Parte VI
O locutor do rádio anunciou o fim de sua programação, declarando que era meia noite. O dia de Véspera de Natal estava começando e outro locutor estaria assumindo a liderança com um novo programa.
Os comerciais anunciando promoções de fim de ano não lhe chamaram a atenção em momento algum. Nada do que estava ouvindo naquele instante era registrado em sua mente. Nem mesmo quando outro locutor deu inicio ao programa seguinte, começando a tocar hits de grande sucesso, novos e antigos.
Darcy, distraído, ergueu-se do sofá e caminhou pelo corredor escuro até o seu quarto. A escuridão do ambiente não lhe incomodava. Na verdade, sentia-se a vontade. Pois era assim que se sentia por dentro.
Deitou-se na cama e respirou fundo. O barulho distante do rádio ligado na sala de estar preenchia as paredes daquele apartamento, mas não conseguia alcançá-lo no desespero de sua alma.
Darcy perguntava-se o que Elizabeth estaria fazendo agora. Sabia que estava na casa de campo de Bingley, passando as festas de fim de ano em família. E imaginou que devia estar reunida a sala de estar, aquecida pela lareira, conversando e aproveitando a companhia dos seus entes queridos.
A sra. Bennet viria a lhe questionar sobre os seus planos para o futuro e quando Elizabeth lhe apresentaria o seu mais novo genro. Chegaria a reclamar por Elizabeth estar sozinha ainda aos 28 anos. E planejaria lhe apresentar algum pretendente que acreditasse ser um bom partido para a filha, desde já lhe elogiando e enumerando as suas qualidades.
Darcy perguntava-se se ela aceitaria conhecer este individuo. Embora Elizabeth não seguisse à risca os planos de sua mãe, agindo com muita independência na sua vida, sabia que um dia ela conhecerá alguém com quem passará o resto de sua vida. Se já não o tivesse conhecido.
Darcy admitia que o fato de que Elizabeth não ter reatado com Wickhan havia acendido uma fagulha em seu peito. E a garantia de Charles de que Elizabeth estava sozinha desde o aniversário de dois anos de Arthur, quando os viu se beijando – e, por isso, acredita que haja algum resquício de esperança para Darcy reconquistá-la – poderia ser considerado um ponto positivo a seu favor.
Mas Darcy sentia medo de estar se iludindo quando pensava em procurá-la mais uma vez. Quantas vezes tentou e não conseguiu nada? Quantas vezes mais seu coração agüentaria ser rejeitado?
Uma angustia sem limites o dominou ao imaginá-la entrando na igreja vestida de noiva e se entregando a outro alguém. Alguém que não a amaria da forma desesperada que ele a ama e sempre a amará. Alguém com quem ela terá filhos e construirá uma vida em comum. E ele não poderá fazer nada para impedir.
Como poderia encará-la, vê-la seguir adiante com a sua vida e ser feliz com outro, quando sonha com ela todas as noites e anseia por ela com todo o seu corpo, alma e coração? Quando deseja com todas as suas forças ser aquele com quem ela sonha. Ser aquele com quem ela viverá. Pai dos seus filhos e seu marido.
As horas avançavam madrugada adentro e Darcy mal fechava os olhos. Podia ver que o dia estava nascendo quando o seu quarto começou a clarear, graças à fresta de luz entre as cortinas parcialmente abertas. As formas de seus objetos de estimação começaram a ficar distintos uns dos outros, ao invés dos borrões e contornos que antes divisava.
Um barulho do lado de fora do seu quarto capturou sua atenção momentaneamente. Mas como tudo ficou em silêncio em seguida, não foi averiguar. Sabia estar sozinho.
Ou assim acreditava. Até que a sra. Reynolds entrou em seu quarto de forma energética, dizendo:
--De pé, homem, você irá se atrasar!
Indo até a porta da varando do seu quarto e abrindo totalmente as cortinas, permitindo que a luz do dia da Véspera de Natal iluminasse o ambiente por completo.
--Sra. Reynolds? O que a senhora está fazendo aqui? – Darcy perguntou, sentando-se na cama e vigiando cada movimento da senhora. – Eu lhe dei folga ainda ontem.
--De pé, já disse. – Ela resmungou, autoritária. – Você já está atrasado. – Ela entrou em seu closet e voltou minutos depois, entregando-lhe um par de jeans e uma camisa de frio de lã. – Eu tenho muito que fazer e ainda tenho que cuidar de você como se ainda tivesse dez anos. – E seguiu em direção a saída do quarto.
Darcy ficou estático por um segundo, depois olhou para as roupas que a senhora jogara em sua direção. Finalmente percebendo que estava praticamente nu. A sra. Reynolds o vira de cueca. Sentiu-se estranho e constrangido. Nunca cometera a imprudência de aparecer diante de seus empregados com trajes tão íntimos antes.
Pôs-se de pé e começou a se vestir, afobado. Era muita audácia da sra. Reynolds falar com ele daquela forma. Afinal, não era seu patrão? Nunca presenciara tamanha falta de respeito de sua parte. Sequer um comportamento inadequado, mesmo que de menor gravidade. E, no entanto, a mulher entrou em seu quarto, praticamente o arrancou da cama pelado e o destratou ao mesmo tempo.
Precisava ter uma conversa muito séria com ela. Este tipo de comportamento não podia voltar acontecer em hipótese alguma.
Saiu do quarto a sua procura. Cruzou o corredor, seguindo em direção à cozinha. Quando se aproximava, viu a sra. Reynolds surgir a porta.
--Ande logo. Não fique aí arrastando os pés. – Ela ordenou, entrando na cozinha novamente e sumindo do seu campo de visão.
--Sra. Reynolds, nós precisamos ter uma conversa muito séria. – Darcy apressou os passos, seguindo-a.
Mas ao parar diante da porta da cozinha, vislumbrou um ambiente totalmente desconhecido. Não via a cozinha do seu apartamento ou qualquer outro cômodo que lhe fosse familiar. Estava diante de uma sala espaçosa, cuidadosamente decorada com árvore de Natal e enfeites coloridos.
Uma ampla janela de vidro dava visão a um jardim com árvores cobertas de neve e com piscas-piscas. O céu lá fora estava escuro e flocos de neve preenchiam o ar.
Uma menina de cabelos castanhos encaracolados, na altura dos ombros, rodeava a árvore de natal, contando bolas vermelhas. Ela devia ter cinco anos, Darcy calculou em mente, pela altura da menina e por sua perfeita pronuncia das palavras e conhecimento dos números.
--Vamos, Abby, já está tarde. E você já devia estar na cama. – A voz de Elizabeth soou às suas costas e Darcy voltou-se para ela, sobressaltado.
Elizabeth ultrapassou-o, como se ele fosse um fantasma, e entrou na sala. Darcy assustou-se com o ocorrido e, confuso, voltou-se novamente na direção que ela tinha ido. Assistindo-a se aproximar da menina.
--Mas, mãe, ainda está cedo. – A menina reclamou, dengosa, fazendo biquinho.
Darcy viu a semelhança entre as duas e sentiu um arrepio percorrer o seu corpo ao ouvir a menina se dirigir a Elizabeth por “mãe”.
--E quanto mais cedo você for para cama, mais cedo o Papai Noel virá colocar os seus presentes debaixo da árvore de Natal. – Elizabeth argumentou, inclinando-se para a menina e a carregando no colo. – Nossa, você está pesada. – Fingiu descontentamento com o fato.
Mas a menina parecia conhecer seus truques e não desistiu da conversa anterior.
--Mãe, eu não sou nenhum bebê de colo. – Replicou com uma confiança que Darcy só vira em Elizabeth antes. – Eu sei que Papai Noel não existe. Que são a senhora e papai quem compram os meus presentes.
Elizabeth veio com a menina nos braços em sua direção, ultrapassando-o pela segunda vez como se ele não existisse. Darcy seguiu-as de perto pelo corredor, até um quarto infantil, com paredes pintadas na cor lilás e decorações de bailarinas.
Elizabeth colocou a menina na cama e a cobriu com o edredom.
--Mais um motivo para você se comportar bem, não Abigail? – Elizabeth argumentou. – Ou como espera ganhar tudo o que deseja de Natal se não obedecer a mim e ao seu pai?
Formou-se um biquinho de inconformidade na boca da Abigail, porque sabia que não teria como argumentar com a mãe neste ponto.
--Agora, tenha uma boa noite de sono. – Elizabeth disse, beijando-lhe a testa e ligando um abajur de borboletas que ficava girando e projetando as imagens nas paredes do quarto.
Elizabeth ergueu-se da cama e se caminhou até a porta, acionando o interruptor da luz e a desligando. Depois segurou a maçaneta de porta, com o intuito de fechá-la ao sair do quarto.
A menina exclamou antes que saísse.
--Não irá cantar para eu dormir? – Parecendo estar surpresa por Elizabeth querer ir embora tão longo.
Elizabeth sorriu-lhe meigamente e voltou para dentro do quarto, sentando-se novamente na beirada da cama. Darcy imaginou que aquele devia ser um ritual diário entre mãe e filha.
--O que quer que eu cante hoje, Abby? – Elizabeth perguntou, recostando-se na cabeceira da cama e permitindo que a menina se acomodasse em seus braços.
--A do passarinho. – Abigail pediu, animada.
E Darcy ouviu Elizabeth cantar num francês fluente a música À La Claire Fontaine, que um dia ele e ela ouviram juntos ao assistir o filme O Despertar de Uma Paixão (The Painted Veil), na época em que namoravam escondido.
Seu coração começou a bater apressado ao se deixar acreditar que talvez estivesse diante de sua filha. Filha de Elizabeth e dele. Talvez estivesse sonhando ou delirando acordado. Ou tendo uma visão do seu futuro.
Fitou longamente a menina, aproximando-se mais da cama e procurando por semelhanças com ele. Muito nela lembrava Elizabeth, isto já havia constatado tão logo a viu. Mas agora a olhando de perto, via traços delicados que faziam pensar em Georgiana quando mais nova. E os olhos! Ahh, eram seus olhos! Azuis. Atentos. Misteriosos. Seus olhos !
--Chante rossignol, chante,
(Cante rouxinol, cante)
Toi qui as le cœur gai
(Teu coração vive)
Tu as le cœur à rire,
(Teu coração sorri)
Moi je l'ai à pleurer
(Enquanto o meu arde)
Seu coração parecia que ia saltar de seu peito. Ajoelhou-se ao lado da cama e fitou aquelas duas mulheres incríveis. Sabia que elas seriam a sua vida, tudo o que teria de mais sagrado no mundo. Faria de tudo para nunca decepcioná-las.
--J'ai perdu mon amie,
(Eu perdi o meu amor)
Sans l'avoir mérité
(Sem merecer)
Pour un bouquet de roses,
(Por um buquê de rosas)
Que je lui refusai
(Que lhe recusei)
E como se encheu de orgulho quando Abigail começou a cantar junto com Elizabeth o refrão.
--Il y a longtemps que je t'aime
(Há muito tempo que te amo)
Jamais je ne t'oublierai
(Jamais te esquecerei)
Ao finalzinho da música, Abigail já estava com os olhinhos quase fechados. E sua voz soava sonolenta ao cantar o último refrão. Bocejando ao final e fechando completamente os olhos, adormecendo.
Elizabeth a acomodou melhor na cama, descansando a cabeça da menina no travesseiro e se levantou. Arrumou o edredom envolta do corpinho de Abigail e se dirigiu em direção a porta do quarto. Saiu e fechou a porta.
Darcy permaneceu onde estava, ajoelhado ao lado da cama e velando o sono tranqüilo daquela linda menina. Os olhos cheios de lágrimas de emoção. Sua filha. Fruto do seu amor e de Elizabeth. Não podia pedir nada mais que isso.
Após alguns minutos, no entanto, ergueu a mão e aproximou do rosto de Abigail, hesitante. Com muito cuidado para não acordá-la, tentou passar a mão em seu cabelo e afagá-lo. Mas não sentiu nada.
Suspirando, conformado em apenas poder assisti-la dormir, ergueu-se do chão e caminhou com cuidado para não fazer nenhum barulho até a porta do quarto. Deparou-se com um dilema ao fitar a porta fechada. Se não podia tocar em Abigail, como abriria a porta?
Sentindo-se um bobo, tentou tocar a porta. Sentindo os dedos ultrapassá-la e sumir no material maciço da porta. Prendendo a respiração, fechou os olhos e jogou-se contra a porta. Perguntando-se se chocaria e acordaria a menina com o barulho do impacto.
Mas nada disso aconteceu. Viu-se de volta ao corredor. Perguntou-se onde Elizabeth poderia estar. Seguiu em direção a sala e a encontrou organizando os presentes embaixo da árvore de Natal. Sorriu, imaginando que se Abigail acordasse e encontrasse a mãe fazendo isto, não teria mais dúvidas quanto à existência de Papai Noel.
Admirou-a em silêncio. Elizabeth estava ainda mais bonita, em sua opinião. A maternidade lhe fizera muito bem. Estava mais madura, embora a aura de menina moleca permanecesse em seu andar, forma de olhar e sorriso. Perguntava-se com quantos anos ela estaria agora.
Elizabeth terminou de arrumar os presentes e seguiu novamente em direção ao corredor. Darcy já estava se acostumando com a idéia de não ser notado, mas preferiu sair de seu caminho. A idéia de ser atravessado ao meio de novo não lhe agradava muito.
Seguiu-a pelo corredor. Elizabeth parou a uma porta e bateu nela duas vezes antes de entrar. Darcy a seguiu, atravessando a porta no instante que Elizabeth a fechou. Viu-se dentro de um escritório parecido com o seu na sociedade que tinha com Catherine.
Uma mesa de carvalho e uma poltrona de couro estavam na outra extremidade. Às suas costas estava uma ampla janela. Em um lado, havia uma grande estante repleta de livros e, no outro, dois sofás. Um, em particular, parecia muito com um divã. Havia também uma mesinha de centro, assim como outra poltrona de couro.
Assistiu Elizabeth se acercar desta particular poltrona, a qual ficava de costas para a porta e, assim, para ele.
--Abby está dormindo. – Elizabeth disse. – Acho que já está na hora de irmos para cama também. – Ela argumentou, dando a volta na poltrona e se sentando.
--Hum... – Ouviu em resposta, numa voz masculina, e um punhado de papel foi atirado na mesinha sem merecer muita atenção.
Darcy ouvia sons inconfundíveis de beijos. Sentia-se estranho assistindo a si mesmo dando uns amassos em Elizabeth. Quando poderia imaginar algo do tipo?
Mas estava curioso quanto à própria fisionomia. Estaria mais velho, não? Como será que estava? Teria envelhecido bem como Elizabeth?
Antes que se aproximasse muito da poltrona, no entanto, Elizabeth pôs-se de pé. Estendeu a mão para o seu eu mais velho e puxou-o consigo. Quando o homem se pôs de pé e se voltou em direção à porta, de mãos dadas com Elizabeth e a acompanhando, o quão surpreso Darcy ficou ao deparar-se não consigo mesmo, mas com o seu primo Richard.
Seu coração congelou e ele fitou os dois juntos, sem realmente processar em mente o que aquela imagem representava.
--Isso só pode ser um pesadelo! – Resmungou, consigo mesmo, sabendo que ninguém mais o ouviria.
--Não é. – Uma voz feminina replicou, sobressaltando-o.
Darcy procurou a fonte daquela voz ao seu lado.
--Sra. Reynolds? – Darcy exclamou, ainda mais confuso ao encontrá-la ali.
Ela o estava vendo e falando com ele. Mas Elizabeth e Richard não pareciam notá-lo, ou a ela. Seguiram até a porta, abrindo-a e saindo do escritório, fechando a porta às suas costas.
--Este é o seu futuro. – Sra. Reynolds informou-o.
--Como este pode ser o meu futuro se Elizabeth parece estar casada com o meu primo?! – Darcy estava zangado.
--Daqui a dez anos, ela vai estar casada com ele e terá a pequena Abby. – A sra. Reynolds lhe explicou.
--A senhora não me fará acreditar nisso. – Argumentou, em negação. – Mesmo que as coisas entre nós dois não se resolvam, Elizabeth não seria tão cruel a ponto de se casar com o meu próprio primo! Tampouco, Richard de cortejá-la. Não, sabendo como eu me sinto a respeito dela.
--E ele sabe? – A sra. Reynolds o questionou. – O que ele sabe é o que Georgiana suspeita. Mas até ela nunca teve certeza do que aconteceu entre você e Elizabeth. ...E... – A sra. Reynolds suspirou, resignada, declarando. – Vou lhe contar logo de uma vez.
Darcy fitou-a, alarmado. A sra. Reynolds parecia zangada com ele. A expressão era a mesma de quando o arrancou da cama quase pelado.
--É sua culpa Elizabeth ter se casado com o seu primo, para começo de conversa.
--Como é que isso pode ser minha culpa? – Darcy interrogou, exasperado.
--Você praticamente a atirou nos braços de seu primo. – A sra. Reynolds replicou, impaciente.
--Não. – Darcy riu, sem nenhum humor. – Isto é uma piada. Eu nunca entregaria Elizabeth de bandeja para Richard. Nem agora, nem nunca.
--Mas o fez. – A mulher sentenciou.
--Como? – Darcy estava a ponto de explodir ali mesmo, mas tentando controlar sua raiva.
--Você mentiu para seu primo quando ele lhe perguntou sobre Elizabeth. – A sra. Reynolds revelou, num tom mais brando. – Você disse a ele que teve apenas um breve romance com Elizabeth, nada com grande conseqüência. Além de deixar os dois constrangidos na presença um do outro e incapazes de trabalhar juntos no mesmo escritório. Que fora mais uma dor de cabeça do que algo mais significativo, em termos de sentimento, para você.
Darcy estava boquiaberto.
--Você queria preservar o que sobrou do seu orgulho ferido. E mentiu. – A sra. Reynolds não sorria; fitava-o com decepção. – Mentiu para ele, para sua irmã e para você mesmo.
--Eu não acredito nisso. – Darcy murmurou para si mesmo.
--Você passou a evitá-la sempre que era preciso. Começou a enviar Georgiana às reuniões de família na casa de Bingley como sua representante. E, em uma destas ocasiões, Richard e Anne a acompanharam.
Sra. Reynolds prosseguiu com a narrativa, revelando-lhe fatos que pareciam impossíveis a Darcy naquele instante.
--Richard conheceu Elizabeth e se encantou por ela de imediato. Eles ficaram amigos, passaram a se encontrar mais vezes e qualquer resquício das suspeitas que Richard pudesse ter quanto aos seus sentimentos a respeito dela deixaram de ter tanta importância para ele, quando ele se viu perdidamente apaixonado por ela.
--Traidor! – Darcy exclamou.
--O que você esperava, William? – A mulher soou mais como uma mãe, carinhosa. – Você pode culpá-lo por ter se apaixonado por ela? Você acha que ele poderia ter evitado, mesmo se tentasse? Ou ignorar este sentimento, uma vez que se visse amando pela primeira vez?
--E eu não fiz nada para impedir que os dois se casassem? – Darcy teimava em não acreditar.
--Quando você a viu de novo, ela estava feliz. – A sra. Reynolds respondeu, compreensiva. – Após magoá-la tantas vezes antes, poderia negar-lhe a chance de ser feliz?
--Então, eu não fiz nada? – Sua voz estava embargada. – Apenas... desisti?
--Mas você já havia desistido dela há muito tempo. – Sra. Reynolds replicou, indiferente a sua dor.
--Isso não é verdade. – Darcy negou, voltando a ficar com raiva. Como era possível a sra. Reynolds lhe dizer aquelas coisas com tamanha calma?
--Você desistiu de você mesmo. – Ela alegou, dando-lhe as costas e atravessando a porta do escritório.
--Sra. Reynolds? – Darcy não conseguiu entender o que ela quis dizer com aquilo e seguiu a senhora, também atravessando a porta do escritório.
LAST_UPDATED2














