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Não tenho medo de mostrar meus sentimentos e de fazer coisas imprudentes, pois acredito que o que não se mostra, não se sente.(Jane Austen)

Home Rosana Lopes SONHAR ACORDADO - Parte 05
SONHAR ACORDADO - Parte 05 PDF Imprimir E-mail
Escrito por Rosana   
Seg, 01 de Março de 2010 00:26

Parte V

No dia do aniversário de dois anos de Arthur, Bingley deu uma grande festa em sua casa de campo. Aproveitando-se da estação do ano, fez uma comemoração durante o dia, com direito a apresentação de circo e muitas brincadeiras para a criançada.

Elizabeth, assim como toda a sua família compareceu. Mas Wickham não estava com ela. No entanto, Darcy só se permitiu ter esperanças quando descobriu que os dois haviam se separado.

            Entreouviu, sem intenção de fazê-lo, uma discussão de mãe e filha a este respeito.

--Não entendo porque George não pôde comparecer a este aniversário, minha filha.

--A senhora sabe muito bem que nós terminamos, mamãe. – Elizabeth contrapôs, impaciente.

--Vocês tiveram uma briguinha de casal, logo irão se resolver, tenho certeza. – A senhora argumentou, desconsiderando suas palavras.

--Ele estava me traindo, mãe. – Elizabeth afirmou, exasperada. – Nós terminamos. Não tem volta.

--Você precisa entender, Elizabeth, que se pretende ter um homem em sua vida por tempo suficiente para formar uma família terá que aprender a ignorar algumas indiscrições de sua parte. – A senhora argumentou, seriamente.

--A senhora é inacreditável! – Elizabeth abandonou-a sozinha, encerrando aquela discussão, e juntou-se ao seu pai.

            Darcy se perguntou como era possível aquele homem tê-la traído. Mas concluiu que, de certa forma, o que fizera a ela não foi tão diferente. E sentiu-se ainda mais culpado.

            Quando a encontrou no jardim sozinha no fim de tarde, sentada em um balanço entre as flores, disse-lhe.

--Eu ainda amo você. – Sobressaltando-a.

            Ela não notara a sua aproximação e olhou para ele surpresa por um longo minuto. Depois desviou o olhar e fez menção de deixá-lo no jardim sozinho, erguendo-se do balanço.

--Eu a amo, Lizzie. – Darcy insistiu, impedindo-a de se afastar. – Eu sei que é impossível para você acreditar em mim. Acreditar que algum dia eu tenha lhe amado, especialmente depois do que lhe fiz. Eu sei disso agora.

            Ela ficou onde estava, olhando para ele, escutando-o em silêncio.

--Mas eu amei você. De um jeito egoísta, errado, eu sei. Mas amei ainda assim. – Darcy confessou, humilde. – Se eu pudesse voltar no tempo e mudar tudo, eu o faria. – E começou a se aproximar dela. – Eu nunca lhe daria motivos para duvidar deste amor que sinto por você, porque eu me odeio por tê-la magoado do jeito que fiz. Por tê-la perdido.

            Ele estendeu a mão e acariciou o seu rosto. Elizabeth fechou os olhos e uma lágrima lhe escapou, rolando pelo seu rosto.

--Me dê mais uma chance, Lizzie. – Pediu-lhe, num sussurro, aproximando seu rosto do dela. – Eu prometo nunca mais magoá-la deste jeito.

--William, não. – Ela abriu os olhos e afastou os seus rostos, ao sentir a respiração dele em seus lábios. – Não posso. – Segurou a sua mão e a retirou de seu rosto.

--Você não me ama mais? – Perguntou-lhe, com receio de saber aquela resposta.

            Elizabeth respirou fundo e limpou as lágrimas do rosto.

--Você não tem o direito de me perguntar isto. – Respondeu, com a voz entrecortada.

            O coração de Darcy bateu apressado em seu peito. Se ela não o amasse mais, teria dito isso. Mas ela não quis responder, o que só poderia significar...

--Eu sei que você me ama. – Afirmou, tentando se reaproximar. – Eu posso sentir. – Enquanto ela tentava se afastar, dando passos para trás.

--Não faça isso. – Ela pediu, quase sem voz.

            E Darcy só restou à certeza de que se conseguisse se reaproximar, ela não conseguiria resistir a ele. E tomou outro passo decidido em sua direção.

--Eu amo você, Lizzie. – Afirmou, num murmúrio. – Me deixa provar que eu amo você. – Pediu.

Elizabeth tentou se afastar, mas bateu no balanço e caiu sentada nele. Darcy a segurou pela cintura e puxou-a para si, erguendo-a do balanço e a prendendo em seus braços.

No segundo seguinte a tinha beijado. Não com a fome que explodira dele na primeira vez em que a teve em seus braços desta forma. Mas com calma, expressando através daquele gesto o quanto sentia a sua falta.

E sentiu-a amolecer em seus braços, rendendo-se ao beijo. Tantas emoções tomaram conta de seu corpo e mente naquele momento: alivio, por tê-la em seus braços novamente; felicidade, por estarem recomeçando; e puro prazer. Físico, carnal. Algo que só experimentara com ela.

--Volta para mim, Lizzie. – Pediu-lhe, sussurrando contra os seus lábios. – Eu a amo tanto.

            Colou seus lábios ao dela pela segunda vez, sentindo-a abraçá-lo forte e corresponder ao seu beijo como antigamente. Até que sentiu um esguichar de água na altura dos joelhos.

            Sobressaltaram-se e interromperam o beijo, procurando a fonte daquela intromissão. Voltaram a sentir outro esguicho de água e uma gargalhada infantil capturou sua atenção.

--Arthur, não molhe seu tio Darcy e sua tia Lizzie. – Era Charles que vinha correndo em sua direção, caçando o seu filho de dois anos.

            O qual carregava com as duas mãos uma pistola d’água com bastante esforço, com a qual estava bombardeando os convidados que cruzavam o seu caminho.

--Desculpem-nos. – Charles pediu, sem graça, ao carregar o filho no colo.

            Elizabeth apressou-se a sair dos braços de Darcy e se aproximar do seu afilhado.

--Quer brincar com a titia, Arthur? – Falou com a criança de forma carinhosa. –Vamos, então. – Carregou-o dos braços do pai e saiu dali o mais depressa que conseguiu.

--Desculpe... por ter atrapalhado... Bem, você sabe. – Charles dirigiu-se a Darcy, constrangido.

--Você não teve culpa, Charles. – Darcy replicou. – E Arthur é apenas uma criança.

            Bingley permaneceu em sua companhia por um tempo, em silêncio. Ainda parecia constrangido pelo que tinha flagrado e interrompido.

--Então,... Você e Lizzie, hem? – Perguntou, por fim. – Por que você nunca me disse nada?

--É uma história tão complicada que eu nem sei por onde começar. – Darcy justificou-se, sentindo-se culpado por ter guardado este segredo de Bingley.

--Lizzie contou para Jane há algum tempo e ela me contou... – Bingley explicou. – Mas preferia que você tivesse me dito. Quero dizer, eu podia ter lhe ajudado, sabe?Lizzie é meio que minha irmã agora... e adoraria lhe dar uma mãozinha.

--Eu sei. E agradeço. – Darcy disse, sincero. – Mas fui eu que pisei na bola. Sinto que preciso resolver isso sozinho.

            Darcy não conseguiu mais estar a sós com Elizabeth naquele dia. E como ela permaneceria na casa de campo de Bingley pelo fim de semana, juntamente com sua família, Darcy decidiu não tentar conversar com ela a respeito dos dois de novo por enquanto. Esperaria com que ela voltasse para Londres e a procuraria.

            Acreditava que assim ela teria tempo para pensar em tudo o que lhe disse e quando voltasse a procurá-la, ela estaria mais disposta a ouvi-lo com calma.

            Era uma noite de verão de segunda-feira como outra qualquer. Darcy estacionou o carro enfrente ao prédio em que Elizabeth morava e desligou-o, saindo do carro. Olhou para a janela do apartamento dela e a encontrou acesa.

            Entrou no prédio e tomou o elevador. Contou os minutos até alcançar o andar de seu apartamento e as portas do elevador se abrir. Caminhou até a porta de seu apartamento, sentindo as batidas fortes de seu coração marcar o ritmo de seus passos.

            Parou diante da porta fechada, respirou profundamente e ergueu a mão. As batidas na porta soaram ocas, altas em seu ouvido. A porta foi aberta e Elizabeth estava ali na sua frente.

            Sorriu-lhe e abriu a boca para falar-lhe. Mas engoliu suas palavras ao perceber que ela não estava sozinha.

--William? – Elizabeth parecia muito surpresa em vê-lo ali.

--Eu não devia ter vindo. – Darcy declarou, desejando que o chão se abrisse sob seus pés e o engolisse por inteiro.

--Olá, sr. Darcy. – Wickhan se aproximou da porta. – A que devemos a honra de sua presença aqui a esta hora da noite? – Questionou-lhe, passando o braço pela cintura de Elizabeth. – Se veio aqui tratar de negócio, não poderia fazê-lo em uma hora mais convencional?

            Darcy viu Elizabeth retirar o braço de Wickhan de sua cintura e afastar-se dele.

--O que ele está fazendo aqui? – Darcy perguntou a ela.

--Eu...

--O que eu estou fazendo aqui? – Wickhan interrompeu o que ela ia dizer. – Ora, este é o apartamento da minha namorada, futura esposa. O que você está fazendo aqui?

--Não sou mais sua namorada, George. – Elizabeth replicou, enraivecida.

--Meu amor, nós tivemos uma briguinha. Nada que não possa ser resolvido. – George argumentou, manhoso, tentando abraçá-la novamente. – O motivo para eu ter vindo aqui para começo de conversa. Para fazer as pazes.

            Darcy ponderou que se Elizabeth realmente não quisesse a presença de Wickhan em seu apartamento, não teria deixado-o entrar. Negara-se a abrir a porta para ele, Darcy, tantas vezes. 

--Eu já vou. – Disse, dando às costas ao casal em discussão e seguindo em direção ao elevador.

--Já vai tarde. – George resmungou e Darcy ouviu o barulho da porta batendo às suas costas.

            Apressou os passos para não ter que ouvir a discussão entre eles. Ou pior, não ouvir nada e imaginá-los reatando o romance.

--William? – Ouviu, após o barulho da porta sendo reaberta.

            Ainda assim não parou, continuou seguindo em direção ao elevador.

--Elizabeth, volte aqui. – Ouviu Wickhan ordenar.

--William, espere. – Ela o alcançou e segurou-o pelo braço. –Diga-me por que você veio aqui.

            Darcy desvencilhou-se de seu aperto, entrando no elevador.

--Não tem mais importância. – Respondeu, segundos antes das portas do elevador se fechar e não poder ver mais o rosto de Elizabeth.

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