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A amizade é certamente o melhor bálsamo para os sofrimentos do amor não correspondido. (Jane Austen)

Armações do Destino - Capítulo 16

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_ Lizzy onde esteve ontem à noite? Quando cheguei você não estava. _ disse Jane reprovadora.
 
_ Fui com o Fred e alguns amigos jogar boliche, desculpe, esqueci-me de avisar. Marcamos de sair hoje, você e Charles querem ir?
 
_ Aonde irão?
 
_ Vamos dançar.
 
_ Vou falar com Charles.
Elizabeth passou o dia arrumando suas malas, à noite Charles e Jane resolveram acompanhá-la. Na danceteria, Lizzy encontrou-se com seus amigos e logo, todos foram para a pista dançar, num segundo Felipe apareceu ao seu lado, fazendo-a dançar com ele. Ao longe, Jane e Charles observavam.
 
_ Quem é aquele? _ apontou Charles.
 
_ Não sei. Deve ser algum amigo de Lizzy. Não é da Darcy’s Vision?
 
_ Não. _ continuou observando o casal.
 
_ Veio vigiá-la para o seu amigo? _ brincou Jane.
 
_ Vim ... é .. quero dizer ... não. Claro que não. _ respondeu confuso, enquanto Jane ria.
 
_ Vocês homens. _ riu.
 
_ Vocês mulheres são muito más. _ sorriu abraçando-a _ Will na verdade é um “banana”, se Lizzy insistisse, conseguiria quebrar as defesas dele.
 
_ Talvez, mas acho que Lizzy decidiu que William não vale à pena. Começo a achar que ela realmente não gosta dele.
 
_ É uma pena. William é uma excelente pessoa. Mas não vamos falar desses dois, cabeças duras, vamos dançar. _ puxou Jane para a pista.
 
Lizzy percebeu que Felipe se aproximava cada vez mais, sorriu-lhe, olhou na direção das mesas e avistou Fred, falou para Felipe que sairia e foi ao encontro de Fred.
 
_ Olá Fred. _ disse sorridente.
 
_ O que esta fazendo aqui?
 
_ Como assim?
 
_ Esta fugindo do bofe? _ olhou em direção a Felipe.
 
_ Não é que ...
 
_ Lizzy, você gosta do Sr. Darcy? _ perguntou sério.
 
_ Claro que não. Esta louco? _ disse zangada.
 
_ Então _ sorriu _ volte para essa pista AGORA e “FIQUE” com aquele “cara”. Estou mandando. _ exclamou autoritário.
 
_ Não quero “ficar” com ele.
 
_ Qual é o problema dele? Não te agrada?
 
_ Sim, mas ...
 
_ Qual é o “seu” problema?
 
_ Nenhum ...
 
_ Então vá lá, ele não vai te arrancar um pedaço. É só um “cara”. E amanhã não o verá durante uma semana. Não precisa se apaixonar por ele.
 
_ Mas eu não quero me apaixonar. Você esta ficando um chato, sabia?
 
_ Olhe! Ele não desistiu, esta vindo para cá. Sorte sua ele ser insistente. Veja se não foge, heim? _ deu-lhe dois tapinhas na cabeça e foi dançar.
 
_ Aconteceu alguma coisa Elizabeth? _ perguntou Felipe ao se aproximar.
 
_ Não, estava com sede. _ sorriu.
 
_ Lizzy! Estávamos te procurando. _ disse Jane.
 
_ Não vai nos apresentar ao seu amigo? _ perguntou Charles.
 
_ Oh! Claro! Felipe este é Charles e esta é minha irmã Jane. Casal este é Felipe.
 
_ Olá! Como vão?
 
_ Bem. _ respondeu Jane.
 
_ Vamos dançar? _ Lizzy puxou Jane, os outros dois foram atrás, Lizzy percebeu algo estranho nas maneiras de Charles _ O que Charles tem hoje Jane?
 
_ Nada, esta te vigiando. _ disse rindo.
 
_ O quê?
 
_ Coisas de homem. Vou tirá-lo daqui antes que morda o seu amigo.
 
_ Você e sua irmã possuem o mesmo sorriso. _ disse Felipe.
 
_ Gostamos muito de sorrir.
 
_ Soube que vai ficar a semana fora.
 
_ Vou, mas no final de semana que vem já estarei de volta.
 
_ Posso te ver no sábado que vem?
 
_ Já tenho compromisso. Mas, nos veremos durante à outra semana no almoço.
 
_ Claro. _ disse desapontado.
 
Elizabeth permaneceu a maior parte da noite ao lado de Felipe, mas frustrando as expectativas de todos, eles não “ficaram”, somente Charles ficou feliz com isso, ainda mantinha esperanças de que Lizzy e seu amigo se entendessem.
 
  
***
  
 Elizabeth passou pela casa dos pais para se despedir. Quando já estava saindo Lydia correu para lhe falar.
 
_ Lizzy! Lizzy! Mande um beijo ao meu querido Dennis e outro ao George.
 
_ Esta bem, Lydia.
 
_ Ele estará te esperando.
 
_ Quem?
 
_ George.
 
_ George?
 
_ Contei a ele que você estava indo para lá.
 
_ Lydia, você é muito mexeriqueira. Quando falou com George?
 
_ Oh! Falamos-nos todos os dias, pelo telefone, George é muito atencioso.
 
Lizzy não deu importância e foi embora, chegou na casa dos tios na hora do jantar, ficou surpresa ao ver George lá.
 
_ Tia Philips, o que ele faz aqui? _ perguntou sussurrando.
 
_ Ah, Lizzy, George tornou-se nosso amigo, sempre vem nos visitar e como ficou sabendo da sua chegada, o convidamos para te distrair.
 
_ Não precisava. _ mantendo o tom de voz baixo _ Vocês são a única distração de que preciso.
 
_ Elizabeth é um prazer revê-la. _ George deu-lhe um beijo no rosto.
 
_ Olá. _ respondeu desconfiada.
 
Após os cumprimentos todos estavam conversando e se divertindo, Wickham possuía maneiras e uma conversa que prendia a todos. Logo, Lizzy sentiu-se à vontade com ele e gostou de sua conversa. Depois do jantar como a noite estava agradável, todos se sentaram no jardim.
 
_ Então Lizzy, o que achou do Sr. Darcy? _ perguntou George.
 
_ Oh! _ Elizabeth se lembrou do que George havia lhe dito sobre suas relações com os Darcy _ É um homem desagradável. _ respondeu tentando não dar maior ênfase ao assunto.
 
_ Sabia que teria a mesma opinião. _ voltou a contar o que Darcy havia lhe feito _ E a irmã dele a conheceu?
 
_ Não, ela mora em Londres e ainda não retornou ao Brasil.
 
_ Quando tiver a oportunidade de conhecê-la, verá que é tão ou mais orgulhosa do que o irmão.
 
‘Orgulhoso’ _ pensou Lizzy, realmente Darcy era orgulhoso, o que fez Elizabeth acreditar na estória de George, afinal William havia sido cruel com ela, também deveria ser bem pior com outras pessoas, principalmente se o assunto fosse dinheiro. Apesar de estar apreciando a companhia de Wickham, algo ainda lhe dizia para tomar cuidado.
 
Durante a semana, Wickham foi buscá-la no escritório todos os dias, às vezes a levava para jantar, Elizabeth aceitou, pois ele não tentou nenhuma investida romântica, o que a satisfez, estava cansada de joguinhos amorosos. Na sexta-feira, no final do expediente Elizabeth estava sozinha na sala arrumando os relatórios e o material que levaria de volta a São Paulo.
 
_ Srta Bennet!
 
_ Sr Darcy! _ exclamou sobressaltada _ O que faz aqui? _ perguntou, por fim contrariada.
 
_ Sempre visito “minhas” empresas. _ respondeu seco.
 
_ Ah! _ virou-se, fingindo não notar o tom de sua voz, continuou a arrumar seu material sem lhe dar atenção.
 
_ Gostou de sua estada aqui? _ perguntou tentando mudar o tom de voz, ao perceber que havia sido grosseiro.
 
_ Sim, todos foram muito simpáticos e gostaram muito do treinamento.
 
_ Pode me mostrar o seu trabalho?
 
_ Claro. _ respondeu sem entusiasmo, dizendo a si mesma _ ‘Isso deve ser um teste’ _ e voltando-se para encará-lo _ Por favor. _ apontou uma cadeira.
 
Darcy a observou, percebeu que Elizabeth tinha pleno domínio sobre o que fazia e opiniões, muito bem fundamentadas sobre os processos da Empresa, apontando alguns aspectos para melhoria, ele ficou impressionado, sua admiração por Elizabeth aumentava cada vez mais. Agora, tinha certeza de que ela era perfeita, bela e inteligente. Mas, Elizabeth não sabia o que se passava na mente dele e pela expressão do seu rosto, considerou que não estava gostando do que ela dizia, mas Lizzy nem se importou e continuou expondo suas opiniões.
 
_ Bem, é isso. _ disse por fim _ Quer saber sobre mais alguma coisa?
 
_ Não, estou muito satisfeito com tudo o que expôs e acabo de perceber que a Sra Austen, foi muito bem sucedida ao te contratar.
 
_ Ah! Obrigada. _ exclamou, não esperava ouvir aquilo. Terminou de arrumar as suas coisas, enquanto Darcy a observava.
 
_ Bem! Meu trabalho por aqui terminou e já é hora de ir embora. _ Elizabeth queria se livrar logo dele, pegou algumas caixas.
 
_ Deixe-me ajudá-la.
 
_ Não é preciso, esta leve. _ saiu, Darcy a acompanhou.
 
_ Gostaria de jantar comigo esta noite?
 
_ Não. _ respondeu secamente _ Tenho compromisso, um amigo vem me buscar, ele já deve estar me esperando. _ passaram pela portaria, do lado de fora ela parou, vendo que Darcy ainda a acompanhava.
 
_ Adeus, Sr Darcy. Acho que nos veremos amanhã.
 
_ Amanhã? _ perguntou sem pensar, estava remoendo sobre as palavras dela de sair com outro.
 
_ Sim, a festa de Charles.
 
_ É verdade. _ olhou-a nos olhos, Lizzy desviou o olhar.
 
_ Meu amigo esta ali. _ vez um aceno com a cabeça e foi em direção ao carro.
 
Darcy ficou parado olhando, até que o motorista desceu do carro. Levou um choque _ ‘George Wickham’ _ não poderia imaginar que o pior homem do mundo estivesse saindo com a “sua” Elizabeth, o ciúmes e a raiva tomaram conta dele o paralisando. Por que esse crápula sempre aparecia no seu caminho? George fez um movimento leve com a cabeça, beijou o rosto de Lizzy e abriu-lhe a porta do carro. Ao se virar, deu um sorriso cínico para Darcy, que tomando conta de si entrou novamente no prédio.
 
_ O que ele faz aqui? _ perguntou George ao entrar no carro.
 
_ Não sei, parece que sempre visita as suas empresas. _ respondeu, repetindo as palavras de Darcy _ Então, vamos dançar hoje? _ perguntou tentando parecer alegre.
 
_ Claro, é sua despedida. Espero que volte sempre. _ deu-lhe um sorriso galante, levou-a para a casa dos tios para que ela se arrumasse, jantaram e saíram, a noite foi agradável, Elizabeth fez novos amigos e esqueceu completamente que havia se encontrado com William, na manhã seguinte retornou a São Paulo.

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