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Não desesperar nunca do que se quer esperar: Por uma aplicação infatigável alcançaremos o fim.(Jane Austen)

Amor Proibido - Capítulo 10

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  Capítulo 10
 
 
- Mas que expressão em seu rosto é essa, Will. - falou Fitz, que tinha acabado de chegar à casa de Darcy. Sentou-se no sofá de frente para ele.
 
- A sua também não está muito boa.
 
- Eu? Eu estou ótimo. – disse Fitz mesmo seu rosto mostrando o contrário.
 
- Será que não tem nada a ver com a Charlotte? Lizzy me disse que faz algumas semanas que você não telefona para Charlotte, que ela acha que você já a esqueceu. A propósito, cuidado quando se encontrar com a Lizzy, ela está uma fera com você.
 
- Ah, Will. Na verdade é por causa da Charlotte que eu vim aqui falar com você. Não paro de pensar nela.
 
- O quê? – perguntou Darcy, surpreendido.
 
- Não paro de pensar nela. – repetiu Fitz, frustrado.
 
- Eu escutei da primeira vez que você falou, só queria que você confirmasse se meus ouvidos escutaram direito da primeira vez. Então, quer dizer que você está finalmente apaixonado.
 
- O quê? – dessa vez Fitz praticamente gritou. – Eu não estou apaixonado coisa alguma!
 
- Você chegou aqui todo desolado dizendo que não para de pensar nela e não está apaixonado?
 
- Nunca fiquei apaixonado, então não sei como é estar apaixonado.
 
- Eu atualmente estou apaixonado e, a julgar o seu estado, você também está, Fitz.
 
- Droga. Não sei o que fazer, tudo com ela já começou diferente. Tive um pequeno trabalho para conseguir o número dela. – disse Fitz se lembrando do episódio. - Nossos encontros foram divertidos, não fui apressado demais, teve uma vez que eu fui pegá-la no trabalho dela e nem deixei ela se trocar para sairmos. Tamanha era a minha ansiedade para estar com ela. Depois daquele dia que fomos esquiar, eu vi como eu estava agindo e resolvi dar um tempo e parar de sair com ela. Não atendi as ligações dela, não telefonei como havia prometido e sai até com outra mulher, mas tudo o que ela fazia eu comparava com a Charlotte e via que com a Charlotte era tudo melhor. Levei a mulher de volta para a casa dela e não estava nem na metade do encontro. Depois disso vi que não quero mais sair com ninguém, só com ela.
 
-Se isso não é estar apaixonado, então eu não sei o que é, Fitz. Está apaixonado mesmo, primo. – Darcy deu um tapinha no ombro dele quando falou isso. - Finalmente, tenho que repetir. A paixão pegou você de jeito. E todo mundo achando que você já tinha se cansado dela. Até ela acha isso, já que faz mais de uma semana que você não dá notícias, então sugiro que corrija esse erro logo.
 
- Ainda não sei o que fazer quanto a isso. Eu quero a minha vida de volta. A minha vida despreocupada de sempre.
 
- Tem certeza que você quer isso, Fitz? Pense bem e analise a sua vida. Você já tem quase 30 anos. Não acha que já está na hora de deixar de bancar o bon vivant  e ter uma vida sossegada ao lado de alguém que você ame? Você pode viver livremente esse amor se quiser. Tem gente que não pode. Não posso gritar ao mundo que estou apaixonado por Elizabeth e temos que nos encontrar escondidos. Agora mesmo liguei para o celular dela e alguém que eu não conhecia atendeu e perguntou quem eu era.
 Eu queria dizer: sou William Darcy, namorado dela e você quem é? Mas não pude.
 
- Calma, Will. Então é por isso que você está com essa cara? Quer conversar a respeito disso?
 
- Não, Fitz, tenho que sair, vou buscar a Lizzy.
 
- Está certo e você tem razão. Acho que estou mesmo apaixonado. Eu estou mesmo apaixonado! Cara, nunca pensei que aconteceria isso comigo. Eu vou procurar a Charlotte, pedir desculpas por nunca mais tê-la procurado e pedi-la em namoro.
Acho também que vou enlouquecer se não tomar uma decisão. E como não quero mais ficar sem vê-la, essa é a melhor decisão a tomar.
 
- É sim, Fitz. Amar pode ser maravilhoso, mas também muito complicado. Pode te dar muitas alegrias, mas também tristezas. Tudo isso você aprenderá amando, primo.
 
- Está certo, vamos parar com essa conversa sentimentalista por hoje. Vá atrás da sua Lizzy que eu vou atrás da minha Charlotte.
 
 
   *******************************************
 
 
  Trilha Sonora: You and me – Lifehouse
 
 
Elizabeth estranhou o jeito de William. Estava taciturno, calado, e mal retribuiu o beijo que ela deu ao entrar no carro.
 
- Will, me desculpe, mas assim que cheguei minha mãe disse que haveria um almoço especial de sábado porque meu pai estava em casa. E não consegui ficar um momento sozinha; só depois de muito tempo que consegui falar com você. Outro dia, talvez amanhã, poderemos velejar, não fique com raiva por uma bobagem dessas.
 
- Eu não estou com raiva por isso. Só quero saber que amigo seu estava lá nesse almoço além de sua família e que atendeu o seu celular.
 
- Amigo? Meu celular? Ninguém estava com meu celular.
 
- Estava sim, depois de ligar para você várias vezes um homem atendeu e disse que era seu “amigo” e que você estava “ocupada” e que não poderia atender o telefonema no momento.
 
- Mas a única pessoa que não era da minha família e estava lá era o George Wickham, mas... - e Lizzy se lembrou quando saiu com Lydia e deixou Wckham sozinho. – Será que ele seria tão ousado ao ponto de pegar o meu celular e atender uma ligação? – pensou.
 
- Quem é esse George Wickham, Lizzy?
 
- George é um amigo da família. Teve um momento em que eu estava sozinha tentando te ligar e ele e a Lydia apareceram. Tive que esconder o celular e sair do lugar onde havia escondido e ele ficou, mas é estranho. Se ele atendeu por que ele não me deu o recado?
 
- É só um amigo da família mesmo, Lizzy? – perguntou Darcy tenso.
 
- É claro, Will. Eu não vou mentir para você, minha mãe fica querendo me empurrar para ele, mas o único que ocupa minha mente e meu coração é um homem muito lindo, muito sisudo, muito ciumento chamando William Darcy.
 
- Ah Lizzy, essa situação é insuportável. Queria entrar na sua casa, conhecer sua família, dizer a eles que sou seu namorado, principalmente para esse tal de George.
 
- Vou ter que esclarecer essa estória. Estranho mesmo. Mas só estavam ele e meu pai na casa. Meu pai não foi. O Charles não estava. Então só resta o George Wickham.
 
- Quem deu o direito a ele de atender seu celular? E o jeito em que ele falou ao telefone... Ele que nem se atreva a encostar um dedo em você, Lizzy. Você é minha.
 
- Espere até conhecer minha mãe, quero só vê se você terá essa mesma disposição para ir mais vezes a casa de meus pais. - disse Lizzy enquanto acariciava os cabelos dele. - Que possessivo! Se sou sua então você é meu. Todo meu William Darcy.
Olhe para frente, assim você pode bater. E acalme-se um pouco, não sabia que você era tão nervosinho.
 
- Nervoso? Quem é nervoso aqui?
 
Elizabeth sorriu. Como amava esse homem.
 
- Eu também detesto a situação em que estamos, também gostaria de conhecer sua família, mas logo logo isso acabará. Faltam apenas 3 meses para terminar essas eleições.
 
- Uma eternidade! – exclamou Darcy.
 
- Que logo passará, meu amor. – disse Lizzy acariciando os cabelos dele enquanto ele dirigia. Já mais tranquilo e com o ciúme controlado.
 
 
 
   *********************************************
 
 
Fitz consultava o relógio e já passara mais de meia hora do horário em que Charlotte saía do hospital. Resolveu entrar e procurá-la. Iria pedir desculpas e se declarar para ela. Queria viver esse sentimento novo que ela despertava nele.
 
 
 
 
 
Viu um médico falando com alguém perto da recepção.
 
- Olá. Você sabe se a Dra. Charlotte Lucas ainda se encontra no Hospital?
 
O médico, Dr. Collins, olhou para o homem que perguntara por Charlotte e reconheceu-o como sendo o mesmo homem que saíra com Charlotte do hospital há quase duas semanas atrás. O homem com quem, com certeza, Charlotte deveria estar tendo alguma relacionamento.
 
- Não. Ela já saiu. Hoje ela saiu mais cedo.
 
Fitz agradeceu e foi embora.
 
Mary, irmã de Lizzy e uma das fisioterapeutas do hospital que estava conversando com o parente de um de seus pacientes, viu quando um homem muito charmoso perguntou por Charlotte ao Dr. Collins. Chegou a escutar Collins falando que ela havia saído mais cedo. Era mentira. Charlotte ainda estava no hospital e hoje sairia mais tarde que o habitual, pois trocara de horário com outra médica. E ele sabia disso. Mas porque será que ele mentira? Alguma coisa a ver com o interesse dele, por Charlotte é claro. E ela era a invisível para ele, pensou Mary, com tristeza. O melhor que ela poderia fazer era ignorar esse assunto que não era da conta dela e ir atender outro paciente. 
 
 
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Charlotte estava sentada na lanchonete do hospital tomando um cappuccino e imersa em seus pensamentos. Mais uma vez se deixara iludir e se apaixonara por alguém que não queria nada sério e duradouro. Só que dessa vez fora ainda pior, porque ela, mesmo sabendo como esse homem era, deixou-se envolver.
 
Primeiro deixou-se encantar por seu charme e beleza; quando descobriu como ele era, um mulherengo incorrigível, resolveu que ele não valeria a pena, mas depois se encontrou com ele no restaurante, onde cometeu o grave erro de dar seu número de telefone a ele. Depois dele insistir, se encontraram na festa do irmão do Charles e foi nessa festa em que ela viu que não haveria mais volta e iria arriscar-se.
 
Nos encontros que tiveram a sós ele se mostrou tão diferente do que ela achava que fosse... E ela, como uma tola que era, se apaixonara por ele. E quando estava começando a achar que ele também tinha se apaixonado, ele desapareceu. Não atendeu mais suas ligações, nem ligou para ela ou apareceu no hospital. Pediu para Lizzy saber como ele estava através de William, e ela havia dito que William dissera que estava tudo bem com o primo dele. Ou seja, a mensagem não poderia ter sido mais clara: não queria mais saber dela. Sentia vontade de chorar de novo, mas não poderia fazer isso agora no seu trabalho.
                        
Levantou o rosto quando viu alguém se aproximando.
 
- Charlotte. Posso sentar com você? Gostaria de te falar uma coisa.
 
- Não tenho muito tempo, Collins, meu intervalo está acabando.
 
- Vou ser breve. – disse a Charlotte, sentando-se em uma cadeira próxima a ela e pegando em sua mão. – Gostaria que você fosse minha namorada.
 
- Collins...
 
- Não fale nada, apenas escute o que eu tenho a dizer. Nos conhecemos há mais de um ano e meio e não posso mentir e afirmar que te amo, mas você sabe que tenho um profundo sentimento por você. Você é uma mulher bonita e competente no que faz. Seria uma bela companheira para mim. Nós sabemos como é chegar em casa e encontrar a casa vazia sem ter alguém com quem compartilhar as emoções do seu dia. Acho que você é a mulher ideal para mim e que nosso namoro logo poderá evoluir para um noivado. Poderíamos até estar noivos agora, se você não estivesse recusado antes. Com o tempo quem sabe não possa surgir amor entre nós? Mas sei que pelo menos harmonia e uma boa convivência sempre teremos. Vou dar a você uns dias para pensar melhor, não precisa responder agora. Das outras vezes não te dei tempo suficiente para pensar, mas peço que pense bem na minha proposta, Charlotte.
 
Collins segurou na mão dela, deu um beijo nesta e a deixou sozinha com seus pensamentos.
 
 
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Após sair do hospital Fitz resolveu ir à casa de Charlotte. Tocou várias vezes a campainha e ninguém atendeu. Resolveu ligar para o celular dela, mas dava na caixa postal.
 Foi resignado para casa, mas no outro dia iria tentar falar com ela de novo.
 

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