um reboliço entre os espectadores ao ouvi-la se dirigir a Hank e Madson daquela forma; os alvos daquela ofensa, pessoalmente, estavam ficando cada vez mais irritados. – Eu lhe asseguro que vou encontrar outro idiota para bancar o estúpido papel de meu namorado daqui para frente!
Um silêncio mórbido prosseguiu àquela explosão de raiva. Ninguém disse mais nada, ouviam-se somente os som da guitarra, bateria e violinos da música. Elizabeth deu as costas a Will e tentou ir embora, mas ele a seguiu e a segurou pelo braço, impedindo que se afastasse muito dele.
--Espere! Eu... – Tentou desculpar-se, mas Elizabeth voltou a interrompê-lo.
--Me solte! – Ordenou. – Agora! – E ele a obedeceu, mas não desistiu.
--Lizzie, eu... – Ela aguardou o que ele ia dizer, fitando-o nos olhos, impassiva. – Me perdoe!
I said it's too late to apologize, (yeah)
(Eu disse que é tarde demais para se desculpar - yeah)
Elizabeth desviou o olhar do dele, procurando por Madson a sua volta. A encontrou olhando para eles, como todos os outros, então disse.
--Você o quer? Fique com ele! – E, voltando-se para fitar Will, disse. – Eu não o quero mais! – Outro assomo se apoderou dos espectadores com as palavras dela, enquanto Elizabeth permanecia a fitar Will, friamente.
I said it's too late to apologize, (yeah)
(Eu disse que é tarde demais para se desculpar - yeah)
Elizabeth voltou a se afastar de Will, seguindo em direção à saída da quadra de esportes. E, desta vez, Will não foi atrás dela; apenas a seguiu com o olhar, tristemente.
I'm holding on your rope,
(Eu estou me segurando em sua corda)
Got me ten feet off the ground…
(Estou a dez metros do chão...)
Elizabeth passou por um dos chaperones – o qual estava com a boca ligeiramente aberta com a capacidade daquela menina de se expressar daquela forma – e seguiu em direção à saída da quadra, abrindo suas portas violentamente e saindo por elas. Saiu andando a passos firmes por aqueles corredores mal iluminados, procurando pela saída da escola. A única coisa que queria naquele momento era ir embora. Mas não sabia que caminho tomar, não se lembrava por que corredor viera até ali e não tinha Charles para lhe guiar naquele momento.
Tomou um dos corredores qualquer, mas logo percebeu que tomara o caminho errado – assim que viu um Jack Sparrow imprensando uma Madonna contra uma parede, em um canto escuro, num majestoso beijo. Retrocedeu seu caminho, apressadamente, sem importunar nenhum dos dois.
Jane, ao ver a irmã sair apressada da quadra de esportes, seguiu atrás dela, abandonando Charles. Ele, por sua vez, ordenou a Richard que tirasse Will dali, indo atrás de Jane em seguida. Quando Elizabeth passava pela porta da quadra de esportes de novo, esbarrou-se na irmã.
--Lizzie, você está bem? – Jane inquiriu-lhe, aflita.
--Sim. – Elizabeth respondeu, ainda atordoada. – Eu vou embora. – Avisou a irmã, tentando seguir o seu caminho, indo em direção a outro corredor.
--Eu vou com você! – Jane afirmou.
--Não. – Elizabeth tentou impedi-la. – Fique! Com Charles!
--Não! – Jane recusou-se. – Eu não vou deixá-la sozinha! – Garantindo isso no instante que Charles se acercava delas.
--Eu as levo para casa. – Ele disse, sem rodeios ou perguntas; sabia que esta era a única coisa que ambas poderiam desejar agora.
Ele as guiou pelos corredores até a sala em que seus casacos estavam guardados e, com o tíquete que tinha em mãos, os recuperou, levando-as embora.
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Richard fez exatamente o que Charles lhe recomendara. Caminhou até Will – sendo seguido por Charlotte – e, tomando o primo pelo braço, o guiou para fora da quadra de esportes, sob os olhares curiosos de todos. Pela forma que seu primo se encontrava, soube que não teria capacidade de dirigir até a sua casa. Por isso, Richard procurou por George aos corredores de Johnson’s High e, ao achá-lo, entregou-lhe as chaves do seu carro – para que George o levasse para casa com ele.
George, é claro, quis saber o que tinha acontecido. Mas Richard respondeu-lhe que não tinha tempo para explicar-se naquele momento. Apressou-se a levar Will para o lado de fora da escola, guiando-o até o seu carro. Charlotte sempre o ajudando.
Quando alcançaram o carro de Will, este se sentou ao passeio e pôs a cabeça apoiada nas mãos. Richard abriu o carro e ficou tentando levá-lo para o banco de passageiro. Mas Will só sabia exclamar:
--Ela me odeia! Nunca vai me perdoar! – Pouco se importando que Charlotte também estivesse presente o vendo daquele jeito e ouvindo dizer aquelas coisas. – Ela usou as minhas próprias palavras contra mim!
--Vamos, Will! – Richard o segurou pelos braços, fazendo-o se erguer. – Entre no carro! – E o colocou no banco de passageiros.
--Ela nunca vai me perdoar! – Ele repetiu, quando Richard fechou a porta do passageiro.
--Vem! – Ele disse a Charlotte, ao acercar-se dela e abrir a porta do passageiro do fundo. – Eu te levo para casa. – E ela entrou no carro.
Will passou a viagem toda resmungando coisas diferentes, sem uma seqüência lógica, deixando-as sem sentindo. Mas todas relacionadas à Elizabeth e ao fato de que ela o odiava. Richard deixou Charlotte em casa, depois levou o primo para casa. Estacionou o carro de Will enfrente a sua casa, aconselhou-o a entrar em casa sem fazer nenhum comentário e ir direto para o seu quarto – não tinha certeza se Will o ouvira (surpreendentemente, ele o ouviu). E depois seguiu andando até a sua casa, não muito distante da casa do primo.
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A festa prosseguiu normalmente depois da partida do casal “confusão”, mas sem a mesma alegria e excitamento de antes. George e Lydia, assim como Daniel e Catherine, ao ouvirem comentários dispersos do que havia ocorrido à pista de dança em sua ausência, também decidiram por ir embora.
Mary ainda permaneceu por um bom tempo, conversando com Bill Collins sobre Elizabeth e Will – perto ao cubículo do DJ. Este, ao encerrar a sua performance, a encontrando ainda ali, na companhia de Bill, ofereceu-se para lhe dar uma carona. Mary declinou a sua oferta, afirmando que tinha como ir para casa sozinha – Bill, logicamente, desaprovou a atitude do DJ.
Antes de ir embora, porém, Mary congratulou o DJ por sua escolha de música para embalar Elizabeth e Will. Garantindo que ele não poderia ter escolhido uma música mais adequada para a situação. Thomas replicou-lhe que a música não podia ser culpada pelos acontecimentos daquela noite, garantindo que uma música somente não podia ter tamanho efeito sobre as pessoas. Mas, inconscientemente, ficou preocupado em ter influenciado de alguma forma na derrota de seu primo àquela noite.














