"Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, se não tiver amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. "
1 Coríntios 13:1
Capítulo 1
O salão estava repleto de gente fantasiada com os mais diferentes estilos de fantasias. Elizabeth Bennet já não aguentava mais aquela festa. Sua mãe, Alice Bennet, não parava de falar como George Wickham era bem apessoado, de boa família e rico. E que ela não deveria perder a oportunidade de agarrar um bom partido como esse.
Essa era a segunda vez que dançava com ele. Não podia negar que era um homem muito bonito, mas não sentia nada de especial quando estava perto dele, nem quando fitava os seus olhos.
Após o final da dança, pediu licença e se afastou dele.
Caminhou pelo salão até encontrar Jane e Mary, duas de suas cinco irmãs, e sua amiga Charlotte.
Jane estava fantasiada de Xena, Charlotte de Policial e Mary de Pedrita.
- Curtindo a festa, Lizzie? Daqui a pouco o Pirata Wickham virá atrás de sua bela Julieta para mais uma dança. – falou Charlotte.
- Ele está muito bonito com essa fantasia, Lizzie. Mamãe não se cansa de elogiá-lo. – dessa vez foi Jane quem falou.
- Ele sorri demais para o meu gosto.
Charlotte sorriu do comentário de Mary.
- Mamãe não cansa é de planejar tudo. – continuou Mary. – A festa não só é para comemorar o aniversário de Lydia, mas também para conseguir votos para o papai. Dá para acreditar que ela queria colocar dentro dos envelopes dos convites panfletos da campanha do papai para o senado? Quando vi, contei para o papai e ele imediatamente a convenceu a não fazer isso.
Dessa vez foi Lizzie quem sorriu e acrescentou: - Mamãe não tem bom senso mesmo. Amo-a demais, mas ela não vai dizer com quem eu devo namorar, afinal estamos no século XXI.
- Então você terá que dizer isso a ela com todas as letras, Lizzy.
- Mas eu já disse, Char!
- Então ela não ouviu, porque ela vem vindo pra cá com o George a tiracolo.
- Tchau, garotas. – falou Elizabeth, saindo apressada em direção ao lado oposto de sua mãe e George.
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William Darcy andava pelo salão tentando chegar às portas que davam para o jardim. Queria respirar um pouco de ar puro. Estava se sentindo sufocando dentro do salão.
Deixou seus amigos e saiu sem ser notado. Não aguentava mais as conversas de Caroline Reid.
Ela se aproximara deles sem a menor cerimônia e perguntara se ele era o sobrinho de Paul De Bourgh, candidato ao senado que chegou de Londres há pouco dias atrás.
E ele ficou sem graça por estar na festa da filha do principal concorrente do tio para o senado.
Só viera pela insistência do amigo Charles Bingley. Não devia ter tirado a máscara que estava no seu rosto.
Quando confirmou que ele era sobrinho dele, a mulher não largou mais do seu pé, dizendo como achava sua tia, esposa de Paul, Catherine de Bourgh, uma das damas mais elegantes da sociedade. E não parou de fazer perguntas a seu respeito, parecia muito mais interessada ao se inteirar que ele era sobrinho de uns dos homens mais ricos de Ontário.
Ele continuou andando até esbarrar em alguém.
- Desculpe... – ambos falaram ao mesmo tempo.
Ele colocou as mãos nos ombros da moça que tinha esbarrado sem querer para afastá-la e observou que ela sequer olhou para ele, estava olhando para trás, para uma senhora e um homem que vinha em sua direção.
Ela finalmente se virou para ele, e disse:
- Romeu, finalmente te encontrei. Vamos dançar, por favor? - pegou sua mão e o levou para um canto do salão.
Darcy ficou sem ação, não soube o que fazer, e foi sendo conduzido por ela. Sentiu-se confuso com aquilo tudo e achou a mulher muito ousada para o gosto dele.
Ficaram de frente para o outro sem falar nada, parados, e ele percebeu que ela abaixou a cabeça, sem fitá-lo, e parecia envergonhada da ousadia que praticara há pouco.
Trilha Sonora: Kissing You - Des'ree
Uma música agitada que tocava acabou e a próxima que começou a tocar era uma balada.
Darcy tomou a iniciativa e disse:
- Então, vamos dançar? – estendendo a mão para ela.
Elizabeth finalmente olhou para ele, pegou a sua mão e falou:
- Sim.
Ela colocou suas mãos em volta do pescoço dele, e ele enlaçou sua cintura com as duas mãos.
Ambos dançavam no ritmo lento da música enquanto os olhos não desviavam um do outro.
Ela voltou a falar.
- Me desculpe por te abordar assim, foi um impulso, mas tive meus motivos. Realmente me desculpe.
Ele assentiu com um leve movimento na cabeça aceitando suas desculpas. Mesmo sem entender.
E a observou melhor. Ela era bonita. Estava fantasiada de Julietacom um vestido branco e asas nas costas. Os cabelos longos, castanhos e sedosos. Tinha uma máscara parecida com a dele, que cobria apenas os olhos.
Ah, os olhos era o que tinha de mais bonito nela. Pretos e brilhantes. Gostaria de poder ver o rosto sem a máscara...
O que está acontecendo com você, William?”, ele se perguntou. Nunca foi de se encantar assim por ninguém. Era muito sensato e racional.
Elizabeth desviou os olhos do Romeu. Romeu! Ela não pode deixar de sorrir internamente com a coincidência. Bem quando estava fugindo de sua mãe esbarrou em alguém fantasiado de Romeu e agindo impulsivamente aproveitou a oportunidade. Sua mãe estava chegando perto. Tinha que fazer alguma coisa. Mas depois se arrependeu ao ver que o homem não gostou nada do que ela fizera.
Apesar da máscara no rosto deu para perceber seu desagrado, seu semblante muito sério, mas mesmo assim fora educado. Tinha os olhos azuis mais lindos que ela vira na vida. E Elizabeth sentiu algo estranho. Não sabia definir o que sentia. Bem, na verdade sabia. Um friozinho na barriga. Não se sentiu assim enquanto dançava com George Wickham.
Voltou a olhar para ele e viu que ele a observava com seus belos olhos azuis penetrantes. Olhos que antes estavam muitos sérios, mas que agora estavam brilhantes. E a música linda, que ela gostava muito, contribuía para deixar o clima mais mágico.
Elizabeth Bennet. Daqui a pouco você irá ver estrelas, com todos esses pensamentos envolvendo friozinho na barriga e mágica.
Mesmo assim ela se sentia incapaz de desviar os seus olhos dos dele. Com muito custo resolveu colocar sua cabeça no ombro dele e continuar dançando, como os outros casais faziam. Era muito inquietante continuar olhando para aqueles olhos azuis.
Continuaram dançando até que a música terminou. Nenhum dos dois percebeu até que escutaram alguém pigarreando.
Foi aí que se deram conta de que a música tinha terminado e que tocava agora outra música agitada. Afastaram-se um do outro olhando para quem havia pigarreado.
- Estava te procurando.
William desviou o olhar da Julieta para olhar na direção de Charles Bingley, que estava fantasiado de Robin Hood. Pouco tempo depois voltou a olhar para a Julieta, mas ela já havia ido embora.
- O que foi? – perguntou olhando irritado para Charles.
- Puxa, calma! Que nervosinho. Por que esse mau humor todo? Desculpe por ter quebrado o clima, Will.
- Clima? Que clima?
- Não sou cego. Esse clima entre o Romeu e a Julieta. - Charles sorriu menos discreto do que pretendia e algumas pessoas próximas olharam para ele. – Desculpe, Will, mas é muito engraçado. Você estava dançando justamente com alguém fantasiado de Julieta.
William resolveu mudar o rumo da conversa.
- E você? Já achou quem você queria? O motivo de ter me arrastado para essa festa? Jane Bennet?
- Não. Ela deve estar usando uma máscara, porque já procurei e não achei.
- Você disse que se conheceram em um restaurante, que ela comentou do aniversário da irmã e que a outra irmã dela convidou você para essa festa, e você aceitou, então ela deve estar te procurando também.
- Tem razão. Vou continuar procurando. Conto com sua ajuda? O Zorro Fitz já está atacando novamente. Está muito ocupado dançando com uma loira.
- Vamos, Charles. Vou te ajudar, embora não faça a mínima ideia de como ela seja.
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Lizzie se afastou do Romeu e respirou aliviada por ter conseguido dessa vez se livrar de sua mãe e de seu pretendente. Já tinha 25 anos, não era possível que não pudesse escolher sozinha com quem quisesse dançar e namorar. Teria que ter uma conversa muito séria com sua ela.
Queria ficar um tempo sozinha, saiu do salão e foi em direção ao belo jardim.
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Charles já estava desanimado. Não conseguia achar a moça que havia conhecido há duas semanas atrás. Desde então só conseguia pensar nela. No seu belo rosto, no seu sorriso encantador.
Estava andando pelo salão mais uma vez quando viu uma moça fantasiada de Xena.
Ela tinha tirado a máscara do rosto e estava com ela nas mãos. Era ela. Jane. Abriu um sorriso.
- Will, Will. Achei! Olha ela ali, fantasiada de Xena junto da Policial e da Pedrita!
- Vou sair um pouco, respirar um pouco de ar puro lá no jardim e fugir da Caroline.
Me avisem quando você e o Fitz forem embora. Na verdade não era nem para eu estar aqui, você não acha? Só a Caroline e a amiga que me reconheceram quando eu tirei a máscara, mas os outros não me reconheceram porque estou novamente com uma máscara, não quero nem pensar no que iriam falar se encontrassem o sobrinho do maior concorrente do Lincoln Bennet para o senado na festa da filha dele, iriam me expulsar, no mínimo, e tudo porque você está encantado por uma das filhas do Bennet. O que eu não faço por você Charles? Estou me arriscando muito. Se meus tios souberem que eu estou aqui, não quero nem pensar.
- Ah, Darcy. Você não conversou com Jane Bennet. É a mulher mais linda que eu já vi na vida.
- Ela é muito bonita mesmo, Charles, como você falou. Vá lá falar com ela.
Mas não demore muito, meia hora está bom para irmos embora.
-Só? – lamentou Charles. - Foi tão difícil encontrá-la com essa multidão toda fantasiada...
-Só. Se você e o Fitz não aparecerem no jardim passando esse tempo, vou sozinho.
Avise a ele depois.
- Está certo, Will. Vá logo porque eu estou vendo Caroline procurando por você perto da escadaria.
E cada um foi para um lado. Charles em direção à Jane e William ao jardim.
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