Em casa com Jane:
_ Então, Lizzy? Como se sente?
_ Jane! Estou tão feliz, como nunca imaginei que estaria.
_ Então, você realmente o ama?
_ Jane, quando eu lhe confessar tudo, você até achará que o meu sentimento excede os limites. _ Jane a olhou curiosa _ Tenho que confessar, amo-o mais que a Charles. _ respondeu zombeteira.
_ Ora! Isso realmente é impressionante. _ retrucou rindo_ Vamos Lizzy, quero conversar a sério, detestaria saber que você não o ama e respeita totalmente. Quando você percebeu que realmente o amava?
_ Bem, Jane. Eu mesma não saberia dizer com exatidão, mas acredito que foi da primeira vez em que vi o belo parque de Pemberley, aqui no Brasil e logo confirmei quando vi a Pemberley da Inglaterra. _ terminou com um sorriso.
_ Ora, Lizzy. Pare. _ riu Jane.
_ Jane, eu o amo desde a primeira vez em que nossos olhares se cruzaram, mas fui tola por tê-lo deixado se afastar de mim, mas isso são águas passadas. Agora, só estou com receio da reação da tia dele, estou esperando a Sra DeBourgh entrar a qualquer momento com uma espingarda apontada para a minha cabeça.
_ Lizzy, a Sra Catherine ficará feliz em vê-lo ao seu lado. Não há como, negar. Quem o vê percebe o quanto ele te ama e esta feliz.
_ Nem todas as pessoas são como você Jane. Às vezes, a felicidade do outro incomoda e além de tudo, a Sra Catherine quer que William se case com a filha dela.
_ Mas, ela não pode negar que os dois seriam infelizes, pois William não a ama.
_ Bem, não adianta fazer suposições, teremos que esperar para ver como agirá.
_ Você vai mesmo morar com William antes de se casarem?
_ Vou, não consigo negar nada a ele e, também não consigo esperar. Agora, percebo o quanto me fez falta. Mas, vou conversar com ele e ficarei aqui até você se casar, não consigo deixá-la sozinha. _ disse sinceramente.
_ Não sei não, acho que William não vai gostar dessa idéia, me pareceu irredutível ontem. Achei muito fofo da parte dele e como será a reação dos nossos pais? _ riu.
_ Posso imaginar, mamãe como sempre, será ruidosa nas suas demonstrações de felicidade. _ riram _ Mas, papai. Acho que não gosta de William. _ disse com uma ruga de preocupação.
_ E quando foi que papai gostou de um namorado seu? _ sorriu.
_ Mas, ele viu o quanto William me deixou triste no começo, talvez não aceite, não gostaria que papai repreendesse minha decisão.
_ Tenho certeza de que vai te apoiar, afinal papai te ama.
Em meio a estas e outras divagações, Lizzy e Jane adormeceram, na manhã seguinte, levantariam cedo para trabalhar.
***
Lizzy aguardava ansiosa pelo final do dia para reencontrar William, combinaram de se encontrarem no apartamento dela, para irem juntos a casa dos pais dela. No final do expediente, Lizzy saia com os colegas de trabalho, quando teve a sensação de ser observada, despediu-se dos colegas e olhando ao redor, seu rosto se iluminou.
_ William! _ correu até ele e o abraçou.
_ Não consegui esperar mais, tinha que vê-la. _ beijaram-se _ Venha, meu carro esta logo ali. Gostou da surpresa?
_ Amei _ respondeu, segurando forte sua mão, foram direto para a casa dos Bennet’s.
Ao chegarem a Sra Bennet, Kitty e Mary os olharam espantadas, Lizzy as cumprimentou e foi logo perguntando pelo pai.
_ Ele esta no escritório. _ respondeu a Sra Bennet, perplexa vendo os dois de mãos dadas.
Lizzy conduziu William até o escritório do Sr Bennet, na porta olharam-se e com um sorriso confiante William bateu.
_ Entre. _ disse uma voz aborrecida.
_ Papai. _ disse Lizzy ao entrar. O Sr Bennet, olhou por sobre o livro, como de hábito, seus olhos perspicazes, rapidamente fitaram os dois que entravam, notando as alianças nas mãos de ambos e pelas atitudes, logo teve certeza do que se tratava.
_ Sim. _ respondeu insatisfeito, voltando os olhos ao livro.
_ William quer lhe falar. _ disse Elizabeth sem jeito, o Sr Bennet fechou o livro e a olhou.
_ Pode nos deixar agora, Lizzy. _ retrucou o Sr Bennet.
Elizabeth saiu receosa, foi ao encontro da mãe e das irmãs na sala, antes que a mãe pudesse falar.
_ Mamãe, minhas queridas, estou noiva de William.
_ Oh! _ exclamou a Sra Bennet _ Que felicidade! Um homem tão, tão, tão bonito e elegante. _ levantou-se e abraçou a filha _ Sem dúvida você será muito feliz e ele é tão rico também. Oh! Três filhas casadas. Quando pretendem se casar?
_ Em Janeiro.
_ Janeiro? Mas Lizzy temos muito que preparar é um período curto. Ainda temos o casamento de Jane antes do seu.
_ Mamãe, não se preocupe. Vai dar tempo e não teremos uma festa pomposa, será somente para os íntimos.
_ Como não terá festa? Um homem como ele deve ter muitos convidados? Mas, vamos deixar isso para depois. Estou tão feliz que vou explodir de felicidade.
Kitty e Mary cumprimentaram Elizabeth, embora não entendessem como isso aconteceu, já que Lizzy dizia não gostar dele e para elas William era um tanto chato. Jane e Charles chegaram pouco depois, participando assim, das demonstrações de felicidade da Sra Bennet, depois de algum tempo William apareceu na porta com um ar sério. Lizzy estremeceu indo para sua direção.
_ O que houve? _ pergunto preocupada.
_ Seu pai quer lhe falar. _ respondeu sério, mas vendo a feição preocupada dela, não se conteve e lhe abriu um belo sorriso, beijou-lhe a testa. Lizzy correu para o escritório, William viu-se só com todos os olhares parados nele, meio sem jeito dirigiu-se até a Sra Bennet, agradecendo-lhe pela filha maravilhosa que tinha, viu-se coberto de elogios e para sua satisfação, Charles estava lá para ajudá-lo.
Lizzy entrou no escritório e encontrou o pai taciturno, o Sr Bennet a encarou.
_ Elizabeth, esta louca? _ perguntou amargo, Lizzy sentiu as pernas fraquejarem _ Depois de tudo o que lhe fez, vai se casar com ele? _ sem deixar ela responder _ Sei que ele é um homem bonito e sem dúvida você será mais rica que Jane. Mas, você será feliz ao lado de um homem que não ama, de mau gênio e orgulhoso como ele?
_ O senhor tem outra objeção a não ser a sua suposição de que eu lhe seja indiferente?
_ Nenhuma, se realmente eu estiver enganado quanto aos seus sentimentos por ele.
_ Papai, eu o amo. _ respondeu embargada _ Estava enganada este tempo todo. _ ajoelhou-se ao lado do pai _ William é um homem bom, não tem mau gênio. Ele foi um tolo comigo no princípio, mas eu também fui. William percebeu que estava errado, tive provas do seu caráter. O senhor falando deste jeito me magoa. O senhor não o conhece, não sabe o que ele fez.
_ O que ele fez? _ perguntou espantado. Lizzy lhe contou sobre tudo o que aconteceu no caso de Lydia. _ Então, tenho que pagá-lo.
_ Não, ele não vai querer isso, não vai gostar de saber que lhe contei.
_ Bem, mas tenho que tentar ressarci-lo. Sei que como um homem apaixonado ele protestará, dizendo que foi por amor e então, daremos o caso por encerrado.
_ Então, o senhor aprova o meu casamento? _ perguntou Elizabeth, notando o humor peculiar nas palavras do pai.
_ Já o tinha consentido a ele, realmente William é dessas pessoas que não se consegue negar um pedido.
Lizzy o abraçou e lhe deu vários beijos no rosto.
_ Então, alguém foi capaz de roubar-me o seu coração? _ brincou embargado.
_ Ora, papai! Ninguém é capaz disso, William conseguiu ficar ao seu lado no meu coração.
_ Bem, vá. Esta me distraindo. _ Lizzy levantou-se e dirigiu-se a porta.
_ Se aparecerem rapazes para pedirem Kitty e Mary, deixem-nos entrar. Estou de bom humor hoje. _ riu.
Lizzy saiu feliz, andou rápido até a sala, vendo todos procurou por William, Jane com um olhar, mostrou-lhe a direção do pequeno jardim. Lizzy correu até lá e viu William sentado num dos bancos, aparentemente contemplando o céu, ela foi até ele e pulou em seu colo, beijando-o ardentemente.
_ Te amo! Te amo! Te amo! Te amo! _ exclamou Lizzy, beijando-lhe todo o rosto _ Você me tornou a pessoa mais feliz do mundo e só há uma coisa que eu possa fazer para agradecê-lo.
_ O quê? _ perguntou William, sorridente, adorando o brilho daqueles olhos que ele tanto admirava.
_ Te fazer o homem mais feliz do mundo e garantir que você seja assim para sempre. _ riu.
_ Você já faz isso. _ deu-lhe um beijo apaixonado. Depois de alguns minutos com Lizzy ainda sentada em seu colo, acariciando os seus cabelos. _ Então, fez suas malas? Podemos ir?
_ Calma! Vamos jantar aqui, apressadinho. E fiz minha mala, mas para hoje, vou ficar com Jane até ela se casar. _ William franziu a testa.
_ Não foi o que combinamos.
_ Não posso deixar Jane sozinha, você entende? Depois, não ficaremos mais juntas como antes.
_ Eu entendo. _ deu um suspiro _ Mas, não lhe darei nenhum dia a mais, para ficar longe de mim. _ sorriu.
_ Venham jantar. _ chamou a Sra Bennet.
Lizzy levantou-se e de braços dados foram jantar. O primeiro jantar de família que William participava, a princípio estranhou a agitação e o intenso falatório. Parecia que competiam entre si, apesar disso, gostou. Todos demonstravam o prazer que sentiam por estarem juntos. Percebeu que apesar de alguns momentos constrangedores que talvez passaria, poderia conviver com isso. Elizabeth vendo a mudança no comportamento dele. Sorria feliz. Ambos aprenderam lições valiosas e o mais importante é que venceram todos os empecilhos e preconceitos que no começo pareciam impossíveis e estavam juntos afinal.
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