Capítulo 2
Elizabeth sentou em um banco e observou ao redor. Era um jardim(http://www.flickr.com/photos/zylyp/2631965203/) muito bonito, muito verde e florido. Pegou o livro de bolso intitulado “Romeu e Julieta” que estava escondido debaixo de sua roupa e começou a ler de onde havia parado, no primeiro encontro de Romeu e Julieta.
Ela já havia lido o livro antes, mas de vez em quando gostava de reler. Em sua empolgação começou a ler alto alguns trechos; já que estava sozinha mesmo, ninguém iria escutá-la.
“... e palma com palma é o beijo dos piedosos portadores de palmas.”
“Mas as santas não tem lábios assim como os peregrinos?”
Elizabeth sobressaltou quando escutou uma voz masculina recitar essa última frase. Levantou a cabeça e se viu presa a um par de olhos azuis. Era o mesmo homem com quem dançara minutos atrás.
Trilha Sonora: Verso de amor - Alex Gonzaga e Pamela
- Antes que se pergunte como eu sei decorada essa frase, uma vez no colegial, quase ia ficando em recuperação em literatura. Então decorei esse livro todo para tirar uma nota alta.
- Bem...? – perguntou Elizabeth. – Voltando a ler o livro.
- Bem o quê? – inquiriu Darcy.
- O final da estória. Deve ter conseguido passar já que praticamente decorou o livro e ainda recorda apesar desses anos todos.
- Não são tantos anos assim. Tenho 27 anos. Pensando bem, faz mais de dez anos, então realmente faz bastante tempo.
- Foi o que eu quis dizer. – respondeu Elizabeth sem tirar os olhos do livro.
- Passei.
- Hã? Dessa vez ela tirou os olhos do livro e voltou a olhar para ele.
- Consegui passar.
- Que bom. – replicou ela voltando os olhos ao livro. Na verdade nem recordava onde havia parado a leitura. Esse homem a deixava nervosa, tímida, sem saber o que fazer e isso era uma coisa muito rara de acontecer com ela. Não conseguia entender.
E porque ele estava sendo simpático? Alguns minutos atrás, no salão, mal dirigiu a palavra a ela.
- Desculpe, senhorita, você já sabe a minha idade e eu nem sei o seu nome.
- Elizabeth.
- O meu é William.
Ele pegou sua mão e a apertou de leve, em um cumprimento. Mas ficou um tempo segurando até notar que já deveria ter soltado e a soltou.
- Saí um pouco para o jardim, mas não imaginei que alguém teria a mesma ideia. Desculpe incomodar.
- Sem problemas. – dizendo isso, Elizabeth voltou o rosto às páginas do livro.
William ficou onde estava, observando-a. Sem a máscara dava para observar seu rosto melhor, como ele havia desejado antes, e não se decepcionou.
Hesitou um momento pensando no que fazer. Não queria voltar ao salão para não correr o risco de o reconhecerem e também para não esbarrar com Caroline outra vez. Mas, acima de tudo, não queria sair da presença dessa moça.
“Mas o que deu em você William Darcy? Você não é assim, não se encanta tão fácil!”
Tirou a máscara do rosto e falou:
- Senhorita Elizabeth?
Ela olhou para ele e deixou o livro de lado. Ele havia tirado a máscara. Se antes era bonito, agora que podia observar seu rosto não havia palavras para expressar tamanha beleza. Enfim, ela conseguiu falar.
- Não precisa ser tão formal. Deixe o “senhorita” de lado.
- Posso ficar aqui um pouco e fazer companhia a você?
Lizzy não soube o que responder, na verdade queria mesmo que ele ficasse um pouco mais, mas sabia que teria que voltar logo para o salão.
- Sim.
Ele sentou no banco ao lado dela e ambos ficaram em silêncio por um bom tempo, observando a beleza do lugar, até que Lizzy não aguentou ficar calada, e, vendo que ele permanecia calado e que não iria falar, ela resolveu tomar a iniciativa e perguntou:
- Você não deve estar gostando muito da festa para vim buscar refugio no jardim.
- Você também não, já que ao invés de estar lá dentro – disse ele apontando para as portas que davam para o salão. – está aqui lendo um livro.
- A festa está muito boa e animada. Só não estou lá dentro dançando por causa de um motivo.
- O qual, presumo, não irá me contar.
- Claro que não, você não me contou o seu. Desconversou fazendo uma pergunta para não responder o que questionei a você. Além do mais, você é um estranho para mim.
- Você já sabe meu nome, e sou advogado. Estou montando meu escritório aqui no Canadá, porque estive fora durante dois anos. Voltei de Londres, onde estava fazendo uma especialização. E você?
- Meu nome você também já sabe, sou arquiteta, me formei ano passado...
Não viram a hora passar e ficaram quase uma hora conversando. E ao longe podia ser ouvido as músicas que embalavam a festa dentro do salão...
Trilha Sonora: I - Yiruma
- Will - chamou Fitz que vinha com um Charles sorridente ao lado dele. – Pensei que já não o encontraríamos mais aqui. Charles me disse que você estava querendo ir embora há muito tempo. Mas vejo que tem companhia. Por isso não foi ainda. Mas temos que ir.
- Olá. – Fitz cumprimentou Elizabeth.
- Olá – ela respondeu. - Olá Charles.
- Olá Lizzie.
- Vão para o carro, já estou indo. Vocês já se conhecem? - perguntou Darcy a Elizabeth.
Quando ela fez menção de responder, Fitz falou.
- Will, tem que ser agora. – algo no tom de voz de Fitz fez Darcy perceber que tinha acontecido alguma coisa.
- Está certo. – respondeu ele. – Elizabeth... - continuou falando Darcy.
- Vá – disse ela. - Seus amigos estão com pressa.
- Quando poderemos nos ver de novo?
Elizabeth pegou o livro do banco e estendeu para ele. Ele olhou para ela confuso, mas pegou o livro.
- Na contracapa tem meu nome e número de telefone. – explicou ela.
Fitz já empurrava William rumo ao portão, não dando chances a ele de falar mais nada para ela.
Elizabeth ficou parada lá, olhando para ele enquanto ele se distanciava.
Quando estavam um pouco mais afastados, Charles comentou:
- Quem diria que a sua Julieta fosse também uma Bennet.
- O quê? – William perguntou surpreso.
- Vai dizer que não sabia?
- Não, a única pessoa que conheço através de fotos e hoje na festa é Lincoln Bennet e Jane Bennet, mas as outras filhas dele nunca vi.
- Viu sim. Ela é Elizabeth Bennet, a irmã de Jane Bennet. Eu a conheci no mesmo dia em que conheci Jane. Não tinha reconhecido antes porque ela estava de máscara.
- Que mundo pequeno. Romeu se encanta por Julieta, Julieta por Romeu, mas as famílias são rivais. – brincou Fitz.
- Não pode ser. – sussurrou William baixinho enquanto apertava inconscientemente o livro contra o peito.
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Elizabeth continuava no jardim olhando eles se afastarem quando escutou Kitty, uma de suas irmãs mais novas, que estava fantasiada de Cinderela, chamando-a.
- Lizzie! Lizzie!
- O que foi, Kitty?
- Mamãe está há muito tempo atrás de você. – falou olhando na direção em que ela olhava.
- Então era verdade os comentários que havia espiões na festa...
Elizabeth olhou para ela.
- Espiões?
- Sim, estavam dizendo que havia parentes dos De Bourgh aqui na festa. E pelo jeito havia mesmo.
- Por que você diz isso, Kitty?
- Aqueles dois que foram embora com o cara fantasiado de Robin Hood. São os sobrinhos de Paul De Bourgh. Os que estão fantasiados de Zorro e Romeu.
- Não... - foi só o que Elizabeth conseguiu falar.
Kitty voltou para o salão, enquanto Lizzy ficou mais um pouco parada olhando para o portão da saída.
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