CAPÍTULO 17
Darcy chegou ao clube noturno Volupté (Volúpia) e encontrou Richard a sua espera. O seu primo ficara responsável por organizar a sua despedida de solteiro, embora Darcy houvesse descartado a sua necessidade. Encontrava-se sobrecarregado de trabalho e preferia passar a sua noite – véspera de seu casamento – fazendo uma programação mais tranquila.
Mas como Elizabeth estava fazendo um chá de lingerie na companhia exclusiva de suas amigas, ele acabou cedendo às vontades do primo e de Charles, aceitando a tal despedida de solteiro.
Ao ultrapassar as portas do clube e entrar no primeiro salão, encontrou o ambiente muito movimentado. O Volupté é um clube noturno de estilo burlesque. Seus salões possuem uma decoração de cabaré e a banda ao vivo toca canções antigas, em sua grande maioria soul, blues e R&B.
Sendo um homem reservado, Darcy fazia verdadeiras amizades com certa dificuldade. Por isso, a maioria dos presentes em sua despedida de solteiro consistia em amigos de seu primo. Homens que Darcy conhecia, mas com quem mantinha pouco contato. Além de alguns poucos contatos de trabalho de Darcy e, em numero consideravelmente inferior, antigos colegas de universidade.
Assim que o viu, Richard veio ao seu encontro e guiou pelo salão, circundando mesas e recebendo cumprimentos dos homens ali presentes. Pararam em um bar e selecionaram suas bebidas.
Richard seguiu explicando-lhe como encontrara o clube noturno e o contratara para funcionar aquela noite com exclusividade para a sua despedida de solteiro. Anunciou que o serviço era open bar. Informou-lhe que no primeiro salão continuaria as apresentações de música ao vivo, enquanto que no andar superior estava montado um salão de jogos – estilo cassino, com mesas de vinte um e pôquer.
Darcy seguiu o primo até o segundo andar, onde encontrou Charles em uma mesa, jogando vinte um com cerca de oito outros participantes. À sua volta, garçonetes vestidas de coristas serviam bebidas, aperitivos e vendiam charutos cubanos para aqueles adeptos ou aos que queriam se aventurar naquela fantasia e experimentar algo novo.
Darcy assistiu algumas rodadas, tomando sua bebida e saboreando alguns aperitivos, até que seu primo o chamou para a mesa de pôquer ao final de uma rodada e houve uma abertura em uma das mesas. Ao sentar-se, Darcy notou a presença do seu sogro, o pai de Elizabeth. O sr. Bennet o cumprimentou com um aceno de cabeça e voltou sua atenção ao jogo.
A princípio, Darcy parecia estar numa maré de azar. Em cinco rodadas seguidas no jogo recebeu cartas ruins. A mão de maior pontos que conseguiu formar tinha sido uma trinca (são 3 cartas iguais mais duas cartas diferentes), perdendo facilmente para full house (são 3 cartas iguais, mais outras duas iguais) de seu primo. Mas, por possuir um bom blefe, conseguiu ganhar três destas cinco rodadas.
Mas as seguintes três rodadas sentiu a virada de sorte de sua mão. Venceu com straight flush (5 cartas seguidas do mesmo naipe que não seja até ao Ás), uma quadra (4 cartas iguais) e um majestoso royal straight flush (sequência real - 5 cartas seguidas do mesmo naipe até ao Ás).
No decorrer da noite, o cheiro forte do charuto começou a fazê-lo se sentir um pouco sufocado. Então Darcy se retirou da mesa de pôquer e foi até uma porta dupla ao fundo do salão, abrindo-as e saindo em uma sacada. Deixou a porta entreaberta e se encostou no parapeito da sacada, respirando o ar puro da madrugada e terminando o seu copo de whisky.
Retirou o celular do bolso e ligou para sua irmã. Georgiana parecia estar se divertindo e lhe informou que o chá de lingerie estava sendo um sucesso. Para que ele não se preocupasse, pois ligaria para ele quando desejasse ir embora. Desligando o celular antes mesmo de ele perguntar se podia falar com Elizabeth, aconselhando-o a se divertir.
Darcy desligou o celular e guardou-o no bolso da calça. Ergueu a mão para a porta entreaberta e começou a abri-la, mas ouviu a voz indistinta de seu meio irmão – quem ele ainda não havia notado a presença ou sequer sabia que havia sido convidado – e deteve-se.
- ...ela boa demais para ele.
- Alguém está com ciúmes! – A voz de outro homem replicou, debochada.
- Que ciúmes, que nada! – George rebateu.
- Seja honesto. Todos nós sabemos que você estava de olho nela. – Outro homem se pronunciou.
Darcy reconheceu a voz do homem como sendo Brian Sanderson, colega de trabalho de Wickham no Departamento de Marketing da Editora, e deduziu que o outro seria David Foster, também do Departamento de Marketing.
- E seu irmão te passou a perna. Admita! – Sanderson prosseguiu.
George não deu resposta alguma.
- Você acha que a história do bebê é verdadeira? – Foster questionou. – E que é por isso que Darcy está se casando?
- Não. – George respondeu, com convicção. – Ela está grávida, isso eu não tenho dúvida. Mas não é por isso que ele está casando. Se o que ele quisesse fosse apenas o filho, lutaria pela guarda na justiça e não me surpreenderia se ganhasse.
Eles ficaram em silêncio por um momento e Darcy se perguntou se haviam ido embora. Aproximou-se da porta e espiou-os – de pé próximos a uma mesa de pôquer, esperando surgir uma vaga para se sentarem e jogar.
- É ela quem ele quer. – George afirmou, sombrio. – E o que eu não daria para roubá-la dele!
- Mas você acha que o filho é dele? – Sanderson inquiriu. – Não pode ser seu?
Darcy sentiu uma mão de ferro se fechar em volta de seu coração e apertá-lo. George riu alto.
- Você acha que eu sou otário?! – Retorquiu. – Por mais sedutora e insinuante que Lizzie possa ser, ela não tem os atrativos que eu procuro em uma mulher. E com certeza não faria a besteira de engravidá-la, só para me ver ligado a ela por um filho que eu não desejo.
- Diz aí, por que você odeia tanto o seu irmão? – David questionou.
- Meio-irmão. – George corrigiu-o, não escondendo sua contrariedade no tom de voz. – Ele nunca me deu motivos para gostar dele, por que eu deveria? Por que ele é rico e se acha um máximo?! Ele não passa de um cara egoísta, mesquinho...
George se deteve no discurso ressentido quando surgiu uma vaga a mesa de pôquer e ele decidiu se sentar, deixando os amigos para trás.
Darcy se aproximou mais da porta para continuar a escutar a conversa dos outros dois, os quais diminuíram a voz para que George não os escutasse.
- Você acha que o filho é dele? – Foster questionou Sanderson.
- George não ia desperdiçar uma oportunidade de se gabar de que o irmão está se contentando com os seus restos, se este fosse o caso. E você mesmo ouviu o que ele disse. Elizabeth não tem os atrativos que ele busca em uma mulher. – Sanderson esfregou o polegar no indicador, em sinal monetário, ao falar “atrativos”.
- Mas ele pode muito bem ser o pai da criança e deixar o irmão assumir a culpa. Ele odeia Darcy o suficiente para fazer isso, você sabe! – Foster pontuou.
- Mas eu não acho que Elizabeth seria capaz. – Sanderson rebateu. – Ela teria que estar envolvida com os dois ao mesmo tempo.
- Não seja bobo. As mulheres são capazes de coisa muito pior. Principalmente se se sentirem rejeitadas e decidirem se vingar. – Foster anunciou. – George não quis assumir o filho, ela vai e se casa com o irmão dele. O irmão que ele odeia, por sinal! Tem melhor vingança do que esta?!
Eles interromperam a conversa quando uma garçonete vestida de corista veio com uma bandeja em sua direção, servindo-lhes mais bebida. Depois que ela se foi, os dois conseguiram uma vaga na mesa e se sentaram, encerrando aquela conversa em definitivo.
Darcy aproveitou a distração deles e saiu da sacada, indo para a mesa de vinte um e se sentando ao lado de Charles. Disse a si mesmo para ignorar o que ouviu e continuar a se divertir. Entrou no jogo assim que a rodada terminou e forçou-se a esquecer daquela conversa. Mas não conseguiu.
A mesa de pôquer estava mais animada, então abandonou a mesa de vinte um – desta vez, Charles o acompanhou – e retornou à mesa de pôquer em que seu primo e sogro ainda estavam. Aparentando estar com o jogo equilibrado.
Darcy ficou aliviado por George e seus amigos estarem ocupados em outra mesa de pôquer, privando-o de ter de encará-los e interagir com eles. Seria muito mais difícil recuperar o controle de si mesmo se este fosse o caso.
O efeito do álcool e a diversão do jogo estavam aumentando a audácia dos participantes e, consequentemente, o valor das apostas. Darcy queria poder acompanhar o ritmo do jogo, mas a conversa que ouvira insistia em pairar no fundo da sua mente, distraindo-o e impedindo-o de blefar tão bem. De forma que, Darcy passou rodadas seguidas perdendo. Para a alegria de seu primo, quem estava ganhando.
Pouco depois da meia noite, as mesas de jogos foram fechadas e Richard guiou Darcy e os outros convidados para o primeiro salão, anunciando o inicio da apresentação da atração principal da noite.
Darcy, Richard, Charles e o sr. Bennet ocuparam a mesa de centro, com a visão desobstruída do palco e aguardaram o inicio do show. A banda ao vivo continuou a tocar, mas logo ficou claro que a cantora seria também a dançarina. As músicas eram envolventes e as coreografias de dança eram sedutoras. Até mesmo as danças que incluíam strip-tease eram feitas com bom gosto, ao invés daquelas danças vulgares que eram apresentadas nos clubes noturnos comuns.
Darcy finalmente começou a esquecer-se da conversa que entreouvira e se distrair com as apresentações. E, logo, a sua mente começou a vagar por marés diferentes. Em uma das apresentações de strip-tease em que a dançarina era uma morena muito bonita, com o corpo cheio de curvas, Darcy pegou-se a pensar em Elizabeth. No strip-tease vendado que ela lhe proporcionara.
E o que a dançarina não conseguiu fazer ao se despir bem diante de seus olhos, a lembrança de Elizabeth guiando as suas mãos pelo seu corpo conseguiu. Darcy remexeu-se na sua cadeira, incomodado com a súbita onda de desejo que o envolveu e constrangido com o início de uma “alteração” quando estava sentado praticamente ao lado do sogro.
Deus o ajudasse, pois ele já sentira desejo por mulheres antes. Mas aquelas atrações anteriores pareciam meros anseios quando comparadas à força do desejo físico que Elizabeth despertava nele.
“O que havia nela que mexia tanto com ele?”, ele já se perguntara uns milhares de vezes. No entanto, continuava a ser um mistério. Era uma boa coisa que amanhã ela se tornará sua esposa. Sua mulher até que a morte os separe. Senão, ele estaria seriamente encrencado. Não havia algo que ele odiasse e temesse mais do que desejar algo que não pudesse ter.
Este pensamento o fez lembrar-se da conversa que entreouvira e suas dúvidas retomaram a sua mente com toda a força. E Darcy não sabia o que seria pior. Ser um prêmio de consolação para Elizabeth ou apenas um instrumento de vingança. Quando o que ele mais queria era ser o centro de seu mundo, a razão de seu sorriso. O que ela já era para ele.
Neste momento, em que ele estava distraído com estes pensamentos, as luzes do salão se apagaram e os holofotes iluminaram pontos estratégicos do salão, onde existiam entradas escondidas de onde a cantora e várias outras dançarinas saíram. Passando a circular entre as mesas, mexendo com os convidados.
A cantora veio direto em sua direção, cantando:
- She, she ain't real,
(Ela, ela não é verdadeira)
She ain't gonna be able to love you like I will,
(Ela não sera capaz de amá-lo como eu)
Cantando, a cantora sentou em seu colo, passando o braço pelo seu ombro e inclinou-se, jogando a cabeça para trás, deixando em evidência o decote valoroso dos seus seios fartos. Em seguida, ela ergueu uma das pernas, mostrando sua coxa torneada.
Cruzando as pernas sensualmente, ela ergueu-se, sentando-se ereta em seu colo e fitou-o nos olhos, continuando a cantar.
- Sure, she's got it all,
(Claro, ela está com tudo)
But, baby, is that really what you want?
(Mas, querido, é isso mesmo o que você quer?)
Acariciando o seu rosto delicadamente. Depois, pôs-se de pé com um salto espivitado.
- Bless your soul, you've got you're head in the clouds
(Coitadinho, você tem a cabeça nas nuvens)
She made a fool out of you
(Ela o fez de tolo)
Voltando-se de frente para ele, ela deu dois tapinhas afetivos na sua cabeça, bagunçando o seu cabelo.
- And, boy, she's bringing you down,
(E, garoto, ela está te pondo para baixo)
She made your heart melt,
(Ela fez o seu curacao derreter)
But you're cold to the core,
(Mas você está frio por dentro)
Now rumour has it she ain't got your love anymore,
(Agora os rumores dizem que ela não tem mais o seu amor)
Depois voltou-lhe as costas, com uma sacudidela das cadeiras, de forma muito desavergonhada, ela se afastou. Indo provocar outro convidado. Deixando Darcy se questionando se o destino estava querendo lhe dizer alguma coisa através daquela música.
Darcy estava tão distraído com estes pensamentos conturbadores que não notou o momento em que a cantora escolheu um publicitário de idade avançada, colega de trabalho de Richard, para provocar.
- She is half your age
(Ela tem metade da sua idade)
But I'm guessing that's the reason that you strayed,
(Mas eu acho que essa é a razão pela qual você me traiu)
Mas ficou de olhos arregalados quando a cantora escolheu encerrar a canção sentando-se no colo de George Wickham, beijando-lhe o rosto e piscando para ele sedutoramente.
- But rumour has it he's the one I'm leaving you for.
(Mas dizem por aí que ele é aquele por quem eu estou deixando você)
Darcy tentou recuperar o pouco do bom humor que o inicio das apresentações lhe proporcionara, mas não conseguiu. Permaneceu sentado àquela mesa, observando, sem realmente enxergar, as apresentações de dança e sorrindo sem real humor para seus colegas de mesa. E bebeu, quase sem comer nada de acompanhamento.
Uma hora e meia depois, quando o seu celular tocou e ele identificou o numero de Georgiana, Darcy estava mais do que pronto para ir embora. Seu sogro também estava cansado e consciente das suas obrigações do dia seguinte, também decidiu ir embora.
Praticamente juntos, chegaram ao apartamento de Elizabeth e Jane, onde os pais dela estavam passando a noite por causa do casamento. Tomaram o elevador em um silencio harmonioso e seguiram até a porta do apartamento.
O sr. Bennet entrou e Georgiana saiu, sendo seguida de perto por Elizabeth. Imaginando que o irmão e a noiva gostariam de um momento de privacidade para se despedirem, Georgiana abraçou Elizabeth e seguiu em direção ao elevador, deixando-os a sós.
- Como foi a despedida de solteiro? Divertida? – Elizabeth questionou-o.
Darcy encolheu os ombros, indiferente.
- Entretida. – Comentou.
Elizabeth estranhou a sua escolha de palavra para descrever a sua noite e se perguntou se ele estava sendo evasivo propositalmente, com receio de revelar que houve mulheres nuas na sua despedida de solteiro.
- E a sua? – Ele inquiriu.
- Lucrativa. – Replicou, com um sorriso malicioso; esperando que Darcy aproveitasse a oportunidade para lhe perguntar sobre os lingeries que ganhara.
Mas ele não o fez. Sequer acompanhou o seu sorriso com um próprio.
- Qual o problema? – Ela questionou, imediatamente.
- Nada. – Ele respondeu, sério.
- Will... – Elizabeth começou a protestar, aproximando-se mais dele.
- Eu só estou cansado. – Darcy declarou, dando um passo para trás. – Foi uma semana cansativa, uma noite longa... Realmente, eu só estou cansado. – Explicou, passando a mão pelo cabelo, inquieto.
Mas não conseguiu enganá-la. Elizabeth podia ver em seus olhos que havia algo errado.
- Há algo que você não está me contando. – Afirmou, decidida; segurando-o pela mão e mantendo-o parado a sua frente. – O que é?
Darcy hesitou. Os “e se” em sua mente o perturbando. E se perguntasse o que realmente queria saber? Ela podia negar. Como ele poderia saber se ela não estava mentindo? E se ela confirmasse tudo? E então? O que ele faria? Seria capaz de lhe dar as costas e se afastar?
- Esta tarde, Elizabeth. Você já devia estar na cama. – Declarou, com um olhar significativo para a sua barriguinha.
Antes que Elizabeth pudesse protestar, Georgiana gritou, próxima a porta do elevador.
- Ah, Lizzie, quase que me esqueço. Dê para ele o que nós fizemos. Sabe, aquilo? – Sorrindo, enigmática.
Elizabeth precisou de uns segundos para se lembrar.
- Claro. Eu me esqueci. Está no meu quarto. – Informou. – Eu vou buscar.
Entrou no apartamento, deixando Darcy para trás. Quando ela retornou, ele ainda a aguardava, mas parecia impaciente – trocando o peso do corpo de um pé para o outro.
Ela se aproximou e estendeu-lhe um rolo de papel branco, amarrado com uma fita vermelha. Ele o aceitou, fitando o objeto com a testa franzida. Mas, ao contrario do que ela imaginava, ele não desamarrou o laço e abriu a cartolina.
Apenas deu um passo em sua direção, inclinou-se sobre ela e lhe deu um beijo rápido na boca.
- Boa noite. – Disse, dando-lhe as costas em seguida e indo em direção ao elevador.
Elizabeth ficou ali, observando-o se afastar, agora ainda mais segura de que havia sim algo de errado.
Eu estou pronta para o amor
Por que você se esconde de mim?
Eu abro mão da minha liberdade rapidamente
Para ficar presa em seu cativeiro
Eu estou pronta para o amor
Toda a alegria e a dor
E todo tempo que leva
Só para cair em sua graça
Ultimamente, eu tenho pensado que, talvez,
Você não esteja pronto para mim
...
Eles dizem pra tomar cuidado com o que se deseja, pois pode se conseguir
Mas se você me perguntar amanhã, eu direi a mesma coisa
Eu estou pronta para o amor...
#
Na manhã do dia de seu casamento, Darcy acordou com uma tremenda dor de cabeça. Ao alcançar o relógio de pulso sobre a mesinha de cabeceira, viu que já estava na metade da manhã.
Como não conseguira adormecer com facilidade a madrugada passada depois de ter chegado a casa após a sua despedida de solteiro, não ficou surpreso por ter dormido além do de costume.
Procurou tomar um remédio para dor de cabeça logo. Como estava de estômago vazio, deixou-se convencer pela sra. Reynolds a tomar um copo de vitamina antes de tomar o remédio.
Ao questionar sobre o paradeiro de sua irmã, foi informado que Georgiana estava passando o dia com a noiva, a sua irmã Jane, a sra. Bennet e Charlotte Lucas no spa de beleza. Darcy soube, então, que só veria a irmã na igreja, já que Georgiana pretendia se arrumar no spa com as outras mulheres.
Darcy resolveu passar o restante de sua manhã fazendo aquilo que sempre o ajudou a curar ressacas. Caindo na piscina e se exercitando ao máximo. Consciente de que sua dor de cabeça era mais proveniente das suas dúvidas a respeito de Elizabeth do que da quantidade de álcool que ingerira na noite passada.
E aquela atividade metódica ajudava-o a parar de se martirizar, acalmando os seus ânimos. Ajudando-o a raciocinar com frieza, tornando, assim, mais fácil para ele encontrar uma solução para os seus problemas.
Quando saiu da piscina, nenhum pouco perto de tomar alguma decisão, a manhã já se fora. E, ao invés de tomar o seu costumeiro café-da-manhã na beira da piscina, lhe foi servido um almoço light – com muita salada e verduras.
Depois disso, Darcy não sabia o que fazer do seu tempo. O casamento estava marcado para o final da tarde, a horas de distância. E, além de pensar sobre o que entreouviu na noite passada, Darcy não tinha mais o que fazer.
Em seu quarto, encontrou o rolo de papel amarrado numa fita vermelha que Elizabeth lhe dera na noite passada. Curioso, finalmente desatou o laço e abriu a cartolina. Deparando-se com o Contrato Pré-nupcial mais incomum que já vira. O qual ele sequer se lembrava de ter assinado, mas que estava com a sua assinatura no final.
Ele leu a sequência de artigos escritos com caligrafias distintas, ora com a sobrancelha franzida, ora com o canto dos lábios curvados num mínimo sorriso safado. Até que deparou-se com o seguinte mandamento.
© Tenha memória curta: não adianta ficar relembrando ou cobrando situações antigas que já motivaram desavenças e podem prolongar o sofrimento desnecessariamente. Ao mesmo tempo, é importante entender que ter memória curta não significa si fazer de bobo; e sim valorizar o presente, superando os rancores passados.
E pegou-se a se perguntar se este momento era o caso de ele ter a memória curta ou se estaria fazendo papel de bobo. Devia prosseguir com o casamento ou cancelar tudo?
Antes de enrolar a cartolina e amarrá-la novamente, seus olhos recaíram no último artigo espremido no espaço entre a sua assinatura. Era capaz de reconhecer aquela letra caprichosa e arredondada em qualquer lugar.
© O mais importante: ame-nos. Ame a mim e ao(s) nosso(s) filho(s).
Acabou sentando-se na cama, segurando com firmeza aquele pedaço de papel nas mãos, com o olhar preso naquela curta frase como se estivesse hipnotizado.
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