Citações

Não quero que as pessoas sejam muito gentis; pois tal poupa-me o trabalho de gostar muito delas.(Jane Austen)

Armações do Destino - Capítulo 23

  • PDF
  • Imprimir
  • E-mail
Durante o percurso Elizabeth nem notou a paisagem que se seguia, como sempre apreciava fazer, seus pensamentos corriam de Jane para Charles e deste para William. Não poderia imaginar, sempre achou que Caroline fosse a responsável pela separação de Jane e Charles, não poderia supor que William com toda a sua pompa fosse capaz de um serviço tão sórdido. Chegou na casa de Collins com a cabeça estourando, atirou-se na cama, precisava fazer algo para ajudar Jane, mas o quê? O seu único desejo naquele momento era esbofetear a cara pomposa de William. Não soube dizer por quanto tempo, permaneceu neste estado, ouviu um barulho na porta e logo uma voz conhecida.
 
_ Lizzy? _ Charlotte entrou no quarto _ Você esta bem? _ preocupou-se com o semblante da amiga.
 
_ Char, não sei. _ disse com sinceridade.
 
_ Parece estar febril. _ disse medindo sua temperatura com a palma da mão na testa da amiga.
 
_ Não se preocupe, já tomei um analgésico, é somente uma dor de cabeça, vai passar.
 
_ Aconteceu algo? Não quer me contar? Tem haver com William?
 
_ Não é nada, Char. _ disse tentando tornar-se indiferente.
 
_ Lizzy, notei que ele ainda está interessado em você.
 
_ Não se engane Charlotte, Darcy não é capaz de ter sentimentos por ninguém e eu o odeio.
 
_ Não tenha tanta certeza disso Lizzy. Ele estava muito preocupado com você e ...
 
_ Não vamos falar dele. _ olhou no relógio _ Nossa, são treze horas! Por que voltaram tão cedo? Divertiu-se?
 
_ Sem você? Não é possível. _ sorriu _ E estava preocupada com você, mas fomos convidados para o jantar.
 
_ Deve ser muito aborrecido para eles, ficarem sozinhos com a tia. _ tentou sorrir _ Mas, não vou Charlotte, você me entende, não é? _ ouviram uma tosse atrás da porta _ Char ...
 
_ Não se preocupe, vou impedir que Collins, venha aborrecê-la.
 
_ Vou dar um passeio, será melhor do que ficar trancada aqui. Vá, na frente, não quero dar de cara com Collins, vou deixar esse momento para depois.
 
_ Não se esforce e fique na sombra. _ Charlotte deu-lhe um beijo na testa, saindo em seguida.
 
‘Pobre Charlotte’ _ pensou Lizzy, porque a amiga insistia naquela relação, faria algo por ela, mas primeiro tinha que fazer algo por Jane. Depois de alguns minutos, deixou o quarto. Do lado de fora, rumou em direção ao caminho florido, mais a frente deparou-se com um riacho*, o som d’água, sempre a relaxava, sentou-se na copa de uma árvore, recostando-se, fechou os olhos por alguns segundos, ouviu um estalo, sobressaltou-se, levantando-se.
 
 
_ Elizabeth!
 
_ Sr Darcy! _ exclamou assustada _ O que faz aqui?
 
_ Vim ver se esta bem, Charlotte me disse que tomou este caminho. Como você esta? Quer que eu a leve a algum hospital? _ perguntou aflito, notando o semblante abatido de Lizzy.
 
_ Não é necessário, estou me sentindo melhor, só preciso descansar um pouco. _ Elizabeth notou algo diferente em William, parecia confuso e aflito, como ela não disse mais nada, ele pôs-se a andar de um lado para o outro. O espanto de Elizabeth crescia de momento a momento, seus pensamentos se voltaram para Jane o que a fez sentir raiva de Darcy, não mais prestando atenção nele. De repente, William aproximou-se:
 
_ Elizabeth! Tenho lutado em vão e agora não consigo mais agüentar. Os últimos meses tem sido um tormento. Lutei em vão contra o bom senso, as expectativas de minha família, a inferioridade de suas relações, a minha posição. Esquecerei tudo e pedirei que dê fim à minha agonia. _ disse rápido.
 
_Como? Não entendo? _ disse confusa, com a enxurrada de palavras que acabara de receber.
 
_ Eu a amo. Ardentemente. _ estas palavras foram ouvidas por ambos com assombro, o ar confuso de William desapareceu, tornou-se novamente o homem convicto, deu um passo em direção a Lizzy _ Elizabeth, case-se comigo? _ disse por fim, num tom que transparecia a certeza da resposta afirmativa de Elizabeth.
 
_ Senhor, eu aprecio a luta pela qual tem passado e sinto muitíssimo pela dor que lhe causei. Acredite-me foi algo inconsciente. _ respondeu com ar indiferente.
 
_ É essa a sua resposta? _ perguntou demonstrando seu espanto.
 
_ Sim.
 
_ Esta zombando de mim?
 
_ Não.
 
_ Esta me rejeitando? _ perguntou incrédulo.
 
_ Tenho certeza de que os sentimentos que impediam a sua afeição certamente o ajudarão a superá-la.
 
_ E esta é a única resposta a que eu tinha direito e com a qual tenho de me contentar! _ exclamou com amargor _ Posso perguntar por que com tão pouco esforço assim me rejeita?
 
_ E posso igualmente perguntar, por que com tão evidente intenção de me insultar, escolheu dizer que me ama apesar do seu bom senso?
 
_ Não acredite em mim, não ...
 
_ Se sou inadequada, então isso é uma desculpa, mas depois dos seus atos nestes meses, não é desculpa o suficiente para o meu pouco esforço? Mas eu tenho outros motivos e o senhor sabe que tenho.
 
_ Motivos? Que motivos?
 
_ O senhor acha mesmo, que eu poderia aceitar o homem que arruinou talvez para sempre a felicidade de uma irmã muito amada? O senhor nega Sr Darcy? Que separou um casal que se amava expondo-os a censura do mundo, uma delas por capricho e instabilidade e a outra pela decepção de suas esperanças, causando-lhes um grande mal.
 
_ Não nego. _ respondeu com fingida tranqüilidade.
 
_ Por quê?
 
_ Acreditava que sua irmã era indiferente a Charles.
 
_ Indiferente? _ retrucou incrédula.
 
_ Os observei e notei que a ligação dele era mais profunda que a dela.
 
_ Mas isso, porque Jane é tímida.
 
_ Charles se convenceu disso também.
 
_ Porque você sugeriu. _ retrucou ríspida.
 
_ Fiz isso apenas pelo bem dele. Fui mais previdente para com ele do que para comigo próprio. _ disse arrogante.
 
Elizabeth não quis mostrar que compreendeu a observação, mas o sentido não lhe escapou, fazendo força para tornar-se tranqüila continuou.
 
_ Minha irmã mal mostra os seus verdadeiros sentimentos para mim.
 
A expressão dele transformou-se, porém continuou em silêncio.
 
_ E quanto a George Wickham?
 
_ Wickham? _ o ciúmes, o moveu até Elizabeth.
 
_ Que desculpa pode dar para o seu comportamento em relação a ele?
 
_ Qual o seu interesse nele?
 
_ Ele me contou os seus infortúnios.
 
_ Ah sim, seus infortúnios são muito grandes de fato. _ sorriu-lhe cinicamente.
 
_ Arruinou as suas chances e ainda o trata com sarcasmo?
 
_ Então esta é a sua opinião sobre mim? Obrigado por me explicar claramente. _ exclamou, voltando-se apressado para a margem do riacho com os pensamentos fervilhando _ Mas talvez ... _ voltou-se para Elizabeth _ Talvez, estas ofensas pudessem ter sido relevadas, se eu não tivesse ferido o seu orgulho.
 
_ O meu orgulho? _ interrompeu Lizzy.
 
_ Eu poderia ter evitado as suas amargas acusações, se tivesse sido mais hábil, escondendo-lhe as minhas lutas e fazendo crer que era movido por um sentimento a que nada se opunha. Mas odeio todo o tipo de fingimento. Espera que eu me alegre com a inferioridade da sua posição?
 
Estas palavras foram à gota d’água, Elizabeth não conseguiu mais conter sua cólera, elevando o tom de sua voz e a convicção com que falava:
 
_ São estas as palavras de um cavalheiro? _ William ficou imóvel.
 
_ Engana-se. A sua atitude apenas me poupou o desgosto de recusar o seu pedido, se ele tivesse sido feito de outra forma. _ notou que Darcy sobressaltou-se ao ouvir suas palavras, o que he deu um novo ânimo para continuar _ O teria recusado de qualquer forma. Nada me teria feito aceitá-lo.
 
Novamente o seu espanto foi evidente, Darcy a olhou mortificado.
 
_ Desde aquela festa de final de ano, toda a sua arrogância e presunção, todo o seu desdém egoísta pelos sentimentos dos outros, me fizeram compreender que o senhor seria o último homem do mundo com o qual eu me casaria.
 
Quando Lizzy terminou de falar, estavam tão próximos que poderiam ouvir o batimento acelerado um do outro, os olhares fixos, as bocas como ímãs estavam prestes a se encontrarem, mas desta fez não se tocariam, a mágoa e o sofrimento os afastavam, lentamente William se afastou.
 
_ Não precisa dizer mais nada. Compreendo os seus sentimentos e nada mais me resta, senão me envergonhar dos meus. Perdoe-me, por ter tomado o seu tempo. _ com um último olhar, ele se virou e saiu, Lizzy pode ouvir seus passos sobre as folhas secas.
 
Elizabeth entrou no riacho e deixou-se cair sobre as águas, sem se importar com sua roupa, chorou. O tumulto em sua mente, ele a amava todo esse tempo, tudo o que quis dele desde o primeiro momento em que seus olhares se encontraram. Todos os sentimentos afetuosos vieram à tona violentos, mas logo o ódio tomou conta dela, quando se recordou das palavras dele, chamando de irracional o que sentia por ela e a certeza com que demonstrou de que seria aceito, como poderia amar alguém tão mesquinho, tão cruel. Lizzy sentia-se mal, ficou ali até que se lembrou de Charlotte, de certo viria procurá-la, com muito esforço levantou-se, seguindo em direção a casa, as lágrimas teimavam em cair, para o seu alívio Charlotte e Collins haviam ido para Rosings Park, subiu e tomou um banho, após estirou-se na cama, o cansaço tomou conta de seu corpo e adormeceu, um sono, leve e agitado.

LAST_UPDATED2

 

Link us







Esqueceu seu login?
Sem conta ainda? Registrar

Conectados

Nenhum

Acessos


Hoje24
Neste mês721
Desde Março de 200975900
Brazil flag 63%Brazil (41145)
United States flag 6%United States (4074)
Portugal flag 5%Portugal (3211)
Russian Federation flag 2%Russian Federation (1337)
Ukraine flag <1%Ukraine (392)
France flag <1%France (296)
Netherlands flag <1%Netherlands (291)
United Kingdom flag <1%United Kingdom (273)
Germany flag <1%Germany (269)
Latvia flag <1%Latvia (149)