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Dinheiro não pode comprar felicidade. Acima do necessário, não traz satisfação verdadeira.(Jane Austen)

Amor Proibido - Capítulo 3

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     Capítulo 3
 
 
   - O que é que tem de mais, Lizzy? – falava Charlotte, enquanto preparava um lanche rápido para ela e para Elizabeth. – Ele é sobrinho de Paul de Bourgh, não filho, e nem mesmo mora com ele.
 
Elizabeth estava sentada em uma mesa na cozinha, da casa de Charlotte, bebendo um suco enquanto conversava com ela.
 
- Mas, de acordo com Jane, Charles contou para ela que ele praticamente foi criado por Catherine e Paul De Bourgh. Os pais dele morreram quando ele era adolescente e ele foi mandado para um internato em Londres, mas quem manteve a custódia dele e da irmã eram os De Bourgh. Voltou para cá aos 18 anos, onde cursou a universidade. E morou durante esse tempo com eles. É como se fosse um filho.
 
- Mas não é.
                                              
 
 Trilha Sonora: Always On My Mind – Michael Bublé  
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- Tudo bem, Char. Eu nem sei por que estamos tendo essa conversa. Para mim não interessa quem ele seja.
 
- Você pensa que me engana, é, Lizzy? Você está conversando comigo, sua amiga de anos. Eu sei muito bem que ele mexeu com você. A Jane pode não ter percebido esse seu interesse todo quando foi interrogá-la sobre ele, mas eu sim. Você está balançada.
Pensa que eu não te vi dançando com a cabeça apoiada no peito dele na festa da Lydia?
 
- Eu dancei do mesmo jeito que a maioria estava dançando. E você me viu? Pensei que estivesse muito entretida com o Zorro.
 
- Desviando o rumo da conversa, não é? – Charlotte sorriu. - O Zorro era um gato.
Muito encantador, mas muito mulherengo. Você acredita que pediu meu número de telefone, mas quando foi pegar caneta e papel no bolso caíram três papeizinhos com três números e nomes de mulheres diferentes? Quando peguei os papeis do chão e entreguei a ele, ficou constrangido na hora, mas depois de um tempo insistiu em anotar meu número.
 
- Não acredito! E o que você fez?
 
- Disse a ele que ele não precisava do meu número, pois já estava bem servido.
Só foi eu virar as costas, não demorou mais que cinco minutos, e ele já estava dançando com outra. Quando ele viu que eu o observava desviou o rosto. Juro que não sabia que mulherengo podia ficar embaraçado.
 
- Ai, Char.
 
– Você sabe como eu queria encontrar um grande amor, Lizzy, mas já estou com 28 anos e sozinha. Não quero um mulherengo, porque eu sei que um dia ficará comigo e no outro já irá atrás de outra. Eu quero estabilidade. E como eu sei que se ficar esperando, talvez acabe ficando para titia, acho que vou acabar aceitando namorar o Collins.
 
- Char, não faça isso!
 
- Isso é algo em que eu ando pensando muito ultimamente, Lizzy. Ele já me pediu em namoro duas vezes, e eu consegui educadamente dispensá-lo, mas se ele me pedir uma terceira, não sei se negarei dessa vez. Nós dois temos o mesmo emprego, somos médicos. Trabalhamos no mesmo hospital. E sei que ele me respeitará, não irá atrás de outras mulheres. É a estabilidade com que sempre sonhei.
 
- Mas e o amor, Char?
 
- Ah, Lizzy, já estou cansada de procurar.
 
- Prometa que pensará bem antes de tomar uma decisão precipitada.
 
- Prometo, mas agora falaremos de coisas boas. A Jane realmente parece bem feliz com o novo namorado.
 
- Está sim. Eles se encantaram um pelo outro à primeira vista. E ele a pediu em namoro no mesmo dia da festa.
 
- Eu sei, - disse Charlotte, que colocou o lanche na mesa e sentou na cadeira. – Mary e eu estávamos com a Jane quando ele apareceu, chamando-a para dançar. Depois foram para a varanda do salão, e então voltaram todos sorridentes. Você tinha desaparecido, mas vejo que aproveitou bem a festa.
 
- Nem comece de novo com isso. Quero esquecer esse assunto: ele e eu nem amigos podemos ser.
Já pensou na confusão que seria? E já se passaram duas semanas da festa e ele não me ligou, e tem meu número. Ele deve ter descoberto, com certeza, quem eu sou. Não ligou. Foi sensato.
 
- Você não me convence que esteja tudo bem que ele não tenha te ligado. Conheço você muito bem e posso ver a decepção em seus olhos, Lizzy. Mas tem uma coisa que eu pressinto: que muita confusão ainda está por vir.
 
 
       ***********************************************
 
 
- Realmente uma boa escolha esse terreno, Charles – Darcy falava enquanto olhava a fachada do prédio de 7 andares do escritório de advocacia Darcy & Bingley & Associados.
 
- Obrigado, mas o Fitz é quem merece todo o crédito. Falei para ele há oito meses atrás o que você queria, tudo o que você me passou por fax e ele foi o engenheiro-chefe encarregado da obra. Ele é muito bom no que faz. Toda a equipe dele também.
 
- Bom mesmo. Conheço a capacidade do meu primo, mas te agradeço por ter cuidado de tudo quando eu não estava aqui. Sei que trabalhamos em sociedade, mas você se esforçou muito nesse projeto.
 
Dentro do prédio elegante, já na cobertura, onde se encontravam as salas de Darcy e Bingley, cada um se dirigiu até sua sala que ficava uma do lado oposto da outra. Já estavam todas mobiliadas e decoradas.
 
Um dos motivos de Darcy ter gostado da sua sala era que atrás de sua mesa e cadeira, havia janelas de vidro que lhes davam uma bela vista de uma pista de gelo, onde pessoas patinavam e flores ao redor cobertas de gelo se exibiam. Essa imagem o fazia  lembrar-se de sua infância. De seus pais, principalmente de sua mãe, que gostava muito de patinar no gelo.
 
Abriu uma gaveta e de lá tirou uma foto dele com 12 anos de idade, ao lado de seus pais, e de Georgiana, sua irmã, com 5 anos de idade. Colocou a foto em cima da sua mesa e quando ia fechar a gaveta, deu de frente com um livro de Romeu e Julieta. Pegou o livro, abriu, e encontrou um nome e número, que ele já havia decorado de tanto olhar.
 
Não iria ligar, é claro. Depois que descobrira que a única mulher por quem sentiu algo diferente, mesmo apenas vendo-a só uma vez, era filha do adversário político de seu querido tio, sabia que deveria esquecê-la. Mas não estava sendo muito fácil. De dia, enquanto se ocupava no trabalho, conseguia deixar esse assunto de lado, mas à noite... à noite já era outra coisa. Não conseguia deixar de pensar nela.
 
Mas ele era um homem forte e determinado. Conseguiria em pouco tempo esquecer de vez à imagem de Elizabeth Bennet. Colocou o livro de volta na gaveta e voltou a pensar no trabalho.
 
 
         ********************************************
 
 
Paul De Bourgh estava sentado em seu escritório montado em sua casa, tomando café da manhã enquanto assistia ao telejornal.
 
   “E agora a candidatura ao Senado. Paul De Bough continua na frente, com 35% das intenções de votos. Lincoln Bennet segue próximo, com 32%; John Crown com 15% e Vincent Vaugh com 13%, e 5% dos eleitores ainda não tem candidato definido.
Vamos falar hoje sobre a trajetória política dos candidatos.”
 
“Lincoln Bennet fora um professor universitário de Ciências Econômicas muito respeitado e conceituado por muitos anos. Aos poucos foi entrando na política, até que se viu totalmente envolvido nesse mundo e se tornou um dos principais candidatos ao Senado desse ano de 2009.”
 
“Paul De Bourgh, senador durante 8 anos, tenta sua reeleição; já é uma figura conhecida e poderosa na política. No auge dos seus 67 anos, havia falado em aposentadoria, mas muitos se surpreenderam com a sua candidatura a reeleição...”
 
De repente a tela da televisão foi desligada e ele se virou na direção da pessoa que desligou.
 
- Porque desligou, Catherine? – perguntou ele para sua esposa.
 
- Não gosto quando falam desse Lincoln Bennet e nem quando dizem que você iria se aposentar.
 
- Lincoln Bennet é o meu principal adversário e a política é assim, você deveria já estar acostumada por causa de todos esses anos. E você sabe muito bem que eu iria me aposentar, mas você insistiu muito. Acho que pediria o divórcio se eu não me candidatasse de novo. Parece gostar muito mais de estar no poder do que eu. – brincou Paul.
 
- Não diga asneiras. – Você sabe muito bem que eu só quero o melhor para você. O melhor para nós.
 
Foram interrompidos com a chegada de Darcy.
 
- Bom dia tio, bom dia tia. – cumprimentou William ao entrar.
 
- Meu querido, não dei parabéns ainda por saber que você já está fazendo sucesso em seu escritório de advocacia! Não faz nem um mês ainda que você inaugurou sua sociedade com Charles e estou sabendo que já está sendo muito solicitado.
 
- Obrigado, tio. Estou muito feliz com o resultado.
 
- Eu ficaria mais feliz se você tivesse entrado para a política como o seu tio, William.
Quantas vezes eu insisti para que você...
 
- Catherine, por favor. Deixe seu sobrinho em paz. Ele seguiu o caminho que ele próprio escolheu. A política não é algo que se deve seguir forçado. Tem que ter motivação e vocação para isso. Ele sabe muito bem que teria meu total apoio e que eu ficaria muito feliz se ele estivesse seguido esse caminho, mas ele não quis, então não adianta tocar nesse assunto de novo. Se ele está feliz, nos estamos felizes, entendeu?
 
- Ainda não me conformo. Seu tio e eu só tivemos uma filha mulher. Nem você e nem Fitz quiseram seguir os passos de seu tio.
 
- Tia, eu não vim aqui pra isso.
 
- Desse jeito fará com que o menino não tenha vontade de nos visitar. Já tomou seu café, Will?
 
- Ainda não, tio.
 
- Então sente-se aqui e tome o café conosco.
 
Depois de tomar café da manhã com seus tios, William despediu-se.
 
Logo após a saída de seu sobrinho e de sua mulher, que o acompanhou até a saída, Paul De Bourgh sentou em sua poltrona preferida sentindo uma forte dor de cabeça e um leve enjoo. Era a segunda vez na mesma semana que sentia-se assim. Sua hipertensão estava controlada com os medicamentos que tomava, assim ele achava. Daqui a pouco passaria, era melhor não dizer nada a ninguém para não alarmar sua família sem razão.


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