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A imaginação de uma dama é muito rápida, salta da admiração ao amor, e do amor ao matrimônio, num momento. (Jane Austen)

Armações do Destino - Capítulo 32

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Quando finalmente chegaram, a casa dos Bennet’s estava um alvoroço. A Sra Bennet era incapaz de se controlar, era uma cena deprimente.
 
_ Oh! Irmão! _ exclamou ao Sr Gardiner _ Ainda bem que chegou. Estamos em frangalhos. Tenho medo que o coração do Sr Bennet não agüente e o meu próprio. _ disse gemendo.
 
_ Acalme-se. _ disse terno _ Vamos resolver tudo. Estarei hoje mesmo com ele.
 

_ Oh! Como Lydia pôde fazer isso conosco? Ela deveria saber o que esta fazendo com os meus pobres nervos, todos estes tremores pelo corpo, palpitações. Eu disse que os Foster’s não eram indicados para cuidar da minha menina. Se todos tivéssemos ido, isso não aconteceria. E esse Wickham? Homem cruel, levando dessa maneira a minha menina. E agora? A vizinhança inteira vai falar. _ ficou se lamentando e chorando.
 
_ Ora mamãe, isso não é o momento de se importar com a vizinhança. _ disse Lizzy.
 
_ Pois você deveria se preocupar, pois todas vocês ficarão marcadas, com uma irmã perdida, o que pensarão de vocês todas? _ continuou chorando.
 
Elizabeth não respondeu mais nada, lembrou-se que parte de sua frustração e de Jane, devia-se as loucuras de sua família e dessa vez, talvez a mãe realmente tivesse razão.
 
 
***
 
 
Mais tarde Jane e Lizzy estavam no escritório do pai.
 
_ Não entendo, Jane. Nunca notei Lydia interessada em George, nem ele nela. Era sempre em Dennis que ela falava.
 
_ Talvez, estejam apaixonados.
 
_ Duvido, aquele homem não é boa coisa Jane. Temo por Lydia, tomara que esteja bem.
 
_ O que quer dizer?
 
_ Ora, acha mesmo que ele quer se casar com ela? George quer dar o golpe em alguém e sabe que não temos dinheiro.
 
_ Lizzy, esta me assustando.
 
_ Pense, Jane. O que ela pode lhe oferecer a não ser o frescor da sua mocidade?
 
_ Não quero levar meus pensamentos por este caminho, pois só viriam hipóteses ruins.
 
Kitty entrou sorridente.
 
_ Por que esta sorrindo?
 
_ Kitty sabia do plano de Lydia. _ informou Jane.
 
_ Como não avisou ninguém? _ perguntou brava, Elizabeth.
 
_ Era segredo.
 
_ Desmiolada!
 
_ Não brigue com ela, Lizzy. Não tem culpa.
 
_ Eles logo voltarão casados. _ disse Kitty com ar de contentamento.
 
_ Talvez isso, seja a pior coisa que possa acontecer a Lydia. _ disse Lizzy retirando-se do escritório.
 
 
 
***
 
 
Após um breve descanso, o Sr Gardiner rumou para São Sebastião, a fim de se encontrar com o Sr Bennet. A Sra Gardiner ainda ficou mais dois dias para ajudar as meninas a cuidarem da mãe, depois partiu com os filhos para sua casa, no mesmo dia de sua partida o Sr Bennet retornou. As buscas mostraram-se infrutíferas e a polícia não localizava o rastro dos dois, parece que teriam ido, em direção ao litoral sul, ao invés de rumarem para o norte.
 
O abatimento do Sr Bennet era evidente, embora fosse um hábito dele ficar a maior parte do tempo em seu escritório, permaneceu neste aposento trancado mais do que o habitual, num dos raros momentos em que se deixou ficar ao lado das filhas, Elizabeth tentou confortá-lo. Ele respondeu:
 
_ Não fale mais nisto. Quem deveria sofrer senão eu mesmo? Foi tudo por minha culpa, sou obrigado a reconhecê-lo.
 
_ Não deve ser severo demais para consigo próprio. _ replicou Elizabeth.
 
_ É bom que você me previna contra este erro. A natureza humana tem a tendência a cair nele. Não, Lizzy, deixe que por uma vez na vida eu sinta o peso da minha responsabilidade. Não tenho medo de ser esmagado pela impressão. Tudo isto não tardará a passar.
 
_ Acha que eles estão no litoral paulista?
 
_ Sim, em que outro lugar poderiam se esconder?
 
_ E Lydia sempre desejou conhecer as praias do nosso litoral. _ acrescentou Kitty.
 
_ Então, ela deve estar contente. _ retrucou o pai, secamente _ Provavelmente, vagará pelo litoral por muito tempo.
 
Foram interrompidos pela chegada de Jane, que vinha buscar um chá para a mãe.
 
_ Isto é uma demonstração que conforta a gente. _ exclamou o Sr Bennet _ Dá um ar elegante ao infortúnio. Um dia desses farei o mesmo. Ficarei sentado no meu escritório, de pijama e touca de dormir, e darei aos outros o maior trabalho possível. Ou melhor, vou deixar isto para quando Kitty também se resolva a fugir.
 
_ Eu não vou fugir, papai. _ disse Kitty, inquieta _ Se me deixassem ir a São Sebastião, eu me comportaria melhor do que Lydia.
 
_ Você ir a São Sebastião? Não a deixarei ir nem a Guarulhos* aqui ao lado. Nem por um milhão de reais. Não, Kitty, pelo menos aprendi a ser prudente e você há de sentir os efeitos disso. Nenhum rapaz acima dos quinze anos tornará jamais a entrar na minha casa, nem que seja para tomar um copo d’água. Festas e viagens serão absolutamente proibidas a não ser que você fique o tempo todo com uma das suas irmãs mais velhas. E nunca sairá por esta porta sem provar que passou dez minutos de maneira sensata.
 
 
Kitty, que levava todas aquelas ameaças a sério, começou a chorar.
 
_ Deixe disso _ disse ele _ , não fique triste. Se for uma boa menina nesses próximos dez anos, levarei você para molhar seus pezinhos na água do mar.
 
 
***
 
 
Mais dois dias e o Sr Gardiner informou que haviam sido encontrados na Praia Grande*, precisava que o Sr Bennet enviasse documentos e uma autorização para que Lydia se casasse, pois era menor de idade.
 
 
_ Papai não deixe que Lydia se case com esse crápula.
 
_ Entendo, Lizzy. Mas Lydia terá que responder pelos seus atos, talvez com isso ela crie juízo, já que quer se casar.
 
_ Papai, talvez isso seja a ruína dela.
 
_ Sei Lizzy que você tem bom senso, afinal de certa forma, previu que isso aconteceria e eu não lhe dei ouvidos. Mas, este será o maior castigo que poderemos dar a ela. Não acredito que este George será capaz de atos piores com Lydia. Em todo caso, o divórcio é um artifício muito bem usado nos dias atuais. Só espero poder pagar ao seu tio. _ disse com um ar cansado.
 
_ Pagar o que, papai?
 
_ Parece que Wickham somente se casará se pagarmos, as dívidas que deixou em Campinas. É por isso que fugiu, temo que seja uma quantia alta e seu tio já as saldou.
 
_ Isso é muito grave. _ disse pensativa _ Onde eles vão morar?
 
_ Bem longe de nós, no Espírito Santo**. Seu tio conseguiu um emprego lá para ele, não sei como, não sabia que ele tinha relações por lá.
 
 
Elizabeth achou tudo muito estranho. As coisas se arranjaram muito rápido e fácil. Ligou para a tia, para ver se conseguia entender como tudo se resolveu assim, mas não conseguiu tirar dela uma resposta que a satisfizesse. Lydia só voltou para casa, quando finalmente se casou.
 
 
 ***
  
 
Elizabeth já havia começado no novo emprego, quando Lydia e Wickham voltaram para um jantar em família, e só os encontrou no jantar. George, agia como se nada sério houvesse acontecido e Lydia estava mais louca do que nunca, mostrando o seu anel de casamento a todos.
 
_ Lizzy que bom que finalmente chegou. _ disse sorrindo _ Não vai me dar os parabéns.
 
_ Não vejo motivos para isso.
 
_ Oh, esta com inveja.
 
_ Lydia! _ olhou-a séria _ Me poupe. _ foi para o escritório do pai. Encontrou-o lá, lendo um livro, o Sr Bennet levantou os olhos e deram um olhar cúmplice um para o outro, não estavam com ânimo para conversas, Lizzy pegou um livro e sentou-se numa poltrona. Os dois só saíram de lá, quando a Sra Bennet os chamou para jantar.
 
_ Estou tão feliz de ver uma de minhas filhas casadas e com quinze anos. _ exclamou a Sra Bennet com ar de felicidade.
 
_ Lizzy, você saiu bem na hora em que ia contar como foi meu casamento.
 
_ Não quero saber. _ retrucou secamente.
 
_ Você é tão chata. Mas, estávamos todos no cartório, esperando o meu querido George, mas estava demorando tanto, que comecei a achar que tinha desistido. Minha tia falava muito, parecia um sermão, mas não ouvi uma palavra do que dizia, estava tão nervosa. Foi aí que finalmente o Sr Darcy apareceu com George e ...
 
_ William? _ perguntou Lizzy espantada _ William esteve em seu casamento?
 
_ Fale baixo Lizzy, se George souber que contei, ele vai ficar bravo. _ sorriu.
 
_ Lydia o que William estava fazendo lá?
 
_ Foi ele quem nos encontrou, pagou as dividas e vai dar a George uma loja de música no Espírito Santo.
 
_ O quê?
 
_ Pare Lizzy! Não me faça mais perguntas, era segredo, o Sr Darcy não quer que saibam e sabe? Ele não é tão arrogante quanto parecia.
 
Lydia virou-se para outra irmã e começou a conversar, Lizzy perdeu de vez o apetite. Por que William fez tudo isso? Mais tarde em seu apartamento Lizzy ligou para a tia.
 
_ Ora, Lizzy. Como você não sabe por que ele fez isso?
 
_ Como vou saber?
 
_ Bem, se é assim. Acho que deve procurá-lo, pois seu tio só aceitou ficar com os méritos de ter recuperado Lydia, imaginando uma ligação forte entre vocês dois, mas se você diz que não sabe por que ele fez isso, ficamos nós também sem entender.
 
Depois dessa conversa com a tia, Lizzy não conseguiu ter sossego, mas não tinha coragem de procurar por William.

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