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Não desesperar nunca do que se quer esperar: Por uma aplicação infatigável alcançaremos o fim.(Jane Austen)

Armações do Destino - Capítulo 17

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_ Jane, por que Charles esta oferecendo esta festa?
 
_ Não sei, Lizzy. Ele prometeu a Lydia e Kitty.
 
_ Vocês estão noivos?
 
_ Não, nunca falamos sobre isso. Não me olhe assim. Esta parecendo à mamãe. _ riram. _ Vai conosco?
_ Não, vou buscar Charlotte. Estou deixando-a muito só ultimamente e ela vai adorar ir a esta festa. Vamos poder rir do Collins e da Caroline.
 
_ Me conte como foi a sua viagem de trabalho?
 
_ Ah, Jane. Foi ótima, realmente gostei muito. Todos foram ótimos comigo. É estranho, nunca vi numa empresa todos os funcionários gostarem tanto da empresa, ainda mais tendo o dono detestável que tem e o que é mais estranho é que todos só o elogiam, isso para mim é um mistério. _ riu.
 
_ Ora Lizzy, não seja tão dura. William é uma boa pessoa, só é fechado.
 
_ Jane, vou te contar algo que talvez a deixe chocada. _ Lizzy contou tudo o que George havia lhe contando, sobre suas relações com os Darcy e a maneira como terminaram.
 
_ Lizzy! _ exclamou Jane espantada _ Não pode ser, deve haver algum engano.
 
_ Não há enganos, Jane. E estou certa das palavras de George, você não o conhece, mas tenho certeza de que também acreditaria nas suas palavras. Ele é um rapaz muito gentil e atencioso, embora tenha algo que eu ainda não compreendo, tenho certeza de que tudo o que ele me contou é verdade. O tratamento que Darcy me dispensou não me deixa dúvidas de que ele seja cruel com todos.
 
_ Deve haver algum engano, talvez os dois tenham sido enganados, talvez alguém os tenha colocado um contra o outro e ...
 
_ Jane, e como vai defender esta terceira pessoa? _ disse Lizzy sorrindo _ Você pode inocentar os dois se quiser, mas para mim Darcy é culpado e não merece minha compaixão. _ deu-lhe um beijo no rosto e foi para o seu quarto.
 
Na casa dos Bennet’s, estavam todas empolgadas, até Mary que não gostava muito de festas, sentia-se ansiosa. A Sra Bennet considerou que Charles pediria Jane em casamento naquela noite mesmo.
 
  
***
 
  
A casa de Charles estava cheia, logo depois da chegada de seus pais, Lizzy chegou com Charlotte. Lizzy vestia um vestido vermelho na altura dos joelhos, de alças. Logo que entraram Collins veio em sua direção, ela contou até dez.
 
_ Aí esta você, minha cara prima. Esta muito bonita como sempre. _ disse galante.
 
_ Obrigada, você também não esta mal.
 
_ Se me permite, passarei a noite inteira na sua companhia e dançaremos juntos.
 
_ Oh! Por favor! Divirta-se sem mim. _ fingiu ver alguém conhecido e puxando Charlotte _ Com licença, primo, mas temos que cumprimentar alguns amigos. _ saiu, do outro lado do salão em meio às pessoas, alguém a seguia com o olhar.
 
_ Acho que você não consegue fugir dele a noite inteira. _ brincou Charlotte.
 
_ Tenho que tentar. _ sorriu _ Não mereço esse castigo. _ ambas riram.
 
Após andarem pelas salas, resolveram ir até a piscina, era onde estava montada a pista de dança.
 
_ Vamos dançar, Charlotte. _ disse Elizabeth empolgada pela música.
 
Collins apareceu e dançou ao redor de Elizabeth, ela começou a rir, parecia um ganso esperneando, a cena era cômica, todos olhavam. Após alguns minutos, Lizzy começou a se aborrecer, Collins pisou três vezes em seu pé. A graça inicial havia acabado, fazendo careta ela o deixou dançando sozinho. Dirigiu-se até a mesa de bebidas.
 
_ O que foi aquilo? _ perguntou rindo para Charlotte.
 
_ Não sei, pensei que ele fosse voar. _ riu.
 
_ Se ele vier de novo para o meu lado, serei obrigada a jogá-lo na piscina. _ riam cada vez mais.
 
_ Sra Bennet, dança comigo?
 
_ Sim. _ Lizzy respondeu sem pensar, olhando atônita para Darcy _ Pode esperar, vou até o toalete e já volto. _ saiu com Charlotte.
 
_ Oh! Charlotte! _ exclamou _ Como pude ser tão sem presença e aceitar, não acredito que fiz isso?
 
_ Lizzy, tenho certeza de que você o achará muito agradável.
 
_ Não, jurei odiá-lo para sempre. Isso seria muito inconveniente. _ rindo, saíram.
 
Quando voltou Darcy a esperava, foram para a pista, à música mudou para um ritmo mais lento, os dois surpresos se olharam. Elizabeth sem saída, chegou mais perto dele, mantendo uma pequena distância, passou os braços em volta dos ombros dele, ambos recordaram-se da última vez em que estiveram juntos no baile de carnaval. Lizzy percebeu que os pensamentos dele seguiram os mesmos que os seus e decidiu que era melhor conversarem.
 
_ Adoro essa música.
There used to be a graying tower alone on the sea.*
Costumava existir uma torre cinza sozinha no mar.
 
You became the light on the dark side of me.
Você se tornou a luz no meu lado escuro.

Love remained a drug, gets me high enough to kill...
O amor me lembrou uma droga, me eleva o bastante para curar
 
*Seal – Kiss From A Rose
 
Darcy apenas sorriu, aparentemente prestava atenção à letra da música, o silêncio fez-se novamente.
 
But did you know that when it snows my eyes become large,
Mas você sabia, que quando neva os meus olhos se tornam maiores,

And the light that you shine can be seen...
e a luz q vc emite pode ser vista...

Baby, I compare you to a kiss from a rose on the grave
Querida, Eu comparo você ao beijo de uma rosa na sepultura

The more I get of you, stranger it feels, yeah
Quanto mais eu tenho você...Mais estranho parece

Now that your rose is in bloom,
E agora que a sua rosa desabrochou
 
A light hits the gloom on the grave
A luz acerta a escuridão na sepultura

_ Agora é a sua vez de dizer alguma coisa, Sr Darcy. Falei sobre a música e o senhor, deveria fazer algumas observações sobre a pista ou sobre o número de pares.
 
_ Direi tudo o que desejar. _ disse num tom terno.
 
_ Esta resposta basta para o momento. _ pausa _ Talvez eu possa observar que festas particulares são muito mais agradáveis do que em casas noturnas. Agora podemos ficar calados.
 
_ Então, a senhorita fala por principio, quando esta dançando?
 
_ Às vezes é preciso falar um pouco, não acha? No entanto, para servir às preferências de certas pessoas, a conversação deveria ser entabulada com o menor número possível de palavras.
 
_ Esta falando a respeito dos seus sentimentos, no caso presente? Ou imagina que esta justificando os meus?
 
_ As duas coisas. _ replicou Elizabeth, maliciosamente _ Já notei que temos grandes semelhanças de espíritos. Ambos, somos de feitio anti-social, taciturno, e não gostamos de falar senão para dizer alguma coisa capaz de causar assombro a toda a sala e ser transmitida à posteridade como o brilho de um provérbio.
 
_ Estou certo de que isto é uma imagem muito fiel do seu próprio caráter. Mas, não posso dizer até que ponto seja do meu. Sem dúvida a senhorita acha que é uma descrição fiel?
 
_ Não devo julgar a minha própria argúcia. _ silêncio.
 
_ A senhorita visita sempre os seus tios em Campinas?
 
_ Sim. Eu e minhas irmãs gostamos muito deles, e Campinas é uma cidade muito agradável. Existem muitas pessoas interessantes por lá. Recentemente fizemos amizade com um rapaz muito agradável. A propósito, o senhor me viu ontem com ele, me parece que o ouvi dizer que já se conhecem. _ Elizabeth se arrependeu de dizer isto, notou que a expressão de altivez no rosto de Darcy se acentuou.
 
_ Wickham é dotado de maneiras tão agradáveis, que lhe é fácil fazer amigos. Mas, não é tão certo de que seja capaz de mantê-los. _ disse secamente.
 
_ Ele teve a infelicidade de perder a sua amizade. _ replicou com ênfase _ E em circunstâncias que o farão provavelmente sofrer durante toda a vida.
 
Darcy não respondeu e mostrou desejo de mudar de assunto. Lizzy exclamou subitamente:
 
_ Lembro-me de que já o ouvi dizer, que dificilmente perdoava e que o seu ressentimento, uma vez despertado, jamais se aplacaria. Portanto, deve tomar precauções para que ele não seja despertado.
 
_ É verdade. _ afirmou com voz firme.
 
_ E nunca se deixa influenciar por juízos antecipados?
 
_ Espero que não.
 
_ É particularmente importante, para aqueles que nunca mudam de opinião ter a certeza de julgar com justiça desde o início.
 
_ Qual é a finalidade dessas perguntas?
 
_ Apenas informar-me sobre o seu caráter. Estou tentando compreendê-lo.
 
_ E tem conseguido?
 
_ Não consigo formar uma imagem que me satisfaça. Ouço tantas coisas contraditórias a seu respeito.
 
_ Acredito que as informações a meu respeito sejam grandemente contraditórias. Desejaria que não tentasse desenhar o meu caráter neste momento, pois tenho certeza de que o resultado não seria muito lisonjeiro.
 
_ O senhor também, contribuiu para isso.
 
_ Espero poder lhe esclarecer melhor no futuro.
 
As I compare you to a kiss from a rose on the grave
Tenho sido, beijado por uma rosa na sepultura.

The more I get of you, the stranger it feels, yeah
Quanto mais eu tenho de você, Mais estranho me sinto, sim

 
Now that your rose is in bloom,
E agora que a sua rosa desabrochou
 
A light hits the gloom on the grave
A luz acerta a escuridão na sepultura
 
Now that your rose is in bloom,
E agora que a sua rosa desabrochou
 
A light hits the gloom on the grave
A luz acerta a escuridão na sepultura
 
Ambos calaram-se, sem nenhum prazer na dança, quando a música terminou, separaram-se Lizzy decidiu andar sozinha, viu suas irmãs, paquerando todos os rapazes que passavam e rindo alto, sua mãe conversando em tom alto, com algumas senhoras dizendo sobre o prazer de estar ali e que certamente veria Jane casada com Charles, sentiu-se envergonhada pela falta de compostura de sua família. Esbarrou em Caroline.
 
_ Elizabeth! Família interessante a sua. _ deu-lhe um sorriso zombeteiro.
 
Lizzy sem responder foi em direção a Charlotte.
 
_ Charlotte. Veja, minha família esta mais louca do que nunca.
 
_ Ao menos Charles não esta reparando nisso.
 
_ Ele esta mesmo muito apaixonado por Jane.
 
_ É, mas Jane deveria demonstrar mais o seu afeto por ele.
 
_ Ora Charlotte, se ele não percebe é um tolo.
 
_ Somos todos tolos no amor.
 
Neste momento Elizabeth viu Collins.
 
_ Charlotte, já volto. _ saiu em direção a sala de estar.
 
Encontrou uma porta semi-aberta e entrou. A sala estava escura, pela luz que vinha de fora notou que estava numa biblioteca. Deu uma olhada para fora e viu Collins. Fechou a porta, dando alguns passos para trás, abafando a risada.
 
_ Esta fugindo?
 
Lizzy sobressaltou-se e recuperando-se:
 
_ O que faz aqui no escuro, Sr Darcy? Também tem alguma estúpida correndo atrás do senhor? _ ambos olharam-se e sorriram, lembraram-se de Caroline.
 
_ No momento não. Estou descansando do barulho e das pessoas.
 
_ Bem! Já vou. _ ouviram passos, pelo vulto viram alguém parar em frente à porta, para não serem pegos sozinhos no escuro, Darcy a puxou para trás de uma estante. Ficaram colados um no outro, a pessoa entrou e acendeu a luz.
 
_ Podia jurar ter visto, William vindo para cá. _ disse Caroline em voz alta, saindo logo em seguida.
 
Os dois olharam-se e Lizzy riu, não agüentando tê-la tão próxima, sentindo o seu calor e o seu perfume Darcy a beijou, pega de surpresa Lizzy retribuiu o beijo, por alguns minutos ficaram entregues, um ao outro, de repente Elizabeth se deu conta do que estava acontecendo e mordeu o lábio inferior dele, Darcy gemeu de dor, ela o afastou.
 
_ Por que isso sempre acontece? Você é incapaz de se controlar? _ perguntou nervosa.
 
_ Me desculpe. _ disse com as mãos no lábio _ Mas, você também retribuiu o beijo.
 
_ É porque ... porque ... fui pega de surpresa. Também por que é que você tinha que beijar tão bem? Eu sou muito fraca mesmo. _ dizendo isso saiu rápida da biblioteca.
 
Darcy não pode deixar de sorrir. Então, Elizabeth gostava dos seus beijos, a noite agora estava muito mais agradável. Sentiu um gosto de sangue na boca, pensou:
 
‘Muito esperta.’ _ deixou a biblioteca.
 
_ William!
 
_ Sim. _ voltou-se dando de cara com Caroline.
 
_ O que é isso no seu lábio?
 
_ Ah! Um pouco de sangue, mordi o meu lábio sem querer.
 
_ Estava sozinho no escuro?
 
_ Sim.
 
_ Ah! Tive a impressão de ter visto Elizabeth sair de lá.
 
_ Como poderia? Estava lá e não a vi. Com licença, preciso ir ao toalete me limpar.
 
  
 
***
 
   
Lizzy encontrou Charlotte.
 
_ Charlotte. Quer ir embora?
 
_ Não. O que é isso?
 
_ Isso o quê?
 
_ Parece sangue.
 
_ Oh! _ ‘Meu Deus’ _ pensou _’Coitado, devo tê-lo machucado.’ _ Não é nada. Eu queria ir.
 
_ Então, vá. Vou com seus pais.
 
_ Elizabeth, estive te procurando por todos os lados.
 
_ Collins. Por favor, pare de me aborrecer. _ disse enérgica e virando-se para Charlotte _ Obrigada Charlotte. Preciso sair daqui.
 
No seu carro, Lizzy olhou-se no espelhinho e limpou o sangue, era pouco, riu dizendo a si mesma.
 
_ Pareço uma vampira. Decididamente, vou ter que fazer terapia. Como posso me sentir tão bem, nos braços de alguém que odeio. Como ele pode ser tão detestável e causar tantas sensações boas. Fred tem razão, preciso me relacionar com outra pessoa, isso só pode ser carência. É isso, vou aceitar sair com o Felipe. Afinal, ele é muito agradável, é bonito, tem um bom papo e aposto que beija muito bem. _ sorriu.

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