Capítulo 5
- Lizzy, toda vez que você está triste você vem para aqui. Não vou embora, vou ficar com você.
- Não, Char. Vá embora. Mesmo amanhã sendo sábado eu sei que você vai ficar de plantão no Hospital. Pode ir tranquila. Não estou triste, só me deu vontade de patinar um pouco. Você sabe que meu apartamento não é muito longe daqui.
Charlotte ainda hesitou, mas resolveu deixar a amiga um pouco sozinha, se era o que ela queria. E foi embora, mas não antes de fazer Elizabeth prometer que ligaria para ela assim que chegasse em casa.
Lizzy calçou os patins e começou a patinar. Ela gostava muito de patinar ao ar livre.
Essa pista de patinação era um de seus lugares preferidos. Ali ela relaxava, se divertia, extravasava suas angústias e às vezes ia também para pensar.
Como é que poderia estar apaixonada por alguém tão diferente e que mal conhecia?
Apesar de muito bonito, William Darcy era um homem sério, sisudo, calado. Tinha um ar arrogante e até um pouco convencido. É verdade que naquele dia no jardim ele não se mostrou assim, mas hoje ele agiu desse jeito, apesar de seus olhos parecerem dizer uma coisa completamente diferente das suas ações. Se ele sentisse alguma coisa por ela teria ligado.
“Não adianta se enganar, Elizabeth.”
[b] Trilha Sonora: Love Story – Taylor Swift
ou
Fazia muito tempo que William Darcy não patinava, desde a sua adolescência. Achava que ainda lembrava, mas parecia que perdera o jeito. Constatou tal fato ao se ver perdendo o equilíbrio e caindo várias vezes. Já pensava em desistir quando se chocou com alguém e caiu em cima dessa pessoa. Levantou-se logo de cima da moça porque ele era grande e pesado. Ela, delicada e frágil. E seu espanto foi grande ao constatar que a moça era nada mais, nada menos, que Elizabeth Bennet.
- Definitivamente, não podemos mais esbarrar assim. Alguém pode sair machucado, literalmente.
- Você se machucou? – perguntou ele com voz preocupada.
- Só fiquei um pouco dolorida com a queda e o seu peso, mas nada de mais.
- Desculpe-me, Elizabeth. Faz muito tempo que não patinava, perdi o equilíbrio.
- Acho que tenho que desculpar-me também, já que mais uma vez estava distraída.
Um silêncio se alastrou entre eles.
- Elizabeth...
- Vou voltar a patinar.
Quando ela fez menção de passar por ele, ele segurou sua mão.
- Acho que é melhor você deixar que eu vá embora. – ela falou olhando para a mão dele que segurava seu braço.
- Não, Elizabeth. Preciso falar com você.
- O que você quer falar comigo agora? Você teve sua chance. Tinha meu número, nos encontramos mais cedo. Se não falou antes, acho que agora não precisa falar mais nada. – disse Elizabeth magoada.
- Eu liguei para você. – diante do olhar incrédulo dela, ele acrescentou. – Hoje você não recebeu um telefonema que chamou só uma vez?
Ela assentiu.
- Fui eu. Eu decorei seu número de tantas vezes que eu disquei, e quando ia dar linha, perdia a coragem. Hoje, quando finalmente eu decidi que tinha que falar com você, Charles entrou em minha sala e eu não tive mais oportunidade.
- Por que você finalmente decidiu hoje que queria falar comigo?
- Por que em vão lutei contra esse novo sentimento que você desperta em mim. Não queria sentir isso. Deus sabe como tentei esquecê-la, não pensar em você. Afinal nossas famílias estão em lados opostos, politicamente falando. Você sabe o escândalo que seria se soubessem de um possível envolvimento entre nós. Não quero causar danos a meu tio, que é como um pai para mim, mas também não posso lutar mais contra o que estou sentindo. Não paro de pensar em você e em querer saber se você sente alguma coisa por mim.
Elizabeth ficou muda. Uma declaração dele era a última coisa que esperava.
- Presumo pelo seu espanto que não sente o mesmo. É melhor que eu vá logo para não perturbá-la mais.
Dessa vez foi Elizabeth quem segurou sua mão para que ele não se movesse.
- Não, William, não vá. Não vê que eu sinto o mesmo? Por que você acha que me magoou tanto não receber uma ligação sua? Também acho uma loucura nos envolvermos por causa de nossas famílias. A minha situação é ainda pior porque meu amado pai está envolvido. Mas também não paro de pensar em você.
- Em que situação nos metemos, Elizabeth. E não sei como e se sairemos dela.
Ela sorriu. Gostava de ouvi-lo chamando-a de Elizabeth com sua voz profunda e linda.
- Também não faço ideia. Mas, agora, que tal patinarmos um pouco? Estamos atrapalhando os outros aqui parados. Segure minha mão para não cair. Logo, logo você conseguirá sozinho.
Ficaram um bom tempo patinando juntos de mãos dadas. Algumas vezes ele se desequilibrou, mas não caiu.
Estavam patinando em um canto afastado da pista quando ele se desequilibrou de novo e caiu, levando Elizabeth junto com ele. Mas dessa vez foi ela quem caiu em cima dele. Sorriram da situação mas logo ficaram sérios olhando um nos olhos do outro.
Darcy colocou sua mão no pescoço de Elizabeth e puxou gentilmente a boca dela para a sua. Seus lábios tocaram o dela com suavidade. Gradativamente o beijo foi se tornando mais intenso até que escutaram uma menininha falar.
- Mamãe, mamãe.
Rapidamente, levantaram e saíram da pista de patinação. Lizzy sorrindo, William um pouco constrangido por sua atitude, porque não era acostumado a demonstrações de afeto em público. Principalmente no caso deles, não poderiam ser visto juntos.
William explicou a ela que o carro dele estava no seu escritório ali perto e foram buscá-lo andando.
Quando chegaram lá, ele disse:
- Fomos imprudentes.
- Não precisa ficar assim William, quem nos viu foi só uma garotinha de uns 8 anos.
E quem me beijou foi você.
- Não ouvi você reclamar.
Trilha Sonora: Tears - Yiruma
- Não. – ela sorriu, mas depois seu olhar foi se tornando triste.
- Não podemos ficar juntos, não é?
- Não – falou William com um olhar também triste. - Tinha que falar com você.
Fazer você saber o que eu sinto e fico muito feliz, você não sabe o quão feliz eu fico, Elizabeth, de saber que você sente o mesmo. Mas poderíamos prejudicar nossas famílias se nos envolvermos. É melhor que esse seja o último encontro.
- Eu sei, - Elizabeth falou enquanto uma lágrima teimosa caia pelo seu rosto.
Darcy enxugou a lágrima dela com o seu polegar e a abraçou forte.
Ficaram um tempo abraçados, tristes por não poderem viver esse amor. Então Lizzie afastou-se dele.
- Já está tarde. Tenho que ir.
- Eu te levo.
- Não, eu pego um táxi. Não moro muito longe daqui.
- Elizabeth, me deixe ao menos levá-la em casa. Como você falou, já está tarde, ninguém nos verá.
Ela concordou. Entrou no carro dele, falou onde morava e seguiram para lá.
Ainda dentro do carro, na porta de seu prédio, Lizzy reprimiu a vontade de chorar.
Deixaria as lágrimas rolarem soltas quando estivesse sozinha e não na frente dele.
O semblante dele também não era dos melhores. Parecia angustiado.
- Obrigado pela carona, William. – Elizabeth falou.
Antes que ela pudesse sair do carro, William a beijou de um modo desesperador e arrebatador. Não queria deixá-la partir. Elizabeth correspondeu ao beijo com o mesmo ardor. Segurou a nuca dele e intensificou ainda mais o beijo.
Quando o beijo terminou, ambos evitaram olhar nos olhos do outro por um tempo, até que William disse:
- Vá! Antes que eu fraqueje e não deixe você ir.
Lizzy ainda ousou olhar mais uma vez para ele e para aqueles lindos olhos azuis. Saiu do carro e quando já estava em casa, procurou por Jane. Ela ainda não havia chegado, então foi para o seu quarto e deixou todas as lágrimas reprimidas caírem. Chorou muito até conseguir pegar no sono.
















