Ao contar aos pais sobre a novidade, as reações foram diversas enquanto a Sra Bennet se congratulava por ter tido filhas tão inteligentes e que provavelmente, logo Lizzy receberia uma promoção em tão pouco tempo. O Sr Bennet ao contrário, demonstrava o seu profundo desgosto, ficar sem a companhia de sua filha predileta não era nada agradável para ele, ainda mais por saber quais eram os verdadeiros motivos que levavam Elizabeth a ir para tão longe, almejando ficar tanto tempo fora.
_ Lizzy! Lizzy! Não gosto desta idéia, por que é que você não fica aqui? Deixe este emprego eu lhe asseguro que não vou deixá-la passar privações, enquanto estiver desempregada.
_ Papai! Agradeço sua preocupação, mas isso esta fora de cogitação. Há muito tempo me sustento sozinha. Não posso recorrer ao senhor, toda vez que tiver algum aborrecimento e além do mais, esta viagem só me fará bem. Conhecerei pessoas e lugares, e aprenderei muito, sem contar que será uma grande experiência para o meu currículo.
_ Mas nos deixar por causa daquele sujeito ...
_ Não os estou deixando e ...
_ Não me venha dizer que não é por causa dele, sei que você gosta dele e ...
_ Papai, eu o detesto, há muito tempo não sinto outra coisa por ele a não ser desprezo, será ótimo não ter que vê-lo. Infelizmente, toda vez em que nos encontramos discutimos e detesto isso, afinal querendo ou não ele é meu patrão. _ vendo a expressão de insatisfação do Sr Bennet _ Sei o que estou fazendo e é somente por um tempo curto.
Não havia argumentos para que Elizabeth mudasse de idéia, restou ao Sr Bennet aceitar sua decisão.
***
A terça-feira e a quarta-feira, passaram sem maiores novidades, por alguma razão desconhecida, nestes dois dias, Lizzy não esbarrou nenhuma vez com William e Collins, o que a agradou muito. O único fato que a preocupou foi o de que Charles não ligou ou enviou uma mensagem para Jane, mas os preparativos da viajem não a deixaram pensar muito sobre isso, embora desconfiasse que algo estava errado, pois também não ouvira nenhum tipo de comentário na Empresa, de que algo estava errado no exterior, o que poderia manter Charles, tanto tempo afastado.
Na quarta-feira à noite, as duas irmãs foram para a Luna’s Club. Elizabeth, marcou com Felipe de encontrarem-se lá. Quando chegaram, Felipe a esperava na porta, o sorriso que lhe deu quando a avistou foi arrasador.
_ Nossa Lizzy! _ exclamou Jane _ Que sorriso encantador ele tem, acho que gosta mesmo de você. Já que esta decidida a esquecer sua estória com “aquele” nosso amigo, seja uma boa menina para este e aproveite. _ deu-lhe uma piscadinha.
_ Jane! Sou sempre uma boa menina. _ deu-lhe um sorriso malicioso _ Olá Felipe! _ deu-lhe um beijo no rosto _ Lembra-se de minha irmã?
_ Claro! Como vai Jane? _ a cumprimentou e virando-se para Lizzy _ Você esta linda.
_ Obrigada. _ respondeu meio sem jeito, notando o olhar e sorrisos de Jane, entendeu que a irmã o aprovou _ Vamos entrar!
Lá dentro, encontraram Fred, Charlotte e outros conhecidos, de imediato Felipe levou Lizzy para dançar. Fred, Charlotte e Jane observaram os dois afastarem-se.
_ Hoje essa garota desencalha. _ disse zombeteiro Fred.
_ Fred, Lizzy não esta encalhada.
_ Jane, você tem razão, estava naufragando, mas de hoje não passa.
_ Por que tem tanta certeza? _ perguntou Charlotte _ Lizzy é bem teimosa nestes assuntos e nunca age como imaginamos.
_ Meu bem, coloquei o santinho de cabeça para baixo no meu aquário.
_ Santinho? Que santinho?
_ Santo Antonio, claro.
_ Santo Antonio? Mas esse não é o casamenteiro? _ riu Jane.
_ É. Mas, como Lizzy não se desenvolve nem com namorado, tive que apelar para algo mais forte, tenho certeza que ao menos um beijinho ele vai conseguir para ela. _ riram.
Lizzy e Felipe, aproveitavam a noite, depois das palavras de Jane, Elizabeth observou melhor Felipe, teve que concordar que o sorriso dele era encantador.
_ Lizzy, você é linda. _ disse passando as mãos pela cintura dela e puxando-a para si, ela simplesmente continuou sorrindo passando os braços pelos ombros dele _ Ainda não acredito que vai para Salvador por tanto tempo, justo agora.
_ Justo agora?
_ Sim, agora que finalmente me notou.
_ Nossa, finalmente?
_ Desde que começou a trabalhar na Darcy’s Vision, estou de olho em você. Seu jeito alegre me cativou, mesmo não nos conhecendo antes, e agora que a conheço, a considero a mulher mais linda e interessante que conheço.
_ Você sabe mesmo elogiar uma mulher. _ brincou.
_ Elizabeth! _ exclamou sério _ Esses elogios são somente para você, pois para mim você é a única que os merece. É você quem eu quero. _ dizendo isso a trouxe para mais perto a beijando.
Elizabeth correspondeu sem relutar, seu ego fora “massageado”, sem perceber em sua relação conturbada com William, sentia-se negligenciada neste aspecto e a postura firme de Felipe, onde não transparecia dúvidas em relação ao que sentia por ela, fez com que Lizzy cedesse, finalmente sem receios.
***
No mesmo momento em que esta cena se desenrolava, do outro lado da casa noturna, outra cena se passava.
Camille conseguiu com mérito, levar William sem que o mesmo desconfiasse. Lá chegando, procurou por rostos conhecidos. Encontrando-os, levou William para o lado oposto, no mezanino.
_ Não entendo porque me trouxe aqui no meio da semana. Sabe que tenho muito que fazer e não gosto desse barulho.
_ Você parece um velho. É bom sair um pouco da rotina, Sr Grande Empresário. _ riu, logo avistou Lizzy, que dançava com o rapaz do restaurante.
William passou os olhos pelo local e numa das mesas do outro lado reconheceu Jane.
‘Jane!’ _ pensou _ ‘O que será que faz aqui sozinha?’ _ ao lado dela reconheceu Charlotte e Fred, e então entendeu, seus olhos procuraram avidamente por Elizabeth, encontrando-a na pista com os braços em volta do pescoço de um rapaz, da mesma maneira que ela fez quando dançaram no baile de Carnaval. Darcy enfureceu-se.
_ Camille! _ exclamou grave _ O que significa isso?
_ É um teste. Se você passar, poderá ser feliz ou caso contrário, poderá continuar infeliz pelo o resto da vida e eu não vou me intrometer mais.
Darcy não respondeu, seu olhar fixou-se no casal que dançava.
_ Você vai ficar aqui parado, olhando Elizabeth partir nos braços de outro?
_ Ela fez a escolha dela.
_ Não! Você não a deixou escolher nada. Você fez a escolha por ela. _ retrucou num tom sério.
_ O que espera que eu faça? Quer que eu vá até lá e a arranque dos braços dele?
_ Não! Quero que você tenha certeza do que sente por ela.
De repente, Darcy perdeu a cor, Lizzy estava beijando outro, não podia suportar ver aquilo, mas seus olhos não desviavam, sentiu um cala frio percorrer a espinha. Camille o chamava mas não a ouvia. Não via ou ouvia mais nada, toda sua atenção estava concentrada em Elizabeth, estava vivendo um pesadelo, o beijo terminou e o casal deixou a pista de dança, dirigindo-se para a mesa de braços dados. William observava a expressão de Elizabeth, parecia feliz, sorrindo, ele já não se lembrava da última vez em que ela sorriu assim para ele, agora os dois sempre ficavam sérios um com o outro. Aos poucos, Darcy voltou ao normal, já bastava não queria ver mais nada.
_ Vamos embora, Camille. Aprendi minha lição de hoje. Obrigado, você é uma excelente professora. _ sem esperar resposta, dirigiu-se a saída.
***
Fred aproximou-se de Lizzy, enquanto Felipe conversava com os amigos um pouco mais afastado.
_ Então querida, como foi?
_ O quê?
_ O beijo, donzela perdida.
_ Foi bom.
_ Foi bom? Um bofe lindo desses e você diz simplesmente “Foi Bom”? _ disse inconformado _ Tudo bem. É o primeiro. Não poderíamos esperar que logo no primeiro você já fosse esquecê-lo.
_ Esquecê-lo? Quem, seu maluco?
_ ApoZeus, é claro.
_ Nem lembrava dele.
_ Não? Olhe para mim.
_ Tá. Mas não tem nada haver com sentimento. É que ele beija muito bem, nunca fui beijada daquele jeito, não dá para explicar.
_ Não dá para explicar? Lizzy só tem um beijo capaz de arrancar um “Não dá pra explicar” e ele vem carregado de dois sentimentos básicos.
_ Hum? _ disse divertida _ Quais?
_ Um deles é o desejo e o outro você vai ter que adivinhar sozinha. _ deixou-a falando sozinha, tirando Jane para dançar.
‘Bobo’ _ pensou _’Engana-se, ele sequer gostou de mim, quem dirá amar, ele é incapaz desse sentimento.’
Felipe voltou puxando-a para si e a beijando novamente. Lizzy fechou os olhos e inconsciente procurava pelas sensações que somente outros lábios poderiam lhe dar. Como todos acordariam cedo no dia seguinte, a noite terminou cedo.
***
Na manhã seguinte, Elizabeth passou pela Empresa antes da viagem, para retirar sua passagem e ter as últimas instruções. Viajaria na companhia de um dos gerentes comercias. Antes de sair foi chamada a sala de William, desde a festa de Charles os dois não se falavam, além de cumprimentos formais.
_ Bom dia, Sr Darcy! _ exclamou num tom frio.
_ Bom dia, Srta Elizabeth! _ silêncio _ Bem, a chamei para lhe desejar uma boa viagem.
_ Oh! _ exclamou surpresa, não imaginando isto e respondendo sem graça _ Obrigada!
Darcy levantou-se na direção dela, Elizabeth deu um passo atrás, ele fingiu não ver, dando outro passo e Lizzy recuou mais uma vez, Darcy entendeu o que ela estava fazendo, voltou-se e sentou-se novamente. Os dois se olhavam, Elizabeth com uma expressão de nítida surpresa, sem entender o que estava acontecendo, o silêncio tornou-se constrangedor e William sem coragem para concluir seu intento, resolveu terminar com a situação.
_ Bem! Era somente isso, pode ir. Acho que a estou atrasando, desculpe.
_ Adeus! _ Lizzy virou-se e saiu.
_ Sempre me dizendo adeus! _ sussurrou Darcy, Camille que aguardava no toalete privativo, foi em sua direção, tocando o seu ombro.
_ Não se preocupe William! Ainda vai conseguir, mas da próxima vez, você estará sozinho. Vou para Milão*, quando retornar, espero que já tenha resolvido esse dilema a favor da felicidade de ambos.
***
Do lado de fora, Lizzy achou graça, não entendeu nada, parou em frente ao elevador e olhando para a obra de arte da Sra Darcy pensou:
‘Como alguém como ele pode ter saído de alguém com tanto sentimento e expressão como ela, suas esculturas transmitem tanto amor, tanta ternura.’ _ seus pensamentos foram interrompidos por uma voz.
_ Gosta desta escultura Lizzy?
_ Olá Camille. Não sabia que estava na Empresa. Como vai?
_ Vou bem. Mas me diga gosta desta escultura?
_ Oh, sim. Não entendo muito sobre arte, mas de todas que vi, esta é a minha preferida, me transmite muito amor.
_ A Sra Darcy era uma mulher como poucas, cada escultura representa alguém muito amado para ela. Toda a sua família esta aqui, em cada uma dessas peças.
_ Acho que já ouvi algum comentário desse tipo, mas não me recordo bem.
_ Mas o que é mais interessante é que ela tentou reproduzir a alma de quem a escultura representa e não o seu sentimento por esta pessoa. Acho que ela alcançou o que desejava.
_ E de quem é esta escultura?
_ Vou deixar você pensar nisso.
_ Com certeza é do Sr Darcy! _ exclamou pensativa.
_ Wil ...
_ Não, do pai dele, ouvi dizer que era um homem muito bondoso, todos os que o conheceram só o elogiam, deveria ser uma pessoa muito amorosa, o Sr William Darcy não é assim e _ lembrando-se das palavras de Fred sobre os dois terem um caso _ Desculpe, esqueci-me da hora, estou realmente atrasada. _ finalmente o elevador chegou, Elizabeth entrou rápido _ E então, acertei? _ viu Camille sorrir, mas não pode ouvi-la pois a porta do elevador se fechou.
_ Sua mente errou feio Elizabeth, mas o seu coração acertou fatalmente. Este William é um bom ator, escondeu até de quem ama sua verdadeira natureza. _ sorrindo entrou no elevador ao lado.
Ao descer do elevador, Lizzy deixou ali seus pensamentos, agora sua atenção era somente para a expectativa de sua nova jornada.
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