Darcy acordara de mau humor, desde que deixará Netherfield Park, não conseguia conciliar o sono, um par de belos olhos castanhos, o perseguia e não contente em perturbar suas noites, agora invadirá os seus dias.
Nem a presença de sua querida irmã o distraía. Tornara-se disperso com tudo e com todos, o magnetismo daquele olhar e a presença daquela mulher, imprimiram uma marca profunda em sua alma. Precisava fazer algo ou enlouqueceria. Mas, o que fazer?
Faltavam dois dias para a Noite de Natal, numa tentativa de focar sua atenção em algo, que talvez lhe soasse mais produtivo, resolverá comemorar a ceia de Natal em sua casa, junto aos seus familiares e amigos íntimos. Assim, com os preparativos e a presença de pessoas estimadas, achava-se capaz de esquecê-la.
Foi com pouco ânimo que saiu pela manhã, para encontrar-se com Charles, afim de comprar os presentes para a grande noite.
_ Darcy, o que tem? Anda mais taciturno do que o normal?
_ Impressão sua Charles. Sou o mesmo de sempre. _ entraram numa tabacaria.
Enquanto, Darcy escolhia os charutos com que presentearia seu tio o Sr Matlock, Charles que olhava em direção a rua, através da vitrine, subitamente saiu da loja, deixando Darcy sozinho. Este, terminou a compra, deixando a loja rapidamente atrás de seu amigo. Perguntando-se: O que Charles teria visto que o fizesse deixá-lo tão bruscamente? A poucos metros dali, viu-o conversando com duas senhoras, estas estavam de costas. De repente, uma delas ficou de perfil, Darcy que caminhava em direção ao grupo estancou. Poderiam passar-se anos, mas ele a reconheceria, era Elizabeth. Não podia acreditar, Elizabeth em Londres.
Após, o choque inicial, juntou forças para prosseguir, pois Charles o vira e o grupo todo se voltava em sua direção. Não poderia ficar ali parado de forma tão estúpida, seguiu em direção a eles.
_ Srta Jane Bennet! _ fez uma reverência.
_ Sr Darcy.
_ Srta Elizabeth Bennet!
_ Sr Darcy.
_ É um prazer revê-las. _ tentou não olhar para Elizabeth, porém notou que ela o olhava de uma maneira peculiar.
_ Darcy, não é uma feliz coincidência tê-las encontrado? As Srtas Bennet, vieram a Londres para passar o Natal com parentes.
_ Sem dúvida. Onde estão hospedadas?
_ Com nossos tios Gardiner. _ respondeu Jane.
_ Em Gracechurch Street. _ completou Elizabeth, com um sorriso zombeteiro nos lábios.
Darcy notou certo tom no timbre de Elizabeth, como se aquela resposta fosse para chocá-lo. Notou que Elizabeth olhava por cima de seus ombros.
_ Foi um prazer, senhores. Mas, temos que ir. Nossos tios nos esperam. _ disse Elizabeth pronta para deixá-los.
Darcy voltou-se para trás e viu um casal que olhava sorridente para eles. Sem entender bem o porquê, simpatizou-se com a figura deles.
_ Srta Elizabeth, poderia nos apresentar a seus tios?
Jane e Elizabeth olharam-no surpresas.
_ Ah ... Claro, Sr Darcy. _ Elizabeth afastou-se, dirigindo-se aos tios, disse-lhes algumas palavras e retornou acompanhando-os.
_ Sr Darcy. Sr Bingley. Estes são meus tios, Sr e Sra Gardiner.
_ É um prazer conhecê-los. _ disse Charles com sua habitual animação.
_ É um prazer, senhores. _ disse o Sr Gardinher _ Conhecer amigos de nossas queridas sobrinhas.
_ Estávamos comentando da feliz coincidência de encontrá-las em Londres, nesta época.
_ Realmente, é uma coincidência. Costumamos passar a festa Natalina em Longbourn. Porém, este ano não pude me ausentar, devido aos negócios e solicitamos a presença destes dois anjos.
_ Espero que estejam todos bem, em Longbourn. _ comentou Darcy à Elizabeth.
_ Ah, estão senhor. Obrigada. _ respondeu parecendo confusa. Olhava-o agora, com um ponto de interrogação em seus olhos, como a perscrutar sua alma.
Inesperadamente, Darcy fez-lhes um convite inusitado.
_ Sr Gardiner, minha irmã encontra-se em Londres e estarei realizando em minha casa, a ceia de Natal, meus familiares e amigos estarão presentes. Gostaria muito que me dessem a honra de suas presenças.
O grupo todo o olhou com espanto, inclusive Charles.
_ Senhor é muito amável de sua parte, mas ...
_ Por favor, eu insisto. Sra Gardiner?
_ Ah! _ olhando para suas sobrinhas, estas desviaram o olhar, baixando-os, concluindo que esta atitude seria um sinal de consentimento por parte delas, respondeu por fim _ Será uma honra, Sr Darcy.
Darcy anotou o endereço do Sr Gardiner para lhe enviar um convite formal. Após, despediram-se. Sentia-se estranhamente feliz. Charles sorria o tempo todo e, embora ele próprio não demonstrasse externamente, ria-se por dentro. Retornaram para suas casas, em silêncio. Cada um com seus próprios pensamentos.
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Darcy não teve outra oportunidade de ver Elizabeth, nem quando levou o convite pessoalmente ao Sr Gardiner. Seu ânimo mudou consideravelmente, fazendo-se notar, por aqueles que conviviam diretamente com ele.
Embora, sua razão continuasse a lutar contra aquele sentimento que o dominava, não podia deixar de sentir-se feliz por poder estar novamente próximo à Elizabeth.
Na manhã do dia tão esperado, Georgiana abordou timidamente o irmão.
_ Irmão! _ exclamou tímida.
_ Sim, Georgiana. _ respondeu Darcy, baixando o jornal.
_ Posso lhe fazer uma pergunta?
_ Se eu puder responder.
_ O que o fez mudar de humor?
_ Mudar de humor?
_ Quando cheguei, você estava tão triste, sequer sorria. Agora ... _ não terminou a frase.
_ Agora? _ perguntou ele.
_ Não pára de sorrir. _ respondeu de uma só vez.
_ Não é nada. Estou feliz, pois teremos esta noite um grupo de pessoas amigas em nossa casa.
_ Ah! _ exclamou desapontada _ Pensei que talvez. _ novamente não terminou a frase.
_ Talvez? _ perguntou divertido, com as maneiras da irmã.
_ Charles também esta muito feliz. Achei que você estivesse feliz pelo mesmo motivo que ele.
_ E qual seria o motivo de Charles? _ perguntou desconfiado.
_ Bem, Charles esta feliz por ter reencontrado a Srta Jane Bennet. _ respondeu timidamente.
_ De certo, fiquei feliz de tê-la reencontrado. Porém, não como Charles. _ riu.
_ Imaginei que fosse pela outra Srta Bennet. _ disse baixando o olhar. Darcy a olhou surpreso _ Desculpe, irmão. Eu ...
_ Tudo bem, Georgiana. Vejo que me conhece melhor do que a mim mesmo. _ foi à vez de Georgiana o olhar com surpresa _ Elizabeth, digo a Srta Bennet é a criatura mais encantadora que jamais encontrei, a admiro muito. _ disse pausadamente, andando pela sala.
_ Fico tão feliz.
_ Mas, não passa disso.
_ Mas, se a admira. Por que ...
_ Porque somos de mundos diferentes. _ respondeu a interrompendo _ Não pode haver nada entre nós.
_ Mas, irmão ...
_ Georgiana, existem certas convenções que não devem ser esquecidas.
_ Mas, se você a ama? O que pode haver de tão errado numa relação entre vocês? Sempre pensei que nossas convenções fossem criadas para nos trazer felicidades. O que pode nos trazer maior felicidade, do que nos unirmos à pessoa amada?
_ Georgiana, você ainda é muito ingênua para entender. _ foram interrompidos.
_ Sr Darcy. _ chamou o Sr Hilston, mordomo _ Existe um assunto que necessita de sua presença.
_ Esta certo, Sr Hilston. Com licença, Georgiana. _ acompanhou o mordomo, sentindo-se aliviado por ter fugido da conversa com a irmã. Porém, as palavras de Georgiana, não saíram de sua mente o dia inteiro.
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A noite chegou e com ela sua ansiedade por rever Elizabeth, aumentara. Seus tios Matlock e seu primo Cel. Fitzwilliam foram os primeiros a chegar. Após, os Bingley e os Hurst. Darcy estava impaciente, porém logo a presença dos Gardiner e das Srtas Bennet foi anunciada.
As apresentações formais foram realizadas e com um misto de prazer e ciúmes, Darcy observava Elizabeth palestrar com seus parentes, sem ter coragem de se aproximar.
_ Mas, que moça encantadora e inteligente é a Srta Elizabeth Bennet. _ comentou o Sr Matlock _ Onde a conheceu, Darcy?
_ A conheci quando estive na propriedade rural de Bingley, Netherfield Park, em Hertfordshire.
_ Nossa! Mas, com sua desenvoltura, não se diz que é uma interiorana. _ completou a Sra Matlock _ Devo, acrescentar que sua família toda é encantadora.
A ceia foi servida e Darcy, por ser o anfitrião, viu-se longe de Elizabeth, esta estava sentada entre seu primo, Cel. Fitzwilliam e Caroline Bingley. Foi com desprazer que percebeu como Elizabeth conversava animadamente com seu primo. Após, a ceia, os senhores e as senhoras separaram-se por instantes. As senhoras foram para a sala de chá e os senhores à biblioteca, fumar e conversar sobre política e negócios.
Quando finalmente, retornaram a companhia das senhoras, mais uma vez Darcy viu-se longe de Elizabeth. Foi convidado a fazer parte da mesa de uíste. Notou, novamente o quanto Elizabeth estava animada conversando com o Cel. Fitzwilliam. Não notando, quando Caroline parou ao seu lado na mesa de jogo.
_ Não é revoltante, Sr Darcy? _ perguntou em tom baixo _ Ver que o nosso intento não deu certo?
_ Não a compreendo, senhorita.
_ Olhe por si mesmo. _ olhou em direção a Jane e a Charles, em outra mesa. _ O mais revoltante é ver a Srta Elizabeth se insinuar de maneira tão vergonhosa ao seu primo.
Darcy olhou em direção à Elizabeth e Fitzwilliam, porém direcionou sua raiva a Caroline.
_ Srta Bingley, não vejo nada de vergonhoso nas maneiras da Srta Bennet. Por favor, peço que não insulte meus convidados.
_ Desculpe, Sr Darcy. Não quis ofendê-lo. _ dizendo isso, se afastou.
Para controlar o ciúme que lhe invadia, decidiu dedicar-se ao jogo, conseguindo o seu intento até o final da partida e alegando ter que dar atenção aos outros convidados, retirou-se da mesa. Olhou ao redor, a procura de Elizabeth mas não a avistou. Imediatamente, procurou por Fitzwilliam e este conversava com Georgiana.
Georgiana encontrando o olhar do irmão e compreendendo sua inquietação, mostrou-lhe com um leve aceno de cabeça, a direção em que fora Elizabeth. Sem mais demoras, saiu em sua direção, a encontrando na biblioteca.
_ Sr Darcy! _ exclamou surpresa _ Desculpe, invadir sua biblioteca.
_ Por favor, Srta Bennet. Não se desculpe.
_ É que não pude resistir. _ desviou o olhar.
_ Por favor, continue. _ Elizabeth sorriu, voltando-se às estantes de livros, enquanto Darcy permanecia calado a observando.
_ Sr Darcy, posso lhe fazer uma pergunta? _ pediu Elizabeth, voltando a encará-lo.
_ Sim.
_ Eu lhe ofendi de alguma maneira esta noite?
_ De forma alguma. Por que esta pergunta?
_ Notei que o senhor me evitou a noite toda. Sequer me dirigiu a palavra.
_ Se o fiz, foi sem a intenção.
_ Ah. _ voltou a olhar os livros.
_ Srta Bennet! _ exclamou, aproximando-se nervoso, Elizabeth voltou-se para ele _ Tenho lutado em vão com meus sentimentos. Tenho que lhe confessar _ aproximou-se mais _ A amo, ardentemente.
Elizabeth ruborizou e baixou o olhar.
_ Desde, o momento em que a vi pela primeira vez, a senhorita marcou minha alma e selou a minha felicidade a sua para todo o sempre. _ tomou-lhe uma das mãos _ Case-se comigo?
Elizabeth, levantou os olhos lentamente, encontrando os dele e lhe sorriu.
_ Sr Darcy, agradeço a honra que esta me dando ... _ sem deixá-la terminar a frase, Darcy a tomou em seus braços e a beijou.
Ouviu alguém bater na porta e a voz de seu valete o chamar.
_ Sr Darcy! Sr Darcy! Desculpe, senhor. Mas, o senhor pediu para acordá-lo.
Darcy despertou, seus olhos custaram a abrir. Sentia o perfume de Elizabeth em suas narinas e o sabor de seu beijo em seus lábios. Nunca um sonho lhe parecera tão real. Vestiu-se mais desanimado do que o habitual. Encontrou-se com Georgiana à mesa para o desjejum, esta estava toda animada, pois era a véspera do Natal.
_ Irmão, o que deseja ganhar?
_ Um sorriso sincero, num belo rosto de mulher.
***~***~ FIM ~***~***
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