Elizabeth estava trabalhando em suas costuras sozinha a pequena salinha à segunda-feira, a Srta. Lucas houvera ido a Rosings com os Collinses aquela manhã, quando ela ouviu uma visita à porta. Ela se perguntava por que o Coronel Fitzwilliam teria vindo mais cedo que o de costume e ergueu-se para cumprimentá-lo. Mas ficou surpresa, um momento depois, quando o Sr. Bingley surgiu a sua frente ao invés do Coronel.
"Srta. Bennet," Ele disse, "é um prazer imenso revê-la. Eu não posso descrever a felicidade que senti ao saber que a senhorita estava aqui."
"Sr. Bingley! Eu também estou feliz em revê-lo. Posso presumir que o senhor está aqui para visitar o seu amigo?"
"Sim, eu estava o esperando em Londres no Sábado. E fui a casa dele ontem, após a igreja, e fui informado por sua governanta que o Sr. Darcy houvera sofrido um acidente e que a Srta. Darcy vieira para cá para ficar com ele. Eu não sabia se a condição dele permitiria que ele respondesse a cartas, porque eu pretendia que a minha irmã escrevesse-lhe inquirindo sobre sua saúde; mas recebe uma carta do Coronel Fitzwilliam esta manhã, desculpando-se em nome de Darcy por não ter comparecido à cidade e explicando o que houvera acontecido. Eu suponho que eu devia ter mandado uma missiva, avisando de minha chegada, mas eu decide vir aqui imediatamente."
Neste instante Elizabeth sorriu, lembrando-se da ocasião em Netherfield quando o Sr. Darcy houvera criticado Bingley por sua propensão em deixar tudo e ir-se de um lugar sem aviso prévio, se houvesse sido a pedido de um amigo. Era irônico que o Sr. Bingley o houvesse agido assim desta vez em beneficio do Sr. Darcy, sem nem ao menos lhe ser requisitado.
"Coronel Fitzwilliam foi gentil o suficiente para me oferecer um quarto em Rosings, embora eu acredite que tenha lhe custado talento de persuasão com relação a sua tia para estender-me tal convite."
"Espero que o senhor tenha encontrado o seu amigo em bom estado."
"Sim, obrigado. Melhor do que eu esperava. Eu acredito que ele irá se recuperar completamente. A sua memória não está completamente intacta, mas o médico ainda acredita que ele irá se lembrar de tudo."
Elizabeth secretamente desejava, pelo bem do Sr. Darcy, que ele não recuperasse algumas de suas memórias. "E como o senhor tem estado desde que nos vimos pela última vez, senhor? Eu espero que o senhor tenha passado uma boa estação na cidade e que as suas irmãs, assim como seu cunhado, estejam bem."
"Sim, obrigado, nós estamos bem. O inverno foi tolerável. Eu estou ansioso em retornar ao interior. Darcy nos convidou a Pemberley este verão, mas agora, com este seu acidente, talvez… Bem, nossos planos ainda não estão completamente definidos. E eu espero que a senhorita tenha tido um inverno agradável também. Nós não nos vemos há muito tempo. Eu acredito que há cinco meses. Sim, desde o baile em Netherfield em 26 de Novembro. Aquela foi uma ocasião adorável."
"Certamente, o foi, senhor."
"E como está a sua família, Srta Bennet? Estão todos bem?"
"Sim, estão todos em ótima saúde, eu lhe agradeço."
"E suas irmãs, estão todas em casa?"
Elizabeth pode perceber que ele tinha a intenção de perguntar-lhe sobre Jane em particular, o que a deixou surpresa, porque ele sabia muito bem que ela está em Londres. "Não, senhor, minha irmã Jane tem estado na cidade desde Janeiro."
A surpresa de Bingley com aquela revelação foi evidente: "Verdade? Eu não fazia idéia. Eu fico admirado que ela não tenha escrito a Caroline e lhe informado de sua presença em Londres. Eu acreditava que as duas se correspondiam por cartas."
"Ela escreveu a sua irmã, senhor. Jane até visitou a Srta. Bingley e a Sra. Hurst em Grosvenor Street, e elas lhe retribuíram a vista três semanas depois. Eu me recordo de Jane ter afirmado que a Srta. Bingley lhe garantiu que o senhor sabia de sua presença na cidade."
Os olhos de Bingley ficaram arregalados; "Não, eu não fazia idéia de que ela estava na cidade."
"Talvez a Srta. Bingley tenha simplesmente esquecido de mencionar-lhe isto."
Esta observação de Elizabeth ajudou a Bingley a se recompor e dizer "Talvez" à medida que se sentava e ponderava a informação que recebera.
Pouco tempo depois, enquanto Elizabeth e Bingley estavam conversando amigavelmente, o Coronel Fitzwilliam e a Srta. Darcy chegaram. O Coronel parecia estar surpreso com a presença de Bingley ali. "Você conhece a Srta. Bennet , Sr. Bingley?" perguntou o Coronel Fitzwilliam.
"Sim, nós nos conhecemos no outono passado em Hertfordshire e acabamos de renovar a nossa amizade." Um olhar de compreensão perpassou pelo semblante do Coronel Fitzwilliam, porque parecia-lhe agora que tudo fazia perfeito sentido. A sua presunção fora errônea, mas não tão longe da verdade.
Por sua vez, Elizabeth aproveitou esta oportunidade para observar o Sr. Bingley e a Srta. Darcy juntos. Quando eles se cumprimentaram, ela não notou nem um olhar significativo ou algum excesso de atenção por parte de nenhum deles. Ainda assim, alguns segundos de observação não seriam suficientes.
Ela, então, voltou-se para o Sr. Bingley e disse: "Como o senhor soube que eu estava aqui se o Coronel Fitzwilliam não lhe contou que eu estava aqui?"
Ela sabia a resposta antes mesmo que ele houvesse lhe dado. "Foi Darcy quem me informou."
Enquanto os outros se aprofundavam em uma conversa agradável, o Coronel Fitzwilliam lutava com os seus pensamentos. Ele começou a suspeitar que a Srta. Bennet era a jovem dama por quem Bingley houvera se afeiçoado até o momento em que Darcy interveio e os separou; e ainda refletiu, cheio de remorso, que ele houvera informado a Srta. Bennet sobre as ações de Darcy! Que a sua própria revelação com relação às ações de Darcy a influenciaram a rejeitá-lo; com relação a isto ele não tinha a menor dúvida.
À medida que observava Bingley e Srta. Bennet juntos, o mutuo conforto e facilidade em conversação, assim como o evidente prazer em se reencontrarem, confirmava todas as suas suspeitas. Realmente, o Coronel Fitzwilliam não tinha como saber que o olhar intenso do Sr. Bingley sobre a Srta. Bennet era em busca de alguma semelhança com a sua irmã, Jane.
A suspeita do Coronel Fitzwilliam serviam perfeitamente para esclarecer as suas dúvidas relacionadas à rejeição de Darcy. O único motivo que levaria uma dama, uma em que se encontra na posição em que ela se encontra em particular, rejeitar o seu primo seria se ela já houvesse dado o seu coração à outra pessoa. Ela estava apaixonada por Bingley e ele por ela.
Tudo fazia perfeito sentido, exceto que ele sabia que o seu primo não iria interferir na corte de seu amigo simplesmente para ter o seu caminho livre. Ainda assim, não havia outra explicação; e, embora não fizesse parte da natureza de Darcy agir de tal forma, fazia perfeito sentido. Mesmo que ele suspeitasse que ainda havia outros motivos para as ações de Darcy.
Enquanto o Coronel estava perdido nestes pensamentos, Elizabeth estava preocupada com a postura de sua prima. Georgiana estava ainda mais quieta que já houvera estado antes. Ela estava triste. Quando Elizabeth perguntou-lhe sobre o seu irmão, questionando-se se ele houvera piorado, a garota simplesmente respondeu-lhe que ele ainda estava bem.
Após eles terem permanecido em sua companhia por cerca de meia hora, o Coronel sugeriu que eles deviam retornar a Rosings, e convidou Elizabeth a acompanhá-los. Os quatro, então, deixaram a reitoria juntos.
Assim que chegaram a Rosings, o Coronel Fitzwilliam os guiou até uma salinha e depois tratou de distrair Bingley, levando-o para outra sala utilizando-se de uma desculpa qualquer, deixando as duas damas a sóis.
"Eu suponho que devo levá-la par ver o meu irmão." Disse a Srta. Darcy. "Eu acredito que o Coronel Fitzwilliam não deseja que o Sr. Bingley saiba que a senhorita o está visitando." Elizabeth não disse nada em resposta e a menina continuou, timidamente. "Ele me contou . . . o que ocorreu entre a senhorita e o meu irmão."
"Srta. Darcy, quando o seu irmão acordou no Sábado ele ficou com a impressão de que nós estávamos noivos. Eu não fazia idéia até ontem e o seu primo insistiu para que eu não revelasse a verdade. Por esta razão, o Sr. Darcy espera me ver, mas se mais alguém souber que eu o estou visitando irão ficar com suspeitas. Eu não gosto, mas aceitei esta situação."
"Eu lhe agradeço por isso. Eu nunca vi o meu irmão mais feliz que quando está com a senhorita. O seu animo está melhor. A senhorita não percebe porque não o vê quando não está presente." Percebendo que ela poderia estar dando a impressão de que Darcy fosse insuportável, ela completou, "Ele é atencioso. Ele está sempre bem humorado e tenta me poupar de seus sofrimentos. Eu só não compreendo o porquê da senhorita ter rejeitado a sua corte, Srta. Bennet." Ela disse esta última frase quase em um sussurro.
A raiva de Elizabeth começou a surgir; ela já estava fazendo tudo que estava ao seu alcance ao aceitar participar desta farsa, ela não desejava ter os seus motivos para rejeitá-lo analisados por um de seus parentes. Ainda assim, a Srta. Darcy era tão meiga e sincera, que Elizabeth não pode evitar se sentir um pouco culpada por ter raiva dela. Enfim, ela perguntou, tranquilamente: "Por que a senhorita acha incompreensível? Porque eu não tenho nada e a situação dele o torna desejável?"
A Srta. Darcy ficou horrorizada ao ouvir esta afirmação; "Certamente que não. É só que ele é o homem mais querido, doce, honrado, generoso do mundo." Elizabeth sorriu, admirada com a visão parcial que a Srta. Darcy tem do próprio irmão. A Srta. Darcy, no entanto, parecia afrontada com o sorriso de Elizabeth.
"Querida Srta. Darcy," ela disse, "eu tenho certeza que ele é um irmão maravilhoso. A sua afeição pela senhorita é bastante obvia. Ele tem muito orgulho da senhorita." Neste momento, a Srta. Darcy fitou o chão, envergonhada. Elizabeth ficou intrigada, mas continuou, "Eu simplesmente não tenho este tipo de sentimento por ele."
"Eu entendo." ela replicou, "Por favor, perdoe-me por tentar discutir assuntos que não me dizem respeito. Devemos ir até ele agora?"
"Sim, claro." Replicou Elizabeth.
À medida que se dirigiam aos aposentos dele, Elizabeth começou a se sentir insegura quanto às suas ações. Estaria ela fazendo mesmo a coisa certa ao permitir que o Sr. Darcy acreditasse que eles estão noivos? Ela não conseguia mais defender a sua posição nesta situação contra si mesma adequadamente, e não conseguia evitar a sensação de que quanto mais tempo durasse esta farsa, pior as coisas ficariam ao final.
Quando elas entraram no quarto, o rosto de Darcy se iluminou ao vê-la. A Srta. Darcy parecia que ia se debulhar em lágrimas e imediatamente se encaminhou até a sua cadeira ao canto do quarto. Elizabeth notou que Darcy estava confortavelmente sentado, com vários travesseiros o apoiando, e estava vestido com uma camisa de linho e um colete. Ela também ficou feliz ao notar que ele tinha recuperado um pouco da cor no rosto.
Após cumprimentar Elizabeth, Darcy voltou-se para a sua irmã e perguntou: "Georgiana, qual é o problema?"
A Srta. Darcy olhou para o irmão e disse, "Não é nada, querido Fitzwilliam. Eu estou bem."
Ele pediu para que ela se aproximasse e a Srta. Darcy demorou-se um pouco com ele, assegurando-lhe que estava bem, depois deixou os seus aposentos.
Darcy olhou para Elizabeth, quem estava sentada em sua cadeira de costume, "Eu me pergunto o que pode estar a procurando." Elizabeth não disse nada em resposta. "Ela nem sempre confia em mim com as suas preocupações e eu não desejo pressioná-la com confidências. Eu me pergunto se ela não se sentiria mais a vontade conversando com outra mulher." Ele hesitou, mas completou: "Seria demais pedir a senhorita para conversar com ela?"
"Nem um pouco, eu tentarei conversar com ela."
"Obrigado." Ele disse, tomando-lhe a mão. "Eu espero que a senhorita também esteja bem."
"Sim, estou. O Sr. Bingley veio me ver." Ela se sentia mais que um pouco desconfortável com ele segurando sua mão, mas não resistiu à sua demonstração de carinho.
"Eu sabia que ele iria à reitoria imediatamente após tê-lo informado de sua estada lá."
"Nós tivemos uma visita muito agradável. Foi uma surpresa maravilhosa."
"Eu estou feliz em saber."
Elizabeth se perguntava se conversando sobre o assunto que os levou a discutirem levaria Darcy a se lembrar dos reais acontecimentos. Apesar deste risco, entretanto, ela disse: "Ele não fazia idéia que a minha irmã Jane estava na cidade desde Janeiro."
Darcy franziu as sobrancelhas e disse: “Eu devo lhe confessor algo, Elizabeth, que tem me perturbado desde que ocorreu. Eu não tenho certeza se nós já conversamos sobre isso."
"O que é?" Elizabeth perguntou, esperando ouvir a mesma informação que o Coronel houvera lhe dado e a causa da discussão entre ela e Darcy.
"Eu sabia que a sua irmã estava em Londres. A Srta. Bingley me contou. Ela, a Sra. Hurst e eu concordamos em não revelar nada a Bingley." Ele pode notar que ela estava zangada. Ele se inclinou em sua direção, apertou a sua mão e disse: "Foi um ato inferior a mim, ter agido de forma tão desprezível. Eu sei que estava errado e me arrependo de tê-lo feito."
Custou muito esforço para Elizabeth manter a compostura; mas, desejando não repetir os eventos da tarde de terça, ela disse, calmamente, mas com emoção: "Por que você fez isso?"
"Pelo mesmo motivo que eu o persuadi a não voltar a Hertfordshire. Eu não lhe expliquei isto?"
"Qual foi a sua razão? Que ela não era adequada para ele?"
Ele sorriu, com remorso. "Eu não negarei que fiz objeções a ela neste sentido, mas considerando o meu próprio comportamento, eu creio que os meus atos foram absurdos e impertinentes. Mas a razão verdadeira para que eu não desejasse que ele soubesse que ela estava em Londres foi que eu não queria que ele sofresse mais. Eu sabia que ele não podia ainda vê-la como uma simples conhecida. E ainda sabia que ela não retribuía os seus sentimentos."
"Você acreditava que ela não o amava?" Ela perguntou, em tom surpreso.
"Sim, foi a minha convicção na indiferença dela que influenciaram Bingley. Eu não acredito que eu teria sucesso com nenhum outro argumento." Então, notando a expressão severa no rosto dela, perguntou-lhe: "Elizabeth, qual é o problema?"
"O senhor estava errado, só isso!"
Ele a fitou, abismado, e disse: "A senhorita quer dizer que ela retribuía os sentimentos dele?"
"Sim, é claro que ela retribuía. Eu não consigo acreditar que o senhor não percebeu. Ela ainda sofre com a perda de sua companhia."
Darcy ficou pensativo por um momento, então replicou "Talvez ainda haja esperança para eles, então. Eu sei que os sentimentos de Bingley estão inalterados."
"Então, eu ouso dizer que ainda há esperança se, ao menos, eles pudesse se encontrar."
"Tenho certeza de que eles irão." Replicou Darcy, sorrindo para ela. Então, disse: "A senhorita me perdoa, então?"
"Não é o meu perdão que o senhor precisa."
"Eu não desejaria que a senhorita pensasse mal de mim." Ela não lhe deu resposta alguma. Ele levou a mão dela aos seus lábios e disse: "Eu senti saudades suas, Elizabeth."
Ela ficou ainda mais desconfortável, corando, ao responder: "Desde ontem?"
"Certamente." Ele disse, sorrindo. Então, continuou: "Eu conversei com o meu primo ontem sobre a nossa situação, logo após a senhorita ter ido embora. Ele acredita que nós não devemos divulgar o nosso noivado e me disse que a senhorita concorda com ele. Por esta razão, eu ainda não contei a Bingley. Mas eu gostaria de, ao menos, contar a minha tia."
Elizabeth suspirou, ela não podia mais continuar com esta farsa. Apesar da sua promessa ao Coronel Fitzwilliam, ela sentia que devia contar a verdade. A sua mentira a Darcy era um mal pior que quebrar uma promessa feita ao Coronel Fitzwilliam. "Sr. Darcy," Ela disse, "eu não posso mais continuar com isso." Ela foi silenciada, no entanto, pela voz de Lady Catherine na salinha ao lado, conversando com a Srta. Darcy.
Elizabeth só teve tempo de retirar a sua mão da de Darcy e se levantar da cadeira, antes de Lady Catherine entrar no quarto. "Srta. Bennet, a senhorita nos dará licença."
Elizabeth deixou o quarto assim que ouviu Lady Catherine dizer, "Esta é a terceira vez que eu encontro a Srta. Bennet aqui com você, Darcy. Ela não tem motivos para estar em seus aposentos. Eu exijo uma explicação." Elizabeth deixou a mansão rapidamente e retornou a reitoria, desejando que o Sr. Darcy não revelasse nada a sua tia.
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