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Minhas ambições são modestas. Quero ser feliz como todo o mundo. (Jane Austen)

Armações do Destino - Capítulo 15

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Na empresa Lizzy, contou a Charlotte sobre o seu passeio de carnaval e sobre a novidade de Collins passar algumas semanas na casa dos pais, mas não comentou sobre o que se passou entre ela e Darcy, pois Charlotte insistia na idéia de que Darcy estava apaixonado pela amiga e Elizabeth não queria discutir sobre isso com ela.
 
Durante o dia Elizabeth soube que Darcy estava em Londres e somente retornaria na próxima segunda-feira. Lizzy estava pensando seriamente em pedir demissão, mas não podia ficar desempregada agora, havia acabado de completar três meses na empresa e sair com tão pouco tempo não seria bom para seu currículo, porém não suportaria vê-lo todos os dias, a antipatia que sentia por ele agora, aumentava consideravelmente. Ouviu o Sr. Morgan conversando com Fred sobre a criação do setor de Treinamento na filial de Salvador e que deveriam deslocar alguém para dar suporte por lá, por pelo menos quatro meses, esta era a chance de que Elizabeth precisava, mas como conseguiria? Ainda era nova na empresa, não tinha a confiança de todos para fazer este trabalho, resolveu conversar com Fred sobre o assunto, aproveitaria o horário do almoço para isso.
 
_ Vamos Lizzy, me conte como foi o seu carnaval.
 
_ Foi bom.
 
_ Só isso? Você foi para a fazenda daquela maravilha de homem, que além de tudo é seu cunhadinho e diz que foi bom?
 
Elizabeth fez uma careta.
 
_ Não !?! Apozeus estava lá? _ riu vendo Lizzy ficar mais aborrecida _ Menina me conta esse babado forte!
 
_ Você é bruxo ou o quê? Não tem nada para contar. _ respondeu, um tanto irritada.
 
_ Hum! Mau humor, primeiro sinal de que “nada” rolou. Mas, pelo que estou vendo ele esta louco para “algo” rolar.
 
_ Mas “nada” vai rolar e você tem que me ajudar. _ aproveitou a oportunidade para tocar no assunto que queria.
 
_ Eu !?! Nesses assuntos, meu bem, sou mero espectador. Não gosto de bancar a fada madrinha.
 
_ Não é nada disso. _ deu-lhe um olhar sagaz _ Vou pedir demissão.
 
_ Esta doida? Você acabou de entrar. Todos, estamos adorando o seu trabalho.
 
_ Então me impeça. _ disse maliciosa.
 
_ Como?
 
_ Me indique para ir a Salvador.
 
_ Ah, espertinha, mas não posso, você ainda esta crua para isso.
 
_ Me teste. Mande-me para outro lugar. Sei que é você quem na verdade decide.
 
_ Não decido, só indico, é uma das atribuições de ser sênior.
 
_ Sei disso, então? Vamos me indique para outra unidade, sei que vocês estão fazendo isso. Por favor, me ajude, não quero deixar este emprego, gosto demais do que faço, mas a situação esta muito constrangedora para mim, simplesmente, não posso ficar no mesmo lugar que “ele”. Basta-me saber que meu salário é pago por ele.
 
_ Vou pensar, no final da tarde te falo. _ respondeu sério, mudando de expressão _ Você é mesmo danada, mas por que esta fugindo? Não seria ótimo se atirar nos braços de um homem tão lindo?
 
_ Fred eu o odeio, nunca senti tamanha antipatia por alguém, o conceito que tenho dele é dos piores.
 
_ Hum! Esse ódio todo só leva para um lugar, meu bem.
 
_ Para o inferno? _ riu _ Já pens ...
 
_ Não meu bem, para a cama. _ deu uma gargalhada.
 
_ Você só pensa besteira. _ disse zangada.
 
No final da tarde Fred comunicou a Lizzy que na próxima semana ela viajaria para Campinas, Lizzy vibrou.
 
_ Querida, se fizer tudo bonitinho te mando para Salvador por quinze dias para ver a Timbalada. Amanhã, vamos te orientar direitinho e definir o hotel, passagem essas burocracias.
 
_ Hotel não precisa. Tenho tios que moram lá, vou ficar na casa deles.
 
_ Ótimo. Então, pode começar a fazer as malas e tire uma foto “daquele” pão para você não sentir saudades.
 
_ Muito engraçado.
 
Lizzy estava feliz, começou a fazer planos para o futuro. No final do expediente, esperava Charlotte próxima aos elevadores, quando viu a figura de seu primo aproximar-se.
 
_ Ai esta você, Elizabeth.
 
_ Ah, oi. _ disse aborrecida _ Esta me procurando?
 
_ Sim, vamos para casa.
 
_ Para casa? _ lembrou do seu pai _ Oh, você ficará na casa dos meus pais, estava esquecendo. Mas não é minha casa, portanto não temos necessidade de irmos juntos.
 
_ Pensei que poderíamos ir e vir trabalhar juntos todos os dias.
 
_ Isso seria interessante, mas não é sempre que os visito durante a semana. _ Charlotte se aproximou.
 
_ Vamos Lizzy.
 
_ Char, vamos.
 
_ Mas hoje acompanho vocês duas. _ e pegando a mão de Elizabeth _ Vou dar-lhes uma carona.
 
Elizabeth começou a se irritar, e juntando todas as suas forças para tratá-lo bem, afinal não adiantava muito ser grosseira com ele, puxando lentamente a mão que Collins segurava disse:
 
_ Bem primo, vamos aceitar sua carona, mas não vejo necessidade de me levar pela mão, afinal não fica nada bem, andarmos de mãos dadas neste ambiente. _ tentando se livrar do contato físico com ele.
 
_ Claro, claro isso é muito prudente.
 
Fazendo uma careta cômica para Charlotte as duas riram da expressão de Collins. Apesar de serem constrangedoras para Elizabeth as atenções do primo, ela mantinha seu bom humor, sabendo que realmente ele não poderia lhe causar nenhum transtorno.
 
  
***
 
 
Após, deixarem Charlotte em casa, e depois de muita insistência de Collins para que ela fosse para a casa dos pais, Elizabeth cedeu, pois se lembrou de que teria que contar ao pai sobre a novidade de passar a próxima semana em Campinas. Quando chegaram, ficou satisfeita de que Jane também estivesse lá. O jantar foi formal, pois a presença de Collins aborrecia a maioria das pessoas à mesa, senão todas, somente o Sr. Bennet parecia estar se divertindo.
 
_ Sra, Bennet, o jantar esta delicioso, a qual das minhas primas devo cumprimentar por tão maravilhoso jantar?
 
_ Ora, Collins. Temos uma empregada para isso, minhas meninas não tem nada o que fazer na cozinha.
 
_ Oh, desculpe, não quis ofendê-las, fico feliz que possam se dar a este luxo. _ disse um tanto constrangido _ Bem, naturalmente Elizabeth lhes contou sobre a minha querida chefe a Sra. Catherine De Bourgh?
 
_ Não.
 
Collins olhou para Elizabeth reprovador.
 
_ Oh, primo, não tive tempo de dar detalhes sobre nossos patrões. _ sorriu insatisfeita.
 
_ Bem, mas a Sra. Catherine é uma mulher excepcional e tem uma filha encantadora, porém de constituição frágil, o que a faz ficar de fora da vida em sociedade. Sempre digo a Sra. Catherine de que a sociedade paulista esta privada do seu mais brilhante ornamento e que sua filha parece ter nascido para ser uma duquesa. A Sra. Catherine fica muito satisfeita com esses pequenos galanteios delicados que me sinto na obrigação de oferecer, pois as senhoras apreciam muito. _ dando uma olhada significativa para Elizabeth, que quase engasgou com um gole de suco.
 
_ Que bom que você possua o talento de lisonjear com tanta delicadeza. _ disse por fim o Sr. Bennet, que observava calado até o momento e com um olhar cúmplice a Elizabeth continuou _ Mas, me diga. Esses elogios procedem de um impulso momentâneo ou são o resultado de um cálculo prévio?
 
_ Bem, ocorrem principalmente do momento, embora eu às vezes me divirta criando esses pequenos galanteios, procuro sempre lhes dar um ar espontâneo.
 
_ Oh, acredite-me. _ disse Elizabeth irônica _ Ninguém que o ouça diria que seus modos são ensaiados. _ o que fez suas irmãs mais novas rirem mais alto do que o costume.
 
Terminado o jantar, e para fugir da presença de Collins, Elizabeth acompanhou o pai até o escritório, informando-o sobre seus planos profissionais. O Sr. Bennet demonstrou seu descontentamento por ficar tanto tempo longe da filha, porém não poderia fazer nada para impedi-la. Conhecia Lizzy muito bem, para saber que ela conseguiria o seu intento de ir para Salvador. Ao chegar no apartamento, Elizabeth contou a Jane, as novas e depois ligou para os tios Philipes, comunicando-os de que passaria a próxima semana com eles.
 
 
  ***
  
 
A sexta-feira foi mais um dia normal de trabalho, Fred instruiu Lizzy sobre o que deveria fazer na filial de Campinas. O dia terminou e Lizzy respirou aliviada por não encontrar o primo na saída, embora seria inevitável o encontro logo mais na casa dos pais para o jantar.
 
_ Querida prima Elizabeth, não tive o prazer de encontrá-la na empresa.
 
_ Estive muito ocupada. _ disse secamente.
 
_ Soube pela cara prima Lydia, de que passará uma semana na filial de Campinas.
 
_ Sim.
 
_ É uma pena, pretendia passar agradáveis momentos aqui com a senhorita.
 
Lizzy olhou para Jane incrédula, Jane mal disfarçou a risada.
 
_ Não vejo como, não moro mais nessa casa, não são todos os dias que venho aqui.
 
_ Pensei que a senhorita me levaria ao seu apartamento para conhecê-lo.
 
_ Oh! O senhor me ofende. _ disse num tom teatral _ Então, acha de bom tom, um cavalheiro ir ao apartamento de duas senhoritas. _ disse tentando um ar de indignação _ Com licença. _ se levantou fazendo pose e rindo sem que Collins percebesse, correu para o escritório do pai.
 
_ Desculpe, não quis ofendê-la. _ disse constrangido.
 
No escritório do pai.
 
_ Ora papai! Aquele bobalhão, começou com as suas atenções absurdas novamente. Não vou suportar. _ sentou-se e riu com o pai.
 
_ Tenho certeza de que tirará isso de letra. _ respondeu o Sr. Bennet.
 
_ Tenho que me divertir, afinal. _ sorriu.
 
_ Então, quando nos deixará?
 
_ Domingo.
 
_ Espero que não crie gosto pela vida de cigana.
 
_ Não importa aonde eu vá, sempre voltarei.
 
Jane bateu na porta e entrou acompanhada de Charles.
 
_ Boa noite, Sr. Bennet. Boa noite, Lizzy. _ cumprimentou Charles.
 
_ A que devo esta intromissão no meu escritório? _ perguntou de bom humor o Sr. Bennet.
 
_ Vim convidá-los para uma festa em minha casa, no sábado da próxima semana.
 
_ Uma festa? _ perguntou o Sr. Bennet desconfiado _ Agradeço pelo convite, embora não goste muito de festas.
 
_ Eu insisto, senhor.
 
_ Bem, pensarei no assunto. Agora, acho que os três devem me dar licença. Quero o meu escritório só para mim. _ os três saíram.
 
_ Lizzy, sei que será justamente no dia em que voltará e estará cansada, mas quero muito que vá.
 
_ Tudo bem Charles, Irei desde que sua irmã não me venha com outro copo de refresco. _ riram _ Oh, não. _ exclamou Lizzy vendo Collins aproximar-se _ Bem, meus queridos. Estou com tanto sono, vou para casa dormir. Boa noite. _ Lizzy deu um beijo em Jane e Charles e correu para fora. No caminho para o apartamento seu celular tocou.
 
_ Olá Fred. Já esta com saudades?
 
_ Lizzy, você tem trinta minutos para ficar linda e cheirosa. Estou indo te buscar e não adianta dizer não.
 
_ Tudo bem. Aonde vamos?
 
_ Jogar boliche. Tenho uma novidade para você. Tchau. _ deixando-a curiosa desligou o celular.
 
Lizzy correu, tomou um banho rápido e se trocou. Logo, Fred chegou com alguns amigos, já no carro:
 
_ Meninos e meninas esta é Lizzy.
 
_ Olá. _ disse Lizzy, ao sentar-se no banco traseiro.
 
_ Minha querida _ começou Fred animado _ Não sei se você reparou, mas no horário do almoço, tem um bofe “D I V I N O” que esta sempre te paquerando?
 
_ Não, não reparei. _ respondeu sem graça.
 
_ Tinha certeza disso. Mas então, a Heloise aqui _ apontou para a moça sentada logo atrás dele _ Trabalha com o “tal” na KWA – Informática e o pessoal de lá nos convidou para um jogo de boliche. Não é interessante? O tal bofe vai estar lá. Então, pensei junto com Heloise. Por que não apresentarmos duas pessoas tão belas? O que me diz?
 
_ Tenho escolha? _ perguntou bem humorada.
 
_ NÃO. _ respondeu rindo, aumentando o volume do som.
 
_ Você vai gostar dele. _ disse Heloise _ Felipe é muito legal.
 
Elizabeth sorriu sem graça, detestava este tipo de encontro. Ao chegarem, encontraram mais algumas pessoas da Darcy Vision também. Houve as apresentações de praxe. Lizzy um tanto sem graça, foi apresentada ao Felipe, ele era alto moreno, cabelos castanhos escuros cacheados e olhos verdes. Logo, Fred chegou perto de Lizzy para fazer um comentário.
 
_ Você, heim? Nasceu com o bumbum virado para a Lua. De um Apozeus com os olhos azuis como o oceano, para um Cupido* de olhos verdes. Veja o cabelo de anjo, se eu fosse você redimia os meus pecados rapidinho com esse anjo.
 
* Mitologia Grega – Romana – Também conhecido por Eros é o deus do amor.
 
 
_ Pare com isso. _ sorriu _ Quem foi que disse que preciso de redenção?
 
_ Então, “peque” meu bem e finja esquecer o Apozeus com o Cúpido. _ riu.
 
Dirigiram-se para a pista de boliche. Lizzy não soube dizer se foi Fred ou o próprio Felipe quem a colocou na mesma pista que este, mas o que importa é que passou a noite conversando com Felipe e descobriu que ele realmente era muito legal. Mas, Elizabeth não queria se envolver com ninguém por enquanto, depois de algumas partidas, o grupo combinou de se encontrarem numa casa noturna no dia seguinte. Despediram-se e Fred a levou para casa.

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