Quando Elizabeth retornou a reitoria, o Sr. Collins estava esperando por ela. "Minha querida prima Elizabeth, o que foi que você disse a Lady Catherine esta manhã que a deixou tão chateada?"
Elizabeth não estava com humor para conversar cordialmente com o seu primo e replicou, "Eu peço desculpas, Sr. Collins, mas prefiro não discutir este assunto."
O Sr. Collins, no entanto, não seria dissuadido. "A estimada senhora estava muito ofendida. A senhorita faria bem, querida prima, em aprender como moderar o seu temperamento vivaz que pode ter um efeito inverso naquelas pessoas sensíveis de gosto mais refinados que o seu. Se você deseja manter o privilégio da companhia daqueles de status social superior ao seu, então precisara tomar cuidado extra para não ofendê-los."
"Eu o lembraria, Sr. Collins, que foi Lady Catherine quem procurou a minha companhia esta manhã, e não o inverso."
"Isto, minha querida prima, é mais uma razão para que a senhorita adéqüe os seus modos às expectativas e aos desejos dela. A senhorita precisa demonstrar a gratidão por sua atenção."
Charlotte interveio, "meu querido, o senhor precisa compreender que a estimada senhora quis conversar com Lizzie lá fora com o propósito de manter a privacidade da conversa." Então, voltando-se para Elizabeth, ela disse, "Nós não vamos pressioná-la neste assunto, Lizzie."
O Sr. Collins aparentou estar confuso, então disse, "Claro, minha querida, eu não desejo saber o que foi dito entre elas, apenas quero aconselhar minha prima a não falhar em demonstrar a estimada senhora o devido respeito que ela merece."
"Eu manterei o seu conselho em mente, Sr. Collins," replicou Elizabeth. Então, para a sua amiga ela disse, "Obrigada, Charlotte. Eu irei ao meu quarto. Estou aguardando uma visita da Srta. Darcy. Por favor, me chame quando ela chegar."
"Mas é claro." disse Charlotte.
Elizabeth se sentou por um bom tempo no quarto, completamente sozinha, pensando no que houvera ocorrido aquela manhã. Ela já tinha passado um bom tempo daquela manhã, mais cedo, pensando no encontro desastroso com Lady Catherine. Agora, a conversa mais recente com o Coronel Fitzwilliam, e todas as suas revelações, era o objeto de seu devaneio. Ela relembrava a conversa desde o começo. A descrição dele de Darcy era, de longe, diferente de como ela o via anteriormente. Ainda assim, ele falou com tanta sinceridade e convicção, que deixou pouco espaço para dúvidas. E em que bases ela duvidava dele? Apenas a palavra de Wickham.
Verdade, ela tinha testemunhado o comportamento de Darcy no começo e ele agia com orgulho e superioridade, mas as suas maneiras nunca o pintaram como um homem desonrado e indigno de respeito. Ainda assim, a visão que o Coronel tem dele deve ser parcial. Ela quase riu audivelmente ao pensar nisto.
De repente, a idéia de que a versão de Wickham pudesse ser contestada parecia-lhe absurda. Tudo em que ela se baseara para duvidar do bom caráter de Darcy viera de Wickham. Poderia a versão de um homem que ela mal conhecia, a qual não possuía provas de veracidade dos fatos, não ser contestada pela amizade do Sr. Bingley, lealdade do Coronel Fitzwilliam e a afeição da Srta. Darcy?
Então ela considerou tudo o que fora dito pelo Coronel Fitzwilliam sobre a relação de Darcy e Wickham, ainda muito agitada. Como ela poderia ter certeza sobre o que realmente aconteceu entre eles? Ela não conhecia tão bem nem o Coronel Fitzwilliam nem o Sr. Wickham para poder acreditar na versão de um à versão do outro. Ela estava confusa. Ela gosta de ambos os homens, ambos houveram sido sinceros e despretensiosos, ambos falaram com convicção e aparentaram inocência em seus discursos. Se não fosse impossível, ela teria acreditado que ambos estavam dizendo a verdade.
Então, ocorreu-lhe que um deles poderia apenas acreditar estar lhe contando a verdade. Como Bingley, o Coronel poderia ter recebido o relato dos fatos de Darcy. E, se este fosse o caso, então os defeitos do Sr. Darcy estavam aumentando, porque além de privar o Sr. Wickham daquilo que lhe é seu de direito, ainda enganara os outros quanto ao que realmente aconteceu, enquanto difamava o nome do preferido de seu pai; isto tudo era uma grande sujeira.
Ela recordou as palavras de Darcy quando discutiram e a reação dele quando ela defendeu Wickham. A postura dele durante todo o evento, a sua raiva e indignação, poderia corresponder a qualquer uma das versões que lhe foram relatadas. Ainda assim, se a versão do Coronel fosse verdadeira, por que Darcy não se defendeu durante a discussão?
Então, ela se lembrou em que circunstâncias cada um havia lhe contado aquela história. O Coronel a relatara somente após ela ter levantado a questão, e somente dentro daquela situação incomum em que aquela conversa ocorreu. Wickham, no entanto, deu-lhe sua versão dos fatos praticamente no primeiro encontro, somente por saber que Darcy estava estabelecido pelas redondezas. Ela percebeu naquele momento a impropriedade de tal relato no estágio de meros conhecidos. O que poderia motivar um homem a conversar abertamente sobre algo deste tipo com uma dama que mal conhece?
Ela não pôde responder esta pergunta, mas a levou considerar outros comportamentos do Sr. Wickham. Assim que Darcy deixou Netherfield, o conto do Sr. Wickham tornou-se conhecido de todos no condado. Ele havia contado a todos abertamente, sem escrúpulos.
Ela agora considerava a gravidade do comportamento do Sr. Wickham; contudo, enquanto acontecia, ela não tinha se preocupado, porque, em sua mente, o Sr. Darcy merecia ser desmascarado perante a sociedade pelo seu comportamento com o Sr. Wickham.
Este pensamento trouxe outra memória obscura em sua mente à claridade. Ela se recordava perfeitamente do Sr. Wickham dizendo que não falaria mal do filho para não manchar o nome do pai. Ainda assim, ele fez exatamente isto. O que lhe trouxe a mente outra memória das inconstâncias do comportamento do Sr. Wickham. Ele evitou comparecer ao baile de Netherfield por causa do Sr. Darcy, mas antes do baile dissera que caberia a Darcy evitá-lo e não o contrário.
Ela se perguntava por que nunca notara estas contradições antes. Apesar disso, será que isto tudo significa que o relato do Sr. Wickham quanto à relação entre ele e o Sr. Darcy poderia ser considerada falsa?
Elizabeth estava presa nestas divagações, tão perdida quanto quando começara a ponderá-las, quando foi informada que a Srta. Darcy a esperava na sala de estar. Ela saiu do quarto e foi ao encontro da menina, então as duas damas foram passear pelo bosque, para que pudessem conversar em privacidade.
“Srta. Darcy, como está o seu irmão?”
“Eu temo que ele não está bem hoje. Ele está muito agitado. Ele deseja deixar Rosings, e ele tem saudades suas terríveis!”
“O Coronel Fitzwilliam contou-me da conversa entre ele e Lady Catherine ontem. Eu não posso lhe dizer o quanto angustiada estou pelos recentes eventos.”
“Não é culpa sua. Coronel Fitzwilliam e eu a pressionamos para que fosse vê-lo e ele interpretou errado o seu gesto, embora eu não consigo ter arrependimentos quanto a isto. Só consegui entender o extensão do mal que causamos ontem. Fitzwilliam sofrerá tanto; eu não posso ficar tranqüila sabendo o que acontecerá a ele.”
Lembrando-se do seu propósito, e acreditando que esta era a causa da tristeza da Srta. Darcy no dia anterior, Elizabeth tentou aliviar as preocupações da garota, “Não poderá ser assim tão terrível, Srta. Darcy. Talvez ele fique triste no começo, mas tenho certeza de que ele se recuperará rapidamente, a senhorita verá.”
A Srta. Darcy olhou para Elizabeth com lágrimas nos olhos. “A senhorita não sabe o quanto ele a ama.”
“Talvez a raiva que ele irá sentir de mim ao descobrir que eu permitir que ele acreditasse que nós estamos noivos este tempo todo o ajudará a superar a dor.”
“Ele não ficará com raiva da senhorita.”
“Querida Srta. Darcy, a senhorita precisa saber que ele ficará com raiva, como ele não poderia ficar? E ele estará perfeitamente justificado por se sentir assim.”
“Mesmo que a senhorita esteja certa, eu não vejo como estar com raiva o ajudará a se sentir melhor.”
“Talvez os sentimentos dele não sejam tão profundos quanto à senhorita imagina.”
“Não, Srta. Bennet.”, ela replicou, gentilmente, “ele me disse como se sente. E mesmo que ele não houvesse me dito, eu posso ver em sua expressão facilmente. Certamente a senhorita pôde ver pessoalmente a forma que ele a olha. Até mesmo quando a senhorita não está presente, os seus sentimentos estão estampados em seus olhos quando ele fala na senhorita. Uma vez eu acreditei que sabia como era o olhar de um homem apaixonado, mas logo soube que estava enganada. Meu irmão me disse naquela época que eu saberia quando visse um amor verdadeiro. Eu não entedia como, no momento, já que eu fui enganada tão facilmente, e foi só quando o vi com a senhorita que eu soube o que é um amor verdadeiro. Eu fiquei tão feliz, porque eu temia que ele não se casasse por amor.” Esta última observação pareceu deixar a Srta. Darcy ainda mais triste, talvez ao perceber que, mesmo tendo escolhido se casar por amor, era pouco provável que isso acontecesse.
Elizabeth tentou elevar o espírito da Srta. Darcy ao fazer uma brincadeira pela menina ter interpretado os sentimentos do irmão de forma errada anteriormente. “Eu me pergunto se a senhorita ficou decepcionada ou aliviada ao perceber que o seu irmão não estava realmente apaixonado, como a senhorita imaginara. Porque eu já conheci algumas das damas mais elegantes do seu circulo de amigos.”
A Srta. Darcy franziu a testa, e, após um momento de reflexão, replicou, “a senhorita está enganada, Srta. Bennet, eu nunca o vi ou acreditei que ele estivesse apaixonado por nenhuma dama antes da senhorita. Eu estava falando de uma experiência própria.” A sua voz diminuiu, soando num murmúrio. “Eu me envolvi em um relacionamento imprudente no verão passado.”
“Entendo. E o seu irmão se opôs ao cavalheiro?”
“Sim, muito. Eu não entendi porque a princípio, porque o meu irmão o conhecia muito bem. Quando o encontrei em Ramsgate, eu me recordava dele com muito carinho da minha infância. Ele me disse que me amava, que sempre me amara e que estivera esperando que eu crescesse e pudesse corresponder aos seus sentimentos.” Neste momento as lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto.
“A senhorita não precisa me dizer mais nada, Srta. Darcy, eu não quis forçar-lhe a me fazer confidências.”
“Por favor, eu quero lhe contar. Meu irmão me proibiu de falar a respeito – não que eu desejasse falar a respeito – mas unicamente pelo meu próprio bem. Mas eu acredito que ele não se oporia que eu confiasse na senhorita. Ele me disse isso quando soube que eu viria lhe ver hoje. Ele me disse para conversar com a senhorita sobre o que eu quisesse, e, embora ele tenha me dito isto porque acredita que a senhorita logo se tornará minha irmã, eu sei que ele confia na senhorita, até mesmo comigo.”
Elizabeth ficou emocionada com esta revelação, porque ela agora entendia o quanto a Srta. Darcy era importante para ele. “Eu a escutarei, se é isto que a senhorita deseja.”
A Srta. Darcy acenou com a cabeça, em concordância, e continuou, “Eu acreditei que ele me amava. Ele era tão bonito e tão charmoso que eu acreditei em tudo o que ele me disse, e logo acreditei que estava apaixonada por ele. A minha acompanhante naquela época, Sra. Younge, não se opôs a nada do que estava acontecendo. Na verdade, ela encorajou o nosso envolvimento, e meu irmão confiava nela, então eu me sentia confortável com a situação. Eu deveria ter a sensibilidade de saber que tudo era muito impróprio, mesmo com a concordância dela. Eu devia saber que era errado quando ele insistiu para que eu não contasse a Fitzwilliam do nosso noivado. Ele me disse que queria lhe fazer uma surpresa. Eu acreditava que eles eram amigos. Na verdade, eu recordava que até mesmo o meu pai o estimava. E eu acreditava que o meu irmão não só aprovaria a nossa união, como iria ficar alegre com ela. Então, eu concordei em fugir com ele.”
Elizabeth estava cheia de compaixão pela pobre menina, e tomou-lhe as mãos enquanto ela continuava o seu relato.
“O dia antes da nossa partida para Escócia, Fitzwilliam surpreendeu-me ao me visitar. Eu lhe contei tudo, incerta de como ele reagiria a noticia, mas esperando que ele ficasse feliz. Ele ficou chocado e muito triste. Eu não sei o que ele fez depois que eu contei a ele, mas eu nunca mais vi a Sra. Younge ou o Sr. Wickham depois disto.”
“O Sr. Wickham!”
“Sim, ele foi o afilhado do meu pai.”
Elizabeth estava chocada com esta revelação. Ela precisou de vários segundos só para absorver aquela informação. E quando ela conseguiu, tudo começou a fazer muito mais sentido para ela. Tudo o que o Coronel havia lhe dito mais cedo retornou a sua mente com mais claridade. Como ela pôde duvidar dele? Ela pôde lembrar-se da forma reprovativa dele ao saber que ela havia confrontado Darcy sobre Wickham quando ele lhe propôs casamento. Não era de se admirar que o Sr. Darcy ficou tão ofendido simplesmente pela menção do nome de Wickham. Ela imaginou como ele devia ter se sentido ao supor que ela estava apaixonada por Wickham.
Os pensamentos de Elizabeth foram interrompidos pela pergunta de sua companhia, “a senhorita o conhece?”
Elizabeth lutou para se recompor para responder àquela pergunta gentilmente, “sim, ele está situado com a milícia em uma vila próxima a minha casa.” A sua mente ainda se recuperando do que acabara de conhecer.
A Srta. Darcy ficou quieta por um momento. Então, continuou, “Eu esperava que o meu irmão ficasse com raiva de mim, mas ele simplesmente me explicou, com bastante paciência, que o Sr. Wickham pretendia enriquecer através do nosso casamento sem nenhum acordo prévio entre eles. Fitzwilliam explicou-me que ele e o Sr. Wickham eram amigos quando muito jovens, mas que o Sr. Wickham havia provado não ser… um cavalheiro,” isto fez com que Elizabeth se lembrasse de quando acusou Darcy de não se comportar como um cavalheiro, mas agora percebia que os dois homens não podiam ser comparados, “e que haviam deixado de ser amigos. Meu irmão acreditava que o Sr. Wickham era motivado tanto por vingança quanto por ganância. Agora eu sei que se o Sr. Wickham houvesse me amado de verdade, ele teria pedido a minha mão em casamento ao meu irmão, ele teria me cortejado abertamente, ele teria concordado em um acordo financeiro apropriado para a minha proteção, e ele teria esperado que eu alcançasse a idade apropriada para me casar.”
Elizabeth não conseguiu evitar questionar, “a senhorita acredita que o seu irmão teria permitido o casamento, se o Sr. Wickham houvesse agido corretamente, mesmo com a diferença social entre vocês dois?”
“Se ele fosse um homem honrado e se o seu amor por mim fosse verdadeiro, eu sei que o meu irmão permitiria.”
Elizabeth ficou ponderando as palavras da Srta. Darcy. Foi dada com convicção, mas Elizabeth ainda duvidava ao lembrar-se da confissão do Sr. Darcy quanto à sua luta com suas próprias objeções ao lhe propor casamento. Ela se lembrava das palavras dele quanto a Bingley, “eu fui mais cuidadoso para com ele que fui comigo mesmo.” Certamente, ele não seria menos “cuidadoso” para com a sua própria irmã e permitiria que ela fizesse uma união inadequada.
Elas caminharam em silêncio por um tempo, cada uma contente em meditar sobre o que ocorrera. Uma, aliviada por ter dividido aquela carga de preocupação com outra pessoa. Ter conversado abertamente sobre um assunto que lhe trouxera sentimentos de culpa, vergonha e recriminação, sem ser julgada, fez com que a Srta. Darcy se sentisse livre, como não se sentia desde o verão passado.
Elizabeth, por outro lado, estava ponderando tudo o que aprendera e se arrependendo todos os julgamentos errados que fizera, a recriminação de seus próprios atos apenas começando. O silêncio da Srta. Darcy a permitia avaliar sua prévia opinião, ela considerava o que ela sabia a respeito do Sr. Wickham sob a luz das revelações do Coronel Fitzwilliam. Ela não sabia nada a respeito dele antes dele participar da milícia em –shire. Do seu modo de vida, ninguém soube nada além do que ele mesmo contou em Hertfordshire. Quanto ao seu verdadeiro caráter, ela nunca sentira necessidade de inquirir antes. Sua aparência, sua voz e suas maneiras o estabeleceu como um homem cheio de virtudes imediatamente.
Ela tentava se lembrar de alguma demonstração de bondade, ou traços de integridade e benevolência, que poderiam contradizer as alegações do Coronel; ou, pelo menos, a prevalência de alguma virtude, que amenizasse aqueles erros que ela, com algum esforço, assim classificava o seu comportamento vicioso e ocioso do passado. Ela conseguia imaginá-lo diante dela, em todo o seu charme; mas não conseguia se lembrar de nenhuma bondade em substancial além da sua aceitação por todos do condado. A imagem que fazia dele se esvaia em sua frente, à medida que a de Darcy se fortalecia.
Quando ela acrescentou as informações que recebera da Srta. Darcy, não havia mais dúvidas de quem era o culpado na relação entre Darcy e Wickham. O Sr. Wickham agora lhe parecia o pior dos homens, enquanto o Sr. Darcy era o melhor. A descrição da Srta. Darcy do seu comportamento com ela após o desastroso evento no verão passado só melhorava a sua imagem. Ela se lembrou de tudo o que descobrira a seu respeito nesta última semana e percebeu que não podia encontrar um defeito nele.
Até mesmo quando ela pensava no período anterior há esta semana, não conseguia se lembrar de algum fato que pudesse contrapor a sua bondade. Mesmo os seus modos sendo orgulhosos e repulsivos, ela nunca, em todo este tempo, presenciou algo que pudesse contestar o seu caráter de homem justo e cheio de princípios, ou que o descrevesse como um homem de hábitos imorais ou desrespeitoso com a religião; e entre seus próprios amigos ele é estimado.
Ela começou a perceber que satisfeita com o comportamento atencioso de um dos homens e chateada com o comportamento negligente do outro no começo de sua amizade, ela encorajara a ignorância e a prepotência, afastando-se da razão quando o assunto era qualquer um dos homens em questão. Ela ficou envergonhada de si mesma. Ela estava humilhada com a sua própria cegueira e vaidade em sua habilidade em definir o caráter das pessoas. Ela se permitiu guiar pelo preconceito ao invés da razão e observação.
Olhando na direção oposta a da sua companhia, ela pôde ver por entre uma clareira entre as árvores a mansão de Rosings a distancia, e se perguntava qual janela seria a dele e se ele poderia vê-la de lá, caminhando com a sua irmã. Ela sacudiu a sua cabeça em vergonha e decepção, pensando, “até este momento, eu não me conhecia.”
Durante este momento, Elizabeth tinha conseguido ponderar suas idéias da melhor forma possível sem a devida privacidade, então voltou a ter conhecimento da presença de sua companhia e quebrou o silêncio em que caminhavam ao dizer, “Eu acredito que devo lhe dizer que o Sr. Wickham relatou-me uma história muito diferente correlacionada ao seu irmão, mas o Coronel Fitzwilliam contou-me sobre o seu verdadeiro caráter hoje mais cedo, embora ele não tenha mencionado nada a respeito do que a senhorita acaba de me confidenciar. Estas revelações alteram, e muito, a imagem que tinha de ambos os homens, Sr. Wickham e o Sr. Darcy.”
“Foi o Sr. Wickham, então, que lhe fez ter uma pobre imagem do meu irmão? Eu não posso culpá-la por acreditar nele. Eu sei o quão persuasivo ele pode ser. Mas, pelo menos, a senhorita conhece a verdade agora. Talvez eu tenha conseguido ser de alguma serventia ao meu irmão, afinal.”
“Eu sou grata a senhorita e ao Coronel por ter me informado a verdade sobre o Sr. Wickham. Eu não negarei que tenho vergonha do meu erro ao definir o caráter tanto do seu irmão como o do Sr. Wickham.” Então ela sorriu para si mesma, e completou, “Seu irmão até me alertou para não tentar definir seu caráter, enquanto ele esteve em Netherfield, porque temia que a minha performance não daria credibilidade a nenhum de nós.”
“Ele fez isso?”
“Sim, enquanto dançávamos no baile de Bingley, Novembro passado. Eu estava determinada a acreditar nas palavras do Sr. Wickham e indignada que o Sr. Darcy não pudesse me oferecer nenhuma justificativa para desacreditá-lo. Agora eu entendo porque ele não pôde divulgar tais detalhes.”
“Se, ao menos, a senhorita soubesse o quanto o meu irmão não gosta de dançar, talvez pudesse ter percebido a sua parcialidade ao convidar a senhorita para dançar com ele. Ele me contou tudo sobre o baile e eu sei que ele não dançou com mais ninguém, a não ser com as irmãs de Bingley.”
“Mas eu sabia que ele não gosta de dançar! Eu temo que estava determinada a não compreendê-lo propositalmente, e ainda assim ele me avisou que este era o meu maior defeito! Seu irmão não diz muito, certamente, mas estou começando a perceber que quando o faz é valioso lhe dar atenção. Eu sei que ele disse muitas coisas às quais eu devia ter dado mais crédito.”
“Se a sua opinião do meu irmão realmente melhorou após as minhas revelações, então eu não temerei mais tê-las feito.”
“Por favor, tenha certeza de que nunca trairei a sua confiança, Srta. Darcy.”
“Eu sei que a senhorita não me trairia. Pela força do sentimento do meu irmão pela senhorita, eu sei que posso confiar na senhorita sem reservas.”
Elizabeth sorriu, “a senhorita dá muito crédito ao julgamento do seu irmão.”
“Ele não erra, Srta. Bennet.”
“Oh, eu sei, com toda a certeza, que ele pode errar, minha querida Srta. Darcy, mas somente com as melhores intenções.” Replicou Elizabeth, pensando na impressão que o Sr. Darcy tinha dos sentimentos de sua irmã com respeito ao Sr. Bingley. Mas, ao perceber o olhar preocupado de sua amiga, completou, “Eu estou apenas brincando. Eu não ousaria mudar a sua opinião a respeito da perfeição dele.”
As duas damas estavam muito mais confortáveis, uma na companhia da outra, e quando a hora em que o Coronel Fitzwilliam ficara de ir à reitoria para buscar a Srta. Darcy se aproximou, as duas redirecionaram seus passos até a reitoria.
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