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Felicidade no casamento e meramente questão de sorte. (Jane Austen)

Come Pick me Up and Take me Out - Capítulo LXI

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Capítulo 61

 

Will não conseguia acreditar na sua má sorte. Estava se fazendo a mesma pergunta que Elizabeth fez a si mesma naquele instante: “De onde elas saíram?! Por que elas não podem deixar-me em paz?!”. E por mais que tentasse fingir que não as tinha visto, dando a volta entorno delas e prosseguindo com a sua caminhada até Elizabeth, elas não permitiam; Madson até colocou uma mão em seu braço e o segurou em sua presença, sorrindo amavelmente para ele, quando ele se resignou o olhá-la nos olhos.

--Will, como você está? – Ela questionou-o. – Adorei a sua fantasia! – Completou, alisando o seu braço até alcançar o seu peitoral por sobre o terno.

--Obrigado. – Ele respondeu, friamente, retirando a mão dela de seu peito e a soltando logo em seguida; não demorando a erguer o olhar e procurar por Elizabeth.

--Diga-me, o que o fez vir a esta festa fantasiado? – Ela continuou, lutando para permanecer em seu campo de visão, quando o viu tentar enxergar alguém às suas costas; alguém que ela sabia muito bem quem era. – Se me recordo bem, você não suportava a idéia de ter de comparecer as festas de Halloween fantasiado do que quer que fosse.

--Me deu vontade de vir fantasiado. – Will replicou, já infinitamente irritado; vira Elizabeth dar-lhes as costas e sumir entre a multidão de jovens fantasiados na companhia de suas amigas.

            Will tentou dar a volta nas meninas mais uma vez e seguir atrás de Elizabeth, mas Caitlin deu um passo para lado em que ele tentara seguir e o impediu de prosseguir com seu plano.

--Ora, Will, para que tanta pressa? – Caitlin questionou-o. – Faz tanto tempo que nós não temos uma oportunidade de conversar, realmente. – Comentou, amigavelmente, recebendo um olhar atravessado dele.

--É verdade. – Heidi a ajudou, mas resolveu se calar antes de completar seu comentário quando ele dirigiu a ela o seu olhar azedo.

--Sim! Caitlin tem toda a razão! – Madson, no entanto, não se deixou intimidar pelo olhar dele e completou o comentário de Heidi. – Durante o passeio ao parque de diversões nós quase não tivemos a oportunidade de conversar com você, já que você estava tão ocupado com a sua nova namorada! – Ao dizer isso, ela percebeu que ganhou ainda mais a atenção dele; por isso, sorriu mais meigamente e completou. – Eu ainda não a vi por aqui? Ela não veio com você? – E se sentiu vitoriosa quando viu o olhar dele se estreitar por de baixo do chapéu e a sua expressão facial endurecer ainda mais; ambos sabiam que eles tinham terminado e que ela só estava tentando provocá-lo; e estava tendo sucesso. – Ahh, me esqueci que vocês tinham terminado! – Disse, com uma falsa expressão de culpa no rosto, ao por a mão na boca, como se tentasse impedir a si mesma de continuar com os seus comentários.

--Sim, eu me lembro de ouvir algo a respeito. – Caitlin a ajudou, possuindo uma expressão de condolência no rosto. – Muito triste, de verdade! ...Vocês mal tinham começado, pelo que soube! – Continuou com os seus comentários.

--O que aconteceu? – Heidi tentou fazer o mesmo que as suas amigas, mas sempre desistia de prosseguir quando o olhar assassino de Will pousava nela.

--Foi por causa de Hank? – Madson o questionou, voltando a receber a total atenção de Will; este tempo todo, ela e as amigas falavam uma após a outra, sem dar oportunidade para ele responder. Mas, desta vez, ela resolveu fazer uma pausa antes de fazer-lhe outra pergunta. – Eu fiquei sabendo que ele a conheceu...

--Ohh... Então foi isso? – Caitlin argumentou, olhando para Madson como se a amiga houvesse compartilhado aquele pedaço de informação pela primeira vez. – Então, ela não resistiu aos charmes dele?! –Ela insistiu na sua falsa surpresa e, voltando-se para Will, completou. – Bem, acredito que você não pode culpá-la! Quero dizer, eu posso até entendê-la! É difícil para qualquer menina resistir aos charmes dele, não é mesmo?! – E ergueu uma sobrancelha para ele, completando o seu sorriso debochado.

--Como sempre você fala sobre coisas que tem 0,0% de conhecimento a respeito! – Will finalmente respondeu, silenciando as três meninas pela primeira vez. – Lizzie não é e nunca vai ser uma pessoa parecida com nenhuma de vocês, nem mesmo por um segundo! – Ele as olhou dos pés a cabeça com intenso desgosto ao dizer isso. – E eu, como sempre, não tenho a menor paciência para ouvir as suas besteiras! – Completou, olhando para uma Caitlin bastante ofendida. – Com licença! – Ele disse rispidamente, ao dar a volta entorno delas e seguir o mesmo caminho que Elizabeth fizera minutos atrás.

            Quando Will se aproximou do cubículo do DJ, viu Elizabeth parada de costas para o cubículo, na companhia de Lydia, Mary e um menino vestido de bombeiro. O bombeiro conversava amigavelmente com Lydia e Elizabeth, esbanjando charme para as duas descaradamente. Will sentiu o sangue lhe subir a cabeça instantaneamente, o cegando para tudo mais por um breve momento. A raiva que sentira ao “conversar” com as três meninas previamente agora havia quadruplicado ao mero glinpse daquela visão.

            Continuou seguindo em direção a ela, pronto para fazer sua presença notada da forma mais hostil possível – pelo menos, para aquele bombeiro atrevido; mas parou a meros cinco passos de onde ela estava, hesitante. Não podia irritá-la ainda mais! Como poderia fazer qualquer tipo de exigência, com relação à quem ela fala ou deixa de falar, se fora ele mesmo quem terminou com ela?!

            Xingando a si mesmo, deu meia volta e tomou o rumo até a mesa em que estivera sentado previamente, onde sabia que Charles, Jane, Richard e Charlotte ainda se encontravam. À medida que tentava acalmar os seus nervos, tentava reorganizar o seu plano para conquistá-la. Sabia que esta era uma oportunidade única e não podia correr o risco de estragá-la com ações precipitadas. Não podia se dar o luxo de piorar a situação em que já se encontrava com Elizabeth – por sua própria culpa.

            Assim que sentou a uma das cadeiras vagas a mesa, bufou de frustração. Os dois casais a mesa trocaram olhares preocupados e Richard lhe inquiriu, cautelosamente, se estava tudo bem com ele; Will deu-lhe a resposta mais curta, com um tom enfezado, o que serviu de dica para mais ninguém lhe fazer perguntas.

--Ótimo! – Ele resmungou.

            Todos os seus amigos deduziram que Elizabeth e ele voltaram a ter uma de suas discussões, o que levou a Jane se desculpar e sair da mesa, indo procurar a irmã. Charles não demorou em segui-la, deixando Will na companhia de Richard e Charlotte. Pouco tempo depois, Kevin retornou a mesa sozinho, informando-lhes que Timothy havia “se dado bem” – como escolhera se expressar – com Sabrina, amiga de Caroline, e como ele não acreditava que ele retornaria à mesa tão cedo.

            Kevin passou a conversar com Richard e Charlotte, ao perceber que Will não estava muito comunicativo naquele momento. Ele houvera visto que o irmão de Richard era o DJ e fez um comentário a tal respeito, para iniciar a conversa. Richard correspondeu-lhe a sua curiosidade, explicando como o irmão dele havia conseguido se pôr naquela situação.

            Will, mesmo não participando da conversa, não deixou de ter a sua atenção capturada por ela. Havia visto o DJ de relance, o presidiário, mas não havia reconhecido-o como um de seus próprios primos, um dos gêmeos. O seu próprio primo era o DJ, ficaria muito mais fácil para ele conseguir que o DJ tocasse uma música lenta – porque, sim, voltara ao seu antigo plano de convidar Elizabeth a dançar. Na verdade, podia até escolher uma música para dançar com ela; sabia que nenhum dos seus primos se negaria a lhe ajudar, embora adivinhasse que ele depois viria a atormentá-lo com gracinhas. Mas estava disposto a passar por este tipo de zombaria se conseguisse Elizabeth de volta. Sabia que isso, com certeza, chamaria a sua atenção. “Mas qual música vou pedir a Thomas que toque para mim?!”

            O DJ finalmente começou a tocar músicas às quais os jovens realmente dançassem – sendo a sua primeira música dançante Dance, Dance de Fall Out Boy – conseguindo reunir um maior numero de jovens na pista de dança. As mesas em volta da pista ficaram consideravelmente vazias e o movimento dos alunos por toda a quadra passou a se concentrar naquele espaço reservado para a dança.

            Kevin acabou convencendo Will a acompanhá-lo em um passeio, alegando que queria ver o movimento na pista de dança. Will aceitou o convite porque queria trocar umas palavrinhas com o seu primo, o presidiário, e ver se Elizabeth estava dançando também – ele não podia se negar a este pequeno prazer, podia?!

            À medida que se aproximavam do cubículo do DJ, Will viu Jane e Charles já à pista de dança, dançando juntos ao som daquela música – Will e Kevin riram com a visão de Charles arriscando uns passinhos de dança, bem desajeitado. Após terem encontrado Elizabeth de excelente humor, entre Mary, Lydia, Catherine e Daniel, Jane e Charles voltaram a relaxar – talvez o motivo do mau humor de Will não fosse Elizabeth. 

Will se aproximou ainda mais do cubículo do DJ e fez um sinal para o primo, indicando que queria falar com ele. Kevin deu as costas aos dois e ficou divertindo-se em observar Charles tentando dançar, enquanto Will conversava com Thomas.

            Thomas, a princípio, decidiu abusar Will por causa de sua fantasia. Como viu que Will não deu muita atenção às suas provocações, percebeu que o primo havia vindo falar com ele por algum motivo importante – importante o suficiente para não se incomodar com as suas gracinhas. Isso despertou ainda mais a sua curiosidade e, sem nenhuma cerimônia, inquiriu-lhe o que ele desejava.

            Will não demorou em fazer o seu pedido, dando-lhe as informações necessárias para que o primo entendesse a gravidade da situação – disse-lhe que precisava que ele tocasse uma música lenta, para que ele pudesse convidar uma garota para dançar com ele; “Você? Dançar?”, foi a reação de Thomas. Will ignorou este outro comentário e prosseguiu com as suas explicações – pediu-lhe que lhe fizesse este favor, porque era a única forma que encontrara para se reaproximar de uma garota.

            Thomas riu-se e inquiriu.

--Quem é a garota? Não é aquela que você namorou ano passado, é? – Fez a última pergunta com um tom de desaprovação.

--Não, não é. – Will respondeu, veemente. – Dela eu quero distância. – Will comentou, sinceramente; Thomas voltou a rir, satisfeito.

--Quem é então? – Questionou, mais curioso; notando que Will dirigira um rápido olhar a um grupo de meninas paradas não muito distante deles. – Não vai me dizer que você está de olho em Vandinha! – Thomas disse, um pouco mais rispidamente que pretendia, ganhando a atenção de Will de volta.

--Mary? Não. – Will respondeu, inocentemente. – Por quê? – Mas logo completou, olhando o primo com mais interesse; o tom de voz que Thomas usara ao lhe inquirir se ele estava interessado em Mary fora bastante evidente.

--Curiosidade. – Thomas respondeu, tentando disfarçar. – Quem, então? Madonna?

--Não! Aquela é Lydia… - Will respondeu, demonstrando impaciência com aquela sugestão de seu próprio primo. – Aquela é a ex-namorada de George.

--Ahh… - O primo finalmente sorriu com compreensão, olhando para Elizabeth. – Hum... – Continuou a sorrir, avaliando a escolhida de seu primo. – Opção interessante!

--Eh, pode tirar o olho! – Will rebateu, seriamente; conseguindo arrancar uma pequena risada do primo.

--Então, você precisa de uma música lenta... – Foi o seguinte comentário de Thomas, voltando a olhar para Elizabeth. – Pode deixar. – Garantiu ao primo, quem respirou aliviado. – Eu não posso colocá-la agora, porque acabei de iniciar uma seqüência de músicas mais agitadas, mas coloco uma... – Olhando o primo com um ar de entendimento, concertou. – umas músicas lentas para você, vocês! Pode deixar! – Concluiu, piscando para Will. – Alguma música de sua preferência?

--Eu não faço idéia! – Will respondeu. – Eu estava esperando que você pudesse me ajudar neste departamento também! – Mas, pensando melhor, questionou-o. – Você não teria nenhuma música de Lifehouse entre estes CDs, teria?!

--Desculpe-me, mas não. – Thomas respondeu, sem muita demora; sendo DJ, sabia muito bem quais músicas trazia consigo para as suas performances.

--Então, estou a sua mercê! – Will completou, dando-lhe os ombros.

--Relaxe. – Thomas disse, deixando o seu rosto se iluminar por um sorriso diabólico, típico de quando estava aprontando uma das suas. – Eu acho que tenho exatamente o que você precisa! – Dizendo isso, ele voltou a dar sua atenção ao seu trabalho, recolocando os fones de ouvido de DJ e retornando às suas mixagens.

            Will retornou para perto de Kevin e os dois ficaram a olhar as meninas dançando à pista de dança. Will chegou a se divertir por um tempo com o jeito atrapalhado de Charles dançar, mas sua atenção logo se concentrou em Elizabeth. Ela havia puxado Mary, com a ajuda de Lydia, para perto de Catherine e Daniel – quem ele só veio reconhecer naquele instante – e tentava fazer com que Mary dançasse também, ao som de Are You Gonna Be My Girl? de Jet.

Go!
(Vai!)
It's 1, 2, 3

(É um, dois, três,)
Take my hand and come with me

(segure minha mão e venha comigo)
Because you look so fine

(Pois você é muito linda)
That I really wanna make you mine
 (E eu quero te fazer minha)

            Lydia e Elizabeth estavam vestidas com fantasias que combinavam com aquele tipo de música e, com toda a certeza, as duas estavam se divertindo imensamente ao arriscarem uns passinhos de dança mais inclinados para o rock’n roll.

I say you look so fine

(Eu digo “você é tão linda)
And I really wanna make you mine
(Que eu quero te fazer minha”)

            As duas rodavam, fazendo as suas saias flutuarem; riram para Mary e revezavam-se em puxar Mary de um lado para o outro, transformando tal atitude em um passo de dança. Davam aceninhos manhosos, umas as outras, quando se cruzavam.

Oh, 4, 5, 6 c'mon and get your kicks

(Oh, quatro, cinco, seis, vamos lá e pegue suas coisas)
Now you don’t need that money

(Agora voce não precisa daquele dinheiro)
When you look like that, do you, honey

(Quando voce se parece com isso, não é, querida?)

            Will não acreditou no que seus olhos viam. Aquele mesmo menino vestido de bombeiro começou a dançar envolta de Elizabeth, Lydia e Mary como um urubu sobrevoando a carcaça de um animal morto – conseguindo com que o sangue de Will voltasse a subir-lhe a cabeça. Quando estava preste a marchar até o bombeiro e explicar a ele – com seus punhos – que ele deveria ficar bem longe de Elizabeth, viu um menino fantasiado de policial se acercar das meninas também. Mas, ao ínves de dançar entorno delas como o bombeiro, o policial começou a empurrar o bombeiro para longe de Lydia.

Big black boots,

(Grandes botas pretas)
Long brown hair,

(Longos cabelos castanhos)
She’s so sweet

(Ela é tão doce)
With her get-back stare
 (Com aquele olhar de "vou te pegar")

______________________________________

            As meninas estavam estranhando a forma com que o bombeiro dançava em volta delas, como se estivesse desenhando uma cerca imaginária entorno delas. Elizabeth franzia a testa e se esquivava todas as vezes que ele se aproximava demais dela, mas Lydia não parecia dar muita atenção a ele. Não estava flertando com ele, porque sequer olhava em sua direção, apenas não estava incomodada com a sua presença. Mary, quem estava no meio das duas, olhava o menino com um ar ameaçador – Elizabeth sabia, se ele procurasse alguma gracinha com ela, não sairia vivo daquela pista de dança.

            Mas nenhuma das meninas esperava que Mark, fantasiado de policial, decidisse tomar a atitude de afugentar o bombeiro para longe delas; vindo a parar de dançar e ficar a olhar para os dois meninos – um empurrando o outro – boquiabertas. 

Well I could take you home with me,

(Bem, eu podia levá-la para casa comigo)
But you were with another man, yeah!

(Mas você estava com outro cara – yeah!)

            Lydia se interpôs entre os dois, ignorando os protestos de Elizabeth ou o fato de Mary tentar segurá-la longe dos meninos, e tentou separá-los antes que começassem uma briga mais violenta.

I know we ain't got much to say

(Eu sei que nós não temos muita coisa pra dizer)
Before I let you get away, yeah!

(Antes que eu te deixe ir embora, yeah!)

--Mark, o que você está fazendo? – Lydia gritou para ele, para ser ouvida com o barulho daquela música, ao conseguir que os meninos parassem de se empurrar.

--Ele é seu namorado? – O bombeiro perguntou, aproximando-se de Lydia pelas suas costas e falando praticamente ao seu ouvido.

--Sou. – Mark rebateu, tentando passar por Lydia e voltar a empurrar Carter, o bombeiro.

--Não! – Lydia exclamou, já furiosa, voltando a separar os dois. – Ele não é! – E, olhando seriamente para Mark, disse. – Você não é!

--Então, por que está se intrometendo? – Carter questionou, segurando Lydia pelo braço e a virando para si.

            Neste ponto, Elizabeth ia se intrometer; uma coisa era eles brigarem entre eles, outra era tratarem Lydia daquele jeito. Mas Mary a segurou, indicando um Jack Sparrow que se acercava dos três, no exato momento em que Lydia se soltava de Carter e Mark voltava a empurrar o bombeiro para longe de Lydia.

--Francamente, vocês estão brigando por causa dela?! – George interrompeu a luta de Lydia, ao tentar manter Mark e Carter separados; conseguindo a atenção dos três.

--Isso não é da sua conta, George! – Mark resmungou. – Lydia não é mais sua namorada. – Estava ainda mais irritado com a presença de George, ao ver que Lydia o observava, esperançosa.

--E ela nunca foi sua! – George respondeu, tranqüilo. – Mas, fique a vontade! Matem-se por causa dela! – George continuou, acenando com displicência para os dois meninos. – Se quer a minha opinião, vocês estão perdendo tempo! – Completou, com indiferença; Lydia sentiu um nó na garganta, ao imaginar que George só estava se divertindo às suas custas. – Porque... – George continuou, dando um passo na direção de Lydia. – ela gosta de mim! – Disse isso ao mesmo tempo em que passava um braço envolta do ombro de Lydia e a tirava do meio dos meninos. – Quer ir para outro lugar? – Murmurou ao ouvido dela.

I said, are you gonna be my girl?

(Eu disse: “você quer ser minha garota?”)

            Lydia respondeu com acenos frenéticos de cabeça, porque lhe faltaram as palavras – de tão surpresa que ficara com esta atitude dele. Logo começou a sorrir, de orelha a orelha, quando George continuou a levá-la para longe dos meninos e, também, da pista de dança. Ao passar por Elizabeth e Mary, sorriu ainda mais para as meninas, que corresponderam com sorrisos e sinais de positivo com as mãos.

            Catherine se acercou das amigas, sorrindo, ao ver que George havia resgatado Lydia. Informou-lhes que Daniel já estava quase se intrometendo naquela confusão, já que não acreditava que Mark sabia ao certo o que estava fazendo ao colocar Lydia no meio de uma briga. Mas desistiu ao ver que George tomara tal obrigação para si.

            Naquele mesmo momento, ele, Daniel, estava tentando acalmar o seu amigo, aconselhando-o a procurar outra garota ali naquela festa para dispensar suas atenções e esquecer-se de Lydia. No entanto, ao notar que o bombeiro, Carter, não tinha a intenção alguma de ir procurar outro grupo de amigas para azarar, à medida que dirigia um olhar avaliativo para Elizabeth e Mary a certa distancia naquele exato momento, decidiu aconselhá-lo também.

            E, quando Carter começou a caminhar na direção das meninas mais uma vez, Daniel se interpôs em seu caminho, de forma um pouco hostil.

--Desista! – Ele ordenou a Carter, que ergueu a sobrancelha para ele e o encarou, desafiadoramente.

--Quem é você para me dizer qualquer coisa?! – Carter rebateu.

--Eu estou lhe dando um aviso! – Daniel disse, ameaçadoramente. – Se você voltar a chegar perto daquelas garotas ali... – Daniel indicou o grupinho das meninas. – não vai sair vivo desta pista de dança!

--É mesmo? Quem vai me matar, você? – Carter respondeu, aceitando o risco, ao olhar Daniel dos pés a cabeça. – Qual é o seu problema, cara? Uma menina não é o suficiente?! – Carter questionou, olhando de relance para Catherine.

--Não sou eu quem vai acabar com você, mas o carinha vestido de gangster de pé atrás delas! – Daniel replicou, calmamente. – Confie em mim, se você chegar perto de uma daquelas meninas de novo, ele vai arrancar a sua cabeça no mesmo instante! – Ao ouvir isso, Carter estendeu o olhar para Will, parado de pé um pouco atrás do grupo das meninas, de braços cruzados, dirigindo um olhar furioso a ele (se um olhar matasse, ele estaria morto, com toda certeza).

--Por mim! – Carter respondeu, mas sem o mesmo ímpeto de antes. E, após hesitar um momento, deu as costas a Daniel e seguiu a direção oposta à das meninas.

            Daneil retornou para perto das meninas e levou Catherine de volta para o centro da pista de dança, deixando Elizabeth e Mary a sóis. Mary continuava com aquele mesmo humor negro, sem querer dançar quando Elizabeth a convidava. Elizabeth, notando a presença de Will praticamente às suas costas, decidiu que preferia ir procurar outro canto da pista de dança para ficar. Segurou Mary pela mão e a guiou entre os jovens dançando, a levando para o outro lado da pista de dança, longe do cubículo do DJ.

            Quando já havia saído do campo de visão de Will, parou de puxar Mary e tentou convencê-la a dançar. Mas Mary estava decidida a não dançar – não gostava, não sabia como, sentia-se estranha quando tentava dançar. Então ficava olhando Elizabeth dançar a sua volta, apenas arriscando uns passinhos de dança quando Elizabeth a obrigava, a puxando de um lado para o outro.

            Foi enquanto Mary tentava dançar que levou três empurrões de pessoas diferentes, as quais cercaram Elizabeth. Elizabeth parou de dançar e olhou bem para o rosto de cada uma das meninas que a cercava e sorriu, impertinentemente, para elas, dizendo a si mesma que devia estar preparada para este momento.

--Olá! ... Lizzie, não é?! – Caitlin a cumprimentou, sorrindo maldosamente para Elizabeth. – Eu ainda não a tinha visto aqui!

--Pensávamos, até, que você não tinha vindo! – Heidi comentou, adquirindo uma ousadia que ela nunca conseguia ter na presença de Will.

--E por que eu não viria à festa de Halloween da minha escola? – Elizabeth questionou-a.

--Nossas escolas, querida. – Caitlin a corrigiu.

--Se você não percebeu ainda, você está dentro da minha escola! – Madson disse, com um ar autoritário; como se lhe dissesse: “meu domínio!”. – Além do que, nós não tínhamos certeza se você teria coragem de comparecer a festa, depois do desastre que fora o passeio ao parque de diversões sábado passado. – Madson comentou, usando de um tom de voz de falsa compreensão. – Você podia estar envergonhada do vexame que passou...

--De forma alguma! – Elizabeth replicou, com o seu jeito impertinente e divertido, chegando até a sorrir para Madson. – Eu não sofro desse mal, de acordo com a minha mãe! Sabe como é? Aparentemente, eu não tenho vergonha na cara! – Completou rindo, como se contasse uma gostosa piada. Mary foi a única que a acompanhou em sua risada, adivinhando que Elizabeth estava apenas interpretando um papel de uma pessoa inconseqüente para irritar aquelas três meninas.

--Ahh... Talvez se o meu namoro fosse de mentira, como o seu foi, eu também não ficaria tão abalada! – Heidi comentou, ganhando um olhar atravessado de Elizabeth em resposta. – Não! Acho que nem mesmo assim! Ser dispensada sempre é ruim! – Completou, satisfeita por ter conseguido alfinetar Elizabeth de forma a quebrar as suas pretensões de parecer indiferente.

--Que loucura! – Caitlin comentou. – Eu estou muito impressionada com esta nova façanha de Will!

--Namorar cinco meninas ao mesmo tempo... – Madson completou, rindo-se de Elizabeth; quem olhava de uma menina para outra, sem ter palavras para rebater seus comentários. – Isso nunca aconteceu aqui! – Disse, dando bastante ênfase ao “aqui”, pois queria mesmo era dizer: “comigo”.

--Quer saber? – Elizabeth disse, já mais calma, tomando controle de si mesma. – Vocês, provavelmente, estão certas. – Surpreendendo as meninas mais uma vez com a sua naturalidade. – Meu namoro com Will foi uma farsa... Ele nunca gostou de mim, e vice-versa. – Disse isso da boca para fora, mas de uma forma tão simples que soou como a mais pura verdade. – Agora acabou e cada um seguiu o seu próprio caminho. – Continuou, olhando cada uma das meninas nos olhos, segura. – O que me deixa com uma pergunta apenas: por que vocês três estão perdendo o seu tempo comigo? – Aguardou por um momento que uma delas respondesse, como nenhuma se voluntariou, continuou. – Nós não somos colegas de escola, amigas ou nada do tipo. E eu duvido, profundamente, que vocês tenham alguma intenção de tornarem-se minhas amigas... Então, por que estão aqui, no meio de uma festa, desperdiçando o seu precioso tempo comigo?! – O silêncio foi a sua única resposta. – Vamos, meninas! Eu tenho certeza que vocês podem encontrar coisa melhor para fazer a se incomodar com uma menina insignificante como eu, que sequer consegue arranjar um namorado de verdade! – Novamente, silêncio; Madson e Caitlin a olhavam com raiva, por estarem sem conseguir rebatê-la; mas Heidi parecia estar ponderando sobre as palavras de Elizabeth, como se se questionasse o que estava fazendo ali ao invés de estar paquerando um garoto. – Vão dançar, paquerar... – Elizabeth disse esta última palavra com um tom mais indecente, ao olhar as meninas dos pés a cabeça. – Por falar nisso, Will está naquela direção! – Elizabeth continuou, apontando na direção em que ficava o cubículo do DJ. – Por que vocês não vão procurá-lo? Chame-o para dançar com você – Disse isso diretamente a Madson. – e não aceite um “não” como resposta, porque ele dança! Eu garanto! – E dirigiu um sorriso convencido a Madson, quando a menina ficou ligeiramente boquiaberta com aquela revelação. – Você o quer? Vá atrás dele! – Continuou, satisfeita em conseguir reverter à situação. – Vá enfrente! – Concluiu, com um brilho diabólico nos olhos, dirigidos a Madson. – Eu adoraria vê-la tentar conquistá-lo! – Disse isso com um tom de puro desafio, como se estivesse garantindo que Madson não conseguiria ter êxito. – Vamos, Mary! Vamos dançar! – E, segurando na mão de Mary mais uma vez, tomou o caminho contrario ao que indicara às meninas que Will se encontrava.

 

 

 

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