Lizzy acordou e olhou no relógio, eram 06h30, não conseguiu ficar na cama, resolveu levantar e caminhar um pouco. Passou pela cozinha, estava com fome, conversou com algumas cozinheiras, sobre o caminho que poderia tomar, sem se perder e lhe ofereceram broinhas que acabavam de sair do forno. Lizzy, pegou duas e saiu, não tinha se afastado muito e ouviu alguém lhe chamar.
_ Elizabeth!.
_ Darcy! _ exclamou espantada, parando _ Acordado tão cedo?
_ É um hábito. E você?
_ Embora, seja um hábito dos dias da semana _ riu _ não consegui ficar na cama.
_ Aonde vai?
_ Caminhar um pouco. Gosto muito de andar.
_ Gosta de andar a cavalo?
_ Não sei, nunca montei.
_ Nunca? _ perguntou espantado.
_ Na cidade, andamos de carro. _ sorriu sem graça.
_ Claro. _ sorriu levemente, seus olhos brilhavam _ Quer aprender? Posso te ensinar.
_ Ah! Melhor não. _ respondeu desconfiada.
_ Por quê? Esta com medo de mim?
_ De você? _ disse com pouco caso _ Claro que não. Tenho medo do cavalo. _ riu.
_ Venha, não tenha medo eu te protejo.
_ Acho, que agora tenho que ter medo de você. _ sorriu maliciosa _ Bem, se você prometer ser bonzinho, te dou uma broinha.
_ Hum. Prometo. _ pegando uma _ Aonde conseguiu?
_ Ué, na cozinha. Nunca vai a cozinha?
_ Infelizmente não. Mas, agora que me mostrou as vantagens, talvez passe por lá antes de sair pela manhã. _ riu.
Chegaram no estábulo e William pediu um cavalo manso para Lizzy, notou o receio dela, deu-lhe alguma orientação e a ajudou a montar, cavalgaram devagar, bem próximos, logo Elizabeth sentiu-se confiante e dominou a situação.
_ Parabéns! Você leva jeito para a coisa. _ disse admirado.
_ Aprendo rápido. _ sorriu feliz por ter perdido o medo _ Obrigada por me ensinar. Até que você não é um mau professor. Que tal apostarmos uma corrida?
_ Acha que pode?
Lizzy não respondeu e disparou na frente, Darcy foi atrás, mas como o cavalo dele era superior ao dela, logo a alcançou e ultrapassou, parou mais à frente. Elizabeth chegou e Darcy a ajudou a desmontar, segurou-a pela cintura, ficando próximos, o cavalo fez um ruído, assustando Lizzy, num impulso protetor, William a trouxe para junto de si, olharam-se, mas de repente a expressão dela se tornou dura.
_ O que pensa que vai fazer? _ perguntou num tom reprovador.
William se afastou.
_ Acha que pode me beijar? Acha que sou tão fácil assim? _ continuou num tom sarcástico.
_ Não. _ respondeu sério.
_ Por que imagina que quero seu beijo?
_ Não imagino. Foi um impulso. _ sua voz tornou-se sem emoção.
_ Então é isso? Atração física? _ sorriu com desdém.
Ele virou-se.
_ Olhe para mim. _ disse autoritária _ Você me deseja, não é? Arrepende-se de ter terminado, antes de ter estado comigo? Viu-me ontem na piscina e notou que sou melhor do que você imaginava, não é? Responda-me Sr. Darcy.
Ele voltou a encará-la, seu olhar era frio, Elizabeth notou um lampejo misto de raiva e frustração, Darcy se aproximou, segurou-a pelos braços, Elizabeth permaneceu firme na posição em que estava, então ele ficou muito perto, seus corpos quase se tocaram, disse num tom amargo, porém contido:
_ É isso o que você quer ouvir, Elizabeth? _ olhando-a nos olhos _ Sim, te desejo. Sim, eu me arrependo de ter ido embora naquela noite de Natal. Sim, eu vi o seu corpo e gostei muito do que vi. O meu corpo inteiro arde pensando em você e é somente isso, atração física. _ calou-se, leu o choque nos olhos dela, se arrependeu. Não era isso o que sentia, mas ela o estava magoando, tinha que manter sua decisão, Elizabeth não era a garota para ele.
_ Me solte. _ Lizzy disse ríspida, afastando-se, continuaram olhando-se _ Isso esclarece algumas coisas. Mas, não sou o tipo de garota que libera seus desejos com qualquer um. Se essa foi a sua opinião sobre mim, enganou-se. Ontem falei a sério, não gosto que me olhe, não quero que me toque novamente. Não ficaremos sozinhos novamente por vontade própria, pois se você me tocar _ parou um instante _ se me tocar de novo, não sei o que sou capaz de fazer. _ disse furiosa, voltou-se e montou sozinha no cavalo, saindo em disparada.
William ficou sozinho sentindo o peso das palavras dela, o seu orgulho havia sufocado todos os sentimentos ternos que sentia por ela. Afinal, quem Elizabeth pensava que era para desprezá-lo daquela forma. Depois de algum tempo, tentando acalmar os ânimos, voltou para a casa da fazenda.
***
Elizabeth estava brava consigo mesma, por ter aceito o convite de Darcy, quando chegou ao estábulo deixou o cavalo aos cuidados do tratador e andando rápido, chegou a um jardim, havia algumas mesinhas e bancos de mármore espalhados próximos a belas flores, sentou-se, seus sentimentos confusos iam da raiva a indignação.
‘Monstro!’ _ disse a si mesma _ ‘Tola! Isso é o que dá confiar nas pessoas! Principalmente “nele”.’ _ olhou para o céu, não havia nuvens, fechou os olhos e respirou fundo, tornou a abri-los, estava confusa, tinha certeza de que não gostava de William, começava a achar que o detestava, mas alguma coisa a atraía para ele, sem perceber ela sempre lhe dava muita atenção. _ ‘O que exatamente eu tenho que aprender com isso?’ _ continuou pensando, intrigada _ ‘Deve haver uma explicação, talvez não seja lógica, mas uma explicação.’ _ olhou um beija-flor voando freneticamente entre as flores, a visão deu-lhe um novo ânimo. Levantou-se, todos deveriam estar acordados há essa hora e tomando café, deveria voltar, disse em voz alta:
_ Eu não me importo com coisas pequenas. _ sorriu, lembrava-se vagamente de ter ouvido isso num filme, cantarolando retornou a casa da fazenda.
***
Todos tomavam o café da manhã, quando William entrou, Elizabeth agiu naturalmente, como no dia anterior. Darcy decidiu que faria o mesmo, fingir que nada havia acontecido naquela manhã. Após o café, decidiram passar a parte da manhã na piscina, menos a irmã mais velha de Charles e o seu marido, o Sr. Hurst, não gostava de exercícios e preferia comer e dormir a acompanhar os demais.
_ Este lugar é realmente muito lindo, Charles. _ elogiou Lizzy.
_ Obrigado, concordo com você. _ sorriu.
_ Ora, Charles. Nem se compara a Pemberley. _ exclamou Caroline _ É a fazenda mais bela que conheço e sua beleza natural, não tem comparação com nenhuma outra.
_ Também acho Caroline. _ concordou Charles _ E se William a vende-se, eu seria o primeiro a comprá-la. _ sorriu para William _ Mas, quem sabe podemos imitá-la um pouco.
_ Não seja tolo, Charles. Não há como imitar um lugar tão magnífico.
Lizzy riu intimamente, concluiu que a vontade de Caroline para agradar Darcy não tinha limites. Cansada da conversa, decidiu dar um mergulho, mas viu Darcy levantando-se e dirigir-se para a borda da piscina, isso a fez desistir da idéia. A discussão que tiveram logo cedo a tinha deixado um tanto triste, porém sem poder explicar, após a sua breve reflexão no jardim, a qual não havia chegado à conclusão alguma, sentia uma sensação estranha que não conseguia explicar, considerou que estava completamente livre de qualquer sentimento que pudesse nutrir por ele. Com esses pensamentos, não percebeu que o olhava, no início sem admiração, mas quando deu por si estava reparando nos detalhes do corpo dele, teve que admitir, Darcy era lindo, lembrou-se do apelido que Fred tinha lhe dado, ApoZeus, era ridículo, mas realmente Darcy era superior a maioria dos homens em se tratando de beleza. Ele saiu da piscina, seus olhares se encontraram, Lizzy desviou rápido o olhar, começou a rir, voltou-se e seus olhares encontraram-se novamente, Darcy sorriu, parecia ter lido os seus pensamentos, Elizabeth deu de ombros, colocou os óculos escuros e deitou-se na cadeira, dizendo para si _ ‘Por fora bela viola, por dentro pão bolorento!’ _ sorriu.
_ Venha Lizzy. Vamos nadar. _ chamou Jane _ Mas, você tem que pular na água, virando estrela.
_ Jane, sempre querendo que eu chame atenção. _ reprovou Elizabeth.
_ Por favor, faz tanto tempo. _ Jane deu-lhe um de seus sorrisos meigos.
_ Então, faça também. _ Jane concordou, levantaram-se e alongaram-se.
_ O que vão fazer? _ perguntou Charles, desconfiado.
_ Mostrar nossos dotes circenses. _ riu Jane e olhando para Lizzy, fez um sinal com a cabeça _ Já!
Correram, Lizzy fechou os olhos e fez a “acrobacia”, quando caiu na água percebeu que estava sozinha, emergiu. Charles e Jane a aplaudiam em pé, William apenas sorria e Caroline olhava incrédula.
_ Jane, não acredito que me fez pagar esse “King Kong” sozinha? _ disse fingindo estar zangada.
_ Desculpe Lizzy, não agüentei.
_ Ah é? _ saiu rápido da piscina e correu atrás de Jane, pelo caminho derrubou Charles de propósito em seguida agarrou Jane e jogou-se com ela na piscina, os três rindo brincavam, jogando água um no outro e afundando-se na piscina, Caroline que os observava com um ar de desdém, aproximou-se de Darcy que os observava divertido.
_ Não considera deprimente, William? Parecem bárbaros.
Ele não respondeu.
_ É uma pena! _ exclamou Caroline _ Jane é uma moça muito boa, mas com a família que tem e suas origens tão simplórias, não é adequada ao nosso querido Charles. Não concorda?
_ Quem deve decidir isso é Charles. _ respondeu sério.
_ Venham! _ chamou Charles _ A água esta ótima.
_ Claro que não, Charles. Não quero molhar o meu cabelo. _ sentou-se próxima a William.
Jane e Lizzy olharam-se e riram da resposta de Caroline. William levantou-se e mergulhou, logo chegou perto do grupo, um tanto sem graça e sem saber o que fazer. Jane e Lizzy voltaram a brincar entre si, Charles e William as olhavam, Charles estava encantado.
_ Jane seu namorado não esta com cara de quem esta com sede? _ disse baixinho num tom peralta.
_ Esta. _ concordou rindo, as duas mergulharam e o puxaram para baixo, sem esperar Darcy também foi puxado, os quatro, brincavam como crianças.
Depois de algum tempo Charles puxou Jane para si e se afastaram um pouco dos demais.
_ Acho que a brincadeira acabou. _ disse Elizabeth olhando para Jane e Charles.
_ É. _ concordou William.
_ Ufa! Estou cansada, nadou em direção a borda da piscina e saiu, sem olhar para trás, Darcy saiu em seguida e foi para seu quarto tomar uma ducha.
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