Na Inglaterra*, Lizzy estava maravilhada com o que via, apesar do frio intenso. A paisagem londrina**, era magnífica. Porém, não ficariam em Londres, iriam para o norte, numa região chamada Derbyshire***. No trajeto Lizzy observava a mudança da paisagem, vislumbrando os primeiros sinais de neve que se intensificavam pelo caminho, Jane e Lizzy sorriam encantadas, no Brasil jamais poderiam ver aquilo, mesmo na região sul onde o frio intenso às vezes produzia flocos de neve. Depois de uma longa viagem, chegaram ao destino. Elizabeth olhou admirada para a construção imponente a sua frente.
_ Nossa Charles! Que lugar lindo. É seu? _ perguntou Elizabeth.
_ Não é de um amigo. A família dele é daqui da Inglaterra. Por isso, esta propriedade.
_ E ele te emprestou?
_ Ele quase não fica aqui, quando vem para cá, fica em Londres.
_ É quase um castelo. Nunca vi nada tão grande. _ riu _ Deve ser triste morar num lugar assim.
_ Por quê?
_ Você pode acabar o dia inteiro procurando por alguém para conversar e não encontrar. _ riu.
_ É possível. _ disse Charles, bem-humorado _ Venham! Vamos aos quartos.
Foram recebidos por vários empregados, mas Lizzy não entendia a maior parte do que falavam, pois não sabia inglês.
_ Me sinto em outro planeta, deveria ter deixado a preguiça de lado e ter feito o curso de inglês. _ riu.
Foram guiados para o andar de cima, haviam vários quartos e ambientes.
_ Lizzy, você fica aqui! _ disse Charles, abrindo uma das portas.
_ Uau! Que quarto enorme. _ deu uma olhada e achou encantador, sentindo-se bem ali _ Onde vocês ficarão?
_ Do outro lado.
_ Por quê? Vão me deixar sozinha deste lado?
_ É que do outro lado ficam os quartos de .... Ai! _ Jane deu um beliscão em Charles.
_ O que foi? _ perguntou Lizzy, que não percebeu.
_ Ai, tive câimbra. _ Charles olhou para Jane.
_ Então? Por que vou ficar isolada, neste lugar imenso?
_ Para não nos atrapalhar. _ riu Charles _ Não se preocupe é só gritar que viremos correndo.
_ Jane!
_ Pare de bobagem Lizzy, parece criança. _ riu e foi puxada por Charles _ Arrume suas coisas, depois passamos aqui.
Lizzy fechou a porta e começou a desfazer as malas, sentia-se muito bem ali, parecia que tudo lhe era familiar, até o perfume do local, abriu uma porta e encontrou um closet.
_ Roupas masculinas? _ disse espantada em voz alta _ Com tantos quartos na casa, tinha que ficar num habitado? _ riu _ Esse Charles, esta é me pregando uma peça. _ empurrou as roupas penduradas, encontrou alguns cabides e colocou algumas das suas roupas, olhou ao redor, viu gavetas, abriu estavam todas ocupadas.
_ Hum! Belas cuecas! _ riu e pegou uma com a ponta dos dedos _ Hum! Pelo modelo o dono não é tão velho assim! _ continuou rindo _ O jeito é manter minhas coisas na mala. _ ouviu batidas na porta _ Como é que se diz pode entrar? Sei lá. _ respondeu _ Yes. _ riu.
Uma senhora de meia idade entrou com uma bandeja cheia de frutas e pães, colocando numa mesinha ao canto.
_ Nossa! Isso é para um batalhão. _ exclamou Lizzy, a senhora disse algo, mas Lizzy não compreendeu.
_ Ah ... não sei o que dizer, bem o básico. I don’t speak Inglish. _ riu _ Me sinto uma ignorante.
A senhora sorriu, veio em sua direção e meio sem jeito a abraçou.
_ Oh! _ exclamou Lizzy espantada, retribuindo o abraço _ Thank you! _ disse sorrindo, a senhora disse mais algumas palavras e saiu.
_ E ainda dizem que os britânicos são frios. _ disse sorrindo _ Pena que não entendi nada do que ela disse. _ Lizzy olhou para a bandeja convidativa e se serviu de um dos pães, depois se deitou na cama, era muito confortável. _ Devem caber umas seis pessoas nesta cama. _ espreguiçou-se, sua mão bateu na cabeceira fazendo um som oco.
_ O sonho! _ surpresa, levantou-se e olhou ao redor _ É o quarto do sonho! _ voltou-se para a cama e passou os dedos no entalhe, ele saiu, olhou havia alguns objetos e uma caixa de jóias. Apesar da curiosidade não mexeu e voltou a fechar _ Bem! Agora só falta o homem. _ riu alto _ Quem será o dono deste quarto? _ andou um pouco, procurando por detalhes mais íntimos, mas não encontrou nada que lhe desse uma pista, nem uma foto sequer. Recordou-se da visita da Sra Catherine, imediatamente pensou em William, ficou triste, sentiu-se uma traidora, ainda o amava e já estava sonhando com outro, o destino sempre pregando peças nela, depois de tudo o que havia acontecido, a vida parecia estar tomando um novo rumo. Porém, como o seu espírito não era propenso a tristeza e cansada de ficar sozinha, olhou para a porta.
_ Já que não há nada para fazer. Vamos excursionar! _ saiu.
Elizabeth encantava-se com tudo o que via, apesar do tamanho do lugar e da diferença entre os vários ambientes. Tudo era de muito bom gosto e elegante. Porém, sentiu-se um peixe fora d’água.
_ Por que alguém precisa disso tudo? Se fosse no Brasil poderia ser um belo orfanato. Afinal, se você tem dinheiro para manter algo tão grande vazio, por que não enche-lo de pessoas? _ com esses e outros pensamentos semelhantes, continuou seu passeio, até esbarrar novamente na senhora que lhe levou os lanches, quando esta a viu, sorriu satisfeita e apesar de Lizzy não entender uma só palavra do que dizia percebeu que esta queria que a acompanhasse.
_ Ah! Um cicerone! _ sorriu e a seguiu, depois de ter mostrado vários dos aposentos a levou até a cozinha, lá estavam outros empregados, que ao vê-la correram, formando uma fila e apontando para si mesma a senhora disse:
_ Mrs Jenkinson! _ em seguida apresentou os demais, todos muito formais.
_ Ah! Prazer! Elizabeth Bennet! _ disse sem saber o que dizer em inglês, todos a olharam com curiosidade, ela pensou _ ‘ O que se passa com essa gente?’ _ até que a chegada de Charles a interrompeu.
_ Você esta aí?
_ Charles.
_ Não sabe ficar sozinha?
_ Fiquei cansada. Mas me ajude, acho que os ingleses são meio loucos. _ riu.
_ O que aconteceu?
_ Não sei, a Sra Jenkinson, me mostrou o lugar e me apresentou a todos, mas eles pensam que estão no exército, creio eu. _ riu _ Pode dizer que estou encantada em conhecê-los, por favor?
_ Claro! _ e Charles falou, porém Elizabeth percebeu que ele disse outras coisas a mais, só entendeu a palavra ‘surprise’ e todos sorriram e entreolharam-se.
_ O que disse a eles?
_ O que você pediu.
_ Hum! E o que é surpresa?
_ Que surpresa?
_ Não sei, foi você quem falou.
_ Ah! Pedi para fazerem uma sobremesa surpresa.
_ Sei. _ disse desconfiada.
_ Vamos Lizzy, Jane esta nos esperando.
_ Charles, não tente me enganar.
_ Eu? Do que esta falando? _ rindo da expressão dela.
Quando se encontraram com Jane, Elizabeth perguntou:
_ Jane o que esta acontecendo?
_ Como assim?
_ Não sei, tem algo muito estranho aqui.
_ Lizzy não há nada estranho. _ disse Charles.
_ Então, por que fiquei na outra ala sozinha? E por que tem roupas masculinas naquele quarto?
_ Roupas?
_ Sim. E do modo que estão, o dono costuma usar sempre. De quem é esta casa?
_ De um amigo, você não o conhece, Lizzy.
_ E quando ele virá?
_ No próximo mês, não estaremos aqui.
_ E por que estou no quarto dele?
_ Lizzy você esta com caraminholas na cabeça. _ disse Jane _ Não há motivos para você estar assim tão séria.
_ É. Aquele não é o quarto dele, talvez o use só para guardar algumas roupas. _ disse Charles _ Venha, vamos sair, vejo que você não pode ficar por muito tempo trancada. Daqui a pouco vai começar a ver duendes. _ riu.
_ Vamos Lizzy, vamos aproveitar o feriado. Charles vai nos levar a um pub.
Saíram, mas Elizabeth continuou cismada, conhecia Jane muito bem, havia algo estranho. No pub, sentiu-se “segurando vela”, não podia conversar com mais ninguém. Não viu mais nenhum brasileiro por lá. Passou a observar o lugar, sem mais nenhum interesse, voltou-se para si mesma. A imagem de William apareceu em sua mente, logo a lembrança daquela noite com a tia dele também, Jane percebendo o estado de humor da irmã a tirou de seus pensamentos.
_ Lizzy, queremos que você seja nossa madrinha.
_ Mas que honra, com o maior prazer. E quem será o padrinho comigo?
_ Este é você quem irá escolher. _ disse Charles.
_ Eu? Mas essa escolha é de vocês.
_ Confiamos no seu bom gosto. _ riu Jane.
_ Vocês dois estão muito engraçadinhos hoje.
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