| Armações do Destino - Capítulo 25 |
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| Escrito por Mirian |
| Seg, 16 de Março de 2009 01:29 |
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A leitura da carta causou vários sentimentos contraditórios em Elizabeth. A princípio, viu-a com assombro e incredulidade, não imaginava que Darcy fosse lhe dar qualquer tipo de explicação, enfureceu-se ao ler os motivos dele contra o casamento de Jane. Seu estilo era arrogante, orgulhoso e insolente, não tinha desejo nenhum de ser justa com ele.
Quando passou ao outro assunto, não soube o que pensar, afinal dos dois lados só havia afirmações. Mas também o que sabia sobre George? Nunca o tinha visto antes, lembrou-se de ter estranhado a conversa dele quando se conheceram, lhe contando os detalhes de suas relações com os Darcy’s, somente por saber que ela trabalharia na Empresa. Estava totalmente confusa, releu algumas vezes, pensou na possibilidade de perguntar a Fitz, mas depois desistiu, como explicar a ele, o porquê de suas indagações.
Depois, pensou na conduta dos dois. George apesar de seus modos agradáveis, nunca demonstrou nada em especial, um traço de maior bondade e apesar de considerar as atitudes de William horríveis, principalmente para com ela, sempre ouvira coisas boas a seu respeito, tirando o de ser orgulhoso. Todos o diziam bom, justo e leal e não era ele o melhor amigo de Charles, que era um homem bom, se fosse tão ruim assim, não seria tão prezado por seus amigos, também já havia demonstrado que era capaz de sentimentos ternos, pois amava e cuidava muito bem de sua irmã. Embora, Elizabeth não pudesse aceitar a primeira parte da carta, não poderia pensar em William e George sem sentir vergonha por ter sido cega, parcial, injusta e absurda.
_ Como fui mesquinha. Eu que me orgulhava do meu discernimento, da minha habilidade. Eu que tantas vezes desdenhei a candura de Jane e gratifiquei minha vaidade com inúteis e censuráveis desconfianças. Como é humilhante esta descoberta! Mas como é justa esta humilhação! A vaidade foi a minha loucura! Lisonjeada com a preferência de uma pessoa e ofendida com a negligência da outra, logo no início das nossas relações cortejei a parcialidade e a ignorância e expulsei a razão. Até este momento eu não conhecia a minha verdadeira natureza. _ disse a si mesma, tendo por testemunha a natureza.
Começou então a pensar sobre a primeira parte, como dar razão a Darcy num ponto e não no outro, releu, ele afirmava que não suspeitava da afeição de Jane. Não havia Charlotte também dito algo semelhante sobre Jane? E com relação a sua família? Infelizmente também era justa, pois as circunstâncias que Darcy mencionava, principalmente sobre a festa eram verdadeiras, sentia-se envergonhada. Refletiu que o desapontamento de Jane tinha sido causado pela família. Sentiu-se deprimida como nunca antes se sentira.
Depois de ter ficado tanto tempo fora com seus pensamentos, lembrou-se de Charlotte e que deveria voltar, também se lembrou de que estava sem comer praticamente desde o dia anterior e a fraqueza do corpo já estava dando seus primeiros sinais. Fez um esforço para parecer alegre como de costume ao entrar na casa.
_ Lizzy onde esteve? Darcy e Fitz estiveram aqui esperando para se despedirem, ficaram por quase duas horas. Quase saíram atrás de você.
_ Desculpe, Char. É que a manhã esta tão linda, que não resisti e fui passear, afinal não tive tempo de conhecer a região.
_ Tudo bem. Vamos almoçar, aposto que saiu sem tomar café. Hoje o almoço é especial.
Lizzy sorriu, mas para ela nada mais parecia ser especial, só podia pensar na carta. Após o almoço, arrumaram as malas para voltar a São Paulo.
***
Elizabeth encontrou-se com Jane à noite, esta estava abatida, embora não mencionasse mais o nome de Charles era como se ele não tivesse existido, Lizzy estava indecisa, se deveria contar para a irmã o que havia acontecido, por fim acabou contando, porém omitiu tudo o que se relacionava com Jane e Charles. Jane ficou surpresa, mas logo achou natural que Darcy a amasse. Afinal, todos deveriam compartilhar com ela a admiração que sentia pela irmã, mas o que mais a entristeceu foi o desgosto que a recusa de Elizabeth devia ter lhe causado.
Quanto a George, Jane ficou horrorizada que alguém pudesse ser capaz de algo tão baixo, embora não o conhecesse. Por fim, as duas acharam melhor não contar a mais ninguém, já que George não era um amigo íntimo da família e raramente o veriam novamente.
As duas foram dormir, ambas não conseguiram conciliar o sono, mas por motivos diferentes.
***
Na manhã seguinte, no escritório Lizzy soube que passaria os quatros meses em Salvador.
_ Lizzy gostaram tanto de você, que não tem jeito, você terá que ir. _ disse Fred.
_ Não se preocupe a cada quinze dias, você virá para rever sua família. _ explicou o Sr Morgan.
_ Quando partirei? _ perguntou preocupada.
_ Daqui a dois dias, mas já está tudo certo.
Lizzy estava apreensiva de reencontrar William, não saberia o que fazer, ou o que dizer, estava ansiosa para voltar a Salvador. Passou o dia atarefada, recebendo novas instruções e passando os relatórios dos quinze dias anteriores. No horário do almoço:
_ Você não sabe, mas tem alguém louco para te ver. _ exclamou Fred. _ Quem? _ perguntou alarmada.
_ Que cara de espanto é essa? O Felipe, é claro! Ainda não tirou o “outro” da cabeça? _ riu malicioso.
_ Que outro? É que me esqueci do Felipe, faz tempo, não é? _ mentiu _ E você não sabe, que estive rodeada de homens lindos? _ disse em tom de brincadeira, tentando um ar natural.
_ Ah, é? _ zombou Fred.
_ Mentira. _ riram.
Encontrou Felipe no restaurante, embora não tivesse sido fria com ele, não pode demonstrar o mesmo interesse que este demonstrava por ela, com poucas palavras Elizabeth lhe explicou que naquele momento, não estava preparada para se envolver com alguém, Felipe embora tenha ficado chateado, tentou não demonstrar, agindo naturalmente, por fim despediram-se como amigos. Afinal, nada de mais sério havia acontecido entre eles. Elizabeth não conseguia pensar em outro que não fosse William. Ao retornarem ao prédio do escritório, alguém lhe chamou:
_ Elizabeth! Aí esta você fujona.
_ FitzWilliam! _ exclamou surpresa, Fred afastou-se.
_ Oh, por favor, me chame de Fitz, é um nome muito feio e comprido. _ riu.
_ Claro! _ respondeu sorrindo.
_ Não a desculpo por ter fugido de nós, nos últimos dois dias.
_ Oh, desculpe, mas não fugi, não estava me sentindo bem.
_ Bem! Vou tentar usar do seu artifício para fugir de minha tia, também. _ riu _ Mas, já sei que você vai me compensar a sua ausência destes últimos dias, com quatro meses em Salvador. Isso é realmente muito bom.
_ Você já sabe?
_ Claro. Eu mesmo solicitei você. _ Lizzy o olhou espantada _ Perguntei a William, “Quem é a pessoa mais promissora, hábil e competente do RH?”, e ele respondeu, “Elizabeth”, “Então, é esta quem eu quero para ficar quatro meses comigo em Salvador.” _ riu _ Confesso que William não gostou nem um pouco, mas diante dos elogios da sua gerente, a Sra Austen e de ela ter afirmado da sua vontade em ir, ficou tudo acertado.
_ Ah! _ sorriu _ ‘Então “ele” não quer que eu vá?’ _ pensou.
_ Venha almoçar conosco. William esta me esperando.
_ Obrigada, mas já almocei.
_ Que pena! Então, eu vou, William deve estar furioso, detesta esperar, principalmente quando o estômago ronca. _ deu-lhe uma piscada _ Ah, a vejo na quarta-feira, pois estou indo para Salvador esta noite.
_ Então até lá e boa viagem.
Lizzy estava confusa. Será que deveria manter o seu plano atual? Ficar em Salvador os quatro meses e depois pedir demissão? Não ver mais William? Por fim, decidiu que sim, não faria bem continuar trabalhando para William depois de tudo, deveria esquecê-lo de uma vez por todas, já havia conseguido silenciar seus sentimentos uma vez. Por que não conseguiria novamente? _ ‘Talvez porque agora você não o odeie mais!’ disse a si mesma. No final do dia foi para a casa dos pais, contar a novidade, o Sr Bennet ficou extremamente aborrecido.
_ Não gosto Lizzy, dessa estória de você viver viajando, desde que conheceu esse rapaz, você esta sempre querendo ficar longe daqui.
_ Ora papai, não diga isso. É somente trabalho, dentro de quinze dias, estarei de volta e no mais serão somente quatro meses, passam rápido, depois prometo que não viajo mais. _ disse dando-lhe um beijo no rosto, mesmo assim, o humor do Sr Bennet naquela noite não estava dos melhores.
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