Capítulo 15
Darcy estava se sentindo completamente arrasado. Como sua vida tranquila de um dia para o outro poderia ter se transformado em um pesadelo? O que mais sentia no momento era decepção e culpa.
Decepção porque Elizabeth havia viajado e não tinha contado a ele. Ela decidira não lutar por eles. E culpa pelo seu tio estar no hospital por sua culpa. E também se sentia culpado porque, mesmo seu relacionamento com Elizabeth ter sido a causa disso tudo, ele ainda queria lutar pelos dois, mas ela resolvera o problema para eles, desaparecendo sem aviso.
Passaram-se três dias após o enfarto do seu tio. Toda vez que seu tio dormia ele o visitava, mas quando sabia que ele estava acordado evitava encará-lo e saía do quarto no hospital. Tinha medo da reação do tio ao vê-lo.
Estava sentado em um cadeira perto do quarto do tio quando Fitz o chamou.
- Will, o tio quer falar com você. Perguntou porque você ainda não foi vê-lo. Eu disse que você já foi visitá-lo, mas que ele estava dormindo todas as vezes.
- Não sei se é uma boa ideia entrar lá, ele saiu ontem da UTI.
- É claro que é, ele está calmo, vá logo, aproveite que tia Catherine está no refeitório do hospital. Daqui a pouco ela volta e você sabe que ela não sairá de perto dele.
Mesmo relutante, William entrou. Encontrou seu tio deitado em seu leito, recebendo soro e monitorado, e com um jornal na mão. William ficou mais tenso ainda. Como é possível que Fitz ou/e tia Catherine deixassem ele se aborrecer mais? Não olhou mais os jornais mas com certeza ainda estariam comentando sobre ele e Lizzy.
Quando Paul de Bourgh viu seu sobrinho, sorriu e comentou:
- Will, filho. Você é mais danadinho do que eu pensava. Causou esse alvoroço todo. E ela é bonita. - falou ele dando uma piscadela - Você tem que apresentá-la. Soube que tem o mesmo humor do pai.
William ficou pasmo com tudo o que o seu tio estava falando.
- Tio, desculpe. Eu sei que fui o causador do seu enfarto.
- Do que você está falando? Causador? Um único causador fui eu mesmo por não escutar os avisos que meu corpo me dava e não me cuidar.
- Mas depois de ler sobre isso o senhor enfartou.
- Eu enfartei antes, filho. Só li esse jornal hoje de manhã. Quando me levaram para o hospital não eram nem 5h da manhã. Não poderia ter lido o jornal, já que ele sempre chega perto das 6h. Mas por que você pensou isso? Nunca enfartaria por uma coisa dessas, ao contrário. Ver você feliz só me dá alegria. E de uns tempos para cá você anda menos sério que o habitual. Além disso, soube que a campanha para o senado voltou com força total por causa desse assunto de namoro escondido – disse Paul rindo.- e do meu enfarto também.
O povo gosta de um drama. Agora venha aqui dá um abraço no seu tio.
William sentiu como se um peso houvesse sido retirado de cima dele e de seu coração. Seu tio, além de tudo, aprovava seu namoro com Elizabeth.
Elizabeth. Por um momento esqueceu que ela não estava mais a seu alcance. Tinha esquecido que ela não ficara para lutar pelos dois.
Bem, parecia que seu coração ainda não estava de todo feliz.
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Após visitar Paul de Bourgh, Charles levou William e Fitz para comerem no Le Cafe, o restaurante em que Jane trabalhava. Ambos foram mais tranqüilos, sabendo que a saúde de seu tio estava estabilizando, e Darcy por saber que não fora causador dos males do tio.
Jane foi recebê-los. Abriu um belo sorriso para Charles e um melancólico para Darcy e Fitz. Deu boa noite para eles, falou um pouco em particular com Charles, entregou uma carta de Lizzy para Will e voltou para dentro do restaurante, em um local exclusivo para os funcionários.
Trilha Sonora: Cry – Mandy Moore
William ficou olhando a carta, depois pediu licença e foi para fora do restaurante, que era de frente para o mar, para ler a carta.
Dentro do restaurante, Fitz estranhou o jeito de Jane, sempre simpática e sorridente com todos e comentou com Charles.
- Você tem que compreendê-la. Ela está com saudade das duas, da Lizzy e da Charlotte. Queria ter viajado com elas também.
- Viajado?
- Você não sabia? – perguntou Charles surpreso.
- Lizzy foi para a Inglaterra recomendada pela mãe, para a impressa não ficar atrás dela e ficar especulando mais sobre o relacionamento dela com o Will. E a Charlotte, como está de férias, a acompanhou.
- E o Will sabe dessa viagem? – recebendo a resposta positiva de Charles, Fitz resmungou:
- Ótimo, todos sabiam menos eu. Ela não deve se ter me esquecido mesmo. Viajou de férias e nem se importou comigo ou com a saúde do meu tio.
- Na verdade, a mantive informada de tudo pela Jane. Ela sempre pergunta sobre você, mas não quer que você saiba disso.
- E só agora você me diz isso? Que belo amigo você é, Charles.
- Não estou contando agora? Você pensa que é fácil para mim ficar na corda bamba? Se eu contar a você, a Jane fica com raiva de mim; se eu não te contar, quem fica com raiva é você. Trate você mesmo de consertar seus erros, Fitz.
- É o que farei. De uma vez por todas.
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Will, quando você ler essa carta eu não estarei mais aqui. Viajei para Inglaterra para a casa de meus tios porque assim que as notícias sobre nosso relacionamento saíram nos jornais minha mãe achou mais prudente que eu viajasse para acalmar os ânimos de todos. Como meu pai concordou com essa viagem, aceitei fazê-la porque não queria desapontá-lo mais ainda.
Horas depois fiquei sabendo do seu tio ao telefonar para sua casa e sua tia atender a ligação. Quando ela contou que seu tio ficou doente por causa da descoberta do nosso relacionamento fiquei mais triste do que estava porque mesmo que nós não estivéssemos fazendo nada de errado, prejudicou alguém que você ama.
Sua tia está certa em querer que eu saia da sua vida. Acho essa atitude a mais prudente e acertada no momento. Você tem que pensar no seu tio agora, na sua saúde, e não em nosso relacionamento. Por isso mais do que nunca concordei com essa viagem. Vou ficar fora por 15 dias, mas quando voltar, por favor, não me procure. Não quero ser um empecilho entre você e sua família. Mas quero que saiba que faço tudo isso não por ser uma covarde mas sim por te amar muito.
Elizabeth.
Darcy sentiu seus cílios um pouco úmidos ao terminar de ler a carta de Lizzy. Ela o amava, pensou feliz. Seu dia só melhorava.
Entrou de novo no restaurante.
- Charles, onde está Jane?
- Deve está lá dentro trabalhando, não acabou ainda o horário do expediente dela.
- Preciso falar com ela e isso não pode esperar.
Darcy foi até o local onde Jane tinha entrado. Prevendo o que ele queria fazer, Fitz o seguiu e Charles também foi atrás deles.
Um dos funcionários os viu indo para a área exclusiva de funcionários e falou:
- Ei, vocês não podem entrar aí.
Fitz o ignorou, mas o homem recuou ao ver o olhar ameaçador que Darcy lançou para ele.
Encontraram Jane selecionando algumas frutas. Ela ficou surpresa ao vê-los ali.
- Jane, preciso que me diga onde Elizabeth está. – William perguntou, com um misto de ansiedade e expectativa.
- E Charlotte. – Fitz acrescentou.
Jane olhou para eles e acabou sentindo pena ao ver a expressão desolada dos dois. Elas não pediram segredo. Quem sabe eles não se acertariam de vez?
- Voltem para a mesa que vocês estavam, daqui a pouco eu apareço para falar-lhes. – disse ela.
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