No domingo Jane e Lizzy foram almoçar na casa dos pais, a Sra Bennet as obrigou a ouvir todos os seus comentários e impressões sobre a festa.
_ Oh! Jane, estou tão feliz que esteja namorando um moço tão fino e como ele gosta de você. Você viu Sr Bennet como ele não tirava os olhos dela, mal deu atenção aos outros convidados até me deixou falando sozinha num momento.
_ Não seria difícil para ninguém fazer isso. _ disse o Sr Bennet, porém a esposa deu-se ao trabalho de fazer somente, uma leve careta continuando a falar.
_ Que pessoas elegantes, as roupas ...
_ Por favor, minha querida. Estávamos todos lá. Antes ele tivesse ficado doente e me poupado desta festa.
_ Sr Bennet! _ exclamou reprovadora.
_ Bem, para mim este assunto esta esgotado. _ levantou-se _ Me nego a ouvir descrições de vestuário. _ com uma piscadela às filhas, dirigiu-se ao seu escritório.
A Sra Bennet estava prestes a continuar quando Collins entrou pela sala, fazendo uma mesura, pigarreou, dizendo em seguida:
_ Minha querida tia, gostaria de conversar a sós com Elizabeth.
_ Comigo? _ perguntou espantada.
_ Ah! Claro, claro tenho certeza de que Lizzy ficará encantada.
_ Como assim? _ ao ver o rosto de contentamento da mãe Lizzy compreendeu.
_ Vamos meninas, Collins tem algo a dizer a Lizzy. _ puxando-as, Kitty e Lydia riam baixinho, fazendo caretas para Lizzy.
_ Aonde vão? Collins não tem nada a me dizer que não possa ser dito na frente de todos. Jane aonde vai?
_ Ora Lizzy, não seja tola. _ disse a Sra Bennet e puxando Jane _ Fique aonde esta. _ saíram todas.
_ Collins o que acha ...
_ Minha estimada prima, tenho certeza de que compreende nossa situação e ...
_ Nossa situação? Mas do que é que você esta falando? _ perguntou Lizzy aborrecida.
_ Por favor, deixe-me terminar. Bem, é de seu conhecimento que nutro um sentimento profundo pela senhorita, desde nossos tempos de adolescentes, embora eu seja mais velho. O fato é que fui orientado, gentilmente pela Sra De Bourgh, de que esta mais do que na hora de me casar, ela me pediu particularmente que encontrasse a moça adequada para alguém na minha posição e que almeja cargos mais elevados e quem sabe uma posição na política, daqui a alguns anos. “Encontre uma moça educada, inteligente, ativa, útil, que não tenha sido mimada pelos pais e que saiba administrar uma casa com economia”, foi o que me pediu e que não acho de forma alguma uma intromissão nos meus assuntos particulares, visto que já vinha pensando nisso. Tenho certeza Elizabeth, de que você possui todas essas qualidades e muito mais. Mas esse não é o único motivo para que eu pense no casamento, estou convencido de que isto contribuirá grandemente para a minha felicidade.
Elizabeth estava atônita, agora tinha certeza absoluta de que seu primo era completamente insano, a princípio teve vontade de rir, sempre soube que o sentimento que o primo nutria por ela nada tinha a ver com amor, tentou interrompê-lo mas não conseguiu, resignada continuou em pé o ouvindo.
_ E embora a posição de nossa família, especialmente de a sua mãe não seja atraente para alguém com os meus planos futuros, sou perfeitamente indiferente à fortuna. Pode ficar certa de que nenhuma observação pouco generosa atravessará os meus lábios depois que nos casarmos. Resta-me agora declarar a intensidade do meu afeto e ...
_ Collins! _ exclamou sem paciência alguma _ Esta se precipitando, não se esqueça de que ainda não lhe dei resposta alguma e é o que vou fazer agora. _ respirou fundo, tentando juntar toda a paciência que ainda lhe restava _ Agradeço a honra que esta me dando, mas é-me impossível fazer outra coisa senão recusar.
_ Não é preciso que me ensine que as moças costumam rejeitar as propostas do homem que secretamente tencionam aceitar, da primeira vez em que são feitas; e que às vezes até esta recusa se repete duas ou três vezes. Portanto, não estou absolutamente desencorajado pelo que acabou de dizer e espero dentro em breve conduzi-la ao altar.
_ Você me surpreende. Asseguro-lhe que não sou dessas moças, se é que existem, que cometem a ousadia de arriscar a sua felicidade confiando nas possibilidades de um segundo pedido. Falo sério quando o recuso. Você não poderia me tornar feliz e sou com toda a certeza a última mulher do mundo capaz de fazê-lo feliz. Tenho certeza de que se a Sra De Bourgh me conhecesse me consideraria sob todos os aspectos, mal qualificada para essa situação.
_ Se eu tivesse a certeza de que a Sra Catherine pensaria assim ... _ disse gravemente _ Mas, não acredito que ela desaprovasse a minha escolha. E pode ficar certa de que, quando tiver a honra de vê-la, falarei com todo o entusiasmo na sua modéstia, economia e outras estimáveis qualidades.
_ Todos esses elogios serão desnecessários. Faça o favor de acreditar no que digo. Desejo que se torne muito rico e feliz e, recusando-lhe faço de tudo que estiver em meu poder para auxiliá-lo a atingir seus fins. _ Elizabeth fez menção de sair, mas foi interrompida pelas palavras do primo.
_ Quando eu tiver a honra de lhe falar pela segunda vez neste assunto, espero receber uma resposta mais favorável. Longe de mim, no entanto, acusá-la de crueldade neste momento, pois sei que é um costume do seu sexo rejeitar as primeiras propostas de um homem. E penso que me deu agora todos os encorajamentos compatíveis com a verdadeira delicadeza do caráter feminino.
_ Realmente, Collins _ gritou Elizabeth, com vivacidade _ você me surpreende. Se o que eu lhe disse até agora pode lhe parecer um encorajamento, não sei de que maneira lhe exprimir a minha recusa de maneira a torná-la convincente.
_ Minha encantadora prima, aceito a sua recusa apenas como uma questão de palavras. Minhas razões para acreditar nisto são as seguintes: não me parece que a minha mão seja indigna da sua pessoa, nem tampouco a situação que posso oferecer-lhe. Minha posição na vida, minhas relações com a família De Bourgh e meu parentesco com a sua são circunstancias que falam altamente a meu favor. E além disso a minha prima devia tomar em consideração também que, apesar dos seus muitos atrativos, não é certo que outra proposta de casamento lhe seja feita no momento. Devo portanto, concluir que ao me rejeitar não está falando seriamente e prefiro atribuir a sua recusa ao desejo de aumentar o meu amor, deixando-me na incerteza, de acordo com os costumes habituais das mulheres elegantes.
_ Asseguro-lhe que não tenho quaisquer pretensões a esta espécie de elegância, que consiste em torturar e atormentar um homem respeitável. Entenda-me, de uma vez por todas, é-me inteiramente impossível aceitá-lo. Todos os meus sentimentos o impedem. Não me considere uma mulher elegante. Não estou à procura de casamento e você conhece pouco sobre a minha vida particular para fazer estas afirmações, aliás você conhece pouco sobre tudo o que diz respeito a mim. Vamos por um fim a esta estória e para o bem de ambos esquecer que esta cena toda aconteceu, não me force a ser mal-educada com você. Com licença. _ dizendo isso Elizabeth retirou-se deixando Collins perplexo.
***
No escritório do Sr Bennet:
_ Elizabeth, criança tola! _ exclamou a Sra Bennet _ Como pôde rejeitá-lo? Um rapaz com tanto futuro?
_ Ora mamãe. Como a senhora pôde pensar em me ver casada com alguém como ele? Quantas vezes eu preciso lhe dizer que não quero me casar? Ainda mais com alguém tão obtuso como Collins?
_ Sr Bennet! Faça alguma coisa.
_ Eu !?! O que posso fazer? O caso ao que parece, está decidido. A situação é irremediável. _ voltou-se para o seu livro, Elizabeth deu-lhe um leve sorriso.
_ Sr Bennet, convença-a, diga a ela que quer que ela se case.
O Sr Bennet deu um longo suspiro, baixando o livro, demonstrando aborrecimento, olhou para Elizabeth.
_ Elizabeth!
_ Sim, papai.
_ Como você ouviu, sua mãe insiste em que você aceite a proposta de Collins. Não é assim, Sra Bennet?
_ Sim, ou nunca mais tornarei a vê-la.
_ Você esta diante de uma alternativa difícil, Elizabeth. De hoje em diante você terá que se tornar uma estranha para um dos seus pais. Sua mãe nunca mais olhará para você se não se casar com Collins. E eu nunca mais a verei se você se casar, com alguém como ele.
Elizabeth deu-lhe um largo sorriso.
_ Obrigada, papai! _ deu-lhe um beijo e saiu.
_ Que é que você quer dizer com isto, Sr Bennet? Pedi para que você insistisse com Elizabeth para que ela se casasse.
_ Minha cara Sra Bennet, tenho dois pequenos favores a lhe pedir. Primeiro que me permita usar o meu próprio entendimento no caso presente; e em segundo lugar o meu escritório. Desejo tê-lo a meu inteiro dispor o mais depressa possível.
Com um suspiro de descontentamento a Sra Bennet dirigiu-se à porta.
_ Ah, minha querida. Diga as meninas para se alegrarem, algo me diz que a estada do nosso estimado parente chegou ao fim. _ voltou-se ao livro.
***
Elizabeth suportou pacientemente os resmungos da mãe, pelo resto da tarde. Collins como previra o Sr Bennet, arrumou sua mala e partiu. À noite, Jane recebeu um telefonema de Charles, informando-a de que não poderia vê-la, pois negócios urgentes surgiram e teria que viajar para Londres, sem data certa para o seu retorno. Jane insistiu em acompanhá-lo ao aeroporto, porém ele lhe disse que já estava de saída. Apesar de demonstrar sua tristeza, Jane não fez nenhum comentário a mais sobre o assunto.
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