Citações

Imagino quem primeiro descobriu a eficácia da poesia em afastar o amor! (Jane Austen)

Capítulo 9

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Na manhã de quarta-feira, Elizabeth ficou surpresa ao se encontrar com o Coronel Fitzwilliam enquanto caminhava pelo bosque. Ele disse, “Srta. Bennet, eu estou contente por tê-la encontrado aqui. Minha tia foi até a vila esta manhã, para decidir algumas disputas e dar conselhos. O Sr. Bingley saiu para dar um passeio, com a intenção de visitá-la na reitoria mais tarde; eu suspeito que ele esperará pela senhorita na reitoria. A oportunidade para a senhorita se encontrar com Darcy sem que ninguém saiba e contar-lhe a verdade chegou.”

Elizabeth concordou com o plano do Coronel para que ela fosse visitar Darcy e os dois caminharam juntos em direção a Rosings. Após alguns minutos de silêncio, Elizabeth disse. “Eu gostaria de agradecê-lo, senhor, por sua intervenção junto ao Sr. Darcy para que ele mantivesse o nosso suposto noivado em segredo. Eu sei que deve ter sido difícil.”

“Dentro destas circunstâncias, o melhor a se fazer é manter tudo em segredo. Embora tenha sido um infortúnio Lady Catherine descobrir. Por sorte, é pouco provável que ela queria espalhar a noticia.”

“Sim, eu suponho que a opinião dela sobre a nossa união teve seus benefícios. Eu fiquei aliviada ontem à noite ao perceber que o Sr. Bingley não parecia ter conhecimento do noivado, tão pouco. O Sr. Darcy mencionou em sua carta que foi o senhor quem o convenceu a não revelar a novidade ao Sr. Bingley.”

O Coronel Fitzwilliam olhou de soslaio para Elizabeth ao dizer, “Eu entendo porque a senhorita não ia querer que ele soubesse.” Elizabeth ficou confusa com este comentário, mas o Coronel continuou antes que ela pudesse dar qualquer resposta. “Por favor, aceite minha desculpa, Srta. Bennet, por tentar fazê-la mudar de idéia. Eu só desejo a felicidade do meu primo, mas percebi ontem a noite que tal união não lhe traria felicidade, mesmo que a senhorita estivesse disposta a se casar com ele.”

Elizabeth olhou para o Coronel, sentindo-se irritada por sua afronta. “Eu entendo que o senhor pode ter se deixado influenciar pela opinião da sua tia.”

O Coronel Fitzwilliam riu, “A senhorita está enganada, Srta. Bennet; não foi esta circunstância que me persuadiu a mudar de idéia. Na verdade, foi o conhecimento dos seus sentimentos e preferências. Ao tentar induzi-la a mudar de idéia, eu só considerei que ele seria feliz porque sabia que ele está apaixonado pela senhorita; mas percebi ontem que ele não ficaria feliz se não fosse correspondido. E, é claro, a senhorita não ficaria feliz com esta união tão pouco.” 

“Coronel Fitzwilliam, eu não tenho certeza de que conheço o seu primo direito, porque quase tudo o que eu sabia a seu respeito, ou pensava que sabia a seu respeito, foi contestado.”

O Coronel sorriu – o comentário dela poderia ter lhe dado esperanças se ele já não estivesse convencido de não deveria alimentar falsas esperanças. “Mas a natureza do caráter dele é de pouca conseqüência neste assunto.”

“Pelo contrário, Coronel Fitzwilliam, a natureza do caráter dele tem tudo a ver com esta escolha.”

“Vamos, Srta. Bennet, até mesmo o melhor dos homens não pode ganhar um coração que pertence a outro.” 

A surpresa de Elizabeth era evidente. “Senhor, admira-me que o senhor continua a presumir além da conta. Eu pensei que tinha sido clara ontem ao tratarmos deste assunto. Mas, mesmo que eu me sentisse como o senhor supõe, o senhor acredita que tais sentimentos persistiriam após as revelações que me foram feitas ontem?”

“Srta. Bennet, quando nós nos separamos ontem a senhorita ainda estava incerta se poderia acreditar na minha palavra, mas garantiu que as avaliaria. Seu comentário de hoje me faz crer que a senhorita pôde tirar suas próprias conclusões de tal assunto. Estou certo ao presumir que a senhorita acreditou na minha versão dos fatos?”

“Sim, Coronel Fitzwilliam, seus comentários a respeito do Sr. Darcy me fizeram rever a minha opinião dele, e a conversa que tive com a Srta. Darcy logo após acabou com qualquer dúvida que eu ainda pudesse ter a respeito do valor do irmão dela.”

“A senhorita está dizendo que o fato de um homem ganhar a sua estima faz com que a senhorita deixe de estimar o outro?”

“Não, certamente que não. O senhor me entendeu errado, senhor. O valor de cada homem é determinado por seus próprios méritos.”

O Coronel Fitzwilliam estava confuso, mas ela parecia não desejar fazer mais revelações e ele não queria pressioná-la até que ela confessasse o seu amor por Bingley. Ao invés disso, ele disse. “De qualquer forma, eu estou feliz em saber que a sua opinião do meu primo melhorou. Eu espero que sirva-lhe de consolo saber que a senhorita não o despreza mais.”

Isto fez com que Elizabeth se lembrasse da dor que estaria preste a causar no Sr. Darcy. “Mas isso só poderá servir de algum consolo para ele se o senhor pudesse revelar isto sem deixá-lo perceber que o senhor tem conhecimento da minha primeira rejeição. O senhor não pode deixá-lo saber que o senhor tinha conhecimento deste episodio. Seria mortificante para ele, eu acredito, saber que outros sabiam de sua rejeição e de como ele se confundiu a tal respeito após o acidente.”

“Eu pensei que a senhorita iria dizer a ele que fui eu quem a convenceu a não lhe contar a verdade ao lhe explicar tudo hoje.”

“Não. Eu não tenho a intenção de desviar a minha culpa para ninguém. Será melhor que eu assuma toda a culpa, porque ele não terá mais nada comigo depois de hoje. Não vale a pena por a relação de vocês dois em perigo deste jeito. Pense nas conversas que o senhor teve com ele desde Domingo. Ele o ressentirá por permitir que ele continuasse enganado durante todo este tempo.”

“Eu não posso permitir que a senhorita assuma a minha parte da culpa. Eu, sozinho, sou o culpado por enganá-lo.”

“Por favor, Coronel Fitzwilliam,” ela disse, emocionada,” o senhor precisa me prometer que não deixará  saber que o senhor tinha conhecimento de que nós não estávamos noivos.”

O Coronel persistia que não deixaria que ela assumisse a sua parte da culpa, mas ela não sossegou enquanto ele não lhe fez a promessa que ela lhe solicitava. Quando ela o acusou de ser egoísta, por desejar aliviar a sua mente ao revelar a sua parte da culpa, ao invés de se preocupar com o melhor para o seu primo, ele, enfim, concordou que seria melhor que guardasse segredo.

Eles entraram nos aposentos do Sr. Darcy e encontraram a Srta. Darcy lendo em voz alta para o seu irmão. Elizabeth ficou contente ao ver que o Sr. Darcy estava sentado em uma cadeira próxima à janela, de frente para a irmã. Ele parecia estar muito bem de saúde, embora sua cabeça continuasse enrolada em bandagens.

Ambos Darcys sorriram quando Elizabeth entrou no quarto. Ao vê-la, Georgiana fechou o livro e ergueu-se para oferecer sua cadeira a Elizabeth. Ela e o Coronel Fitzwilliam deixaram os aposentos, para esperá-la na salinha ao lado.

Elizabeth sentou-se na cadeira de frente a de Darcy e ele disse, “Bom dia, Elizabeth.”

“Bom dia, como o senhor se sente hoje?” 

“Eu me sinto muito bem, obrigado, muito parecido com o meu antigo eu. Minha dor de cabeça diminuiu bastante.”

“Estou muito feliz em ouvir isto. O senhor aparenta estar melhor. Estou feliz em encontrá-lo sentado próximo a janela. Eu me perguntava como o senhor poderia ter visto Georgiana e eu ontem enquanto caminhávamos pelo bosque. Foi muito difícil atravessar o aposento até aqui?”

“Não, não foi muito difícil. Se eu me mover bem devagar, eu consigo andar com a ajuda do Coronel Fitzwilliam. Mas desejo saber, como a senhorita está hoje?” Ele parecia estar procurando em suas feições sinais de agitação do encontro com Lady Catherine no dia anterior.

“Eu estou muito bem, obrigada.”

“Estou feliz em ouvir isto. Eu esperava que a senhorita não estivesse abalada pelos comentários de minha tia ontem.”

“Eu confesso que fiquei chocada por algum tempo depois que ocorreu, mas as visitas de seu primo e de sua irmã logo em seguida, e, é claro, a sua carta, me ajudaram a me recuperar.”

Ele suspirou, então disse, “Eu sinto muito que nós temos que nos encontrar deste jeito, mas não posso negar que estou feliz que a senhorita tenha escolhido vir me ver.” Ele inclinou-se em sua direção, tomou-lhe a mão e beijou-lhe as costas dela, continuando a segurá-la.

“Há tantas coisas que nós precisamos conversar.” Ela disse, solene.

“Sim, há.” Ele concordou. “Eu gostaria muito de saber o que a senhorita ia me dizer na segunda-feira antes de ir embora.”

Elizabeth estava surpresa com a pergunta dele. Ela sabia que precisava lhe contar a verdade, que este foi o propósito desta visita; mas como ela poderia lhe contra a verdade sem lhe magoar ou sem deixá-lo zangado, e ainda preservar a chance de mudar de idéia quanto a se casar com ele?

Era muito para se conseguir. Ela devia falar de uma vez a verdade e acabar com aquela encenação. Mas não conseguia formar as palavras. Ela estava dominada pelo medo – medo de magoá-lo, medo de perder o seu carinho, medo de perder a oportunidade de mudar de idéia quanto a se casar com ele.

Ainda assim, ela sabia que esta oportunidade só existia por causa de uma enganação, uma que ela teria que conviver caso decidisse aproveitar-se dela. Ela precisava dizer a verdade a ele.

Enfim, ela decidiu ser indireta. “Sr. Darcy, o senhor uma vez me disse que não era muito misericordioso, que a sua opinião uma vez perdida, está perdida para sempre.”

“Sim, esta é a segunda vez que a senhorita me lembra disto.”

“Mas o senhor reconheceu ser um defeito em seu caráter, não reconheceu?”

“Sim, acredito que sim.”

“Então o senhor deseja melhorar neste aspecto?”

Se não fosse pela sua expressão grave, ele acharia que ela estava o provocando como usualmente o fazia. Ele estava incerto da direção de suas perguntas, então respondeu com cautela. “Eu desejaria melhorar em qualquer aspecto possível.”

Ela se ergueu de sua cadeira, deixando que a sua mão escapasse das dele, e virou-se de frente para a janela por um tempo, observando a paisagem. Então, virou-se para ele e disse, “Então o senhor daria o seu perdão em algumas circunstâncias?”

“É claro que sim. Por favor, conte-me no que está pensando, Elizabeth.” Incerto se as perguntas dela estão ligadas ao seu comentário ao deixá-lo na segunda-feira ou relacionadas à outra coisa totalmente diferente, ele perguntou. “A senhorita está preocupada com Lady Catherine? Ela se conformará com o nosso casamento e, quando ela se conformar, eu a perdoarei.”

“Não. Eu não estava pensando em Lady Catherine.”

“Quem, então? Isto tem a ver com a conversa que a senhorita teve com Georgiana ontem? Ela sente que precisa do meu perdão por alguma coisa?”

“Não. Não tem nada a ver com a Srta. Darcy.”

“Então, tem a ver com quem?”

Ela voltou-se para a janela e respondeu em um murmúrio. “Comigo.”

Ele ficou em silêncio por um bom tempo, então disse, “Elizabeth, venha cá, por favor.”

Ela suspirou, então se voltou para ele. A expressão do rosto dele era cheia de carinho, encorajando-a a voltar a sua cadeira. Ele voltou a segurar em sua mão e disse. “O que a senhorita pode ter feito para precisar do meu perdão, minha doce Elizabeth?”

 O seu carinho era mais do que a sua atual frágil postura podia agüentar; as lágrimas começaram a rolar de seus olhos, enquanto ela sussurrava, “Me perdoe.”

Darcy sentou-se mais afastado de sua cadeira para poder se inclinar em sua direção. Ele limpou as lágrimas de suas bochechas e segurou o seu rosto com ambas as mãos. “Eu te amo, Elizabeth. Não tema que os meus sentimentos irão mudar. Eu não acredito que a senhorita possa fazer qualquer coisa que altere a boa opinião que tenho da senhorita, mas a senhorita pode me dizer o que quer que seja que está lhe preocupando.” Ele respirou fundo e disse, solenemente, “Eu acredito que perdoaria qualquer coisa.”

Elizabeth suspirou, profundamente tocada por sua generosidade. Ela permaneceu em silêncio por um momento, organizando suas idéias. Darcy escolheu este momento para inclinar-se mais em sua direção e pressionar os lábios dela com o seu.

Elizabeth imediatamente empurrou-o, ergueu-se de repente, levou a mão até a boca e saiu correndo dos aposentos. Darcy tentou se erguer de sua cadeira e segui-la, mas ele ficou zonzo pelo movimento tão repentino e voltou a se sentar.

Quando Elizabeth apareceu na salinha ao lado, o Coronel se ergueu. Ele logo percebeu a sua agitação, já que ela continuou indo em direção a porta e saiu pelo corredor. Ele a seguiu, com a intenção de levá-la de volta a reitoria, enquanto Georgiana ia até o irmão.

Quando o Coronel Fitzwilliam a alcançou, ele perguntou, “A senhorita contou a ele?”

“Não. Que Deus me ajude, eu não pude.” Ela disse, emocionada, enquanto se aproximava da escada. “Eu não consegui encontrar as palavras.”

“Mas a senhorita estava tão determinada. O que tornou tudo tão difícil?”

Ela parou, no meio da sua descida, e olhou para ele. “Ele me odiará quando souber a verdade. E eu preciso dizer a ele.” Ela virou-se e começou a subir a escada.

“O que está fazendo?”

“Eu preciso contar a ele. Eu não posso mais continuar com esta encenação.”

“Srta. Bennet, a senhorita está muito agitada. Por favor, deixe-me pegar um copo de vinho para a senhorita. Talvez nós possamos nos sentar e conversar.”

“Não há nada para nós conversarmos.” Eles haviam alcançado o segundo andar a esta altura.

Então, neste instante, a voz de Lady Catherine foi ouvida do andar de baixo. Sem hesitar, o Coronel Fitzwilliam tomou o braço de Elizabeth e guiou-a pelo corredor até outra escada. Eles desceram rapidamente e saíram por um jardim formal de Rosings. Elizabeth logo recuperou o seu autocontrole e começou a caminhar em direção a Hunsford.

O coronel Fitzwilliam a seguiu em silêncio até perceber que ela se acalmara um pouco. “A senhorita não me dirá o que a deixou tão agitada ao sair dos aposentos de Darcy?”

“Eu não posso.” Ela disse, corando.

Observando o seu rubor, ele replicou. “Eu creio que entendo.”

Ela o observou com olhos cerrados, o desafiando a declarar as suas suspeitas.

“Eu voltarei a visitá-lo de novo a amanhã. Eu simplesmente lhe direi a verdade, de uma vez por todas. Não deixarei que nada me impeça.”

“Tudo bem. Eu virei buscá-la assim que surgir uma oportunidade.”

Eles continuaram caminhando até a reitoria em silêncio. Quando chegaram, encontraram o Sr. Bingley na companhia da Sra. Collins e da Srta. Lucas esperando por Elizabeth. Eles três ficaram surpresos em encontrá-la na companhia do Coronel Fitzwilliam, mas os recém-chegados explicaram que se encontraram mais uma vez no bosque. O Sr. Bingley pensou que o Coronel Fitzwilliam e a Srta. Bennet andavam se encontrando por acidente com bastante freqüência e começou a suspeitar de um envolvimento entre os dois. Ele ficou feliz por eles, e desejava tanta felicidade para eles quanto previa em seu futuro com a outra Srta. Bennet.

Depois que os cavalheiros partiram, Elizabeth desejava ficar a sós com seus pensamentos, mas teve pouco tempo antes do jantar para meditar. Ela estava impaciente para que a noite se encerrasse, mas sofreu durante o jantar e com a companhia de seu primo com toda compostura. A companhia de Charlotte tornou a noite tolerável, mas a sua mente estava preocupada e ela ficou contente quando pode se recolher.

Quando ela o fez, ela não pode pensar em mais nada além do Sr. Darcy e o que aconteceu entre eles àquela tarde. Ela admitira o seu valor no dia anterior e até mesmo a sua vontade de mudar a sua resposta quanto à proposta de casamento dele, mas hoje ela percebeu que os seus sentimentos iam além. Aconteceu mais coisas durante estes dias que o simples reconhecimento de seu bom caráter. Agora ela sabia que os seus sentimentos por ele eram mais profundos que o simples respeito e estima.

Ela examinava as suas motivações para não ter coragem de lhe contar de sua enganação. Ela temeu a perda de sua boa opinião a seu respeito e ela temeu perder a chance de mudar a sua resposta, uma prerrogativa que ela começou a sentir-se no direito de ter desde que ele presumira que estavam noivos. Mas ela não tinha este direito. Ela o recusara e devia arcar com as conseqüências de seus erros de julgamento.

Ainda assim, a idéia de ser o objeto de seu ressentimento era opressiva ao extremo. Agora ela entendia o tamanho da dor que ele sentiu ao descobrir que ela o desprezava ferozmente, ao perceber que os seus sentimentos se assemelhavam aos dele.

Ela começou a compreender que ele era exatamente o tipo de homem, em disposição e talento, que combinaria com ela. O seu entendimento e temperamento, embora diferente do dela, responderia todos os seus desejos. Era uma união que seria para a vantagem de ambos; pelo poder julgamento, informação e conhecimento do mundo, ela teria recebido um grande beneficio. Ela agora via o beneficio mútuo com aquela união e não pode evitar reconhecer que ele percebeu isto muito antes.

A sua demonstração de carinho desde Sábado não podia ser subestimada quando ela pensava nos motivos para a sua mudança de sentimentos com relação a ele. Ela experimentou como seria ser sua esposa. Sua maneira carinhosa de expressar sua afeição, sua genuína solicitude e lealdade lhe despertavam o sentimento de gratidão. 

A prova de que ele lhe dera valor em seus olhos à fez valorizar ainda mais a afeição que ele sente por ela. Embora ele tivesse objeções ao pensar em se casar com ela, ele decidiu em favor do casamento até mesmo quando todas as razões diziam que ele não devia. Uma vez que fez a sua escolha, ele mergulhou de cabeça, não mostrou nenhum sinal de arrependimento, nem mesmo quando a sua convicção foi posta em teste pela objeção de sua tia. Ao invés disto, ele só demonstrou sua devoção a ela e a fé em sua escolha; e nunca lhe pediu nada. Ainda mais, garantiu-lhe o perdão por algo que ele ainda não tem conhecimento, desafiando a sua própria descrição como uma pessoa que guarda rancor.

Por tudo isto, cresceu em seu peito uma gratidão, assim como o desejo de corresponder-lhe os sentimentos e gestos, e de lhe dar a felicidade que uma vez esteve em seu poder prover, mas que ela teria de negar-lhe no dia seguinte. Ela estava convencida, agora, de que poderia ser feliz com ele, mas estava certa que sua revelação no dia seguinte a impediria de conseguir isto.

Não. Ela conseguiu perder esta oportunidade na quinta-feira passada, quando o recusou. Ela se lembrava mais uma vez que mudar a sua resposta nunca foi uma opção a fazer. Mesmo ele tendo lhe garantido o perdão, ela não poderia esperar por algo a mais. Ela não podia afirmar com toda a certeza que ele fosse perdoá-la porque ele fez tal assertiva sem conhecer a gravidade da causa do perdão. Obter o seu perdão é tudo o que ela podia esperar, e ela sentia que ele teria todo o direito de não concedê-lo. Qualquer coisa além disto estava longe do seu alcance.

Se gratidão e estima são bases do afeto, a mudança de sentimento de Elizabeth não seria improvável ou defeituosa. Mas, caso contrário – se sentimentos originados de tal fonte forem improváveis e incomuns, em comparação aos sentimentos originados à primeira vista, até mesmo antes que duas palavras tenham sido trocadas, nada poderá ser dito em sua defesa, exceto que ela, ao examinar o método para estabelecer a sua amizade com Wickham, percebendo a sua falha, talvez, tenha decidido buscar outros métodos para estabelecer seus envolvimentos. 

Sendo assim, duas descobertas surpreendentes foram feitas por Elizabeth esta noite, uma de felicidade e um de desespero. Ela sabia que ama o Sr. Darcy, mas também sabia que a sua enganação o impediria de refazer a sua proposta de casamento a ela.

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