Todos se levantaram tarde no dia seguinte, passava das 13h30 e nada de Lizzy e William aparecerem, todos estavam desconfiados, as irmãs de Charles comentavam entre elas, Caroline estava nitidamente aborrecida. Então, Jane e Charles resolveram ir até o quarto de ambos. Jane foi ao quarto de Lizzy, bateu levemente na porta e entrou, parou assustada, Lizzy dormindo nos braços de William. Não podia acreditar, sorriu ao perceber que nem estavam cobertos e ainda estavam com a roupa da noite anterior.
‘O sono os pegou antes’ _ pensou, teve vontade de rir e saiu rápida, fechando a porta que fez um leve ruído.
Lizzy acordou com o ruído, sua cabeça doía, não conseguia abrir os olhos, não se lembrava onde estava, o que tinha acontecido, foi tomando consciência de si lentamente. Até que se deu conta de que estava abraçada com alguém, sua cabeça doeu mais. Pelo perfume, soube quem era, a cabeça doeu mais forte, abriu os olhos, percebeu que William despertava, sentiu um leve tremor pelo corpo dele, sinal de que havia se assustado, quando percebeu onde estava e com quem, sentiu os dedos dele acariciarem os seus cabelos. Num esforço Elizabeth levantou a cabeça, que estava apoiada no ombro dele, para vê-lo e encostou-a no travesseiro, ficando na mesma altura que William. Sua cabeça doía e latejava, percebendo que Elizabeth não estava bem, acariciou suas têmporas, ela sentiu-se um pouco melhor. Ainda meio abraçados, ambos olhavam-se sem dizer nada, ficaram, um longo tempo assim, até que William percebeu que era hora de ir, pegou uma de suas mãos e uniu com a dela, levou-a até os lábios e beijou-lhe a palma da mão. Elizabeth fechou os olhos. Darcy levantou-se e saiu, Lizzy sentia-se muito mal, ainda não conseguia se levantar, de olhos fechados, tentou dormir mais um pouco. Enquanto isso, Jane descia as escadas rindo. Encontrou Charles.
_ Não o encontrei, sua cama nem foi desfeita. _ disse Charles preocupado.
_ Eu o encontrei.
_ Onde?
Jane olhou para os lados para certificar-se de que não havia mais ninguém por perto.
_ Ele esta com Lizzy. No quarto dela. Estão dormindo. _ disse sussurrando.
_ Ora, aquele malandro! _ exclamou Charles em voz alta.
_ Não Charles! Não seja malicioso, não aconteceu nada.
_ Como assim? _ perguntou confuso.
_ Estão de roupas. Pelo visto o sono os derrubou antes que fizessem algo ao qual pudessem se arrepender. _ disse Jane aliviada.
_ Como se arrepender? É nítida a atração que sentem um pelo outro.
_ Lizzy só é capaz de se doar por amor, é preciso mais do que atração física. Embora ela não demonstre, é muito romântica.
_ Todas as Bennet o são, ouso dizer. _ sorriu, abraçando-a.
_ Fomos criadas assim, o que posso dizer. _ sorriu e lhe deu um beijo terno na face.
***
William chegou ao seu quarto, atirou a cartola e o nariz de palhaço no chão e foi se despindo até chegar ao banheiro, ainda tinha a sensação de estar com Elizabeth em seus braços, embora não tenha sido sob nenhum aspecto, a noite que sonhara passarem juntos, foi uma experiência única. Lembrou-se de Charles dizendo:
‘Hoje não vai ficar sozinho.’ _ William sorriu _ Realmente! _ exclamou para si.
A batalha que travou antes de dormir, continuava ganha pela razão, embora Elizabeth fosse a mulher que mais possivelmente lhe faria feliz, ela nunca poderia fazer parte de sua vida, seus mundos eram diferentes, William sabia que Lizzy nunca aceitaria as normas e convenções sociais a que ele era obrigado. Prometeu a seu pai que cuidaria de tudo e que zelaria pelo nome de sua família, muitas pessoas dependiam dele. A empresa da família, estava espalhada pelo Brasil todo e em alguns outros pontos do mundo. Muitos empregos deveriam ser mantidos, precisava manter boas relações, tornar-se cada vez mais confiável, pois ainda era jovem para comandar as empresas e os mais diversos negócios, tinha que ser respeitado, não poderia ser visto em namoricos, não poderia ser visto como um playboy. Teria sempre que ter relacionamentos sérios, com moças adequadas, de boas famílias. O casamento dele infelizmente, seria mais um negócio, portando, adiaria esse dia o mais que pudesse. Por mais que odiasse essa idéia, afinal era um homem moderno, e esses valores eram coisas de séculos atrás, mas nesse ponto, a sociedade não havia evoluído tanto. Por mais que ocorressem casamentos entre pessoas de níveis sociais diferentes, sempre a do nível inferior, era vista como oportunista e caça fortuna. Sim, William gostaria de se casar com Elizabeth, não suportaria viver sabendo que ela estava livre para outros relacionamentos, o ciúme o havia tocado, mas ainda não tinha a certeza de que a amava. Terminou o banho, enxugou-se, decidiu sair para espantar seus pensamentos, precisava pensar em outras coisas.
***
William encontrou Charles sozinho na varanda.
_ William, meu amigo. _ sorriu Charles _ Venha me contar por onde andou. _ disse malicioso.
_ Esta sozinho?
_ Oh, sim. Jane esta passeando com minhas irmãs. Achei que seria bom, elas se conhecerem melhor.
_ Por que Charles? O que pretende? _ perguntou irônico.
_ Ainda estou amadurecendo os meus planos. Mas, não estávamos falando de mim.
_ Pretende pedi-la em casamento?
_ Talvez. Esta fugindo do assunto?
_ Você a ama?
_ Sim, sobre isso tenho absoluta certeza.
_ Ela o ama?
_ Bem, minha modéstia ainda não me dá essa certeza. O que acha?
_ Da sua modéstia?
_ Não homem! Se Jane me ama?
_ Não sei Charles. Não parei para observar isso.
_ Disso eu sei. Você estava observando outra Bennet. Bem, pois é sobre isso que estou tentando saber. Pare de fugir do assunto. Mas, para que você não fique me enrolando vou-te dizer que estive no seu quarto de manhã e você nem sequer havia passado por lá, embora eu já saiba aonde você dormiu ... _ foi interrompido.
_ Já sabe? _ perguntou assustado.
_ Sim. Jane esteve lá pela manhã e ... _ foi novamente interrompido.
_ Quem mais sabe? _ perguntou preocupado.
_ Somente eu e Jane.
_ Bem, se você já sabe. _ respirou aliviado _ Por que esta me perguntando?
_ Quero ouvir de você. Somos amigos.
_ Charles, dormi no quarto e na mesma cama com Elizabeth e foi somente o que aconteceu, nada mais.
_ E por quê? Você gosta dela, Lizzy é uma bela mulher, é agradável e ...
_ Sei de tudo isso, Charles. Mas, Elizabeth dormiu, antes que pudesse acontecer qualquer coisa. Mas, foi bom que tenha sido assim, você sabe que não posso me dar ao luxo de viver aventuras amorosas ...
_ Aventura amorosa? Não gosta dela? _ perguntou incrédulo.
_ Não da maneira que imagina. Embora, sinta por ela, um carinho especial, não é nada que possa me tentar a sentir algo mais forte ...
_ Boa tarde, senhores. _ disse Elizabeth, friamente.
_ Lizzy !?! Como você esta? _ perguntou Charles desconcertado, indo ao seu encontro.
_ Fora à dor de cabeça, estou bem.
William, que estava de costas, virou-se _ ‘Será que ela me ouviu?”_ perguntou a si mesmo, mas não pode ler a resposta em seus olhos, pois Elizabeth estava usando óculos escuros.
_ Quer um analgésico?
_ Não obrigada, Charles. Já tomei um. _ fez-se uma pausa _ Bem, já que estão os dois aqui. Gostaria de pedir desculpas, pelo meu comportamento desses últimos dias, sua irmã me deu uma lição valiosa ontem e se de alguma forma eu desrespeitei sua hospitalidade, Charles, me desculpe, não foi a minha intenção e estou envergonhada.
_ De maneira alguma, Lizzy, por favor, não tem do que se envergonhar.
_ Ao senhor, também, Sr. Darcy. Minha conduta com o senhor foi inadequada, mas tenho certeza de que isso não voltará a se repetir.
_ Não há do que se desculpar. Só me tratou da maneira que mereci.
_ Bem, é isso. _ sorriu para Charles _ Onde esta Jane?
_ Esta com minhas irmãs.
_ Ah! Então vou caminhar. Com licença, acho que interrompi uma conversa particular, mais uma vez me desculpem. _ virou-se e saiu.
_ Acho que Elizabeth, nos ouviu, ao menos a última parte da conversa.
_ Acho que sim. Mas isso, não importa mais. _ disse William secamente.
***
Elizabeth havia sido ferida em seu orgulho.
‘Bem, ele que pegue todo esse carinho especial e ... e ... jogue aos porcos!’ _ disse para si _ ‘Mas que homem ridículo! E porque ele acha que alguém o amaria? Ele é tão insuportável e cheio de si, fazendo questão de mostrar que é rico, com aquela cara empolada.’ _ riu, lembrou-se da cara de “ai que saco”, que sempre estava mostrando _ ‘Como alguém poderia gostar disso? Lizzy, Lizzy, você não estava com os parafusos no lugar!’ _ riu _ ‘Ter ouvido isso me fez muito bem. Fez-me ver que não estou perdendo nada.’ _ olhou a paisagem, ainda teria mais um dia naquele lugar lindo, aproveitaria ao máximo a natureza, viu algumas crianças brincando no lago e foi até elas, sua dor de cabeça milagrosamente havia desaparecido. Quando voltou estava anoitecendo.
_ Lizzy !?! _ olhou Jane preocupada _ Onde esteve? Por que esta toda molhada desse jeito?
_ Estava no lago com meus novos amigos.
_ Novos amigos?
_ Sim, os filhos de alguns funcionários. Diverti-me tanto Jane. Amanhã irão me levar para fazer trilha até uma cachoeira.
_ Trilha? _ perguntou Charles _ Não é seguro fazer trilha, por aqui. Precisa de um guia da região. Não aconselho ir somente com crianças.
_ Oh! O irmão mais velho de um deles é quem vai levar. Ele conhece bem a região, chama-se Rodrigo, é filho do Sr. Alvarez.
_ Ah, sim, sei quem é. Então, não há com o que se preocupar, é um rapaz muito responsável.
_ Querem vir conosco?
_ Nem pensar. _ exclamou Caroline _ Andar com crianças !?! _ disse aborrecida.
_ Havíamos combinado em ir até a cidadezinha aqui perto. _ disse Jane.
_ Então, não mudem os seus planos. _ disse Lizzy, sorrindo _ Vou me lavar para o jantar, com licença.
_ Nossa! _ exclamou Caroline para William, vendo que Charles e Jane estavam afastados _ Viu o cabelo dela? Parecia uma selvagem!
_ Não reparei. Mas o exercício, fez muito bem ao brilho dos belos olhos dela. _ disse William sem pensar.
_ Se é assim, deve dizer a sua noiva, que deverá se comportar melhor da próxima vez. Isso, não caí bem a um Darcy.
_ Minha o quê?
_ Noiva, claro! Com tantas demonstrações de sua preferência por ela, nestes dias, tinha certeza de sua escolha.
_ Vocês mulheres são mesmo muito rápidas, vão da admiração ao casamento num piscar de olhos. Bem, Caroline. Tem mais algum conselho em prol da minha felicidade doméstica? _ perguntou cínico.
_ Oh, sim! Controle a língua dela, sua tia Catherine não suportaria ouvir suas opiniões rudes.
_ Claro! _ deu-lhe um sorriso seco e afastou-se.
O jantar e a noite, transcorreram calmos. Elizabeth não conversou com William, e este observou Jane e Charles. Caroline vendo o tratamento frio com que Lizzy dispensava a Darcy, voltou a ter esperanças e o cumulou de atenções novamente.
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