Citações

Não quero que as pessoas sejam muito gentis; pois tal poupa-me o trabalho de gostar muito delas.(Jane Austen)

Armações do Destino - Capítulo 31

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Elizabeth dormiu, sonhou e acordou com a visão do sorridente e simpático William no pensamento, estava ansiosa pelo que viria a acontecer. Durante a manhã, fez sua caminhada habitual, conversou com seus novos amigos e brincou com as crianças da pousada, porém quanto mais a hora de revê-lo aproximava-se, começou a ficar apreensiva.
 
Por que estava sentindo-se tão feliz? Por que queria vê-lo? Era certo de que William estava diferente. Mas que garantia tinha de ser ela o motivo? Talvez, ele só estivesse querendo lhe mostrar, que era educado, que ela havia se enganado a respeito dele e que estava bem sem ela. Afinal, Elizabeth realmente havia se enganado sobre vários pontos. Lembrou-se dele com Camille em Salvador, seu olhar frio e distante quando a viu.
 

_ Ora Lizzy como você é tola! Mas por que ele tem que ser tão irresistível? Uhh! Pare já com isso! _ disse a si mesma em seu quarto, quando estava se aprontando para sair. Finalmente, colocou seus pensamentos em ordem e conseguiu se dominar. Seu tio foi um pouco mais cedo para aproveitar à tarde. Lizzy e a tia foram por volta das 15:00 horas.
 
Quando entraram na sala de estar, foram cumprimentadas friamente pelas irmãs de Charles, que ficaram cochichando entre si. Elizabeth e a Sra Gardiner conversavam animadas com Georgiana, que apreciou muito poder falar de si mesma e das coisas de que tanto gostava.
 
_ Que coincidência, não é Elizabeth, nos encontrarmos justo aqui? _ disse Caroline cínica.
 
_ Realmente. Este era o último lugar no qual esperava te encontrar. _ respondeu no mesmo tom.
 
_ Vejo que ainda esta desempregada. Achei que se mudaria para Campinas. Ouvi dizer que havia se encantado por um rapaz da região, um tal de George Wickham.
 
Lizzy a olhou com desdém, percebendo que Georgiana calou-se e ficou constrangida ao ouvir esse nome.
 
_ É incrível Caroline! _ exclamou Lizzy _ Para uma pessoa tão inteligente e sagaz e, vejo também, interessada em assuntos alheios, esta muito mal informada. Já estou empregada e em relação ao rapaz que mencionou, sua fonte deve ser um tanto quanto obtusa, mas enfim, talvez devesse procurar uma fonte mais segura e interessar-se por assuntos de pessoas do seu círculo social.
 
Georgiana e a Sra Gardiner, seguraram o riso, Caroline mordeu os lábios, pensou em responder, mas a entrada de William desviou as atenções. Ele dirigiu-se primeiro a Sra Gardiner, cumprimentou-a e após, cumprimentou Elizabeth com um beijo e um abraço. Caroline contorceu-se de ciúmes, nunca o vira cumprimentar ninguém daquela maneira tão íntima. William sentou-se próximo a Elizabeth, todos os olhares os observavam e Elizabeth achou melhor levantar-se e observar a paisagem fazendo algumas observações sobre a beleza natural da região. Depois de alguns momentos Charles, o Sr Gardiner e o Sr Hurst entraram.
 
_ Aí esta você! _ exclamou Charles para William em tom brincalhão _ Nos deixou lá com os borrachudos e veio refestelar-se com o lanche das moças. _ sentou-se na mesa, pegando um pedaço de bolo.
 
William protestou e com mais algumas tiradas, Charles mudou de assunto, logo todos estavam comendo e conversando animadamente. Lizzy, aproveitou a oportunidade e se manteve afastada de William, ficando próxima à Georgiana, as duas conversaram muito e sentiram-se bem uma com a outra. Tinham vários interesses em comum e Georgiana sentiu que encontrara uma amiga em Elizabeth, após algum tempo Elizabeth pediu para Georgiana indicar-lhe o toalete e saiu. Darcy a seguiu com o olhar, logo depois, saiu sem se fazer notar.
 
Ao sair do toalete Elizabeth levou um susto, William estava sentando sozinho na sala em frente.
 
_ O que faz aí sozinho? _ sorriu.
 
_ Queria falar com você. Lá tem muitas pessoas chamando sua atenção.
 
_ Ah! _ disse sem jeito, aproximando-se dele _ Então?
 
William se levantou e ficou próximo dela e dessa vez Elizabeth não deu um passo atrás.
 
_ Ontem, você me perguntou sobre Camille.
 
_ Oh! Desculpe-me se fui indiscreta. _ disse encabulada, baixando os olhos.
 
_ Não, não é isso, Camille não esta aqui, porque esta com Fitz.
 
_ Com Fitz? _ sorriu, encarando-o _ Ora, veja só. Então, era dela que ele sempre falava. _ riu _ Que danado e nunca me contou quem era. _ continuou rindo.
 
_ Fitz, conversava com você sobre Camille?
 
_ Sim, nos tornamos bons amigos e confidentes. Fitz queria muito que eu não me sentisse sozinha. Enquanto, estive em Salvador, passamos algum tempo juntos. Acho que afinal, ele precisava mais de um amigo do que eu. _ continuou rindo, sem perceber uma ruga de ciúmes no rosto de William.
 
_ O que mais ele lhe contou?
 
_ Ora, não se deve comentar com os outros as confidências de um amigo. _ sorriu.
 
_ Claro que não. O que seria dos laços de amizade? _ ficaram se olhando e sorrindo, uma sensação de ternura envolveu ambos. William aproximou-se mais e a puxou pela cintura, Elizabeth correspondeu e passou os braços pelo seu ombro, William sentiu-a estremecer e quando estavam prestes a se beijar, ouviram uma voz vinda do corredor, chamando por William, era Georgiana que o procurava. Instintivamente Elizabeth o repeliu, afastando-se foi até uma das janelas, passando as mãos nervosas pelos cabelos, pensou:
 
‘Burra, burra, burra! Não consegue ficar sozinha com ele?’ _ respirou fundo, William notando a sua agitação, ficou imóvel, percebeu que algo estava errado.
 
‘Talvez ela ainda me tenha aversão?’ _ pensou.
 
_ William! Por que nos deixou? _ perguntou Georgiana, ao ver Elizabeth _ Oh!
 
_ Estávamos conversando. _ disse Elizabeth _ Mas, já estávamos voltando, acho que terminamos nosso assunto. _ disse em tom natural, mal olhando para William, estava envergonhada, passou por eles, dirigindo-se em direção a sala de estar _ Vocês não vêm?
 
_ Sim. _ respondeu William, resignado.
 
Georgiana o olhou e pediu desculpas com os lábios, ele lhe deu um leve sorriso.
 
Elizabeth e os tios ficaram por mais meia hora, durante esse tempo Lizzy achou melhor conversar com William, do que evitá-lo. Quando se despediram, Georgiana os convidou para jantarem na noite seguinte e seus tios aceitaram.
 
 
***

 
No final da tarde, Lizzy sentia-se confusa e pouco disposta a passear, os tios jantariam com os amigos. Elizabeth convenceu-lhes de que estava cansada e ficou na pousada, jantou e foi para o seu quarto. Bateram na porta, a abriu, era William.
 
_ Boa noite! _ disse com um sorriso.
 
_ Oi! _ respondeu surpresa.
 
_ Não vai me convidar a entrar?
 
_ Oh! Claro! Por favor, entre. _ sorriu _ Não me avisaram da sua presença.
 
_ Na verdade, eu pedi para não ser anunciado.
 
_ Sempre consegue o que quer? _ perguntou em tom malicioso.
 
_ Nem sempre. _ fitou-a profundamente.
 
_ Sente-se. _ apontou para uma poltrona, William sentou-se e Lizzy sentou-se na cama, dobrando as pernas como uma criança.
 
_ A que devo sua ilustre visita? _ quando William abriu a boca para lhe responder o celular dela tocou _ Só um segundo. _ Lizzy esticou-se e pegou o celular em cima do criado mudo _ É Jane! _ exclamou contente _ Pode esperar? Fazem dois dias que não nos falamos. _ atendeu _ Jane! _ exclamou _ O que foi? _ com o semblante preocupado levantou-se _ Espere. _ virando-se para William _ Desculpe, já volto! _ foi até o toalete, alguns minutos depois retornou chorando, esqueceu-se da presença de William, ele se levantou e a olhou preocupado.
 
_ Desculpe, mas tenho que procurar os meus tios.
 
_ O que aconteceu?
 
_ É ... é horrível! Desculpe, mas tenho mesmo que deixá-lo.
 
_ Espere deixe que vou, não pode sair deste jeito. Onde eles estão?
 
_ Na casa dos Ranieri.
 
Vendo que Elizabeth não tinha condições de ficar sozinha:
 
_ Vou pedir a alguém que vá chamá-los, você não pode ficar sozinha neste estado. _ pegou o telefone e solicitou a recepção, em seguida voltou-se para ela _ Venha sente-se. _ sentando-se junto com ela na cama e segurando suas mãos _ Elizabeth deixe-me ajudá-la? O que esta acontecendo?
 
_ Lydia fugiu. _ o olhou fixamente, suas lágrimas desciam grossas _ Com ... com ... George Wickham! _ William se levantou, começou a andar de um lado para o outro.
 
_ Quando isso aconteceu? _ sua fisionomia tornou-se séria.
 
_ Há dois dias, ela foi passar o feriado em São Sebastião* e ele também, Lydia deixou uma carta para a amiga dizendo que foram para o Rio de Janeiro**, que vão se casar. Ela esta perdida, não tem fortuna. O que ele quer com ela? Certamente, não vai casar-se com Lydia e se isso acontecesse seria pior.
 
 
 
_ Isso é culpa minha, deveria tê-lo denunciado quando pude.
 
_ Não é minha, se tivesse alertado minhas irmãs, contando uma parte do que eu soube sobre ele, mas agora é tarde demais.
 
_ O que esta sendo feito para encontrá-la?
 
_ Meu pai foi para lá e junto com o Sr Foster, que é da polícia, esta tentando localizá-los. Só se sabe que não foram para o Rio de Janeiro.
 
Elizabeth estava desolada. Como Lydia pôde fazer uma coisa dessas? Nem sabiam que ela estava interessada nele. E George? Por que levou Lydia? Ela não tinha nada para lhe oferecer. Elizabeth temia pela integridade física da irmã, alguém como George poderia fazer qualquer coisa. Em meio aos seus pensamentos lembrou-se de que William ainda estava ali. Notou o ar sério, ele andava de um lado para o outro sem dizer nada, a velha fisionomia havia voltado, olhou-o e sentiu que todas as possibilidades de ficaram juntos, tinham-se acabado. Certamente, o orgulho dele não o permitiria se relacionar com alguém com uma família assim. Passados alguns minutos, William voltou-se para Elizabeth.
 
_ Isto é realmente muito grave. Não há nada que eu possa dizer para consolá-la. Acho que minha presença aqui só a esta incomodando. Seus tios já devem estar a caminho. Sinto, mas devo deixá-la. Direi a minha irmã que não poderão jantar conosco amanhã.
 
_ Oh! Sim, vamos partir imediatamente. Por favor, peça a ela que nos desculpe e não diga por ora o motivo.
 
_ Claro! Pode contar com minha discrição. _ com um olhar, se foi.
 
Elizabeth viu-o sair com muito pesar, dessa vez era certo que não se veriam novamente. Ela chorou não sabia mais se por ela própria ou por Lydia. Quando os tios chegaram Elizabeth lhes contou tudo.
 
_ Tio! Sei que não vai achar ruim, se lhe pedir para irmos ainda hoje.
 
_ Claro que não. Vamos arrumar as malas e fechar a conta.
 
_ Obrigada. Não posso deixar Jane sozinha por mais um dia. Ela disse que mamãe esta na cama inconsolável.
 
_ Temos que avisar Georgiana de que não poderemos jantar com ela amanhã. _ disse a Sra Gardiner.
 
_ Não se preocupe. Está tudo arranjado.
 
_ Como assim?
 
_ William e eu combinamos tudo.
 
‘Combinaram tudo?’ _ pensou a tia _ ‘Mas já estão assim tão íntimos a ponto dela lhe contar o que ocorreu?’

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