Capítulo 9
Elizabeth foi com Jane a casa dos seus pais visitá-los, a eles e a suas irmãs, Mary, Kitty e Lydia. Passaria a manhã de sábado com eles, já que, de tarde, tinha planos. Iria velejar com William. Eles combinaram de Elizabeth ligar para ele quando fosse ir embora, que ele a pegaria uma rua depois da casa dos pais dela. Mas nem sempre o que se planeja, será o que realmente acontece.
Quando chegou à casa dos seus pais, Lizzy foi informada de que como esse sábado era um dos raros dias em que seu pai estava em casa, por causa da campanha, sua mãe fizera um verdadeiro banquete para a o almoço. Teria um convidado e em hipótese alguma ela poderia ir embora mais cedo.
- Nenhum compromisso é mais importante do que a família, Lizzy – disse sua mãe quando Elizabeth comunicou a ela que não iria ficar muito tempo lá.
Lizzy concordara com ela, por isso mesmo queria ligar para William para avisá-lo que iria demorar mais do que o previsto e que talvez não desse para irem velejar naquele dia. O problema era que, além dela não ter conseguido ficar sozinha para ligar para ele, minutos depois a visita chegou. E era nada mais, nada menos, do que George Wickham. Sua mãe havia aprontado de novo.
Trilha Sonora: Somewhere In Between – Lifehouse
Elizabeth ficara até um pouco sem graça quando o cumprimentou, já que ele ligara duas vezes para o celular dela, com o número que a mãe dela o havia fornecido. Da primeira vez a convidou para saírem. Lizzy se desculpou, alegando estar muito ocupada em um projeto de trabalho. Na segunda vez em que ele ligou, já tendo gravado o número dele, Elizabeth deixou chamar, não atendeu o telefonema. Depois ele não ligou mais, para o alívio dela.
Pediu licença da sala onde estava com a sua família e Wickham e foi até a cozinha atrás de sua mãe, que foi para lá avisar que o almoço poderia já ser servido.
- Mamãe, posso saber com que intuito a senhora convidou George Wickham?
- Ora, você quer mesmo saber a resposta, Lizzy? É claro que o convidei para que você e eles se conheçam melhor. Você sabe que sou amiga da mãe dele, Kate Wickham. E que o pai dele e ele administram um dos maiores shoppings daqui. Ele é bonito, rico, de boa família... me diga o que você quer mais, minha filha.
- Amor não conta, mamãe?
- Você terá muito tempo para conhecê-lo e aprender a amá-lo. Antigamente os pais escolhiam quem o filho deveria se casar sem ao menos, muitas vezes, nunca terem visto um ao outro. Só no dia do casamento é que eles se conheciam.
- Antigamente, graças a Deus. Mas esse tempo acabou, se por acaso a senhora não percebeu, mamãe.
- Meus pobres nervos não aguentam tamanha ingratidão. Só quero o melhor para você, minha querida.
- Mamãe, se você quer o melhor pra mim, então deixe a minha vida amorosa em paz de uma vez por todas. – disse Lizzy sem paciência.
- Está certo, querida, mas não podemos mais conversar agora, os outros estão esperando, seria rude de nossa parte, vamos para a mesa.
Lizzy não soube se a sua mãe falava a sério, se ela realmente iria deixá-la em paz, mas quando sentou à mesa e viu que seu lugar era perto de Wickham, e que durante o almoço todo sua mãe tecia elogios a respeito dela, soube que esta não levara mesmo a sério a conversa delas na cozinha.
Elizabeth analisou bem George Wickham, durante a refeição. Com certeza era um homem atraente, com uma boa conversa. O que ela não gostara muito desde o primeiro dia que o vira era de seu ar arrogante e convencido, bem tipo:Eu sou lindo e rico, o mundo está aos meus pés. Era visível para todos que ele estava interessado nela, mas o que ela suspeitava era que ele achava que a conquistaria facilmente. Como ela não demonstrara interesse por ele, ele resolveu provar que conseguiria conquistá-la. “Não dizem que os homens gostam das mais difíceis?” pensou Lizzy; mas, no caso dela, ela não estava interessada mesmo. Pensou em William e que essa hora ela ainda não conseguira falar com ele.
Depois do almoço, todos se dirigiram para a sala de estar da casa. Lizzy ainda ficou na mesa, terminando a sobremesa bem lentamente. Fez menção de acompanhar os outros, mas foi para a outra sala, entrou no vestíbulo e pegou seu sobretudo, tirando seu celular do bolso do mesmo. O celular estava no silencioso e ela viu que havia cinco chamadas não atendidas, todas de William. Quando ia ligar para ele, porém, escutou passos de alguém se aproximando e rapidamente colocou o celular de volta no bolso do sobretudo, mas não teve tempo de guardar este, porque sua irmã Lydia acabara de chegar com George Wickham.
- Lizzy, você veio com esse sobretudo roxo que eu namoro há tanto tempo, quando você vai me emprestar? – falando isso, Lydia pegou o sobretudo de Lizzy e o vestiu. – Tem alguma coisa no bolso, Lizzy...
Quando Lydia ia mexer no bolso, Lizzy tirou o sobretudo dela e guardou no vestíbulo.
- Prometo que te empresto depois, Lydia. O que você está fazendo aqui?
- Mamãe está atrás de você, vim mostrar a George onde era o banheiro. É logo no final do corredor, George. – disse Lydia, jogando seu charme para ele.
Assim que Wickham se foi, Elizabeth não teve a chance de pegar o celular de volta, já que Lydia ficou parada ao lado dela. Depois voltaria para pegá-lo.
- Vamos, Lydia.
- Por quê, Lizzy? Quero esperar o George.
- Você já mostrou o caminho, ele não irá se perder.
Lydia reclamou de novo, mas acompanhou Elizabeth.
Pouco tempo depois, George saiu do banheiro e foi em direção ao vestíbulo para ver o que Elizabeth escondera assim que ele e Lydia apareceram. Procurou o sobretudo dela, mexeu no bolso e achou um celular. Notou que ele estava vibrando e olhou o nome no visor. “William”. Quem seria?- pensou ele, e resolveu atender.
- Alô, Lizzy?
- Quem fala? – perguntou George.
- Quero falar com Elizabeth, quem é você? – perguntou Darcy.
- Sou um “amigo” dela, ela no momento não pode atender. Mas se quiser, passo o recado para ela mais tarde, quando ela estiver menos... ocupada.
Darcy estava confuso. Onde Elizabeth estava que não retornara suas ligações e quem era esse homem que atendera a ligação, e pelo tom de sua voz, fazendo insinuações? Ele enfatizara as palavras “amigo” e “ocupada”.
- Não precisa dar recado nenhum. – falando isso, Darcy desligou o telefone.
Wickham desligou e guardou o celular do mesmo jeito que estava. Sorriu satisfeito. Se esse era um rival dele, como suspeitava que era, porque claramente não gostou dele ter atendido o celular de Elizabeth, deixou-o com desconfiado.
Voltou para a sala de estar ainda com um sorriso estampado no rosto.
Meia hora depois, Elizabeth, por fim, conseguiu voltar ao vestíbulo para ligar para William. Pegou o celular e viu que ele não voltara a ligar. Tinha que ser rápida. Pediu a Jane, para distrair os outros, mas sabia que ela não conseguiria por muito tempo.
- Will – Elizabeth falou assim que ele atendeu a ligação.
- Já se desocupou? – ele perguntou, num tom de voz estranho, o qual Lizzy não soube identificar.
- O quê? Escute Will, venha daqui a 45 minutos para o local que combinamos. Depois eu explico a você o que aconteceu.
- Vai ter que me explicar mesmo, Elizabeth.
- Você está tão estranho. Desculpe pelo atraso, mas foi motivo de força maior. Tenho que desligar agora.
Elizabeth, antes de ir embora, ainda conversou a sós com seu pai. Pediu para ele interceder por ela com sua mãe no caso de George Wickham. O Sr. Bennet, vendo como sua esposa exagerara jogando praticamente o homem para a sua filha, resolveu que estava mais do que na hora dele pôr um pouco de juízo na cabeça de sua mulher, que mesmo sendo daquele jeito, era amada por ele e por todas as suas filhas.
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