Elizabeth despertou com o som dos pássaros, espreguiçou-se, levantou e abriu à janela, o dia estava lindo, um sol radioso despontava no horizonte, resolveu dar o último passeio a cavalo, estava feliz por ter perdido o medo de cavalos, percebeu o quanto estava gostando dessa nova atividade e sentiria falta, pois não sabia quando voltaria a montar novamente. Após, fazer sua toalete, saiu, lembrou de que Darcy também costumava levantar cedo para cavalgar, apressou-se para chegar antes dele no estábulo e tomar outra direção. No estábulo, ficou contente ao ver que ele não estava lá e ainda não havia chegado, o cavalo em que Darcy costumava montar estava na baia. Um dos cavalariços a ajudou a preparar a cela e montar, rumou em direção aos lagos, margeando-os, o sol àquela hora da manhã já estava exuberante. Elizabeth fechou os olhos e respirou fundo, o cavalo continuou seu passo lentamente, ouviu um galope, porém continuou de olhos fechados, a sensação era tão agradável que não quis abrir os olhos, pelo barulho logo à pessoa passaria por ela, até que ouviu o galope reduzir o ritmo e percebeu que a pessoa estava ao seu lado.
_ Bom dia! Elizabeth. _ disse uma voz indecisa e surpresa.
‘Mas que pouca sorte a minha’ _ pensou Lizzy abrindo um dos olhos, mal movendo a cabeça, o olhou e tornou a fechar o olho, dizendo em seguida:
_ Ah! É você? _ num tom nada amigável _ Bom dia! _ fez-se um breve silêncio, com os olhos ainda fechados _ Não costuma ir para o outro lado?
_ Costumo. Mas hoje quis fazer diferente. E você?
_ Vim me despedir. Gostei de andar a cavalo. Gostei daqui. Não sei quando terei oportunidade de estar num lugar desses novamente.
_ Não vai olhar para mim?
Elizabeth suspirou profundamente e abriu os olhos lentamente, porém não o olhou.
_ Por que esta cavalgando de olhos fechados?
_ Estava sentindo a natureza. Entrando em sintonia com o universo. Meditando.
_ Tudo bem. Já entendi. _ silêncio _ Acho que amanhã não nos veremos.
_ Posso sobreviver a isso. _ disse irônica.
_ Não foi isso o que eu quis dizer. _ disse sem graça.
_ Eu sei. Entendi. Não se preocupe. Como se diz “você é o cara”, esta no topo da cadeia alimentar _ riu _ esta no topo da pirâmide organizacional. Não vou chorar se você não falar comigo. Não somos íntimos. Não somos amigos, nem podemos nos considerar colegas de trabalho, tampouco sou sua subordinada direta, você é o “patrão” e eu mais um de seus inúmeros empregados. Não se preocupe, também não vou abrir um processo contra você de assédio moral ou sexual. _ disse a última parte em tom de gozação.
_ Fico feliz com isso. _ sorriu _ Por que se recusa a me compreender? Não me deixa falar.
_ Simplesmente, porque não quero te compreender. Você não tem nada a me dizer. Aliás, acho que não existem no mundo, duas pessoas que menos tenham a se dizer do que nós dois. Olhe _ o encarou _ você é a única pessoa que me faz ser mal educada o tempo todo e, acredite-me, pode até não parecer, mas não gosto disso. Hoje não quero brigar ou discutir com você, só estou tentando relaxar, sei que não será nenhum esforço para ambos, se você me deixasse sozinha.
_ Desculpe, não foi minha intenção aborrecê-la. _ a olhou por alguns segundos, deu meia volta e galopou na direção contraria.
Lizzy respirou aliviada, tornou a fechar os olhos e sentir o sol, focou seus pensamentos nas coisas que lhe davam prazer e logo o esqueceu.
***
Uma hora depois Lizzy apareceu para o café. Todos já estavam à mesa.
_ Bom dia! _ disse sorridente, o ar de felicidade estava de volta ao seu rosto.
_ Onde esteve?
_ Fui dar uma volta, Jane. O dia esta tão lindo. _ deu-lhe um beijo no rosto _ Quando partiremos?
_ Esta com pressa? _ perguntou Charles.
_ Não. Mas, estou morrendo de saudades do meu pai, quero vê-lo logo.
_ Sairemos logo após o café, assim creio, não pegaremos trânsito na estrada.
Elizabeth tomou rápido o seu café, pedindo licença para sair.
_ Aonde vai? Nem tomou o seu café direito.
_ Vou me despedir dos meus amiguinhos, prometi que não iria sem me despedir. _ saiu.
_ Ela adora crianças. _ disse Charles.
_ Também pudera, vive agindo como uma delas. _ resmungou Caroline com um sorriso irônico, Charles a olhou reprovador.
Lizzy ganhou vários desenhos de seus amigos e várias broinhas de fubá das cozinheiras. A despedida com seu próprio grupo foi mais fria, disse apenas um “tchau”, voltaria com Charles e Jane, Caroline com sua irmã e o cunhado e William sozinho, aparentemente este último estava com pressa, pois logo o carro dele sumiu de vista na estrada. Charles comentou que Darcy tentaria embarcar para Londres para ver a irmã.
***
Charles as deixou na casa dos pais delas. Lizzy estava com saudades de todos, abraçou as irmãs e os pais. Depois, foi até o escritório com seu pai, conversaram. Elizabeth sentou-se no colo dele e acariciou sua vasta cabeleira branca, o Sr. Bennet notou um ar triste na filha, mas não perguntou o motivo, deixou que ela falasse o que quisesse, ficaram horas conversando, quando Lizzy se levantou para jantar o pai ao vê-la saindo lhe disse:
_ Lizzy, meu amor, quando estiver preparada para me contar o seu problema, estarei aqui.
_ Receio que este não poderei lhe contar, papai.
_ Entendo. Então você caiu? _ perguntou sério.
_ E me levantei sozinha com louvor. _ sorriu, saindo em seguida.
_ Creio que não, meu bem. _ murmurou o Sr Bennet num tom preocupado.
Na mesa de jantar, vendo a felicidade das moças todas reunidas, o Sr Bennet achou que era hora de contar uma novidade.
_ Minhas queridas, tenho uma ótima notícia. _ todas o olharam curiosas _ Há cerca de duas semanas recebi um telefonema de alguém que há muito não víamos e que me fez um pedido singular. _ fez uma pausa.
_ Oh, Sr Bennet. Como não me contou nada sobre isso? Quem é e o que quer? Diga logo.
_ Estava somente esperando que a senhora se manifestasse, minha querida. Sei o quanto gosta de dar sua opinião. _ disse irônico _ Bem! O fato é que antecipando o quanto vocês ficariam felizes, consenti com o pedido e a partir de amanhã teremos um hóspede nesta casa.
_ Quem, papai? _ perguntou Kitty ansiosa.
_ O nosso querido, William Collins. _ sorriu, satisfeito ao ver a expressão de surpresa delas.
_ Ah! _ exclamaram todas tristes.
_ Mas por que, papai? _ perguntou Lizzy.
_ Bem, não ouvi todo o discurso dele. Mas, me parece que seu apartamento estará interditado nas próximas semanas. Algo relacionado a insetos, creio eu. Bem, mas o fato é que, mantendo agora uma relação amistosa de trabalho com nossa cara Lizzy, ele se sentiu livre para fazer este pedido e blá, blá, blá. _ disse tomando um gole de vinho.
_ Oh, papai ele é um chato. _ resmungou Lydia torcendo o nariz.
_ Não há o que fazer. Já o autorizei e ele virá amanhã após o trabalho.
_ Por que fez isso Sr. Bennet? Tenho certeza de que ele poderia ir para qualquer outro lugar. _ disse a Sra. Bennet aborrecida.
_ Também acho. Mas não pude resistir em tê-lo aqui novamente. Ainda me lembro de Lizzy aos dezessete anos, correndo pela casa gritando que jamais namoraria um ser tão estúpido e rejeitando as flores que ele insistia em lhe dar. _ riu.
_ Oh papai. Como pode se lembrar disso? Foi uma experiência horrível, até hoje não suporto margaridas. _ riu _ Acho que ele tem problemas de audição, não ouvia o que eu dizia.
_ Bem, não podemos esperar que tenha melhorado. Mas, será interessante vê-lo novamente aqui. Algo me diz que existe uma segunda intenção nisso.
_ O que quer dizer, papai? _ perguntou Jane.
_ Acho que veremos novamente, Lizzy o derrubando sem querer, é claro, da sacada no latão de lixo.
_ Isso sim foi engraçado, mas foi realmente sem querer. _ disse Lizzy divertida _ Porém, não acontecerá, não moro mais aqui, não creio que seja essa a intenção dele, nem nos cruzamos no serviço e quando isso acontece finjo não o ver.
Com mais alguns comentários e súplicas das outras irmãs para que o pai voltasse atrás em relação ao primo, terminaram o jantar e Jane e Lizzy foram para seu apartamento.
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