Quando Elizabeth entrou na casa do Sr Morrison, notou quatro pares de olhos curiosos e sorridentes em sua direção.
_ Onde estava? _ perguntou a tia.
_ William me levou para ver o jardim que mandou fazer para a irmã. É simplesmente encantador. _ disse sentando-se ao lado da tia, os demais voltaram a conversar. Depois de alguns minutos a Sra Gardiner voltou-se para Lizzy e lhe disse num tom mais particular.
_ Lizzy por que me disse que o Sr Darcy era tão antipático? Não vi nada disso. O achei extremamente simpático, tem algo nos lábios dele, quando ele fala que me agrada muito.
_ Realmente! Acho que me enganei, ele se mostrou muito simpático. _ respondeu encabulada, ficando muda em seguida.
A Sra Gardiner percebeu que algo, fora da sua compreensão estava acontecendo ou aconteceu entre aqueles dois, mas pelo jeito da sobrinha, podia imaginar o que seria, porém, como não era de natureza bisbilhoteira, deixaria que a própria Lizzy a informasse.
O almoço foi muito apreciado pelos convidados, após o Sr Morrison se desculpou, mas deveria deixá-los para ir conversar com seu patrão.
Elizabeth e os tios já estavam preparando-se para partir, quando duas horas depois o Sr Morrison retornou acompanhado de William. Aquele dia estava prometendo, Lizzy não se cansava de se admirar, nunca imaginaria que William a procurasse novamente, achou que ele havia sido apenas educado, pedindo que fosse se despedir dele.
_ Já estão indo? _ perguntou o Sr Morrison.
_ Sim. Não queremos atrapalhar. _ respondeu o Sr Gardiner _ E minha esposa, ainda quer fazer uma última visita hoje. Nossa vida social esta muito agitada por aqui. _ terminou sorrindo.
Despediram-se dos novos amigos e William se ofereceu para acompanhá-los até o carro. No caminho que circundava o lago entrou em conversação com o Sr Gardiner. Conversaram sobre pesca e William o convidou para pescarem juntos no dia seguinte e este aceitou o convite com surpresa. Elizabeth estava espantada.
‘Acho que estou sonhando’ _ pensou, ficou muito satisfeita em ouvir a conversa entre eles, certamente William achou que seus parentes eram tolos e ignorantes e estava em frente a um homem de modos e opiniões de um perfeito cavalheiro, seu tio era muito inteligente e poderia palestrar sobre qualquer tema com muita maestria.
Depois de algum tempo, ou pelo caminho ser longo ou pela tia não gostar de caminhar, voltou-se e procurou o apoio do marido. William então se aproximou de Elizabeth.
_ Elizabeth gostaria de apresentá-la a Georgiana. Posso levá-la para te conhecer quando chegar?
_ Claro, ficarei encantada em conhecê-la.
Darcy pareceu gostar da resposta dela e sorriu. Elizabeth nunca o vira sorrir tanto e com tanta facilidade, estava mais que surpresa, já não desviava mais os olhos dele _ ‘O que será que causou esta mudança tão brusca de comportamento?’ _ infelizmente, Lizzy não conseguia pensar que pudesse ser ela própria à causadora da mudança e uma pontada de ciúmes a perturbou, lembrou-se de Camille e sem conseguir se controlar, perguntou da maneira mais natural que conseguiu:
_ E Camille, também virá?
_ Camille? _ perguntou sem entender _ Não, ela não virá.
_ Que pena. _ disse tentando permanecer natural.
William lembrou-se do episódio em Salvador e entendeu _ ‘Ela pensa que estou com Camille’ _ pensou, quis falar que não, mas chegaram ao carro e se despediram. Combinou com o Sr Gardiner a pesca para o dia seguinte pela tarde.
_ Tenho que fazê-la entender que não tenho e nunca tive nada com Camille. _ disse a si mesmo.
***
Apesar de perceber o interesse dos tios por William, Lizzy não falou nada sobre o que eles realmente queriam saber, a estória das suas relações com William. Sentia-se estranhamente feliz, Darcy não saia dos seus pensamentos, mal prestou atenção nas pessoas ou nos lugares que haviam passado. Neste estado de espírito, resolveu voltar para a pousada sozinha, como era próxima a cidade caminhou até lá. Estava muito agitada eram cinco horas da tarde, tomou um banho para relaxar. Como o tempo estava agradável, colocou um vestido simples com flores delicadas em tons azuis e brancos, os cabelos levemente molhados, encostou-se numa das janelas do quarto para ver o Pôr-do-sol. Fechou os olhos e respirou fundo, como sempre fazia nos momentos em que tentava se integrar à natureza. Sentia-se muito bem, por isso não percebeu quando um carro parou logo em frente à pousada e duas figuras a olharam, uma delas totalmente encantada com a visão que estava tendo. O interfone tocou.
_ Sim. Visita? Oh! Claro, estarei lá! Obrigada! _ com o coração na boca, saiu do quarto e foi até a sala de estar da pousada. Quando entrou um William agitado, andando de um lado para o outro e uma moça muito tímida, sentada com uma expressão de riso, olhando para William.
_ Olá! _ disse Elizabeth amigável.
_ Elizabeth! _ exclamou, seus olhos a mediram de cima a baixo e fixaram nos seus, Lizzy ficou sem graça, voltando a si Darcy, foi em sua direção e deu-lhe um beijo no rosto. _ Trouxe minha irmã para conhecê-la. _ pela mão levou-a até Georgiana.
_ Georgiana esta é Elizabeth. Elizabeth esta é minha irmã Georgiana.
Sorrindo as duas se cumprimentaram, Lizzy a abraçou e lhe deu um beijo no rosto.
_ É um prazer conhecê-la. Will fala muito sobre você. _ disse tímida.
_ É um prazer conhecê-la, também. Mas, não acredite em tudo o que ele lhe contou, acho que não vai fazer um bom juízo de mim. _ disse Lizzy gracejando.
_ Como não? Ele só diz coisas boas sobre você.
_ Hum! Isso é realmente inacreditável. _ retrucou maliciosa, olhando para William _ Por favor, vamos nos sentar ou preferem ir até o jardim?
_ Vamos esperar um pouco, Charles também quer vê-la, deve estar chegando. _ os três sentaram-se.
_ Will me disse que também toca piano. _ disse Georgiana, tentando conversar, demonstrando a pouca habilidade que tinha em conversar com estranhos.
‘Parece-se com William.’ _ pensou Lizzy _ Oh! Toco muito mal.
_ Mas ele disse que toca muito bem.
_ Então ele cometeu um sério pecado. _ riu.
_ Não, eu disse que toca bem. _ sorriu.
_ Bem é diferente de muito bem. Eu aceito. _ logo foram interrompidos pela chegada abrupta de Charles.
_ Ah! Aí estão vocês. Elizabeth! Como vai? _ disse abraçando-a e lhe dando um beijo no rosto _ Fiquei desapontado quando finalmente retornei de Londres e soube que nos deixou. Saiba que todos estão sentindo sua falta até FitzWilliam que tencionava transferir você definitivamente para Salvador, ficou quase duas semanas se queixando. _ riu.
_ Também, gostei muito de lá. Estou até pensando em um dia morar em Salvador. Aquela cidade é muito amigável.
Conversaram por algum tempo, logo seus tios chegaram e se juntaram ao grupo. Foram apresentados e a conversa ficou mais animada, Elizabeth querendo agradar a todos se mantinha animada e prestativa, porém pôde observar que William a olhava com um ar de satisfação. A visita durou cerca de uma hora e por fim, William deu um olhar significativo para Georgiana que convidou Elizabeth e a tia para lancharem com ela no dia seguinte, no mesmo horário em que se daria a pescaria. Elas aceitaram com alegria e Lizzy os acompanhou até o carro. Como se despediu dos outros dois com beijo e abraço, fez o mesmo com William, ambos sentiram o corpo em brasa.
_ Até amanhã. _ disse Elizabeth afastando-se rápida, dando um ar natural à fala.
_ Até amanhã. _ William deu-lhe mais um daqueles sorrisos encantadores e entrou no carro.
Lizzy sentia o perfume dele, sentou-se no jardim com seus pensamentos. Encontrando-se com os tios, já no refeitório para o jantar. Os Gardiner’s muito discretos, não fizeram comentários sobre a recente visita e falaram sobre os amigos que fizeram ou que a tia havia reencontrado. A Sra Gardiner com um sorriso nos lábios, concluiu que daqueles três que estavam entre os vinte anos, senão todos, ao menos um sabia o que era o amor.
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