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Sua arrogância e pretensão me fazem pensar que você seria o último homem no mundo com quem eu me casaria. (Jane Austen)

Armações do Destino - Capítulo 22

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Elizabeth surpreendeu-se ao notar que o lugar reservado para ela na mesa era ao lado de Darcy, pois estava desconfiada de que toda a má vontade da tia deste, deveria se dar por receio de que Lizzy desviasse a atenção de Darcy para Anne, já que Charlotte estava acompanhada de Collins. Foi com imenso desagrado que se sentou à mesa.
 
_ Espero que sua família esteja bem, Sra Bennet. _ disse Darcy em tom natural.
_ Estão, obrigada! _ respondeu desconfiada _ ‘Será que esta se referindo a Jane?’ _ pensou, a irmã não lhe pareceu nada bem, isso fez com que Lizzy não tivesse vontade nenhuma de travar conversação com Darcy. Não disse mais nada e ele também pareceu não ter vontade de falar.
 
Após o jantar, reuniram-se na sala de estar. Havia um enorme piano ali, depois de insistentes pedidos de Fitz e de uma quase ordem da Sra DeBourgh, Elizabeth sentou-se para tocar.
 
_ Georgiana tem feito muitos progressos no piano, William?
 
_ Sim, ela toca muito bem. _ respondeu afetuoso.
 
_ Estou muito satisfeita com isto, diga-lhe que não se adquire a excelência sem a prática constante.
 
William afastou-se da tia, dirigindo-se ao piano, postou-se de modo a poder observar o rosto de Elizabeth, esta percebendo, virou-se para ele dizendo com um sorriso malicioso:
 
_ É para me assustar, Sr Darcy, que se aproximou com toda esta imponência? Mas não temo, embora sua irmã toque tão bem. Tenho uma persistência que à vontade dos outros é incapaz de intimidar.
 
_ A conheço bem, para saber que sou incapaz de intimidá-la, mesmo que eu quisesse.
 
_ Notei que vocês já se conhecem bem. _ disse FitzWilliam.
 
_ Nos conhecemos em algumas festas, já lhe disse isso. _ retrucou Darcy, vendo que Elizabeth baixara o olhar.
 
_ E como meu primo se comporta com estranhos?
 
_ Oh! Sinto dizer que muito mal. _ respondeu zombeteira _ Ele mal abre a boca e fica de cara fechada com todo mundo. _ riu.
 
_ É que não tenho o talento de conversar com facilidade com pessoas que nunca vi antes, não consigo encontrar o tom apropriado.
 
_ Vamos perguntar ao seu primo. Por que um homem, bem-educado e inteligente não consegue isso?
 
_ Posso responder sem consultá-lo, é porque ele não quer se dar ao trabalho. _ riu Fitz.
 
_ Deveria seguir o conselho de sua tia, Sr Darcy e praticar. _ disse o olhando nos olhos, Darcy deu-lhe um meio sorriso e se afastou.
 
Fitz observou os dois e concluiu que qualquer que tenha sido a natureza das relações entre ambos no passado, era evidente que a moça não tinha nenhum interesse especial por ele, notou até que o evitava. Fitz ficou junto a Elizabeth, cantando algumas modinhas até que se despedissem.
 
_ Quero convidá-los, para amanhã, virem cavalgar conosco. _ disse Fitz _ Tenho certeza de que minha tia me apóia no convite.
 
_ Claro, FitzWilliam, sejam bem vindos. _ disse com pouca polidez.
 
_ Oh! _ exclamou Collins _ Estamos honrados, com tão amável convite e tomo a liberdade de aceitá-lo em nome de minha querida Charlotte e minha cara prima Elizabeth.
 
Lizzy fez um leve sinal de concordância, revirando os olhos de enfado com a atitude do primo, o que não passou despercebido por William e Fitz, este último mal conseguiu conter o riso.
 
No carro a caminho da casa:
 
_ Não sabia que montava Collins?
 
_ Na verdade não sei, minha cara Lizzy. Mas, é sempre hora de aprender.
 
Lizzy riu antecipando a cena.
 
_ E devemos a você este amável convite.
 
_ A mim?
 
_ Sim. Notei que FitzWilliam ficou interessado em você. Mas, alerto para que não incentive situações constrangedoras entre vocês, pois pessoas nas condições sociais dele, não levam muito à sério, moças simples como você.
 
_ Esta tirando conclusões precipitadas e me insultando insinuando que eu possa fazer algo insensato. _ retrucou ríspida.
 
_ Desculpe, não foi minha intenção. Somente quis preveni-la.
 
 
***
 
 Na manhã seguinte, retornaram a Rosings Park, apesar de não estar muito feliz, Lizzy não pôde deixar de ficar contente em montar novamente. Encontraram-se no hall William e Fitz, somente os dois primos montariam, o que foi mais um motivo de alívio para Elizabeth, não havia simpatizado com a Sra Catherine.
 
William escolheu um de seus cavalos preferidos para Elizabeth, oferecendo-se para ajudá-la a montar, o que ela recusou, então foi ajudar Charlotte, já que o primo tentava ensinar Collins que de todos, era o único que não sabia. Depois de algum tempo e muitas risadas, todos saíram para o passeio.
 
_ Monta muito bem Elizabeth. _ disse Fitz.
 
_ Obrigada. Mas, faz pouco tempo que aprendi. _ sorriu.
 
_ Então, teve um exímio professor e pelo seu estilo _ olhou para William _ posso adivinhar quem foi o professor.
 
Elizabeth e William ruborizaram e mantiveram-se calados, percebendo Fitz mudou de assunto.
 
_ Venha, Elizabeth. Vamos testá-la, me acompanhe numa corrida. _ nem terminou a frase e Elizabeth já estava na frente _ Esperta ela, não é? _ e deu uma piscada para William, seguindo-a.
 
Os outros três continuaram em galope lento, pois Collins tinha imensa dificuldade em comandar o seu cavalo. Depois de terem ficado há uma longa distância do grupo, Fitz e Lizzy resolveram esperá-los, saltaram dos cavalos sentando-se na grama.
 
_ Irão embora amanhã? _ perguntou Elizabeth.
 
_ Estou à disposição de William.
 
_ Ele parece que gosta muito de ter alguém a disposição. Não sei, porque não se casa logo, assim terá sempre alguém a sua disposição.
 
_ Ela seria uma mulher de sorte. William é uma excelente pessoa e um amigo muito leal, apesar do seu jeito calado.
 
_ Sério? _ perguntou surpresa, parecia ouvir falar de outra pessoa.
 
_ Soube que recentemente, ajudou um de seus amigos a sair de uma situação muito constrangedora.
 
_ O que ele fez?
 
_ O salvou de um casamento indesejado.
 
_ Por que indesejado? _ Lizzy começou a desconfiar de quem se tratava.
 
_ Me parece que existiam algumas objeções quanto à moça.
 
_ O que seria? Falta de fortuna?
 
_ Não. Parece-me que a família e as relações dela eram inapropriadas.
 
_ Então ele os separou?
 
_ Parece que sim.
 
Lizzy estava chocada, não havia dúvidas este amigo com certeza era Charles. Fitz continuou falando sobre outras coisas, mas Lizzy não o ouvia, quando os outros chegaram, Elizabeth não conseguia tirar os seus olhos de William, este notou que ela estava um tanto pálida, o que o deixou preocupado.
 
_ Esta se sentindo bem, Elizabeth?
 
_ Estou um pouco enjoada.
 
_ Quer voltar?
 
_ Não, logo passa. _ e se afastou dele, era insuportável para ela, ficar na sua companhia.
 
Quando voltaram, foram convidados para almoçar, mas Elizabeth recusou, disse que estava enjoada e que voltaria para casa, Collins não queria voltar.
 
_ Não se preocupe, volto a pé. _ disse para Collins.
 
_ A pé? _ exclamou William indignado, com a falta de cavalheirismo de Collins _ É muito longe, eu te levo. _ disse preocupado.
 
_ Não. _ respondeu alto e tentando mudar o tom de voz _ Quero caminhar. _ sorriu tentando ser simpática.
 
_ Mas, você não esta bem e ...
 
_ Por favor, não insista, vai me fazer bem caminhar.
 
_ Lizzy, tem certeza? _ perguntou Charlotte.
 
_ Tenho Char, não se preocupe. Devo ter comido algo que não me caiu bem, só isso. Mais tarde nos falamos, pegou a chave da casa e saiu, despedindo-se com um sorriso.
 
‘Teimosa’ _ disse William a si mesmo, vendo-a se afastar.
 
_ Não se preocupe, Will! Ela esta bem. Eu também estaria enjoado se fosse o alvo predileto de nossa tia. _ riu Fitz.

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