Capítulo 12
Era Sábado. Mais cinco dias se passaram. Will tentou defender o primo para Lizzy.
Contou toda a verdade sobre Lisa, que na verdade Fitz tinha saído com ela, mas que o encontro durou pouco. Lizzy, ficou na dúvida sobre o que achava de tudo isso, devido ao tempo em que o Fitz não atendeu as ligações de Charlotte. Mesmo assim tentou contar para ela, mas ela não queria escutar nada relacionando a Fitz.
Nesses dias, ele tentou, sem sucesso, conversar com Charlotte. Esta, por sua vez, teve que dar sua resposta a Collins sobre o seu pedido de namoro.
- Infelizmente vai ter que declinar? Mas eu pensei que... pensei que você fosse finalmente aceitar, Charlotte.
- Collins – disse Charlotte fitando os olhos dele. - Eu pensei bem e acho que um relacionamento entre nós não daria certo. Nós não nutrimos sentimentos profundos um pelo outro, não temos nem química. Nem amigos somos, somos apenas conhecidos. Não vou me enganar e nem você deve se enganar. Tem que existir amor, ou pelo menos paixão, para um relacionamento durar e não apenas ser por conveniência. Não sei se ainda encontrarei um dia alguém que me ame. Mas nem por isso vou mergulhar de cabeça em um relacionamento já fadado ao fracasso. Eu não tenho mais muita esperança, mas quem sabe você não encontre? Olhe mais ao seu redor. As novas oportunidades. Pelo pouco que conheço você, vejo que você só vive para o trabalho. Você não deixará de ser um dos melhores pneumologistas desse hospital só porque decidiu relaxar um pouquinho mais.
- Doutora Charlotte. Tem um paciente aguardando-a. – apareceu uma enfermeira para avisar.
- Pense em tudo o que eu disse.- falou Charlotte, deixando Collins ainda sentando e sem conseguir proferir sequer uma palavra.
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Trilha Sonora: Desde o Primeiro Momento - Pamela & William Nascimento (não é o Alex Gonzaga)
O sol se fazia presente, fazendo daquele sábado um belo dia para velejar. Já que Lizzy e Darcy não puderam ir da outra vez, resolveram fazer esse passeio hoje.
Darcy alugou o barco e Charles & Jane também vieram com eles para curtir e aproveitar o dia.
Jane estava sozinha deitada em uma espreguiçadeira, com chapéu e óculos escuros, esperando Charles aparecer com o refrigerante light que ela pedira. Escutou um barulho e levantou a vista a tempo de ver Charles tropeçando na sandália dela. Mas ele conseguiu se equilibrar a tempo, evitando que as bebidas que ele estava segurando em cada mão caíssem.
- Desculpe, meu amor – falou Jane pegando sua bebida quando ele sentou-se na espreguiçadeira ao lado dela. - Tirei minhas sandálias e nem vi que as deixei largadas por aí.
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Na outra extremidade do barco, Lizzy estava de pé na popa olhando para a vastidão do mar azul, perdida em seus pensamentos. Usava um maiô tomara-que-caia rosa e um vestido branco transparente, próprio para usar por cima do maiô, e óculos escuros também. Sentiu que alguém a abraçava pela cintura. Era William. Ela aconchegou-se mais nele e encostou a cabeça no ombro dele.
- Por que está tão pensativa?
- Estou pensando em tudo. Na Char e em nossa situação. Sei que já conversamos sobre isso, mas namorar escondido não é para mim. Não gosto de esconder da minha família e de todos o nosso namoro. Às vezes sinto como se estivéssemos fazendo alguma coisa errada, e, na verdade, não estamos.
- Eu sei, Lizzy. – falou Darcy abraçando-a mais forte. - Porque também sinto o mesmo.
O que você acha de contarmos a verdade a eles, à nossa família? Enfrentaremos tudo juntos e no final tudo dará certo.
- Não sei, Will. Eu acho que essa seria a decisão mais acertada, mas penso que colocaremos mais estresse na vida deles. Vejo como meu pai está trabalhando duro na campanha, acho que se contamos agora traremos mais problemas para eles. Acho que o jeito é esperarmos, afinal só faltam mais alguns poucos meses.
- Está certo. – disse ele, dando um beijo no topo da cabeça dela e virando-a de frente para ele.
Elizabeth admirou-o. Ele estava com óculos escuros, uma camisa regata preta e bermuda branca. Ela nunca o tinha visto vestido tão informalmente e achou praticamente impossível qualquer estilo de roupa ficar feio nele. Sorriu. Só mais algum tempo e poderia gritar ao mundo que era a namorada dele. Foi recompensada com um sorriso dele em retribuição ao seu e com um desses beijos maravilhosos que só ele sabia dar.
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Trilha Sonora: I Still Believe in Love - Jenny Hyun
- O que aconteceu? – perguntou Charlotte a uma das enfermeiras sobre os pacientes de uma ambulância que acabara de chegar ao hospital.
Segunda-feira não era um dia muito movimentando. Normalmente era um dia tranquilo no hospital onde ela trabalhava.
- Foi em uma construção. Caiu uma viga em três trabalhadores que estavam no local. No engenheiro-chefe, em outro engenheiro e em um empreiteiro.
Bastou Charlotte olhar para um das macas e reconhecer um deles. Era Fitz, que estava deitado, porém consciente, com alguns cortes visíveis e cheio de poeira pelo corpo todo.
Charlotte aproximou-se dele e disse:
- Janice, eu vou examinar esse aqui, encaminhe os outros para os outros médicos.
- Sim, doutora.
- Charlotte.... – chamou Fitz.
- Calma, está tudo bem, - falava ela enquanto o examinava.
Feito os exames e as radiografias, foi constatado que não houve nenhuma fratura só alguns cortes e arranhões e logo seria liberado. Fora apenas um susto.
O outro engenheiro e o empreiteiro também não sofreram nenhuma fratura já que a viga caiu de raspão perto deles e não em cima deles como a enfermeira tinha dito anteriormente.
O outro engenheiro e o empreiteiro também não sofreram nenhuma fratura já que a viga caiu de raspão perto deles e não em cima deles como a enfermeira tinha dito anteriormente.
Ele estava sentado em uma maca enquanto Charlotte, de frente para ele, terminava de fazer um último curativo no lado direito da testa dele.
- Charlotte....
- Shhh... fique quietinho, deixe eu terminar.
- Ai! – exclamou ele.
- O que foi? – perguntou Charlotte preocupada.
- Senti uma dor no ombro direito.
- A radiografia não acusou nada, é normal sentir dores, você sentirá por alguns dias.
- Por isso mesmo, vou precisar de uma médica para cuidar de mim em casa...
- Não precisa, basta chamar a mulher da “vez” que seu problema será solucionado.
Ele pegou na mão dela impedindo-a de se locomover pois viu que ela iria afastar-se.
- Não quero ninguém. Só você.
Charlotte olhou-o confusa.
– Que brincadeira é essa?
- Não é brincadeira nenhuma.
- Não vou cair na sua lábia de novo. Uma vez já foi suficiente. Está liberado. Will deve estar esperando por você na recepção. Liguei para Lizzy e pedi que ela mandasse ele vir te buscar aqui no hospital.
Fitz sentia algumas partes do corpo dolorido. Em alguns anos de trabalho, era a primeira vez que acontecia isso com ele. Estava trabalhando muito ultimamente, para ele isso foi um aviso de que não deveria jogar suas frustrações no trabalho porque a vida era curta. Deveria ir à luta pelo que queria.
Vendo Charlotte ali preocupada com ele, e que ela até providenciou alguém para levá-lo para casa, deu-lhe esperanças. Não iria desistir dela. Saiu da sala de exames mas não a viu mais. Foi em direção à recepção. Amanhã seria um novo dia.
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Mary trabalhava no mesmo hospital que Charlotte e também tinham em comum Lizzy, por isso Mary e Charlotte possuíam uma boa amizade.
Apesar de não serem amigas íntimas, Mary inteirou-se de que Char estava saindo com alguém, mas que o relacionamento durara pouco. Resolveu indagar Lizzy sobre a aparência do homem que soube chamar Fitz e constatou que batia com a descrição física do homem que procurara por Charlotte no hospital e que Collins havia dito que ela não estava.
Achava que o término da relação nada tinha a ver com isso, pois não se aprofundou na questão com Lizzy e nem com Charlotte, mas mesmo assim decidiu que não poderia ficar mais calada. Tinha que tomar alguma atitude. Resolveu falar com Collins.
Entrou na sala dele no hospital perto do horário da saída dele.
- Dr. Collins, preciso falar com o senhor um momento.
- Sim?
- Não é sobre nenhum paciente, é um assunto pessoal. Não queria falar aqui, mas como só encontro com o senhor aqui então será aqui mesmo.
- Pessoal?
- Sim. Há alguns dias estava na recepção dando algumas indicações a um familiar de um paciente e vi o senhor conversando com um homem que perguntou por Charlotte e o senhor disse a ele que ela não estava mais no hospital. Mas naquele dia ela havia trocado o turno com a Dra. Joana e eu vi o senhor falando com ela minutos antes desse homem aparecer. O senhor mentiu deliberadamente. Se o senhor não contar o ocorrido à Charlotte serei obrigado a fazê-lo. Ela é uma amiga e não posso ficar calada.
– disse Mary tudo num só fôlego.
- Isso é uma ameaça? – perguntou Collins erguendo uma sobrancelha e ficando intrigado com a pessoa à sua frente. Mary, Mary Bennet. Sempre tão calada e contida.
Estava mostrando uma faceta bem interessante.
- Não é uma ameaça, apenas estou lhe dando uma escolha. Ou o senhor fala ou eu o farei.
- Muito bem, não se preocupe. Eu já havia decidido que contaria a ela hoje mesmo, já que hoje é o último dia em que ela trabalha. Amanhã ela entra de férias, você deve saber disso sendo amiga dela.
Escutaram alguém batendo na porta. Era Charlotte.
-Dr. Collins? Mary? – Charlotte falou olhando de um para outro e sentindo um clima estranho no “ar.”
- Olá, estou de saída. – falando isso, Mary saiu da sala deixando apenas Collins e Charlotte no recinto.
- Você tem uma amiga interessante, Charlotte.
- A Mary? – perguntou ela notando o interesse de Collins - Tenho sim, ela é uma pessoa muito centrada, equilibrada, responsável. - Mas porque mandou me chamar?
- Não tema, não irei pedi-la em namoro, embora ainda acho que nós dois daríamos certo. Pensei muito no que você disse e você tem razão sobre muitas coisas e queria te pedir desculpas. Porque fiz algo que na hora achei que tinha feito em benefício próprio mas agora vejo que o quanto fui egoísta. Um homem veio aqui procurando por você. O mesmo com quem você saiu há algumas semanas daqui do hospital. Ele perguntou por você e eu disse que você tinha ido embora, mas você ainda estava de plantão. Foi no último dia em que você trocou o turno do seu plantão.
- Collins! – exclamou Charlotte chocada. - Como você pôde mentir assim...?
- Eu sei, peço sinceras desculpas, Charlotte.
- O que está feito não tem mais volta, só peço que você não se intrometa mais na minha vida, porque você não tem nenhum direito a isso. – Respondeu ela séria.
Charlotte saiu do Hospital naquele dia esgotada. Física e emocionalmente.
Apesar de ter ficado feliz em saber que Fitz falara a verdade e a procurara, depois pensou melhor e viu que ele provavelmente iria apenas avisá-la pessoalmente naquele dia que não queria mais vê-la.
Enfim estava de férias, iria fazer uma viagem, talvez algum pais da Europa, e tentar mais uma vez colocar sua vida e seus pensamentos de volta nos trilhos.
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- Chefe, aqui estão as fotos de William Darcy e Elizabeth Bennet juntos. A informação da mulher que fez aquele telefonema anônimo para o jornal e disse que viu os dois juntos aos beijos em uma festa procede. Eles estão realmente mantendo um relacionamento secreto.
- Que notícia boa. Estava inclinado a pensar que era um trote, mas fiz bem em te mandar investigar. Essa notícia, além de fazer vender muitos exemplares e da nossa seção Social do jornal ser a mais lida da semana, fará um barulho na reta final das eleições para o senado. Se eles estão namorando em segredo, nem o tio dele e nem o pai dela sabem desse relacionamento. Mas em breve irão descobrir. Comece a preparar a matéria.
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