Citações

Acho muito, recordar à tarde todas as tolices que se ouviram de manhã.(Jane Austen)

Enquanto não chega a hora da Ceia

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Era noite de natal. Em Pemberley, todos se confraternizavam com alegria, aguardando a ceia que seria dentro de poucas horas. Os Darcy, Os Bennet, os Bingley, alguns amigos e algumas pessoas que vieram com os Bingley. Todos presentes.

No entanto, nem Lydia, a mais nova das Bennet, e também nem o seu marido, George Wickham, estavam presentes. Convenientemente este estava ocupado com outro compromisso.

A Sra Bennet estava mais feliz do que nunca. Suas filhas mais velhas estavam casadas com belos e ricos senhores. Kitty estava noiva. E até Mary, a qual a senhora Bennet achava que ficaria solteira, também estava noiva de um pároco de uma cidade vizinha.

O que mais ela poderia querer? Oh sim, netos! Mas isso também já estava sendo providenciado. Suas filhas mais velhas estavam casadas há mais de dois anos, e Jane & Charles já tinham um lindo bebê, Simon, de 9 meses de vida. Lizzy e Darcy iriam anunciar esta noite que esperavam seu primeiro filho para o início do verão. Soube mais cedo por sua criada, que soube por outra criada de Pemberley. Quando voltasse a Longbourn tinha muito que contar para suas vizinhas. Que sorte a dela!

                        *****************************************

 

Lizzy estava procurando por Darcy. Onde ele estava? Deveria ter fugido para a biblioteca... Com tantos convidados, ele com certeza foi se refugiar lá. Entrou sem bater na porta, afinal já se esquecera de quantas vezes ia lá para chamar seu marido, que parecia se esquecer do mundo lá dentro.

Entretanto, nem nos seus piores pesadelos Lizzy poderia imaginar tal cena. Ao entrar na biblioteca, deparou-se com seu Darcy abraçado com... Caroline Bingley. Na verdade, ela estava abraçada a ele; ele parecia estar com os braços imóveis, mas para Elizabeth dava no mesmo, afinal ele não evitou o abraço.

Não poderia sair sem falar com eles, pois ambos se afastaram quando a porta se abriu e olharam para ela.

- Lizzy! – exclamou Darcy.

- Sr. Darcy, Srta Bingley. Estava procurando o senhor, mas vejo que está ocupado. Não atrapalharei.

- Lizzy! A Srta. Bingley....

Mas ela o interrompeu:

- Com licença. – Lizzy fez uma mesura e saiu da biblioteca.

- Parece-me que ela não gostou nada da cena que presenciou, Sr. Darcy.

Darcy ficou estático por um momento com a saída abrupta de sua esposa e com todo o ocorrido. Estava em sua biblioteca, em plena comemoração natalina, terminando de resolver um problema de última hora, quando escutou uma batida na porta e Caroline Bingley apareceu. A partir daí passou a falar sem parar sobre as "novidades" e no final da conversa o abraçou, pegando-o desprevenido. Nesse exato momento Lizzy apareceu, e pelo seu olhar e tom de voz ao chamá-lo de Sr. Darcy, sabia que ela estava magoada com ele. Mas ele não tinha culpa!

Fez uma mesura para Caroline, querendo sair da biblioteca, mas ela tinha outros planos.

- Sr. Darcy, deixe-me falar primeiro com a Sra. Darcy.

Darcy achou a ideia absurda. Caroline, ao falar com Lizzy, com certeza pioraria a situação.

- Srta Bingley, creio que não seria prudente. Lizzy está grávida, não quero que ela tenha nenhum aborrecimento.

- Acredito que agora seja tarde demais para isso. Mas não se preocupe, Sr. Darcy, vou esclarecer as coisas.

Darcy observou Caroline saindo e sentou em sua poltrona preferida. Daria um tempo e depois iria atrás de sua mulher. Afinal, em se tratando de Caroline Bingley, não sabia o que esperar.

                                **************************************

 

Lizzy queria muito se recolher em seu quarto e esquecer as comemorações que ainda estavam por vir. Como um dia que ela achava que seria perfeito se transformara em um dos piores dias de sua vida?

Sabia que teria que aguentar Caroline Bingley por toda sua vida; ela era cunhada de sua irmã, irmã do Charles, e por eles, só por eles, ela sempre suportava os comentários ácidos, os modos afetados e até a inveja que Lizzy sabia que a outra sentia por ela. Tudo porque Lizzy conseguira o que ela queria: se casar com Fitzwilliam Darcy.

Lizzy decidiu ir até o salão social tocar um pouco de piano. Isso sempre ajudava-a a se acalmar. Estava grávida de 2 meses, portanto sua barriga ainda não era visível. Ninguém, muito menos Caroline Bingley, iria atrapalhar sua alegria, decidiu. Mas só de imaginar a cara da outra quando soubesse que teria um filho do Darcy quase a fez se esquecer da cena que presenciara na biblioteca há pouco. Quase. Será que teria que passar a vida inteira suportando as investidas da outra?

Lizzy estava quase chegando perto do piano quando escutou alguém se aproximando atrás dela. Era Caroline, que não tardou a falar:

- Sra. Darcy, poderíamos trocar algumas palavras?

Elizabeth queria dizer não, mas resolveu agir como mandava a velha e boa educação.

- Vamos nos sentar ali perto da janela, Srta. Bingley, mais afastadas dos outros.

- Eles estão tão entretidos com a conversa do Sr. Dashwoood, noivo de sua irmã Mary, que nem notarão a nossa presença.

Mal sentaram, Caroline já começou com as explicações.

- Sra Darcy, vim aqui para explicar-lhe porque estava abraçada ao Sr. Darcy quando a senhora entrou na sala. Foi só uma coisa de momento. Eu estava contando ao Sr.Darcy que após os festejos eu e o Sr. Morrison, um dos convidados que trouxemos de Londres, e que a senhora conheceu hoje, iremos anunciar nosso noivado em breve. Ele é um cavalheiro muito distinto, primo do Conde de Westbridge. Tudo o que sonhei. Acho que agora entendo o que uniu o Sr. Darcy e você. Quero deixar claro que o próprio Sr. Darcy ficou surpreso com a minha atitude, mas a senhora é mulher, há de me compreender. No momento em que estava contando tudo a ele o entusiasmo do meu futuro casamento voltou com grande força.

- Srta Bingley, em nenhum momento duvidei do meu marido. Sabia que com certeza o que presenciei na biblioteca nunca seria por iniciativa dele. Mas fico muito contente com a sua futura boda. Só peço-lhe que da próxima vez contenha um pouco seu entusiasmo, porque eu posso vir a ter um parecido quando conversar com o Sr. Morrison.

Caroline fulminou-a com o olhar.

- A senhora não ousaria!

- Pela sua reação parece-me que está realmente enamorada dele.

Foram interrompidas pela chegada de Georgiana Darcy.

- Lizzy, Lizzy! Toca para a gente?

- Georgie, você poderia começar? Tenho que falar com seu irmão primeiro, mas volto daqui a pouco.

De repente para Elizabeth Darcy a noite não parecia mais assim tão fria, o dia não mais imperfeito. Afinal, era noite de Natal. Noite de milagres. Caroline Bingley apaixonada? Um dos milagres desse dia, concluiu Lizzy. Agora poderia respirar tranquila quando ela viesse visitá-los. Ela não mais tentaria chamar a atenção de Fitzwilliam. Enfim, um belo milagre.

Sorrindo, Lizzy atravessou o corredor em direção à biblioteca. Era muito ciumenta, tinha que concordar. Mas também com um marido tão lindo desses, quem não seria? Mas ela sabia que Fitzwilliam também era.

Lembrou-se de um episódio uma vez em que fora a Londres e a ópera pela primeira vez. Quando um belo rapaz, amigo do primo do seu marido, não parou de tecer elogios a ela e ainda disse que deveria ter tido a mesma ideia dele e de Charles e ter feito uma viagem ao interior, só assim teria conhecido-a primeiro do que ele. Até Lizzy ficou sem palavras diante da ousadia do cavalheiro, mas vê-lo se afastar às pressas do olhar ameaçador de Darcy foi impagável.

Encontrou-o recostado na poltrona de olhos fechados. Sabia que ele não estava dormindo devido ao modo como balançava uma das mãos no encosto da poltrona.

Ele abriu os olhos no momento em que ela fechou a porta da biblioteca e se aproximou.

Lizzy sentou-se no colo dele como às vezes fazia e olhou bem dentro daqueles olhos incrivelmente azuis.

- Liz...

- Shhh... - fez Lizzy tocando nos lábios dele com os dedos. – Não precisa explicar nada, já falei com a Srta Bingley. Mas também nem precisava, já sabia que ela tinha tomado a iniciativa antes mesmo de ter falado com ela. O melhor é que isso nunca mais irá acontecer.

- Casei-me com uma mulher muito ciumenta. Vejo que esse é o preço que tenho que pagar. – O tom de voz dele era jocoso.

- Se aborreço o senhor meu marido, creio que devo retirar-me. – Ela falava no mesmo tom usado por ele.

- Não ouse. Não deixarei. Não antes de me dar um abraço.

- Já que insiste... Não vejo nenhum sacrifício nisso. – Lizzy aconchegou-se mais a ele, aproveitando para beijar sua testa, seus olhos, seu nariz, depois as bochechas... pulou para o queixo e aí foi para a boca.

- Por mais que adore estar sempre assim tão pertinho de ti acho mais prudente nos unirmos aos outros para os festejos, afinal somos os anfitriões.

- Tem razão Lizzy. – falava ele enquanto afagava a barriga da mulher. – Não vejo a hora que sua barriga cresça. Para enchê-la de beijos.

- Mas o senhor já o faz.

- E continuarei fazendo para sempre.

- Assim espero, Sr. Darcy.

- Vamos, querida, não vejo a hora de dizer ao mundo que teremos um novo Darcy em breve.

De mãos dadas, saíram ao encontro de mais alegria e comemoração. De uma festa que acima de tudo é celebrada pelo nascimento. Pela esperança e definitivamente pelos milagres.

 

                                                          ***FIM***

 

 

De Stuffs

 

 

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