Epilogo
Darcy apreendeu com os seus antigos erros e não os repetiu mais. Agradeceu a nova oportunidade que a vida estava lhe dando e aproveitou-a ao máximo. Assumiu perante familiares e amigos o amor que sentia por Elizabeth e reconquistou a sua confiança aos poucos.
Um ano depois, Darcy acordaria na manhã do dia 1º de janeiro com aquela mulher maravilhosa nos braços, na sua cama em seu apartamento. E notaria pela primeira vez que ela estava usando a jóia que há muito lhe presenteara, juntamente com um profundo e sincero pedido de desculpas.
Não se conteve e acordou-a, cobrindo-a de beijos. Já fazendo milhares de planos para o casamento. O qual fez questão de não perder mais tempo e oficiá-lo dentro de seis meses apenas, num finalzinho de tarde de verão nos terrenos coberto de flores da casa de campo de sua família – Pemberley.
O futuro ainda lhe reservou muitas surpresas. Como quando Richard procurou-o em uma ocasião para ter uma conversa privada. O seu primo estava atormentado e nervoso. Não falava nada coerente e pedia milhares de desculpas a Darcy, sem querer esclarecer de imediato o porquê de estar se desculpando. Apenas garantindo que não tivera a intenção, apenas não pudera evitar.
Darcy temia muito que este momento um dia chegasse. Não conseguira se esquecer do sonho que um dia tivera e que lhe abrira os olhos. Nele seu primo se apaixonava por Elizabeth e acabava se casando com ela. Embora possuísse uma leve desconfiança que Darcy a amava em segredo.
A sra. Reynolds lhe afirmara neste mesmo sonho que fora algo que escapara das mãos de Richard. Algo que ele não pudera evitar – apaixonar-se por Elizabeth.
Mas Darcy tinha esperanças de que isto não viesse a acontecer, já que ele a reconquistara e casara-se com ela. Seu primo não viria a se apaixonar por sua esposa, viria?
E ali estava ele, pedindo-lhe desculpa pelo que Darcy deduzia ser justamente isto. O inevitável. Aquela paixão irrefreável, como o seu primo mesmo definira.
E, no entanto, o seu choque fora outro e igualmente espantoso, quando Richard confessou amar a sua irmã, Georgiana, e não a sua esposa. Declarando de imediato suas intenções sérias e dignas – prometendo-lhe pedi-la em casamento assim que concluísse seus estudos universitários e fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para fazê-la imensamente feliz.
E, realmente, faria. Ao deparar-se com as complicações de Georgiana para engravidar, Richard permaneceu ao seu lado e a apoiou. Enfrentaram um longo tratamento, sem que possuíssem uma garantia de sucesso. E, ao fim, adotariam duas crianças, as quais ambos amariam como seus filhos legítimos.
Outra surpresa teria quando sua prima, Anne, anunciou para sua tia Catherine e demais membros da família – incluindo seus pais biológicos – que estava apaixonada por Charlotte Lucas e que pretendia viver com ela. Algo que Darcy viera a perceber, não surpreenderia Georgiana e nem mesmo Elizabeth.
Darcy não sabia como o seu destino ao lado de Elizabeth fora responsável por mudar o futuro de tantas pessoas. Podia compreender que sua irmã ganhou muito com a companhia constante de Elizabeth. Georgiana adquiriu mais confiança em si mesma e conseguiu fazer com o que Richard a olhasse e a visse como uma mulher, ao invés da menininha que Darcy sempre enxergou nela.
Mas Anne permaneceu-lhe uma incógnita por muito tempo. Até o dia em que a prima lhe confessou que fora inspirada nele que teve coragem para assumir-se perante familiares e amigos. Via o amor e felicidade que Darcy encontrara ao lado de Elizabeth e percebeu que não podia negar a si mesma a chance de viver o seu amor ao lado de Charlotte.
E ao vê-lo aceitar o relacionamento de Georgiana e Richard, quando sabia que Darcy sempre imaginara que eles se amassem como irmãos, teve esperanças de que algum dia Catherine e seus próprios pais viessem a aceitá-la como é e perceber que somente Charlotte poderia fazê-la feliz.
Outras coisas, no entanto, não o surpreenderiam tanto. Como quando sua tia finalmente cansou-se de manter seu relacionamento com Robert Collins em segredo e resolveu deixar a viuvez, casando-se novamente.
Ou como o nascimento do segundo filho de Jane e Charles, o qual finalmente descobriu chamar-se Heitor. Ele viria a se juntar a Arthur em suas travessuras e, mais tarde, acolheriam mais um membro nas brincadeiras.
Este membro, no entanto, teria uma importância significativa na vida de Darcy. Três anos após casados, Elizabeth e Darcy teriam mais uma benção a sua união.
Sempre que pensava nos filhos que queria ter, lembrava-se da pequena menininha de cabelos castanhos encaracolados na altura dos ombros e olhos azuis. Mesmo sabendo que naquele sonho estivera diante da suposta filha de seu primo com Elizabeth, não conseguia apagar em seu íntimo o desejo de que ela fosse, na realidade, sua.
Na ultrassom após a vigésima semana de gestação, olhando para o visor e fitando a imagem daquele lindo bebê em formação, Darcy ainda se emocionava ao ouvir as batidas fortes daquele coraçãozinho – como se estivesse o ouvindo pela primeira vez.
O obstetra moveu o aparelho sobre o abdômen de Elizabeth e chamando a atenção de ambos os pais para um detalhe na tela, disse.
--Olhem bem para a sua menina. – Calorosamente.
Darcy ouviu Elizabeth arfar ao seu lado e apertar mais forte sua mão. Mas permaneceu fitando a tela do aparelho de ultrassom. Seus olhos se encheram de lágrimas, disse.
--Olá, Abby! – Com a voz embargada de emoção.
--Como você sabia? – Elizabeth perguntou-lhe, ainda admirada.
Darcy virou o rosto em sua direção e viu que ela também tinha os olhos cheios de lágrimas, assim como em seu rosto estava estampado a sua alegria. Aproximou-se mais dela e beijou-lhe a boca com amor. Ela é sua. As duas são.
Fim.
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