Quando Elizabeth e a Srta. Darcy chegaram à reitoria, ficaram surpresas ao encontrarem o Cel. Fitzwilliam e o Sr. Bingley lá. Por mais que Elizabeth gostasse da companhia deles, ela não se sentia animada ao encontrá-los. No entanto, ela não pôde fazer nada, a não ser permanecer na companhia deles na salinha de estar.
Elizabeth se encontrou sentada próxima ao Cel. Fitzwilliam e dividiram um momento de conversa privada. Enquanto os outros conversavam, o Cel. Fitzwilliam aproveitou a oportunidade para perguntar a Elizabeth em segredo, “A senhorita está vindo de sua visita a Darcy?”
“Sim, eu consegui passar alguns minutos com ele.”
“E a senhorita conseguiu lhe comunicar aquilo que desejava?”
As bochechas de Elizabeth coraram quando ela replicou, “Não, infelizmente, eu não consegui.”
“A senhorita foi interrompida novamente? Minha tia retornou a Rosings? Eu suponho que posso tentar levá-la até ele amanhã, ou terei de lhe dizer pessoalmente.”
“Nenhum destes planos será necessário. Eu não fui impedida de lhe dizer a verdade por nenhuma interrupção, mas por seu próprio conhecimento da verdade.” O Cel. Fitzwilliam pareceu estar surpreso. Elizabeth continuou, “Ele deixou-me saber que já tinha conhecimento do que eu pretendia lhe contar antes mesmo que eu pudesse começar a falar. Eu esperava que o senhor fosse capaz de me esclarecer como ele tomou conhecimento dos fatos, mas percebo que o senhor parece surpreso, então eu acredito que ele deve ter se lembrado sozinho.”
“Eu não falei com ele sobre isso, com certeza.”
Elizabeth suspirou, “Está feito, de qualquer forma. Ele sabe a verdade.”
A esta altura, o Coronel estava sussurrando. “Eu espero que a sua conversa com ele não tenha sido... desagradável, Srta. Bennet.”
“Não, nós conseguimos nos comportar civilizadamente um com o outro.” murmurou em resposta Elizabeth. “Nenhum de nós, eu acredito, quis a repetição da conversa que tivemos no dia de seu acidente.”
“A senhorita deve estar aliviada que ele sabe a verdade agora.”
“Estou.”
“Eu lhe agradeço por se dar o trabalho de se preocupar com ele. Eu sei como estes últimos dias têm sido estressante para a senhorita, mas a senhorita o suportou graciosamente.”
Elizabeth sorriu, “Obrigada, senhor.”
“Eu suponho que a senhorita esteja ansiosa para partir no Sábado.”
“Eu confesso que estou.” Ela replicou, “Eu sentirei saudades da Sra. Collins e da Srta. Darcy, mas estou ansiosa para ver a minha irmã, Jane, novamente.”
“Parece-me que o Sr. Bingley está ansioso para retornar a cidade também, agora que está seguro de que seu amigo está fora de perigo. Mas eu entendo que a senhorita não estará perdendo a sua sociedade.”
O sorriso de Elizabeth cresceu, “É verdade. Ele prometeu visita-nos na casa dos meus tios. Eu acredito que ficaremos muito contentes de ter a sua companhia.”
“A senhorita não conseguirá escapar-lhe nem mesmo ao retornar para casa, porque ele tem planos de retornar a Netherfield, o que eu acredito ser próximo a sua casa.”
“Sim.” Replicou Elizabeth, vibrando, “São apenas três milhas de Longbourn.” Ela corou, lembrando-se da manhã em que caminhou de Longbourn a Netherfield, e da sua aparência desordenada ao chegar ao seu destino. “Mas eu não tenho desejo de escapar-lhe. A sua volta à vizinhança será bem-vinda.”
Cel. Fitzwilliam sorriu com emoções confusas. Embora tenha aprendido a aceitar o destino daquele casal feliz, não podia evitar sentir-se triste por causa de seu primo. “Estou feliz em ouvir, ele é um jovem homem merecedor.”
“Sim, ele é, Cel. Fitzwilliam.”
“E ele é independente.”
Elizabeth sorriu de novo, “É de se dizer que ele não sofre das privações que o senhor sofre.”
O Cel. Fitzwilliam sorriu da maneira provocativa dela. “Sim e, em conseqüência, ele pode se casar onde bem entender.”
“Um privilégio raro, certamente, Cel. Fitzwilliam.” Elizabeth disse em um tom de voz praticamente de deboche.
“E um feliz.” Replicou o Coronel, “Isto é, se o objeto de sua escolha retribuir os seus sentimentos.”
Elizabeth se alarmou com esta observação e ficou visivelmente frustrada. O Cel. Fitzwilliam percebeu logo a sua transgressão e disse, “Perdoe-me, eu não me referi àquela situação.”
“Está tudo bem.” Ela murmurou, recuperando sua compostura. “Sua observação não estava errada.”
“Eu não acredito que o Sr. Bingley irá encontrar muitos obstáculos neste sentido, no entanto. Ele é tão agradável.”
“Não. Eu não acredito que ele terá problemas neste sentido.”
“E tenho certeza que o meu primo não irá se opor quando o Sr. Bingley fizer a sua escolha, como fizera uma vez antes.”
Embora Elizabeth tivesse discutido tal assunto com Darcy, ela perguntou, bem humorada, “Até mesmo se o Sr. Bingley fizer a mesma escolha?”
“Especialmente se o Sr. Bingley fizer a mesma escolha.” Ele replicou, um pouco preocupado que ela conseguisse falar naquele assunto de forma tão à vontade.
“O senhor sabe, então, a identidade da jovem dama quem o seu primo conseguiu separar de seu amigo?”, Ela quase sussurrou.
“Eu faço uma idéia de quem se trata,” respondeu o Coronel, “embora Darcy e eu nunca tenhamos discutido este assunto abertamente.”
“Eu acredito que agora ele está longe de se opor à escolhida, acredito que ele aprendeu a ficar contente por seu amigo.”, Elizabeth comentou.
O Cel. Fitzwilliam pareceu estar surpreso e estava preste a expressar sua dúvida de que a generosidade de Darcy fosse tamanha tão cedo, quando foi interrompido pelo Sr. Collins, quem queria que ele resolvesse uma questão relacionada ao presente estado do França da qual ele e o Sr. Bingley estavam em dúvida.
A conversa entre os cavalheiros prosseguiu, permitindo que as damas desfrutassem de uma conversa particular, até que o grupo de Rosings partiu.
Na sexta-feira Elizabeth passou o seu dia inteiro com Charlotte. Elas dividiram as horas do seu dia caminhando ao ar livre ou sentadas dentro de casa, conversando agradavelmente. Era tarde do dia quando a Srta. Darcy e o Cel. Fitzwilliam visitaram a reitoria para se despedir de Elizabeth e da Srta. Lucas. Eles explicaram que o Sr. Bingley passaria seu dia com Darcy, já que também estaria indo embora na manhã do dia seguinte. Eles permaneceram na reitoria somente por meia hora, mas o Coronel foi capaz de conseguir passar alguns minutos conversando com Elizabeth reservadamente mais uma vez.
“Eu quero aproveitar esta oportunidade para desejar-lhe toda felicidade, Srta. Bennet. Eu não consigo imaginar alguém que a mereça mais.”
Elizabeth sorriu, “Obrigada, senhor, eu desejo o mesmo para o senhor sinceramente. Eu adorei lhe conhecer durante estes últimos dias.”
“Srta. Bennet, a senhorita parece-me sugerir que a nossa amizade está chegando ao fim, mas eu tenho certeza que os nossos caminhos irão se cruzar no futuro.”
Inicialmente, Elizabeth ficou confusa quanto ao que ele queria dizer, ela não ousava ter esperanças com relação ao seu próprio futuro com Darcy. Mas então percebeu que ele devia estar se referindo ao iminente casamento do Sr. Bingley com Jane, no qual é provável que ela volte a se encontrar com a família do Sr. Darcy por causa da amizade entre os dois cavalheiros. Havia também a questão de sua amizade com a Srta. Darcy, com quem, ela não tinha dúvidas, manteria contato.
Ainda assim, ela não desejaria se impor a Darcy através de nenhum destes contatos. Ela replicou, “Eu tenho esperanças de que possamos nos encontrar novamente, Cel. Fitzwilliam, mas não posso dizer com toda certeza de que irá ocorrer.”
Ao fazer tal comentário o Cel. Fitzwilliam estava, certamente, pensando no casamento de Elizabeth com Bingley. “Vamos, Srta. Bennet,”, ele começou, com um sorriso convencido, “eu acho que nós dois podemos ter certeza dos caminhos no seu futuro.”
Elizabeth ficou alarmada com a ousadia de seu comentário. “Meu futuro, senhor?”, ela perguntou, confusa.
“Certamente,”, ele riu, “a senhorita não precisa fingir que não me entende. Mas este é o jeito das damas, elas não admitem os seus sentimentos por nada.”
Elizabeth ficou ruborizada ao ouvir tamanha referencia às suas esperanças, ao perceber que o Cel. Fitzwilliam estava mesmo se referindo a ela e ao Sr. Darcy. Ela se recordava da conversa que tiveram no dia anterior e tentava descobrir se havia dado alguma evidência de que se sentia desapontada com o resultado da conversa que teve com Darcy. Ela, naquele momento, tentara controlar suas expressões de emoções, mas, aparentemente, ele foi capaz de lê-la. Que ele conseguia acreditar que ela e o Sr. Darcy ainda podiam ficar juntos era extraordinário.
Instintivamente, ela desejava acabar com as suspeitas do Coronel quanto aos seus sentimentos. Mas, então, lembrou-se de como se arrependera por não ter conseguido dar indicações de seus sentimentos a Darcy. Ela odiava a idéia de usar o Coronel neste sentido, mas tinha poucas escolhas e não desejava deixar Kent com Darcy acreditando que ela não gosta dele.
“O senhor presume conhecer o coração de uma dama, senhor?”, ela disse, enfim.
O Cel. Fitzwilliam olhou ao seu redor, e murmurou, “Eu conheço o olhar de uma mulher apaixonada, Srta. Bennet.”
As bochechas de Elizabeth ficaram ainda mais vermelhas, confirmando ao Coronel de que ela não desconhecia aqueles sentimentos. “E é de sua convicção de que estes sentimentos meus nos levarão a nos reencontrar no futuro?”
“Sim, a não ser que o objeto de sua afeição vier a mantê-la reclusa da sociedade.”
Elizabeth não evitou a risada que se desencadeou desta perspectiva, embora sentisse que a conversa tornara-se muito pessoal. Ela tentou por um ponto final nela ao dizer, “Eu espero de coração, Cel. Fitzwilliam, que nós consigamos nos reencontrar.”
O Cel. Fitzwilliam percebeu a veemência em suas palavras e o brilho em seus olhos, enquanto ela lhe revelava suas esperanças. Ele sorriu, “Eu não tenho dúvidas de que teremos este prazer, minha querida Srta. Bennet.”
Ela sorriu em resposta e ele, então, sugeriu a Georgiana que era hora de retornar a Rosings, para se prepararem para o jantar.
Durante a sua última noite em Hunsford, Elizabeth conseguia pensar em poucas coisas além do Sr. Darcy. Que ele continuava a amá-la apesar de sua enganação, ela não tinha dúvidas. Tendo agora a oportunidade de avaliar as implicações do Cel. Fitzwilliam ao acreditar que ela se casaria com Darcy, ela se perguntava se Darcy teria dito algo ao Coronel para que ele ficasse tão confiante da perspectiva desta união. Ela dormiu esperançosa de que ela e Darcy se reencontrassem em algum momento no futuro, talvez no casamento de Jane e do Sr. Bingley, e com a renovação de sua proposta de casamento como resultado deste novo encontro.
Durante a manhã do dia seguinte, Elizabeth despertou com sentimentos mistos de tristeza e esperança. Como o resto dos habitantes daquela casa ainda dormiam, ela aproveitou aquela oportunidade para passear uma última vez pelo bosque. Ela olhava tudo ao seu redor com tristeza, lembrando-se de tudo o que ocorrera durante esta sua visita. Ela recordou os seus passeios com o Sr. Darcy por aquele mesmo bosque, de como ela não gostara desta situação naquele momento. Ela sabia que ele tinha caído do cavalo em algum lugar por ali e ficou pensando em tudo o que aconteceu desde este episodio, em como os seus sentimentos tinham mudado drasticamente.
Enquanto ela fazia uma curva em seu caminho, perdida em seus pensamentos, uma figura alta de um homem foi revelado em sua frente. Ela suspirou, surpresa. Ele virou-se para fitá-la. Era exatamente o objeto de seus pensamentos.
“Srta. Bennet. Eu estive caminhando por este bosque há algum tempo na esperança de encontrá-la.” Ele disse à medida que eles se aproximavam.
“Sr. Darcy. O senhor está bom o suficiente para ficar andando por aí?”
Ele sorriu, “Sim, eu estou bem contanto que não faça nenhum movimento repentino.”
“O senhor não andou até aqui desde a mansão?”
“Não, minha carruagem me espera na estrada.” Ele replicou, indicando a direção certa.
“Sobre o que o senhor deseja conversar comigo?” Ela perguntou, apreensivamente.
“Eu... não fiquei... satisfeito com a conclusão do nosso último encontro.”
“O senhor deseja, então, retirar o seu perdão?”
Darcy sorriu, suavemente, “Não, Srta. Bennet. A senhorita persiste em não me compreender. Eu desejo, apenas, implorar pelo seu perdão.”
A surpresa de Elizabeth era evidente. “Pelo que?”
“Eu falei com a senhorita de forma grosseira no nosso último encontro... e no dia do meu acidente.”
“O senhor tinha todo o direito de estar zangado quando nos falamos pela última vez.”
“Não, eu não tinha. A senhorita me dispensou todas as gentilezas desde que me acidentei. Eu não merecia sua consideração depois do jeito que lhe tratei na semana passada, e ainda assim as suas ações desde então foram guiadas por compaixão e bondade. Foi errado da minha parte culpá-la pelo meu mal-entendido.”
“Sr. Darcy, se o senhor deseja perdão pela sua raiva justificada na quinta-feira o senhor o tem, embora eu não acredite que o senhor precise. Eu acho muito generoso da sua parte esquecer sua raiva assim tão facilmente.”
“Foi um tormento para mim ficar com raiva da senhorita de qualquer forma. Eu lhe agradeço pelo perdão quanto a minha atitude nesta quinta-feira, embora tenha pedido pela forma que agi na semana passada também, mas aquela foi uma transgressão mais grave. Eu entendo se a senhorita não puder me perdoar. Meu comportamento com a senhorita naquele episodio – minhas ações, minha postura, minha forma de expressar durante todo o evento – merece toda a reprovação, eu não consigo pensar a respeito sem me revoltar.”
“Eu não posso discordar de sua discrição, mas não são só as suas ações que merecem reprovação. Eu abusei do senhor abominavelmente. O meu tratamento ao senhor foi tão horrível que o levei a se comportar de forma irracional e se acidentar.” Ela começou a tremer com o peso do sentimento de culpa.
Ele, rapidamente, deu um passo em sua direção e tomou as suas mãos. “A senhorita não deve se culpar pelo meu acidente.” Elizabeth desviou o seu olhar do olhar preocupado dele. “Não foi sua culpa. Eu devia saber como agir. Eu sabia como agir.” Ela ergueu o olhar para ele hesitante, enquanto ele prosseguia, sinceramente. “A culpa é inteiramente minha pelo meu acidente.” De repente, percebendo que ainda segurava suas mãos, ele as soltou relutantemente. “Não há falha em seu comportamento durante aquela tarde. A senhorita tentou ser rápida e gentil em sua recusa, mas eu a provoquei a falar suas razões; e nada do que a senhorita falou a meu respeito foi desmerecido.” Elizabeth ficou em silêncio e desviou o olhar dele novamente. “Mas”, ele continuou, “eu tenho motivos para ter esperanças de que a sua opinião a meu respeito melhorou. E, como eu sei que a senhorita é muito generosa para brincar comigo, eu espero que a senhorita confirme se isto é verdade ou não.”
O coração de Elizabeth começou a bater apressado. “O senhor está certo, senhor.” Ela replicou, sem olhar para ele. “Eu aprendi que estava errada ao julgar o seu caráter da forma que o fiz.”
Ele sorriu. “Eu sei que Georgiana e o Cel. Fitzwilliam fizeram algumas revelações que lhe ajudaram a desfazer a falsa impressão que a senhorita tinha do meu tratamento do Sr. Wickham. E nós já discutimos, e espero, resolvemos o assunto referente à minha injustificada e autoritária intromissão na relação de Bingley e sua irmã.” Elizabeth sorriu. “Restando somente a minha arrogância, minha presunção e meu egoísmo...”
“Mas o senhor não é nada disso.”, ela disse com zelo, “Eu nunca devia ter lhe dito tais coisas.” Quando ela percebeu como a sua defesa repentina dele devia aparentar, ficou ruborizada.
“Não.”, ele replicou, gravemente, “A senhorita estava certa ao meu respeito.” Elizabeth ficou assombrada. Ela queria protestar, mas foi rendida ao silêncio com a declaração dele. Ele continuou, “Eu fui todas estas coisas. Eu não tenho expectativas, ou até mesmo desejo que a senhorita mude neste sentido a sua opinião. Na verdade, eu estou em divida com a senhorita por ter aberto os meus olhos para os meus defeitos. E tenho toda a intenção de me aproveitar desta lição para me aprimorar.” Elizabeth continuou a fitá-lo com uma admiração não disfarçada à medida que cada palavra dele só aumentava a sua surpresa.
Quando Darcy olhou dentro dos olhos dela, ele finalmente conseguiu ver neles o que ele tanto procurava. Ele suspirou audivelmente ao olhar nos olhos dela. Ele tinha vindo a sua procura esta manhã com esperanças, mas a espontânea e árdua defesa dela de seu caráter contra as suas próprias criticas – a razão pela qual ela afirmara que nunca o aceitaria – lhe deu algo além da esperança. Deu-lhe segurança. E qualquer dúvida que ele podia ainda ter foi dissolvida diante daquele olhar.
Ele ergueu a sua mão quase involuntariamente e tocou-lhe a face suavemente com os dedos. Ela ficou emocionada com a sensação do seu toque e fechou os olhos sem perceber. Isto foi o suficiente para ele. Logo em seguida ela sentiu a maciez do calor dos seus lábios tocando os dela levemente. A sensação que este gesto evocou em Elizabeth, sem o peso da culpa que ela sentia da última vez que isto aconteceu, trouxe-lhe apenas prazer.
Isto lhe pareceu tão natural, tão correto, que ela não conseguiu impedi-lo. Após um breve momento, no entanto, ele parou sozinho. Ela abriu os olhos para olhá-lo sorrindo e ele ficou aliviado e satisfeito quando ela sorriu em resposta. Ele soube que ela era dele. “Eu te amo, Elizabeth”, ele disse.
O coração dela se preencheu de alívio e felicidade. “Ainda?”
“Eu espero que a senhorita não ache que os meus sentimentos são assim inconstantes,” então ele sorriu, humildemente, e disse, “embora eu certamente espero que os seus sejam. Posso supor, por sua adorável resposta a minha... demonstração excessiva de carinho, que a senhorita mudou de idéia quanto a se casar comigo?”
Elizabeth sorriu e respondeu, “Sim, eu mudei de idéia.”
Darcy suspirou audivelmente, aliviado, enquanto uma expressão de pura felicidade se apoderava de seu rosto. Elizabeth ergueu a sua mão ao rosto dele e, levando o próprio rosto para muito perto do dele, murmurou, “Eu te amo.”
Não havia outra resposta a declaração dela a não ser beijá-la, mais ardentemente que antes. Da sua parte, ela não podia ficar mais satisfeita com a forma que ele escolheu em expressar seu contentamento com a sua declaração.
Pouco tempo depois, eles interromperam a atividade agradável em que se ocupavam e Darcy perguntou a ela, “Como, Elizabeth?”
Ela ficou pensativa por um momento, então disse, “Desde Sábado, eu conheci o seu verdadeiro caráter, não só através de seus familiares, os quais disseram muito a seu favor, mas também pela minha própria observação do senhor. O senhor me defendeu admiravelmente de sua tia, e o senhor foi perfeitamente adorável durante cada uma de minhas visitas. O seu carinho e atenção para comigo, juntamente com as informações de sua bondade por sua família, sobrepuseram os meus sentimentos de desaprovação. Eu logo percebi que o senhor é o melhor homem que já existiu.”
Ele riu baixinho e disse, “Eu não posso concordar. Como eu disse, havia justiça na sua previa opinião sobre mim. Meu comportamento enquanto estive em Hertfordshire não foi como deveria ter sido. Eu me senti como se fosse superior às minhas companhias e os desdenhei.” Ele parou por um momento, em contemplação, e disse, “Eu acredito que fui muito mimado quando criança, e ensinado a pensar mal daqueles fora do circulo de amigos da minha família. Meus pais foram excelentes pessoas que me ensinaram bons princípios; mas fui deixado para segui-los de forma orgulhosa e presunçosa. Mas a senhorita não aceitou nada disso, minha querida amada Elizabeth. A senhorita me mostrou o quanto insuficiente eram todas as minhas pretensões de agradar uma mulher que merece ser agradada. A senhorita precisa de maior prova de que a sua primeira opinião a meu respeito estava correta além da forma com que agi com a senhorita na tarde de terça-feira passada? Eu lhe ofendi e lhe insultei ao lhe propor casamento, e então, ao invés de aceitar a sua recusa e me retirar da reitoria, permitir-me ser guiado pela raiva.”
“Mas se nós não tivéssemos discutido, eu não acredito que os eventos teriam evoluído de forma a resultar neste momento feliz em que nos encontramos agora.”
“O resultado alcançado pelo meu acidente, então, tornou-o de grande serventia.”
“Eu não quis insinuar que fiquei contente que o senhor tenha se acidentado.”
“Não quis? Eu suponho que a compreendi errado. Talvez devêssemos tentar outra forma de comunicação?”
Ele a beijou antes que ela pudesse responder, mas sentiu o sorriso dela em seus lábios. Quando eles se separaram, ela disse, “Agora o senhor deve responder a minha pergunta. Como o senhor ficou sabendo da verdade?”
“Eu me lembrei.” Ela pareceu estar surpresa. “Quinta-feira de manhã quando acordei, eu, simplesmente, lembrei de tudo, e percebi que o que eu acreditava ser um sonho era, na verdade, uma memória.” Sua expressão ficou triste à medida que recordava seus sentimentos naquele momento. “Foi devastador, Elizabeth. Tudo com que sonhava e que planejei, meu futuro estava destruído.”
“Eu sinto muito que tal revelação tenha lhe causado tanta dor. Eu confesso que tinha dúvidas se o senhor ficaria aliviado ou triste ao saber a verdade. Mas, se fosse o último caso, eu esperava conseguir lhe assegurar dos meus sentimentos ao lhe revelar a verdade.”
“A senhorita realmente acreditou que eu ficaria aliviado?” Ele perguntou, incrédulo.
“Eu achei possível.”
“Eu suponho que não é de se admirar após tudo o que eu já havia lhe dito. A senhorita tinha tantas dúvidas e ainda assim ficou preocupada se eu sofreria. E eu retribuí a sua compaixão com raiva.”
Elizabeth ergueu um dedo até os seus lábios para silenciá-lo e disse, “Isto já foi perdoado, portanto, não deve ser mais mencionado.”
“Outro exemplo de sua generosidade.”
Elizabeth sorriu. “E o senhor veio aqui esta manhã somente para implorar o meu perdão? Ou o senhor tinha outros planos em mente?”
“A senhorita deve saber que eu pretendia ganhar a sua mão também. Eu precisava falar com a senhorita antes que a senhorita deixasse o condado.”
“Mas o senhor esperou até o último momento possível. O senhor estava incerto de seus sentimentos após saber a verdade ou, simplesmente, desejava manter a nós dois em suspense?”
“Meus sentimentos e desejos não se modificaram, Elizabeth. Quando me dei conta de que não estávamos noivos e lembrei-me das coisas que a senhorita me disse, no entanto, perdi todas as esperanças de que a senhorita pudesse me corresponder. Foi somente ontem à noite que eu pude me permitir considerar esta possibilidade.”
“O que aconteceu ontem à noite para causar tamanha mudança?”
“Eu conversei com o Cel. Fitzwilliam. A conversa começou por causa de seu receio de que eu ficaria com coração partido por causa dos seus sentimentos e iminente casamento com Sr. Bingley.”
“O que?”, ela exclamou.
“Eu soube ontem que o meu primo estava convencido desde a chegada de Bingley na Segunda de que a senhorita e ele estavam apaixonados; e que a senhorita era a jovem dama quem eu separei de Bingley. Ele até suspeitou que eu o fizera por motivos egoístas.” A surpresa de Elizabeth era evidente. Esta era uma revelação inacreditável. Isso esclarecia certas afirmações do Cel. Fitzwilliam para ela.
Darcy continuou, “Uma vez que eu entendi sobre o que ele estava falando, eu comecei a rir. Ele não acreditou quando eu o assegurei de que ele estava errado no começo. Ele acreditava que eu estava me iludindo. Quando eu finalmente revelei a verdadeira identidade do objeto da afeição de Bingley, ele parou de duvidar de mim. Então ele começou a me relatar, com bastantes detalhes, a conversa que teve com a senhorita ontem e quinta-feira. Quando eu analisei as minhas conversas com a senhorita juntamente com as revelações feitas por ele, comecei a perceber as indicações de seus sentimentos. Eu considerei tudo cuidadosamente e quando fui dormir estava confiante de que a senhorita poderia me amar e estava decidido a saber a verdade da senhorita assim que fosse possível. Eu cometi o erro de achar que conhecia seus sentimentos no passado e estava hesitante quanto a cometê-lo uma segunda vez, mas ao avaliar cada uma das circunstâncias eu não conseguia encontrar nenhuma outra resposta a não ser aquela que desejava. Eu me lembrava do carinho e preocupação com que a senhorita conversara comigo na quinta-feira. Eu me lembrei das palavras que a senhorita repetiu para mim, as palavras que eu lhe dirigira quando estava carregado de sentimentos pela senhorita. Eu também sabia que se a senhorita se sentisse indiferente a mim não buscaria ganhar o meu perdão. Eu considerei cuidadosamente à revelação do Cel. Fitzwilliam de que a senhorita não negou estar apaixonada. E como eu sabia que a senhorita não poderia estar apaixonada por Bingley, eu só pude concluir que existia uma chance da senhorita estar apaixonada por mim. A idéia de que a senhorita poderia ter se apaixonado pelo Cel. Fitzwilliam passou por minha cabeça; mas ao recordar da maneira como a senhorita agia comigo eu não consegui detectar nenhuma evidência deste envolvimento. Eu sabia que a senhorita demonstraria sinais de desconforto perto de mim se este fosse o caso. Todos os fatos comprovavam que a minha esperança era justificada e agora ela foi atendida.”
Ele encerrou este discurso com um beijo e então a abraçou.
“O senhor pensou muito nisto.” Elizabeth disse.
“Eu não pensei em mais nada.” Ele replicou.
Eles ficaram abraçados em silêncio por alguns minutos, até que Elizabeth percebeu que precisaria retornar a reitoria. Eles concordaram em não tornar o seu noivado público até terem conseguido o consentimentos do Sr. Bennet, embora Darcy contaria a Georgiana e ao Cel. Fitzwilliam, e Elizabeth contaria a Jane.
Eles se separaram relutantemente após trocarem mais alguns beijos e palavras de carinho. Darcy retornou a Rosings e Elizabeth a reitoria, com os seus corações cheios de felicidade. Elizabeth embarcou na viagem que acreditara que enfrentaria com angustia, mas que agora era feita com uma chama de felicidade, refletindo a sua atual situação o caminho inteiro até Londres.
A felicidade de Darcy era tamanha que ele se deixou convencer por Georgiana e pelo Cel. Fitzwilliam a permanecer em Rosings, apesar de sua tia. A irmã e o primo de Darcy ficaram contentes com a noticia e satisfeitos ao perceberem que seus esforços rederam frutos. Após mais uma semana, Darcy se sentiu bem o suficiente para viajar até Hertfordshire. A sua conversa com o Sr. Bennet foi curta e com o intuito de alcançar o propósito que Elizabeth houvera informado ao seu pai através de uma carta.
Quando ele retornou a Londres, Darcy levou Georgiana para visitar Elizabeth na casa dos Gardiners e o Cel. Fitzwilliam o acompanhou. O Sr. Bingley estava lá, visitando Jane, e o Cel. Fitzwilliam teve a confirmação da informação de Darcy quanto à relação entre os dois.
Quando o noivado entre Darcy e Elizabeth foi anunciado àquela noite, o Sr. Bingley ficou muito surpreso e seu olhar direcionado ao Cel. Fitzwilliam indicou em que sentido as suas suspeitas caiam. Mais tarde, Darcy e Elizabeth expressaram seu divertimento com tais circunstâncias.
Elizabeth e Jane retornaram a Longbourn durante a primeira semana de Maio, quando a primeira foi recebida com muita excitação por parte de sua mãe e uma postura mais cautelosa por parte de seu pai. Elizabeth conversou seriamente com ele e dissolveu suas dúvidas quanto à prudência em sua escolha.
O Sr. Bingley e o Sr. Darcy retornaram a Netherfield ao mesmo tempo, e o primeiro ficou noivo de Jane no período de um mês. Os casamentos ocorreram em um dia claro, muito agradável, no meio do mês de Agosto, trazendo toda a felicidade a Sra. Bennet e uma mistura de prazer e tristeza ao seu marido.
Os dois casais viveram seus dias contentemente. Os Bingleys permaneceram em Netherfield por um ano apenas e depois compraram uma propriedade em Derbyshire menos de trinta milhas de Pemberley. De sua parte, Elizabeth estava feliz com a sua nova morada, que era onde Georgiana passou a residir também após o casamento. As duas damas vieram a se amar como verdadeiras irmãs, atendendo à esperança de Darcy.
Kitty e Lydia eram constante visitas na casa de suas irmãs, mas nunca juntas. Elas melhoravam tanto quando separadas e sob o cuidado de alguém zeloso, que ambas ganharam o orgulho de seu pai com o aprimoramento de suas maneiras, e a felicidade de sua mãe, ao se casarem bem.
Mary permaneceu em casa e eventualmente se casou com um jovem homem de Meryton. Cel. Fitzwilliam era grande freqüentador de Pemberley e sempre foi sensível a gratidão de ambos os Darcys, que consideravam-no um instrumento importante para sua união após o acidente de Darcy.
FIM
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