Capítulo 14
Charlotte possuía vários panfletos de agências de turismo e já tinha feito inúmeras pesquisas na Internet de lugares para onde poderia passar suas férias; definitivamente, a Inglaterra era uma de suas opções. Por isso aceitou de bom grado o convite da viagem para a Inglaterra com Lizzy. Ficou feliz por não ir sozinha, por ter a companhia dela. Apesar da situação não ser a das melhores.
Tinha que sair de sua casa, deixar o celular desligado e aproveitar para descansar. Algumas semanas fora seria bom também para Fitz finalmente desistir. Todo dia ligava mais de uma vez para ela. Com certeza não demoraria muito tempo para ele esquecer que ela existia.
Terminou de arrumar suas malas, que já estavam semi-prontas porque ela já planejava viajar mesmo, e rumou para o apartamento de Lizzy.
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Elizabeth estranhou o fato de William não ter ligado para ela. Tentou falar com ele durante a tarde toda mas o celular só caía na caixa postal; ligou para o escritório e a secretária disse que ele não tinha ido ao trabalho naquele dia. Queria falar com ele antes de viajar.
Vê-lo se possível. Não iria no voo que sua mãe havia marcado mas no da madrugada.
No final da tarde, atenderam a ligação na casa dele.
- Alô! – ela falou.
- Quem fala? – disse uma voz de mulher desconhecida.
- O William está?
- E quem está falando? – respondeu a mulher com voz autoritária.
- É Elizabeth. Ele se encontra em casa?
- Ah, Elizabeth. Depois de tudo isso ainda tem coragem de ligar para o meu sobrinho? Depois de todo esse estrago que causou?
- Olha, senhora, eu sei que vocês acabaram descobrindo meu namoro com ele da pior forma possível mas nem eu nem William queríamos que as coisas fossem reveladas desse jeito. Nós nos amamos e se escondemos de todos foi para não prejudicar ninguém.
- Mas prejudicou. Saiba que essa história teve mais conseqüências do que você supõe. Meu marido, tio de William, está hospitalizado e possivelmente sua saúde agravou-se devido a esse escândalo de hoje.
- Senhora... – disse Lizzy chocada e surpresa com os acontecimentos.
- Se você sente pelo menos um pouco desse sentimento que diz sentir por meu sobrinho, sugiro que não o incomode. Ele está concentrado na melhora da saúde do seu tio. Evite trazer mais desgraças para a vida dele e deixe-o em paz.
Terminando de falar essas palavras, Catherine encerrou a ligação, deixando Lizzy completamente sem ação e se achando culpada pela tristeza que com certeza William deveria estar sentindo. E ela contribuiu para isso. Começou a fazer algo que não havia feito desde que esse longo e difícil dia se iniciara: chorar.
William havia levado sua tia até a casa dela para ela tomar um banho e se preparar para voltar ao hospital. Foi em sua casa primeiro pegar seu celular, que havia esquecido de manhã, pois saiu apressado de casa. Tinha que ligar para Lizzy.
Quando voltou para a sala, viu Catherine desligando o telefone.
- Quem era tia?
- Foi engano.
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Duas horas depois, em seu quarto, com Jane & Charlotte e já com as malas praticamente prontas, o telefone de Elizabeth tocou. Ela olhou apreensiva para elas e disse: É ele, o Will.
- Lizzy, você tem que falar com ele, não pode viajar sem falar com ele. – aconselhou Jane.
- Will? – atendeu Lizzy hesitante.
- Lizzy! Que loucura foi essa? Todos descobriram da pior maneira possível. Nós fomos cuidadosos. Só não vou processar esse jornal por causa do meu tio por que senão... Ele sofreu um enfarto hoje bem cedo e foi operado. Mas não corre mais perigo de vida.
A cirurgia foi um sucesso, graças a Deus. Claro que a saúde dele ainda inspira cuidados; ele vai ficar uma semana ainda no hospital em observação.
- Will, sinto muito. Você não sabe o quanto... eu sinto.
- Eu também. E como o seu pai reagiu quanto leu os jornais?
- Meu pai se surpreendeu como muitas pessoas também, mas depois que conversei com ele, ele me disse que se eu estivesse feliz ele também ficaria. Mas isso não é importante agora e sim a saúde de seu tio.
- Estou no hospital agora. Sinto que sou o culpado, Lizzy, pelo que aconteceu com ele. Creio que esse escândalo no jornal foi o que impulsionou o enfarto do meu tio. Eu causei isso ao meu tio, Elizabeth. – disse ele angustiado.
- Nós dois. Não carregue essa culpa sozinho.
- Lizzy...
- Queria te ver agora, Will.
- Não sei se é prudente sermos vistos juntos nesse momento.
- Por favor, Will. Encontre-me em uma hora naquela praça perto da pista de patinação. Vá disfarçado, de óculos escuros, boné, e não vá com um dos seus carros, vá de táxi. Acho que desse jeito será mais fácil despistar se houver, com certeza há, pessoas vigiando os nossos passos como antes. Eu também vou me disfarçar.
Trilha Sonora: I Wanna Be With You – Mandy Moore
Já na praça, mal se aproximaram, Lizzy notou a expressão triste e desolada no rosto dele. Ela correu para os seus braços e o abraçou forte, reconfortando-o nesse momento difícil em que ele estava passando.
Ela sentou na fonte e ele colocou a cabeça no colo dela. Enquanto Lizzy alisava seu cabelo, ficaram calados pelo tempo que pareceu uma eternidade até ele dizer:
-Peruca vermelha? Lizzy, tem certeza que você não queria ser vista?
Ela esboçou um fraco sorriso ao dizer:
-Quem iria me reconhecer assim?
Naquele momento, junto a ele, Lizzy só sentia vontade de chorar. Não podia prejudicar o relacionamento dele com sua família. Iria viajar dali a algumas horas e não contaria a ele. Seria melhor que saísse por enquanto da vida dele, mesmo que doesse muito nela. Mesmo na posição em que estavam, ela abaixou a cabeça e deu um beijo nele. Poderia ser o último e ela não queria desperdiçar a chance.
Depois, ela voltou a acariciar os cabelos dele, enquanto falava:
- Will, acho que é melhor ficarmos um tempo sem nos vermos.
Ele levantou e sentou-se ao escutar o que ela disse.
-Temos que resolver essa situação, Lizzy. Vamos deixar meu tio melhorar para voltarmos a ter essa conversa. Só consigo pensar agora é que fui culpado pelo que minha família está passando. Não é hora para falarmos de nós dois. Também acho que não devemos nos ver por uns dias, mas eu vou te ligar amanhã, ok? Vamos resolver isso juntos e tudo dará certo.
Lizzy tentou a todo custo não deixar que as lágrimas caíssem, mas uma lágrima solitária e teimosa insistiu em rolar pelo seu rosto.
- Ei, - disse William, enxugando a lágrima com o seu polegar direito.- Não quero te ver assim, não é o fim.
“É sim.” – pensou Elizabeth, triste.
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Emma e Anthony Gardner eram as pessoas mais amáveis e felizes que Lizzy conhecia. Elizabeth os amava muito.
Ela já tinha visitado seus tios algumas vezes em Londres, mas nunca em Chatsworth, Derbyshire. Eles moraram vários anos em Londres mas há 3 anos atrás decidiram morar no campo.
A propriedade deles era bonita e aconchegante, colorida e com muito verde fora e ao redor da casa.
O cheiro de ar puro e a calmaria do ambiente teriam deixado-na mais feliz se as circunstâncias fossem outra.
Mas ela havia decidido explorar toda a região, inclusive uma bela propriedade perto da dos seus tios, que logo chamou sua atenção assim que ela avistou. Teria tempo de sobra para isso.
Ficou muito feliz com a discrição dos seus tios. Acolheram-na e a Charlotte muito bem e não perguntaram nada sobre o motivo da viagem repentina até lá, embora Lizzy soubesse que sua mãe havia contado tudo para eles.
Mesmo com seu coração triste, tentou aparentar alegria. Sua tia, muito perspicaz, notou sua tristeza. Não só de sua sobrinha mas da amiga dela também.















