Capítulo 6
- Alô?
- Preciso de uma médica urgente para ir comigo a um restaurante bem aconchegante, com música ao vivo.
- Procure por alguma entre os seus papéis com números telefônicos, com certeza achará uma do seu agrado. – respondeu Charlotte já arrependida pelo impulso que a fizera dar seu número de telefone para Fitz.
- Mas eu já achei.
- Que bom, tchau.
- Peraí, não deslig.... – mas ela já havia desligado.
Fitz ligou novamente e falou como se ela não houvesse desligado o telefone.
- Como eu estava dizendo, achei quem eu queria convidar. Estou falando com ela agora.
- Vou amanhã à festa que vão fazer em homenagem ao irmão do Charles que vem visitá-lo do Brasil. Se você estiver por lá, nos vemos. Tchau. – e dizendo isso, Charlotte desligou o telefone.
Fitz sorriu e guardou o celular no bolso. Sabia que iria ganhar mais essa.
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- Faz quase duas semanas que você não sai para nenhum lugar, Lizzy. Do trabalho para casa, ou de casa para a casa dos nossos pais.
- Não estou com vontade, Jane.
- Não está com vontade? Trate de escolher logo uma roupa senão eu escolho para você. Você tem menos de uma hora para se arrumar. – dessa vez quem falou foi Charlotte.
Vendo a determinação da irmã e da amiga, Lizzy soube que não iria escapar, teria que ir. "Será que William estará na festa? Esqueça ele de vez, Elizabeth. E se ele estiver, qual o problema? É só fingir que não o conhece e pronto.”
- Está certo, eu vou, mas não vou ficar muito tempo.
Ela foi até seu closet e selecionou um vestido tomara-que-caia rosa claro, com um cinto em forma de fita na cintura. Jane estava com um lindo vestido preto, e Charlotte com um vestido azul tomara-que-caia.
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| De Jane Bennet |
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Darcy estava nervoso, perguntou a Charles se Jane viria e ele respondeu que sim, com a irmã Elizabeth e a amiga Charlotte. Iria rever Elizabeth. Teria que aprender a lidar com isso porque esse seria mais um de outros encontros, com certeza.
No andar superior da casa de Charles havia um salão para recepções onde estava ocorrendo a festa. Charles não via seu irmão mais velho Ben há mais de 4 anos. Ele vivia no Brasil com sua esposa Sarah.
- Charles, aquela que está ali é a Caroline? Diga-me por favor que eu estou enganado.
- Will, esqueci de te avisar. Ela chegou há pouco e já perguntou por você.
- Esqueceu? Como você esqueceu uma coisa dessas?
- Desculpe, minha cabeça está cheia.
- E o que ela veio fazer aqui, quem ela conhece?
- Você sabe que era para ser uma recepção íntima com poucas pessoas, mas praticamente se tornou uma festa. Estou vendo muita gente até que eu não conheço, e nem Ben, com certeza. Aquela velha história de amigos de amigos virem para a festa dos outros.
- A Jane chegou, eu vou lá recebê-la.
William olhou para onde Charles ia. E lá estava Elizabeth. Mais linda do que ele recordava, se isso fosse possível. Seus olhares se encontraram, mas ele foi obrigado a desviá-lo quando escutou Caroline se aproximar e falar:
- William, querido. Como vai? Não nos vimos mais depois daquela festa a fantasia.
“Graças a Deus”– ele pensou.
- Vou bem, Caroline. – foi só o que ele respondeu.
Ela pareceu não se importar, pois continuou falando.
- E sua tia e seu tio, como estão? Como está indo a campanha do seu tio? Deve estar indo de vento em popa, já que ele é o candidato mais popular.
- Não gosto de me envolver em política, Caroline.
- Mas você, sendo sobrinho e como um filho para ele, com certeza será um dos herdeiros dele, deve saber dessas coisas.
Darcy deixou seu semblante endurecer mais ainda.
- Não falo de política.
Caroline enfim ao notar que ele não gostou de suas perguntas, pediu licença para ir ao banheiro retocar a maquiagem esperando assim voltar e amenizar o clima.
- Enfim ela te deixou em paz. – falava Fitz se aproximando de Darcy. – Essa aí nem eu encaro. – disse rindo. Já aquela ali, – disse apontando com a cabeça em direção à Charlotte que estava afastada deles. – eu encaro e não sei por que parece que tem um imã me atraindo para ela. E acho que você deveria também parar de lutar contra o imã que está te puxando em uma direção próxima à minha. – falou Fitz se referindo a Elizabeth que estava ao lado da Charlotte.
Trilha Sonora: Separate Lives - Laura Pausini e Phil collins
A festa prosseguia, Lizzy dançou uma vez com Charles, outra com Ben, irmão de Charles, que era um homem muito simpático e dançou com um homem que ela não conhecia, que a convidou para dançar. Não queria olhar, mas, de vez em quando, seus olhos instintivamente iam para um casal do lado oposto do seu.
Desde que ela chegara na festa William dançava e conversava com uma mulher. Sua expressão não parecia das mais cordiais, mas se estava com ela esse tempo todo ela deveria significar algo. “Não demorou muito para achar outra”– pensou Elizabeth com amargura.
Resolveu se refugiar na varanda do salão para ficar um pouco sozinha e evitar olhar para ele de novo.
Quando Darcy pensou que tinha se livrado dela, Caroline voltou minutos depois e mais uma vez impôs sua companhia a ele. Como não queria ser grosseiro, resolveu aguentar. Até puxá-lo para duas danças ela teve a audácia de fazer.
Enquanto dançava, seus olhos seguiam os passos de Elizabeth. Ela desviava o rosto toda vez que ele olhava, mas ele também sentia que era observado por ela. Ao vê-la indo em direção ao jardim viu a oportunidade de falar com ela. Não aguentava mais vê-la e não poder ao menos falar com ela. Pediu licença a Caroline, mas quando viu que ela não largaria do seu pé, foi forçado a ser rude.
- Apenas gostaria que você me deixasse em paz, Caroline.
Ao ver que ela ficou parada sem reação, pensou que agora sim, ela vira que paciência tinha limites, e que a dele já havia ido embora há muito tempo.
Foi até a varanda e viu Elizabeth de costas, apreciando a vista.
- Aproveitando a festa? – perguntou ele.
Elizabeth não precisou virar para reconhecer o dono daquela voz.
- Não tanto quanto você, mas sim.
- Você está falando de Caroline? Está com ciúmes? – perguntou ele com um sorriso no canto dos lábios. “Ela está com ciúmes de mim.”– pensou com satisfação.
- Claro que não, você é livre para estar com quem quiser.
- Não sou não. – falou ele enquanto pegava nos ombros dela gentilmente e virava ela para sua frente. – Como posso ter alguma coisa com mais alguém se só o que faço é pensar em você? Pensar no seu rosto, nos seus cabelos, seus olhos, na sua boca? – falando isso ele colou seus lábios no dela. Lizzy se viu aconchegada nos braços fortes de William, sem forças e sem vontade de resistir.
A noite toda foi uma tortura. Estar no mesmo ambiente que ele, não poder falar com ele e ainda ver aquela mulher se derretendo para ele... Mas agora, vendo-o ali, beijando-a e querendo-a tanto quanto ela o queira, fez seu coração voltar a bater no compasso certo.
Escutaram um barulho e interromperam o beijo. Olharam para a varanda, mas não havia ninguém.
- Será que alguém nos viu? – perguntou Lizzy preocupada.
- Eu acho que não, foi só o vento. Lizzy nós temos que conversar. Não agora, em outro lugar.
- Sim, - ela falou. – Senti também tanto a sua falta. Mas acho melhor entrarmos porque alguém pode pegar a gente aqui.
- Amanhã eu ligo para você.
- Ok. Eu vou na frente, você fica um pouco aqui e depois você vai. – disse Elizabeth.
Deram um beijo rápido e fizeram o que tinham combinado.
O resto da festa transcorreu normalmente. Fitz não desgrudou de Charlotte a festa toda, dançando com ela todas as músicas. Charlotte estava em um dilema. Estava ficando encantada por ele, mas não sabia se valeria a pena iniciar alguma coisa com ele. Por ora, resolveu aproveitar a festa e pensar nisso depois.
Após o fora de Darcy, quando ele voltou da varanda, Caroline não estava mais lá, havia ido embora.
Ocasionalmente Lizzy e Darcy trocavam olhares cúmplices, diferentes dos do começo da noite. Só não sabiam que mais alguém compartilhava do segredo deles.
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