Citações

Todos gostamos de ensinar os outros, embora só possamos transmitir o que não é digno de ser ensinado.(Jane Austen)

Armações do Destino - Capítulo 34

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O pedido de casamento foi muito comemorado, a Sra Bennet não cabia em si de contentamento, só falava nisso. Jane e Charles se casariam em Dezembro, antes porém, Charles levaria Jane para conhecer a Inglaterra, pois devido às viagens de negócios dele, ambos estariam sempre por lá. Além dos negócios, Charles adorava Londres, viajariam no feriado de Novembro e tanto insistiram para que Elizabeth fosse junto que ela cedeu e tirou o passaporte.
 
Na noite anterior a viagem, Lizzy recebeu uma visita inusitada na casa dos pais.
 

_ Sra DeBourgh! _ exclamou espantada.
 
_ Que prazer senhora! _ disse a Sra Bennet, a Sra DeBourgh a olhou com cara de poucos amigos.
 
_ Estas são suas filhas? _ mediu as meninas que estavam na sala.
 
_ Sim. Tenho mais uma, mas esta casada, não mora conosco. A senhora aceita um café?
 
_ Não, obrigada. Tenho um assunto muito grave para tratar com a Srta Elizabeth. _ e virando-se para a mesma _ Podemos conversar a sós?
 
_ Claro! Por favor! _ Lizzy a conduziu ao escritório do pai, não conseguia imaginar que assunto grave era esse, capaz de levá-la até ali.
 
_ Sabe por que estou aqui Elizabeth?
 
_ Não tenho a menor idéia senhora.
 
_ Rumores muito graves, chegaram até mim. _ disse em tom grave.
 
_ Rumores?
 
_ Não seja dissimulada. Não sabe que estão dizendo que você e meu sobrinho, Darcy, estão noivos? Você nega essa fofoca?
 
_ Nunca ouvi tal coisa.
 
_ Não foi você mesma quem espalhou tamanha mentira?
 
_ Claro que não. _ respondeu indignada _ E a sua presença aqui só prova o contrário.
 
_ Como ousa?
 
_ Se é mentira, não vejo porque se deu ao trabalho de vir aqui falar comigo.
 
_ Não esta noiva de meu sobrinho?
 
_ Me recuso a responder a isso.
 
_ Garota mesquinha e interesseira. Não sabe que Darcy e minha filha são noivos.
 
_ Então, não vejo porque se preocupa. Se, estão noivos não há porque ele me fazer um pedido dessa natureza.
 
_ Eles estão destinados a esse casamento, desde o berço, é à vontade de toda a família. Acha que iremos aceitá-la? Diga-me, esta noiva dele?
 
_ Não.
 
_ Jura que jamais ficará?
 
_ Jamais farei tal juramento. Se William não esta comprometido com sua filha, não vejo porque não posso aceitá-lo, se me fizer um pedido.
 
_ Será desprezada por todos os seus parentes e amigos.
 
_ Isso é realmente triste, mas na posição de esposa de William, serei tão feliz que isso compensará todo o resto.
 
_ Oh! Envergonho-me de você, não passa de uma caça fortuna. Já suspeitava disso quando soube do seu envolvimento com ele há um ano atrás. Porém, na época não me intrometi, pois vi que logo William se afastou de você.
 
_ Como disse?
 
_ Sei como vocês se conheceram, o proprietário do barzinho em que isto ocorreu, é nosso parente. Coloquei um investigador particular de minha inteira confiança para vigiá-los e soube que William terminou com você pouco tempo depois, por isso você trabalhou tanto tempo para nós sem que eu precisasse colocá-la para fora. Confiei no bom senso do meu sobrinho, mas entendo que sendo homem, mulheres como você tem certos artifícios para tirar-lhes a razão.
 
_ A senhora já me insultou de todas as formas. _ retrucou Lizzy indignada _ A sua opinião sobre mim, realmente não me interessa. Não sei quanto ao seu sobrinho, mas eu não admito que se intrometa nos meus assuntos particulares. Por favor, retire-se não temos mais nada a falar. _ e dizendo isso, abriu a porta do escritório e saiu.
 
_ Nunca fui tão desrespeitada! _ saiu atrás de Elizabeth, quando chegou na porta da frente virou-se novamente para Elizabeth.
 
_ No que depender de mim, seus planos jamais se realizarão. _ e bateu a porta.
 
_ Meu Deus! Que mulher grossa! _ exclamou Kitty.
 
_ O que foi isso Elizabeth?
 
_ Nada papai, ela esta com medo da concorrência. _ disse rindo e mudando de assunto.
 
O Sr Bennet a observou desconfiado. Lizzy, apesar de aparentar calma estava totalmente agitada, não conseguia entender como uma estória dessas, poderia ter sido inventada e chegado aos ouvidos da Sra Catherine. Lembrou-se de Collins, certamente a notícia do casamento de Jane o levou a pensar que Lizzy também se casaria com o melhor amigo de Charles. E a estória de ter sido vigiada a indignava, como alguém podia agir de maneira tão absurda e autoritária.
 
Mal conseguiu dormir, quando finalmente adormeceu sonhou, estava num quarto amplo de cores claras, elegantemente mobiliado, estava deitada numa cama enorme, cheia de travesseiros e cobertas brancas, sentia-se muito confortável. Olhou para o lado e viu um homem, dormindo de costas para ela, sorriu, estava muito feliz. Esticou os braços para espreguiçar e bateu a mão na cabeceira da cama, ouviu um som oco. Sentou-se na cama e observou que havia uma diferença entre o entalhe, com os dedos o puxou, havia alguns objetos ali dentro _ ‘Um fundo falso’ _ pensou, colocou novamente o encaixe na madeira, viu que o homem começava a despertar, ele virou-se em sua direção, Lizzy sorrindo, acariciou o rosto dele e o beijou.
 
Acordou, sentia-se muito bem, reviveu o sonho, então se deu conta de que não conseguia se lembrar do rosto do homem, pensou _ ‘Será que finalmente amarei de novo?’ _ com este pensamento, ficou feliz e por um breve momento, esqueceu-se da inconveniente visita que receberá. Tomou seu café e encontrou-se com Jane e Charles para o embarque, contando brevemente para Jane o que havia ocorrido na noite anterior.

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