Parte III
O casamento ocorreu na casa de campo de Bingley, no final de uma tarde, em pleno verão. Uma tenda magnífica fora armada e a cerimônia foi celebrada ao ar livre.
A noiva estava radiante, o noivo ansioso. A família da noiva, sua mãe em particular, estava estressada e barulhenta. Caroline estava mal-humorada com tudo, exceto com a presença de Darcy.
E este último, apesar de tudo – o fato de trabalharem juntos, ela ser sua subordinada, ter uma família desajustada e uma mãe desequilibrada – só tinha olhos para Elizabeth.
Ela estava mais linda do que nunca. E, embora fosse obrigado a passar a cerimônia inteira e parte da comemoração ao lado de Caroline, Darcy não pôde evitar convidá-la para dançar assim que teve uma oportunidade.
Como manda a tradição, foi obrigado a dançar a primeira vez com Caroline. O que fez de forma mais mecânica possível, desligando completamente a mente do que ela estivesse lhe dizendo no momento.
Pois seus olhos seguiam Elizabeth por todo salão, odiando profundamente o padrinho por parte de Jane – quem, naquele instante, tinha seus braços envolta de Elizabeth.
Se Georgiana houvesse lhe acompanhado ao casamento de Bingley, ao invés de ter viajado para se distrair com sua prima Anne, Darcy teria convidado-a para dançar a segunda música com ele.
Como este não foi o caso, estava livre para fazer o que bem decidisse. E foi então que se aproximou dela, levando-a para a pista de dança com um simples gesto, ao invés de palavras.
Tê-la em seus braços lhe deu uma sensação de poder, pura satisfação. Sentir o corpo macio, feminino e perfumado daquela mulher contra o seu o deixou completamente excitado.
E ele podia sentir que ela não era indiferente a ele. Pôs o seu corpo tremia suavemente com cada roçar de pele.
Eles não chegaram a conversar muito neste momento, pois ambos estavam perdidos no mundo de sensações que aquela mínima e simples experiência estava despertando nos dois.
Próximo ao fim da música, Darcy não conseguiu se conter e murmurou em seu ouvido.
--Elizabeth, ... – Sentiu-a se sobressaltar ao som de sua voz em seu ouvido. – eu quero ficar a sós com você em algum lugar.
Ela afastou o rosto do dele e fitou-o nos olhos; uma interrogação.
--Eu preciso ficar a sós com você em algum lugar. – Darcy não voltou atrás. Reafirmou o seu pedido, olhando-a nos olhos.
E a viu enrubescer, morder o lábio inferior e concordar com um sutil aceno de cabeça.
Ahh, ele teria beijado ela ali na frente de todos se não fossem interrompidos pela sra. Bennet. Jane estava chamando pela irmã e Elizabeth precisou deixá-lo.
A Darcy restou somente à garantia de que ela também queria estar com ele.
Não demoraria muito para ele perceber que ficar a sós com ela seria impossível ali. Pelo menos, não por tempo suficiente para matar o seu desejo. Todas as suas tentativas de escaparem foram frustradas: pela noiva ou noivo, que desejavam a presença de seus padrinhos; pelos pais da noiva, cada um em um momento diferente precisou discutir algo de importante com Elizabeth; ou, até mesmo, por convidados desejosos de companhia e uma boa conversa.
Por fim, impaciente, Darcy tomou uma decisão que, ao pensar a respeito, fora imprudente. A reação de Elizabeth poderia ser contraria àquela desejada. Mas, por sorte, não foi.
Sabia que a família de Elizabeth pretendia ficar hospedada na casa de campo por aquele fim de semana, juntamente com a família de Bingley, enquanto os noivos saiam de lua-de-mel. E Elizabeth ficaria com eles.
Mas Darcy tinha outros planos. Quando a guiou para um canto privado por uns dois minutinhos, conseguiu dizer-lhe para inventar uma desculpa aos seus familiares e vir com ele para Londres ainda àquela noite. Precisava tê-la consigo e não poderia esperar nem mais um dia.
E ela concordou. Inventou uma desculpa de que um caso que estivera trabalhando com Darcy estava com alguns imprevistos e que eles precisavam retornar a Londres urgentemente. E foi-se embora com ele ao final da festa.
Darcy pretendia levá-la para o seu apartamento. Mas ela preferiu que ele a levasse para o dela, onde ela morava com Jane até o matrimônio da última.
À porta de seu apartamento, enquanto Elizabeth procurava a chave em sua bolsa, Darcy lutava para se conter. O desejo incontrolável que sentia de agarrá-la ali mesmo estava quase o matando.
Ela abriu a porta e não se voltou de frente para ele. Entrou em casa, acionou o interruptor da luz e depositou sua bolsa em uma peça próxima à porta. Darcy permaneceu ao batente da porta, nem ao corredor nem dentro do apartamento, olhando para a sala iluminada.
Esperava um convite. Mas ela não dizia nada, sequer estava olhando para ele. Retirou o casaco e pendurou-o em um cabideiro. Depois começou a descalçar os pés, retirando as sandálias de salto alto e largando-as em um canto qualquer.
Quando a viu seguir adiante pelo corredor escuro, sem olhar para trás uma vez, ocorreu-lhe que ela havia deixado a porta aberta. Que convite além deste precisava? Entrou no apartamento e fechou a porta, seguindo seu exemplo ao despir seu blazer do terno e pendurá-lo no mesmo cabideiro.
Alcançou-a antes de ultrapassar outra porta – que imaginou ser a do seu quarto. Segurou-a firme, imprensou-a contra a parede e a beijou com um louco esfomeado. E ela correspondeu-lhe com a mesma intensa paixão.
Permitiu que ela acariciasse o seu corpo por um momento, antes de prender as mãos dela sobre sua cabeça e beijar-lhe o pescoço longamente. A respiração entrecortada dela em seu ouvido apenas atiçou-o a provocá-la ainda mais.
Deixou que suas mãos deslizassem pelos braços estendidos dela, contornasse seus ombros e acariciassem demoradamente seus seios. Mais logo seguiram em direção a sua cintura. Segurando-a pelas cadeiras, suspendeu-a e sentiu-a entrelaçar as suas pernas em sua cintura e as suas mãos agarrarem seu pescoço.
Suas mãos afoitas suspendiam o vestido, procurando e necessitando de contato direto com a pele de suas coxas. Enquanto seus lábios percorriam o seu colo e sugavam um dos mamilos por sobre o tecido fino do vestido. Arrancando-lhe um gemido de prazer...
Darcy abaixou a cabeça e sentiu a água percorrer as suas costas. Perguntava-se como não fora capaz de ver os sinais então. Estavam todos ali. Por que fora tão cego? Por que não quis enxergar a verdade bem diante dos seus olhos?
Lembrava-se perfeitamente de ter passado minutos contemplando-a enquanto ela dormia após terem saciado parte do desejo que sentiam repetidas vezes aquela noite. Perguntava-se por que a idéia de levantar-se daquela cama, vestir-se e ir embora lhe parecia tão repulsiva.
Rindo, com desgosto, lembrou-se de que só conseguiu adormecer quando a puxou para si e acomodou em seus braços. Com o calor de seu corpo macio e o perfume de seus cabelos, sentiu uma calma antes jamais experimentada. E adormeceu feliz.
Desligou o chuveiro, enxugou-se e enrolou-se na toalha. Seguiu para o closet e selecionou uma roupa confortável. Depois de vestido, seguiu para a cozinha. Onde esquentou o seu jantar no microondas, abriu uma garrafa de vinho e sentou-se sozinho à mesa da cozinha para jantar.
Na manhã do dia seguinte cometera o principal erro com relação à Elizabeth. Convencera-lhe que seria melhor para ambos que mantivessem o seu relacionamento em segredo de todos.
Ela era sua subordinada. E se as pessoas do escritório descobrissem sobre seu envolvimento amoroso pensariam que ela o estava usando para progredir dentro do escritório. E ele seria descrito como um empregador aproveitador de sua posição hierarquicamente superior.
A imagem de ambos seria manchada e prejudicada, o que devia ser evitado a todo o custo.
Ela entendeu seus argumentos e aceitou aquela situação. E os dois viveram seis meses perfeitos de amor secreto e harmonia profissional.
Trabalhavam juntos e almoçavam juntos, utilizando-se da desculpa de precisar discutir casos. E passavam quase todas as noites no apartamento de Elizabeth. Eram sempre discretíssimos e ninguém no escritório parecia desconfiar de nada, pelo menos era o que Darcy acreditava.
Darcy acreditava estar em seu paraíso particular na Terra.
A primeira pessoa que Darcy tomou conhecimento de que desconfiava que ele estivesse envolvido com alguém fora Georgiana. Ela tinha informações mais precisas sobre a sua vida, já que moravam juntos e sabia que ele vinha passando noites intercaladas da semana fora de casa. E, ainda, podia ver que ele estava de excelentíssimo humor.
Mas ela só começou a desconfiar da identidade desta pessoa em um jantar familiar dado pelos Bingleys para anunciar a gravidez de Jane. As famílias de ambos foram reunidas e festejaram a noticia.
Era uma noite de inverno de nevasca, as ruas londrinas estavam cobertas de neve e as pessoas só saiam de casa devidamente agasalhadas. Darcy havia passado à tarde deste mesmo dia sentado ao sofá do apartamento de Elizabeth, assistindo a um filme e namorando. À noite, levou a irmã à residência dos Bingley, onde a encontrou pela segunda vez.
Sua irmã já a conhecia de ocasiões pretéritas, como o noivado de Jane e Charles. Além de já terem se cruzado no próprio apartamento de Darcy, quando Elizabeth estivera ali para tratar de negócios, ou nos eventos sociais promovidos pelo escritório, como festas de Natal e etc.
Considerava Elizabeth uma mulher inteligente e simpática, além de muito bonita. Via em Elizabeth um brilho e energia contagiante. Mas sempre pensara em seu irmão como um homem que seguia as regras sociais acima de tudo.
Ele sempre gostou de separar sua vida profissional da sua vida particular. E não acreditava que ele passaria por cima destas regras e se envolveria com uma mulher com quem trabalhasse diretamente no escritório. A menos que estivesse terrivelmente apaixonado.
Georgiana ficou excepcionalmente feliz ao constatar naquele jantar que suas suspeitas quanto aos sentimentos do irmão eram fundadas e não fantasias de sua cabeça. E ainda mais feliz ao descobrir a identidade do objeto de afeição de Darcy.
O irmão, embora não demonstrasse abertamente seus sentimentos, dispensava a Elizabeth uma atenção excessiva e a fitava longamente quando acreditava que ninguém estava olhando.
E Georgiana notou que ele era correspondido à mesma altura. Pois Elizabeth também exibia em seu olhar e sorrisos particulares dirigidas a ele uma paixão desmedida por aquele homem.
A jovem moça não demorou a encurralar o irmão e interrogar-lhe quanto às suas suspeitas. E, mesmo Darcy não as tendo confirmado com palavras, o sorriso encabulado que recebeu em resposta foi o suficiente par deixar Georgiana satisfeita.
Mas, obviamente, Georgiana não fora a única a notar a interação entre o casal secreto de enamorados. Caroline Bingley, irmã do seu grande amigo, também percebera os olhares trocados entre os dois.
E, embora suspeitasse, preferiu convencer a si mesma de que Darcy nunca se envolveria com uma mulher como Elizabeth Bennet – sua subordinada e filha daquela mulher barulhenta e sem modos. Não quando tinha diante de seus olhos naquele jantar uma prova viva do que lhe aguardava se caso realmente pretendesse se envolver com ela.
A sra. Bennet não se agüentava diante do luxo que via na residência de sua filha mais velha e comentava abertamente sobre a esperteza da filha em arranjar para si um partido como Bingley.
Assegurou-se de que Darcy podia até desejá-la, já que Elizabeth era, sem sombra de dúvida, uma mulher fácil e que se insinuava para ele descaradamente. Mas acreditava também que Darcy nunca agiria conforme este impulso carnal passageiro. Saberia procurar satisfazer estes desejos com uma mulher mais compatível com o seu status social e adequada para ele. Alguém como ela, Caroline Bingley.
Darcy ergueu a taça de vinho tinto e fitou-o longamente, lembrando-se do dia em que o seu paraíso particular começou a ruir diante de seus olhos.
Chegara ao seu escritório bem cedo, como de costume. Encontrou Elizabeth ali, já acessando uma pasta de arquivos em seu computador e redigindo uma petição. Cumprimentou-a com educação e polidez a distancia. Ao que ela correspondeu da mesma forma. Entretanto, o olhar trocado falou mais alto que qualquer palavra pronunciada e ambos compartilharam um sorriso secreto brevemente.
Darcy foi para a sua sala e começou o seu expediente de ótimo humor. Esta noite a veria e sentia-se ansioso para que o dia passasse depressa.
Viu através das paredes de vidro de sua sala o momento em que Collins chegou e seguiu com suas tarefas diárias. Era competente como advogado, cumpria as tarefas a que era encarregado com precisão. Mas Darcy não via nele nenhuma iniciativa ou esforço extra.
Não entendia o motivo de sua tia ter insistido em mantê-lo no escritório após o período de experiência e Elizabeth ter provado ser a melhor escolha para a contratação. Catherine não lhe negara o direito à vaga já existente, mas fez questão de criar um cargo similar para que Collins pudesse ocupar.
Algo naquele homem irritava Darcy profundamente. Ele havia notado que Collins olhava excessivamente para Elizabeth. Por vezes, pegou-se imaginando como seria ir até aquele sapo-doninha e dizer-lhe para tirar os olhos do que lhe pertencia. Mas sabia que ter um ataque de ciúmes adolescente não era exatamente apropriado para alguém que esteja tentando manter o relacionamento em segredo.
A sua manhã naquele dia seria calma, sem nenhuma audiência. Apenas receberia dois clientes e então estaria livre para o almoço.
Foi com grande satisfação que parou a porta da sala de Elizabeth, ao lado da de Collins, no fim daquela manhã e a convidou para almoçar. Como sempre, ela arrumou seus pertences, pegou algumas pastas sobre casos em que estava trabalhando e saiu com ele.
Durante estes almoços eles conversavam sobre tudo. Desde os casos em que ambos estavam trabalhando, quanto de suas vidas particulares. Dividindo um com o outro as experiências de infância e juventude.
Aos olhos dos outros, pareciam colegas de trabalho e bons amigos. Nunca chegaram sequer a segurar as mãos em público.
No entanto, ao voltarem do almoço, notaram um burburinho os acompanharem pelo elevador e corredores do escritório. E não demorou muito para que Catherine De Bourgh chamasse Darcy em seu escritório para conversar particularmente.
--Uma notícia muito alarmante chegou aos meus ouvidos esta manhã, Darcy. E, sinceramente, espero que você possa contradizê-la. – Catherine lhe disse assim que cruzou a porta de sua sala e fechou-a as suas costas.
--Do que você está falando, Catherine? – Darcy questionou-lhe, ao se sentar em uma poltrona enfrente a mesa da senhora.
--Aparentemente, há um rumor circulando pelos corredores deste escritório de que o seu relacionamento com a Srta. Bennet vai além daquele adequado para colegas de trabalho; pior, daquele esperado entre empregador e empregado.
Darcy sustentou o olhar de censura que a mulher lhe lançava, com o seu coração batendo apressado em seu peito. Mas mantendo uma expressão neutra e indiferente, como o experiente advogado que era.
--Você pode negar? – Catherine exigiu, não cedendo diante de seu silêncio.
--Eu não sei de onde você tirou esta idéia, mas é bastante ultrajante que você tenha a audácia de questionar a minha ética profissional. – Replicou no tom mais frio e calculista que conseguiu infligir em sua voz naquele momento. – Este rumor ofensivo é, obviamente, obra de alguém desmerecedor de consideração e que tem o único objetivo de causar desestabilidade no nosso ambiente de trabalho. E muito me admira você ter dado ouvidos a fofocas.
--Por mais que me parecesse absurda, me vi na obrigação de averiguar a sua veracidade. – Catherine se justificou, sem perder a sua pose de superioridade. – O que nós temos aqui é uma sociedade de nome ilibado e não correrei riscos de tê-lo manchado por uma simples aventura entre quem quer que seja.
--Gostaria de saber de quem você ouviu esta informação. – Darcy inquiriu, sério.
--O informante não é de importância, o que realmente importa aqui é a veracidade dos fatos. – Catherine contrapôs. – Seria péssimo para nossa sociedade se seu nome fosse relacionado com escândalos provenientes de assédios sexuais... – Resmungou, impaciente. – Devemos pensar cuidadosamente se permanência da Srta. Bennet aqui é o mais recomendado para nós neste momento.
Os pêlos da nuca de Darcy se eriçaram. A ameaça ao futuro profissional de Elizabeth era o que sempre temia. E sabia que devia evitá-lo. Principalmente mediante a certeza de que a deixaria em mãos lençóis, agora que Jane estava casada e Elizabeth dependia de seu salário proveniente do escritório para pagar o aluguel de seu apartamento.
--Não tenho certeza de que seja justo que algo como uma fofoca deva ser levando em consideração na avaliação do desempenho da Srta. Bennet. – Darcy saiu em sua defesa, mas tentando manter sua aparente indiferença. – Ela tem demonstrado um excelente desempenho nos processos que lhe foram incumbidos até o momento e seu comportamento neste escritório não é merecedor de reprimenda alguma.
--Ora, Darcy, não venha com favoritismos no momento. Isto apenas confirmará as minhas suspeitas. – Catherine argumentou, exasperada.
--Não se trata de favoritismo, mas de uma avaliação imparcial e justa. – Darcy rebateu, demonstrando, neste momento, um pouco de sua fúria. – Não venha você discutir favoritismos comigo. Porque eu ainda não entendi o porquê de você ter insistido em contratar Collins, quando desde o começo sabíamos que havia apenas uma vaga disponível. A qual a Srta. Bennet fez mais por merecer!
Catherine silenciou-se por um instante diante do arroubo de Darcy e ele percebeu que estava se denunciando. Fez uma pausa para se recompor e ponderar melhor suas próximas palavras. Então lhe ocorreu algo que não havia pensado até então.
--Como eu não pensei nisto antes? – Perguntou-se em voz alta, dirigindo a Catherine um olhar estreito e desconfiado. – Foi ele, não foi?
--Não faço idéia do que você esteja aludindo. – Catherine exclamou, defensiva.
--Foi Robert Collins quem inventou estas calúnias ao meu respeito. – Darcy acusou e Catherine não soube negar. – Mas é claro que foi ele. Quem mais lucraria com isso?
Darcy parecia a ponto de explodir. Queria matar aquele sapo-doninha com as próprias mãos; esmagá-lo.
--Claro. Com a noticia de que Carlton estará nos deixando para montar o seu próprio escritório ao fim do próximo trimestre e percebendo que seria preterido em favor dela na concorrência pela vaga remanescente de Advogado Junior deste escritório, não havendo motivos para diminuí-la com relação ao seu trabalho, imaginou que a única forma de vencê-la seria inventando uma história como esta para tê-la despedida e ele ser recompensado com a vaga almejada.
Catherine permaneceu em silêncio, fitando-o com o mesmo semblante intransigente.
--Pois fique sabendo que eu não vou aprovar a sua permanecia aqui independentemente da Srta. Bennet vir a ser promovida ou não. – Darcy afirmou, decidido. – Na verdade, sou a favor de que ele seja dispensado imediatamente.
--Não se exceda, Darcy. – Catherine reclamou, alarmada. – Sabe muito bem que uma quebra de contrato de trabalho sem justa causa dá direito a ação judicial contra a nossa sociedade.
--Quer mais justa causa de que inventar rumores sobre a vida particular de seu patrão em meio ao seu ambiente de trabalho? – Darcy contrapôs, pondo-se de pé. – Não vou permitir que um empregado qualquer tente me chantagear para conseguir uma promoção e não receba nenhuma penalidade em resposta.
--Sente-se, vamos conversar sobre isso. – Catherine ergueu-se de sua poltrona atrás da mesa quando Darcy se dirigia a porta. – Darcy, volte aqui. – Tentou usar de sua autoridade de tia com ele. – Não me dê às costas, menino. Sou sua tia! – Reclamou, quando Darcy abriu a porta e deu a entender que ia sair.
--Aqui eu sou seu sócio e colega de trabalho, Catherine. – Darcy replicou, fitando-a com severidade. – E eu quero que despeça aquele infeliz até o fim do expediente ou eu mesmo o farei. – Saiu e fechou a porta.
Darcy passou pelo corredor enfrente a sala em que Elizabeth e Collins dividiam e não olhou para nenhum dos dois. Entrou em sua sala e fechou a porta, indo ocupar sua poltrona atrás de sua mesa e continuou a trabalhar como se nada demais houvesse acontecido.
Quando precisou falar com Elizabeth, chamou-a em sua sala e tratou de negócios apenas. Precisava se controlar e não dar indícios para que ficassem ainda mais suspeitos deles. Trataria do único assunto que realmente preocupava a sua mente quando estivesse em seu apartamento naquela noite e em nenhum outro momento.
Darcy podia ver no olhar dela que Elizabeth sabia que havia algo de errado. Mas ela não lhe fez perguntas enquanto estavam no escritório. Parecia compreender que ali não era o lugar mais apropriado para a discussão que teriam pela frente.
Catherine ainda tentou argumentar com ele algumas horas depois, quando julgou que Darcy estaria mais calmo. Mas ele parecia irredutível em sua decisão de ter Robert Collins demitido. E ela prometeu-lhe que o faria no dia seguinte, por fim.
LAST_UPDATED2














